Old Books Room teletransporta você para as pistas de dança com seu rock frenético

Hoje a ordem do dia é tirar seus sapatos vermelhos do armário, colocar sua melhor roupa e ir para a pista de dança. É dessa forma que o som da Old Books Room faz você se sentir. O som deles é energético e cativante mas com a profundidade de grupos como Interpol, Ride, My Bloody Valentine e Placebo. Ou seja a dança tem seu lado mais sério mas sem perder a compostura.

Formada em 2011 a banda nasceu em Fortaleza/CE e desde então já tem um disco e um EP lançados. A primeira empreitada foi o disco de estreia Songs About Days (2014), já o EP The Last Angry Boys In Town foi lançado em abril de 2015.

Ambos trabalhos lançados até o momento foram gravados com o produtor Matheus Brasil do selo Tape Oca Records que ficou responsável pela captação, mixagem e masterização do material. Segundo a banda “As gravações aconteceram de forma surpreendentemente rápida, e tiveram como local de trabalho, a própria casa dos integrantes.”

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Old Books Room de Fortaleza/CE. – Foto Divulgação

O som da banda passeia com certa facilidade entre as décadas de 80, 90 e 00. E grande parte disso vem por conta dos elementos que incorporam dentro da sonoridade do grupo que atualmente é formado por: Felipe Portela (Sintetizador), Reinaldo Ferreira (Guitarra e Voz), Davy Nascimento (Bateria), Ricardo Ferreira (Guitarra e Voz) e Diego Fidelis (Baixo).

É muito interessante ouvir o trabalho da Old Books Room pois é como abrir uma enciclopédia de referências sonoras distintas. E não digo isso de maneira negativa não, acho incrível grupos que conseguem captar diversas referências e no resultado final criar de fato algo com identidade.

Por este fato decidi não apenas comentar sobre o lançamento mais recente mas revisitar a discografia do grupo cearense. Aliás fiquem ligados pois 2017 eles prometem novo trabalho a vista então este post é apenas um aquecimento para o que está por vir.

Em 2014 eles lançaram como disse anteriormente o disco de estreia, Songs About Days (2014). Um disco que passei o dia escutando e foi uma ótima experiência correr na esteira ao som desse high energy rock’n’roll. Isso fez com que o desafio – geração saúde – fosse até mais fácil. Então fica a sugestão: ouça o disco dos caras correndo, jogando futebol, almoçando, no trabalho mas ouça.



Saindo do lado mais descontraído vamos as percepções e o famoso faixa-a-faixa do Hits Perdidos. O disco conta com 10 faixas e energia contagiante do começo ao fim e viaja pelo do rock alternativo ao high energy rock’n’roll que foi resgastado por bandas suécas na década de 90.

O disco já abre com “Waves Of Sun” que tem peso, energia vibrante na guitarra e o teclado deixa tudo mais dançante. Algo como se o Placebo entrasse em uma pista de dança com o Cansei de Ser Sexy e saísse de mãos dadas com o Hellacopters. Tem espaço para a viajada guitarra cheia de solos setentistas assim como para o baixo pegado dando o tom da nota. Um som para incendiar a pista de dança dos clubes que ainda apostam no rock.



Já “Get Down” traz um lado mais introspectivo a tona, o revival dos anos 90/00 contrastam. Uma canção que bebe da fonte do grunge e do rock alternativo de grupos como Feeder, Stone Roses, Hot Chip, The Pigeon Detectives e Bloc Party. Sua letra fala literalmente sobre desacelerar e refletir sobre ações, soa até como um desabafo.

Quem já chega marcando o passo com uma linha de baixo pegada é “Sea Of Inconstance” com uma guitarra shoegazer com toque Joy Division – que bandas como Cigarettes After Sex reacendem a chama – uma faceta que artistas de post-rock também tem usado em bons discos que vemos por aqui como do LVCASU.

A canção cresce e ganha o caos frenético de grupos como Interpol que carrega entre os altos e baixos o seu ponto de ebulição em seus discos. Mas voltando a canção, a melodia é um tanto quanto trabalhada e o vocal se destaca pela constância. Já os riffs entram dando o tom de destruição que a inconstância da canção pede.

As guitarradas mais robustas voltam a solar livremente na introdução de “We All Gonna Die” que traçam um paralelo entre o peso do grunge e a densidade do Placebo. Diria até que soa como um encontro do The Hives com alguma banda mais moderna como Two Door Cinema Club, mas talvez seria algo ousado. O que importa é que dançar com vigor é um pré requisito ao ouvir a canção. É rock’n’roll até o fundo do poço como o fúnebre título da música nos diz.

O lado mais Ride, Smashing Pumpkins viajado das guitarras que passeiam pelo shoegaze que são referências da Old Books Room fica evidenciado “Crazy Boys Stuff”, uma das mais belas e sensitivas canções do primeiro registro de estúdio do grupo. Aquele sonho de revolução tão comum da fase sonhadora da juventude aqui está eternizado através de camadas sonoras que flertam com os sentimentos humanos mais puros

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A Old Books Room será uma das atrações da próxima edição de Festival DoSol. – Foto: Divulgação.

A segunda parte do disco que se estivéssemos na época que os lançamentos eram feitos apenas em vinil ou fitas cassete seria o famoso LADO B do disco (ou fita) se inicial com “One Crazy Love Made Me So Blue”.

A fossa é contemplada no som através de ondas magnéticas dos pedais de fuzz, com backin vocals bem trabalhados e atmosfera lo-fi. Gosto de como o solo entra para quebrar com o ritmo da canção, fazendo a pancadaria se contrastar com a leveza dos acordes mais melódicos.

Sinto um pouco de Ludovic e Sunny Day Real Estate em “Close Your Eyes With A Kiss” pela dose de sentimentalismo e lo-fi. Uma canção que soa como uma conversa sincera de frente para o espelho e nos traz reflexões duras sobre a vida. “Hopeless Romantic” sob o viés de um apaixonado.

“Let Me Teach You” flerta com o post-punk oitentista com teclados preparados para convocar dancinhas coreografadas na pista de dança indo de encontro com guitarradas que navegam pelas águas calmas do post-rock.

“The Incertain of Being Me” creio que seja o Hit Perdido do disco por ser uma canção que consegue encaixar o peso e acelerar mas mantendo o teor pop. Ela alucina e flerta com o hardcore de grupos mais pesados por meio de sua cozinha mais transgressora e “frita”.

Com o recurso dos gritos sing a long de grupos do estilo, algo que incorpora e dá uma nova tônica ao disco da banda. O baixo é carregado, seu som é alto e no talo. Dando assim uma energia ainda mais vibrante para a composição.

A canção que fecha o disco é “You Make me Forget that I Already Forgot Myself” que tem a calmaria shoegazer/lo-fi e flerta com o campo astral em sua sonoridade. Lembrando um pouco a viagem apocalíptica do grupo Angels & Airwaves. Fechando o disco de estreia com uma leveza mais reflexiva depois de um som mais pesado. Talvez a dualidade do equilibrio/ desequilíbrio de emoções seja a tônica do teor das composições do álbum.

Um ano e três meses depois do lançamento do disco a Old Books Room colocou no ar seu segundo lançamento. Só que dessa vez um EP contendo cinco canções inéditas, The Last Angry Boys In Town (2015). Como eles mesmo irão comentar em entrevista para o Hits Perdidos é um registro que mostra tanto uma evolução em relação ao lançamento anterior como marca uma nova fase.



E com a alma mais revigorada e boas vibrações The Last Angry Boys In Town já começa animado com uma música com uma temática um tanto quanto 007 em “Fast Cars and Specials Bonds”. Com uma levada especial que o Placebo consegue imprimir em grandes hits como “Special K” indo de encontro com a tropicalidade do Copacabana Club.

A próxima canção “Ghosts in Their Houses” é uma das canções favoritas da banda deste EP. Ela consegue passar pelo mais moderno do revival que grupos como Mac Demarco e sua trupe fazem mas sem perder a energia das pistas de dança. É uma canção sobre ambições. No fim da canção até brincam com o som de “como se um fantasma estivesse de fato invadindo uma casa”. Boa sacada.



“Keep You Apart” tem a energia visceral do Silverchair, é rápida, pegada, massacrante. Cheia de questionamentos ela encara seus problemas de frente. É o levantar da cabeça para seguir em frente.

Encorporando as texturas delicadas do som do Slowdive e o som eletrônico dos FOALS, “My Mind Got Sick ( Uh Uh Uh )” é uma balada para fechar os olhos e flutuar. A bateria e o teclado são os protagonistas da canção. O que a deixa com um ar mais dançante em relação as músicas do disco anterior. Algo na linha dos contemporâneos do The 1975.

A faixa que fecha o EP é “Waves” e passeia por influências da complexidade do Ride a simplicidade The Clash num piscar de olhos – sem esquecer do eletrônico do FOALS. Talvez a canção que mais sabe dinamizar o espaço entre guitarras e teclado do disco. Até o momento que este texto está sendo publicado a canção é a minha favorita do EP. Assim sendo o Hit Perdido do The Last Angry Boys In Town.

O exercício de ouvir os discos na sequência é algo um tanto quanto interessante. Visto que mostram fases diferentes e com recursos, conceitos e mentalidades distintas. A soma de novas influências e a maneira de enxergar o som mostra como a banda está viva e antenada com o que está acontecendo em sua volta.

Os questionamentos da vida mundana permanecem ali mas sob uma nova perspectiva. Assim como as influências principais do grunge/rock alternativo mas sentimos que no último lançamento gêneros como o eletropop e o synthpop ganharam ainda mais protagonismo. Para quem quer sair daquele rock cru e sem experimentalismos é uma ótima pedida para a playlist!

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[Hits Perdidos] Como surgiu a banda? Fiquei sabendo que já trocaram de algumas formações, como isso impactou o som da Old Books Room?

Old Books Room: “Antes de propriamente sermos a Old Books Room, existia um embrião da banda chamado Hard Heaven, onde tivemos nossas primeiras experiências desenvolvendo nossas composições, e onde fizemos alguns shows, algumas destas composições fizeram até parte do primeiro CD da OBR.

Em 2011, a Old Books Room tinha como integrantes, Reinaldo Ferreira (guitarra/vocais), Ricardo Ferreira (guitarra/vocais), Diego Fidelis (Baixo) e Marcus Rabelo (Bateria). Essa formação foi mantida até 2014. No começo deste ano, após lançamento do nosso primeiro CD, Songs About Days, Marcus Rabelo deu lugar a Osvaldo Lima. Essa mudança deu um caráter mais técnico para as músicas, que apesar de perder um pouco de “peso” no som, ganhou novas possibilidades de experimentação.

Neste período, desenvolvemos as músicas que estão presentes em nosso EP, The Last Angry Boys In Town, e boa parte das músicas que estarão presentes em novos trabalhos.Em 2015, convidamos Felipe Portela (teclado/synth), talvez a mudança mais significativa, pois mudou nossa forma de criar, dividindo de forma positiva, a atenção das guitarras, agora com os efeitos do sintetizador, e as harmônias do teclado.

Na metade desse mesmo ano, Osvaldo Lima deixa a banda, então convidamos Davy Nascimento (Cocaine Cobras/Ex-Red Run) para assumir as baquetas do grupo. Essa nova mudança, deu-nos, além de uma nova energia, a capacidade de renovação, uma nova dinâmica nas músicas, que ganharam mais intensidade.”

[Hits Perdidos] Vocês lançaram o disco Songs About Days em 2014 e no ano passado o EP The Last Angry Boys In Town. Como percebem a evolução de um trabalho para o outro?

Old Books Room: “Por se tratar do primeiro trabalho de estúdio do grupo, Songs About Days, superou as nossas perspectivas em seu lançamento. Ele é um album que trouxe algumas das músicas que já tocávamos bem antes da criação da OBR, e trás consigo, a energia de um bom primeiro disco.

Neste CD, as linhas de guitarras se destacam, são bem distorcidas, com bastante modulações,  além de linhas de baixo também serem bem marcantes, a dinâmica das músicas são parecidas, todas bem aceleradas, com exceção, da última faixa, “You Make Me Forget That I Already Forgot Myself”, uma canção mais introspectiva, não menos interessante.

Já em nosso segundo trabalho, o EP, The Last Angry Boys In Town, além de já contar com a entrada de um novo elemento, teclado e synth, as dinâmicas das canções mudaram um pouco, principalmente por assumirmos uma postura mais experimental.

TLABIT apresenta 5 músicas mais “pops”, uma nova percepção de composição, as guitarras dividem o protagonismo com efeitos de synth, os vocais também foram mais trabalhos, em “My Mind Got Sick”, temo um duo entre os vocais por exemplo. De forma nenhuma perdemos aquele “peso” do primeiro disco, apenas abrimos o nosso campo de visão criativa a novas possibilidades, o que fez muito bem a banda, mostrando um “novo lado”, um amadurecimento como compositores.”

[Hits Perdidos] Quais influências no som e quais na hora de escrever?

Old Books Room: “É engraçado, de uma forma surpreendente e positiva,  quando falamos sobre nossas influências, mais ainda quando o público fala sobre as semelhanças do nosso grupo com outras bandas, apresentando-nos grupos que nem conhecíamos, mas que o som é realmente bem similar ao nosso.

Fomos bastante influenciados sim principalmente pela década de 90, final dos anos 80, e os anos 2000. Temos grande influência das bandas alternativas da cena Grunge de Seattle, como Nirvana, e de outras bandas alternativas como Smashing Pumpkins, Placebo, Sonic Youth, e da cena shoegaze/dream pop inglesa, principalmente bandas como Ride e My Blood Valentine, e Slowdive.

Trouxemos também, em nosso som, grande influência de bandas mais recentes, que começaram a se destacar depois da virada do milênio como Silverchair, Interpol, Bloc Party, mais recentemente, Foals e Tame Impala.

Ao compor, acredito que as influências entram de forma bem subjetiva, de forma indireta. Além das influências que “desenvolveram” o nosso caráter musical, somos bastante influenciados, sem perceber, pelas bandas que estamos escutando  no momento em que sentamos pra criar novas canções. Acho que isso é bem natural para todos os compositores.”

[Hits Perdidos] Como estão as expectativa para tocar no Festival DoSol? Nos últimos anos tem aumentado o número de festivais/feiras se consolidando na agenda obrigatória de shows, movimentando a economia criativa de diversas formas. Como observam a importância dos festivais na hora de divulgar seu trabalho?

Old Books Room: “Estamos muito ansiosos para tocarmos em Natal pelo Festival DoSol 2016 que completa 15 anos de atividades. Neste ano, serão 170 shows realizados em 14 cidades, com certeza a maior edição do festival até o momento. Uma oportunidade perfeita para uma banda como a nossa, que está construindo o seu nome, dando um passo de cada vez.

Tocaremos no dia 12 de novembro, na noite de sábado, no palco Container. Mas ficaremos em Natal desde o dia 11, até dia 13, conferindo os shows das bandas, e estabelecendo novas parceiras, porque músico não trabalha somente em cima do palco. Como foi comentado, achamos sensacional o crescimento dos festivais, o maior destaque que eles tem ganho nesses últimos anos, movimentando uma cadeia profissional gigantesca. Todos ganham com esse crescimento, principalmente a nossa cultura.

Neste ano, tocamos também em outro grande festival brasileiro, a 1ª Edição do Festival Ponto CE. Foi a nossa primeira experiência em um grande festival, com bandas de todo o país. E aproveitamos da melhor forma possível, estabelecendo novos contatos, entregando material, fazendo novas amizades, sem falar no background conseguido ao participar, ser convidado, por esse tipo de festival, fundamental para todo projeto que busca por crescimento.”

[Hits Perdidos] Ter banda é excursionar bastante, fazer muitos amigos no meio da caminho e cair em ciladas. Qual história mais engraçada, trágica ou bizarra que já passaram na estrada?

Old Books Room: “Acho que até o presente momento, estamos dando sorte em nossas viagens, tirando as ultrapassagens perigosas dos outros condutores, não nossa, só temos a agradecer aos amigos feitos, shows maravilhosos, e lugares sensacionais em que tivemos a oportunidade de conhecer. Estamos trabalhando bastante para aumentarmos ainda mais o número de shows fora do estado do Ceará. Já passamos por histórias bizarras de integrantes sonhando com acidentes antes de uma viagem, mas até agora, tudo está bem tranquilo, esperamos que continue assim. “

[Hits Perdidos] Como é o processo de gravação? Tudo D.I.Y? Vocês mesmos gravam em casa, mixam e masterizam?

Old Books Room: “Nossos dois primeiros trabalhos foram gravados com o produtor Matheus Brasil, do selo Tape Oca Records. Ele foi responsável pela captação, mixagem e masterização do material. As gravações aconteceram de forma surpreendentemente rápida, e tiveram como local de trabalho, a própria casa dos integrantes.

Neste momento, temos um novo material, mais alternativo, em processo de mixagem/masterização, este novo trabalho foi gravado no estúdio de gravação da Nuvem Produções. Por mais que esses trabalhos tenham um pouco de D.I.Y mesmo, devido as condições dos locais de captação, mas sempre prezamos pelo máximo de qualidade que temos a disposição, por um trabalho que tenha verdadeiramente a nossa essência acima de tudo também, acredito que isso seja o mais importante.”

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2017 tem novo lançamento a vista. Foto: Divulgação

[Hits Perdidos] Pretendem lançar material inédito em breve?

Old Books Room: “Como já adiantamos, estamos em processo de finalização de um novo EP, ainda mais experimental que os trabalhos anteriores. Nele, estarão presentes 3 novas canções em um formato mais “eletrônico”.

Exteriorizando uma nova percepção sobre a Old Books Room, somando com a nossa discografia. Pretendemos lançar o primeiro single deste novo projeto, ainda este ano. Já estamos trabalhando também na pré-produção do nosso segundo álbum, no qual pretendemos lançar na metade de 2017, que com certeza, será o trabalho mais representativo da banda. Aguardem!”

[Hits Perdidos] Fortaleza possuí bandas que tem feito bonito, a Subcelebs é um bom exemplo para ilustrar isso. Como observam o cenário de rock local? Quais as maiores dificuldades e desafios no dia-a-dia?

Old Books Room: “O ano de 2016 está nos trazendo grandes surpresas, e nos enchendo verdadeiramente de orgulho. Vimos uma mudança de perspectiva em relação ao posicionamento dos grupos.

Nós mesmos da OBR, estamos participando em dois “campos de ação”, dois projetos. O primeiro, o “Projeto Circuladô“, nossos grandes parceiros e amigos da Subcelebs estão nessa batalha, além outras bandas e produtores importantes da cidade; este projeto visa descentralizar a realização de shows tanto em Fortaleza como em todo o estado do Ceará.

Levando shows a periferias, fomentando um novo público. Já o segundo projeto, se chama “Musicoletiva“, que estabelece a “união” entre várias bandas da cidade de Fortaleza, sobre o trabalho em coletivo.

Apesar dos diversos desafios que enfrentamos diariamente, principalmente a falta de recursos, pra quem leva a música e encara sua banda como o trabalho principal da sua vida, a dificuldade com remuneração é o maior deles; e como tornar isso sustentável, acho que isso é o maior desafio, não somente nosso para gente, mas para todas as bandas que estão trabalhando. Achamos que 2016 está sendo um ano digno de muito orgulho, pelo o que já conquistamos até agora, e o que vamos conquistar ainda mais.”

[Hits Perdidos] Quais bandas da região indicariam para os leitores do Hits Perdidos?

Old Books Room: “Com orgulho, e prazer mesmo, podemos dizer que a cena cearense, principalmente a de Fortaleza, que é que temos mais atuação, está fervendo neste exato momento, cheia de bandas muito talentosas, prontas para serem descobertas e apreciadas pelos leitores do Hits Perdidos, que vão do indie, ao hardcore, do grunge ao shoegaze e heavy metal.

Vamos citar alguma delas: Subcelebs, LILT, Mad Monkees, Black Drop Falls, Mugshot, The Good Gardem, Maquinas, Caike Falcão, Nafandus, Swan Vestas, Distintos, Projeto Rivera, A.R.S, Plastique Noir, Sulamerica, Rocca Vegas, Canil, Sátiros, Berg Menezes, Jack The Joker, Coldness, Siege of Hate (SOH).”

[Hits Perdidos] Quais clipes favoritos de vocês. E porque?


“Assim como é difícil dizer quais são as suas bandas favoritas, também achamos muito difícil dizer quais os nossos clipes favoritos, existem tantos clipes maravilhosos. Falando por mim, Reinaldo Ferreira, curto muito o clipe de “Heart Shaped Box” do Nirvana, além de ter marcado a minha adolescência, é um clipe muito poderoso, e ao mesmo tempo estranho, bem universo do Nirvana mesmo.”



“Para o Ricardo Ferreira, o clipe da música “Lights” da banda Interpol, por ser bem conceitual.”



“Diego Fidelis vai de Pond com a música “Man It Feels Like Space Again”, também por ser um clipe “estranho” aos olhos e trazer velhas recordações.”



“Para Davy Nascimento, vai de Black Sabbath, com a música “Paranoid”, clipe bem cru e marcante em sua vida.”

“E Felipe Portela vai de Nine Inch Nails com a música “The Hand That Feeds”, pela atmosfera passada pelas distorcidas.”
 
[Hits Perdidos] Como foi a experiência de gravar com os alunos do curso da Escola Porto Iracema das Artes o webclipe de “Waves Of Sun”?

Old Books Room: “Gravar com os alunos do curso da Escola Porto Iracema das Artes nos trouxe uma experiência fantástica. “Waves of Sun” foi o nosso segundo videoclipe. Não tínhamos tanta experiência na área do audiovisual e o Porto Iracema das Artes foi fundamental para adquirirmos esse tipo de habilidade, além de gravar, aprender como se faz.

O clipe ficou bem legal, e até hoje nos trás ótimos feedbacks.  E principalmente, acho que a nossa experiência com os videoclipes, mostra para as outras bandas, que mesmo com pouco recurso, é possível sim desenvolver um trabalho com qualidade.”

[Hits Perdidos] Falando em clipe. Se tivessem grana ilimitada para gravar um clipe. Qual música escolheriam e o que fariam?

Old Books Room: “Acho até complicado sonhar com isso, sabe aquela história do cachorro que corre atrás da roda mas não sabe o que faria se conseguisse pegá-la?

Pois é, acaba sendo parecido com a nossa história. Sempre trabalhamos com recursos limitados, e temos orgulho de conseguir o que conseguirmos dentro dessas limitações, claro que o plano é gerar uma boa renda, pra desenvolvermos um trabalho ainda mais concreto.

Se tivéssemos grana ilimitada para desenvolvermos um clipe, com certeza partiríamos do básico e principal fator decisivo para o sucesso desse trabalho, a ideia. Se a ideia é boa, independente do dinheiro envolvido, o clipe será bem recebido.

Com dinheiro em mãos, teríamos apenas muito mais segurança para trabalharmos essas ideias e desenvolvê-las com muita qualidade, o que também é fantástico pra gente, mas não faríamos uma super produção. Com certeza gravaríamos esse videoclipe com a música “Fast Cars And Special Bonds”, e pra falar a verdade, já estamos desenvolvendo um clipe bem criativo e engraçado para essa música. Cena dos próximos capítulos.”

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