FIDLAR tenta entender os dilemas dos Millennials em seu segundo disco

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No próximo dia 4 a banda californiana FIDLAR lança seu segundo álbum, Too (2015). Temido por muitos, o segundo trabalho depois de um bem sucedido full lenght FIDLAR (2012)carrega toda uma expectativa diferente.

Já que não são mais os ”moleques” que a pouco menos de 3 anos surpreenderam o mundo abrindo shows para bandas consagradas como The Hives, falando de temas polêmicos como: drogas, cerveja, skates, surf, preferências e zombarias.

Na tentativa de explicar o que significaria a sigla – do nome da banda – existem várias teorias, deixo aqui registrada uma engraçadinha:

FUCK IT DOG, LIFE’s A RISK

Eles sempre se destacaram por serem super relaxados e de bom humor. Muitas vezes nos lembrando aqueles amigos que chegam em casa com um pack de cerveja, aquele cigarrinho sinistro, e já puxam o controle do vídeo game para ter uma noite de nostalgia jogando Tony Hawk Pro Skater – ou até mesmo um FIFA – enquanto algum outro ”chegado”, já coloca o som na caixa com alguma banda escrachada dos anos 90. Tudo isso acompanhado de uma bela pizza quentinha.

Essa entrevista deles confirma exatamente essa situação retratada logo acima:



Eles mesmos deixam em aberto o significado, dizendo que o nome pode variar dependendo da criatividade dos fãs.

A cultura pop e o universo da infância/adolescência vivida por eles também tem grande importância na sonoridade escrachada da levada de guitarra lo-fi, com bateria suja característica resultando no que muitos tentam rotular como Garage Punk. Referências a filmes, seriados e estilo de vida ganham toda uma peculiaridade enquanto adentramos no universo do FIDLAR. E ao ouvir e ver clipes do primeiro disco dos caras fica ainda mais evidente.





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Com novos ares, instrumental mais trabalhado e um punch recheado de influências novas o novo disco mostra uma banda mais versátil e técnica; mas principalmente: Amadurecida.

E quem disse que amadurecer necessariamente tem que ser algo ruim e ”careta” ?

O álbum busca compreender os conflitos vividos pelos millennials só que de uma maneira mais light. Desilusões em vários setores da vida marcam o melancólico mas – com aparência na sonoridade – feliz Álbum. Os conflitos retratados são relacionados a muitos fatores: desde a falsa ilusão de mundo que a geração anterior os prometeu, misturado a problemas como o álcool na rotina, drogas, tecnologias e até o impacto de Drones em nossas vidas.

A convivência com bandas como os ~irmãos~ do Wavves fica mais evidenciado em algumas faixas mais trabalhadas com guitarradas como ”Punks” e ”Hey Johnny”, que ganham peso, distorção na voz numa vibe mais desértica e lisérgica.

A bem humorada ”40oz. On Repeat”, já abre alas para mostrar que o disco vai ser um pouco diferente do que os fãs de FIDLAR estão acostumados. Mais lenta, melódica, mas cheia de quebradas e até meio teatral ela já chega impressionando pela já citada versatilidade presente no novo disco.
A vibe nostálgica e as transições até parecem que já foram criadas para encaixar no clipe:



No clipe, a banda faz paródias através de atuações hilárias de bandas como: Sugar Ray, Suicidal Tendencies,  Missy Elliot, Devo,  Weezer, Eminem, Beastie Boys, Jamiroquai, The Hives, Oasis, Soundgarden,  Korn, Britney Spears, George Michael, Green Day, Korn entre outras. Vale a pena prestar bem a atenção para pegar todas as referências.

”Punks”, faixa que vem em seguida, lembra um pouco uma espécie de continuação de ”Cocaine” (FIDLAR, 2012), nos resta a dúvida se está também ganhará clipe. Com influências de hard rock, ela tem um solo que me remete a bandas como Stone Temple Pilots. Mostrando já um campo maior de influências logo no começo do álbum.

”West Coast” vem completamente repaginada, o single lançado ainda em um antigo EP da banda e que na época ganhou um clipe para lá de escrachado com a participação de Henry Rollings (eterno Black Flag e Rollins Band). E você pode comparar as versões logo abaixo, vendo uma clara evolução na parte instrumental da nova versão. Além disso, nesta nova versão, o som ganha novos versos ainda mais melancólicos durante a parte lenta nos quais o vocalista deixa claro seu descontentamento com o estilo de vida de juventude prolongada. Muitos frequentadores da rua Augusta deveriam dar ouvidos a suas sábias palavras.




”Why Generation” parece brincar com ”My Generation” do The Who, ao mesmo tempo que brinca com ”Blank Generation” do Richard Hell & The Voidoids. As gerações passam mas a pergunta que não quer calar é a mesma: ”O QUE SERÁ DA NOSSA GERAÇÃO?”. Como será lembrada?. Acredito que está canção vai agradar facilmente aos fãs de Mac Demarco (apenas um palpite).

”Sober”, é uma canção que brinca com as DR’s de casais, numa típica briga de casal bêbado a qual não leva a nada e só cria dor de cabeça no dia seguinte. E fica a pergunta: Quem nunca passou por situação semelhante?
Gravada em apenas dois ”takes”, cheia de efeitos eletrônicos, quebradas e guitarras propositalmente mal afinadas fazem dela nos despertar a mesma sensação de antí-climax que nos remete ao pensar em tal situação.

A canção seguinte é ”Leave Alone”, fala dos conflitos pessoais internos de sí mesmo ao lidar com suas emoções e sobriedade. Ou seja, o ”Hangover” e o arrependimento após a ressaca. Trata também dos conflitos em relacionamentos e a maturidade que isto influi em tudo ao seu redor. Claramente uma resposta a faixa anterior ”Sober”.



”Drone”, fala sobre a vida cotidiana e compara a sociedade a um Drone. No sentido de sermos controlados e ter uma vida totalmente regrada. Rebeldia sonora amigos, é disso que se trata a música. Muito influenciado por bandas da bay area na parte instrumental, garage punk sujão.

Se ”Overdose” estivesse no meio do último disco do Queens Of The Stone Age como faixa intro, talvez ficasse mais fácil de explicá-la. Atmosfera que caminha pelo deserto em uma falsa calmaria e retrata dilemas pessoais entre a vida e a morte. Acredito que está canção se encaixaria muito bem na trilha sonora do filme Medo e Delírios (Fear, And Loathing In Las Vegas – 1998).

Se me dissessem que os caras do FIDLAR ouvem Bob Dylan, Jimi Hendrix, american roots e músicas do tipo eu daria risada. Mas depois de ouvir ”Hey Johnny”, eu fico tentado a tentar descobrir se é uma tentativa da banda dialogar com essa outra geração. Afinal o grande tema do álbum é tentar entender está geração atual e porque não fazer o exercício de observar as anteriores em busca de respostas?

”Stupid Decisions” tem sonoridade anos 70 em sua raíz e questiona as decisões estúpidas que fazemos quando estamos em estado alterado e os arrependimentos que isso causa. Culminando no deterioramento muitas vezes das relações no campo pessoal. Cheia de pianos, efeitos sonoros e solos, sendo assim a faixa ”Opera Rock” do álbum.

Para quem estava com saudades de um punch de punk rock neste álbum, ”Bad Medicine”, vem com tudo para jogar a poeira pro alto. Mais uma vez o tema central é o álcool como cura para todos os problemas. Visto de uma maneira pessimista e crítica em relação ao estilo de vida alcoólatra. Gozando do estado calamitoso que isso proporciona, divagando na letra sobre ”o embaraçamento social de entrar em coma alcoólico e se mijar” em vão. Seria esse um retrato da crise de meia idade?

”Bad Habbits”, é a faixa escolhida para fechar o disco. Relata sobre o descontrole de um alcoólatra que tenta se livrar em vão do estilo de vida autodestrutivo e a depressão que isso lhe causa. Em certa parte da música eles até citam ”Parece que estou me tornando igual ao meu pai”. Ou seja, a luta e resistência melancólica de um viciado ao tentar se livrar de sua ”muleta”.

O disco varia entre as decepções, conflitos e a tentativa implacável de tentar entender qual é o motivo para tanta frustração da atual geração. Deixando de lado as canções mais debochadas do primeiro trabalho, a banda retrata dilemas da vida em doses terapêuticas com melodias animadas. Além disso, mostram uma grande evolução nas composições.
O álbum melhora a cada ouvida e deixa a expectativa de quem sabe termos um show por aqui em um futuro próximo.

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