10 artistas da nova cena sergipana que você precisa conhecer

Táia que acaba de lançar seu novo disco, aponta 10 artistas da nova cena sergipana que você precisa conhecer

No dia 06/03, a multiartista sergipana Táia apresentou seu novo álbum OBÁ TAJÁ, que além de celebrar o Nordeste conta com participações de nomes como Jotaerre (Psirico), Julico (The Baggios) e Diane Veloso (A Banda dos Corações Partidos), Maysa Reis, Cah Acioli, Alessandro Mongini, Jim Morrisom, Gabriel Farani e o produtor Talibã.

Com foco na real música popular brasileira, ela traz elementos do brega, de ritmos regionais e do pop contemporâneo, além de promover intercâmbio com nomes da cena sergipana, com o objetivo de ampliar a circulação da música autoral do estado para além de seu território de origem.

“O processo de criação de OBA TAJÁ nasce de uma construção coletiva iniciada por mim, Cah, Rayra Mayra, Alessandro Mongini e Talibã, que permanece como produtor musical, instrumentista e diretor musical do álbum. Minha trajetória com Talibã vem sendo afinada dia após dia, unindo minhas múltiplas referências estéticas à sua forte identidade ligada ao brega e resultando em uma sonoridade própria.

As influências regionais do disco atravessam minha formação e vivência em Sergipe: desde a escola onde estudei, que integrava as disciplinas às manifestações da cultura popular e levava essas experiências para o cotidiano, até tudo que escuto, vejo e consumo como artista sergipana. O álbum é atravessado por esse território vivido, transformando memória e convivência em linguagem musical”, revela Táia em papo com o Hits Perdidos.

A busca íntima por identidade e pertencimento são o cerne do lançamento em que a artista revisita suas memórias e histórias familiares, especialmente a trajetória de seu bisavô autodidata, multi-instrumentista, maestro da Lira de Estância e professor de piano.

“Um homem negro que rompeu barreiras dentro da música clássica e que hoje dá nome a uma escola em Gararu, sua cidade. Eu fui atrás da música dele, da história dele. Essa busca pela minha ancestralidade atravessa o álbum”, conta a artista.


Táia - Foto Por pritty reis - nova cena sergipana que você precisa conhecer
Táia acaba de lançar seu segundo álbum, “Oba Tajá”. – Foto por: Pritty Reis

10 artistas da nova cena sergipana

A estética carrega ancestralidade, diálogos com o entorno e também experimentalismo estético, grandes trunfos do sucessor de Renasço (2022). Os ritmos mais calientes, a sofrência e as vulnerabilidades integram a narrativa que dialoga com o trabalho interessante de artistas como a da paraibana Luana Flores e a conterrânea, Sandyalê. O moderno vive nas colagens eletrônicas, em seus experimentos com guitarra e na fortaleza que constrói ao longo da sua sensível narrativa.

“O nome surge da busca do significado de Tajá, uma variação para o nome Taiá, que parece com meu nome artístico e é o nome popular na Caladium bicolor, planta que nasceu espontaneamente na porta do meu antigo quarto. Pesquisando sua história, me deparei com uma planta que nasce da lágrima de um amor perdido.

Como minha música traz muito a temática amorosa, optei por incorporarmos a lenda à identidade do álbum. A música que dá nome ao disco nasceu como bomba-relógio e se transformou, inclusive na letra, com o nascimento de Oba Tajá, na inquietude dessa eterna autodescoberta e como um grito de alerta para conhecermos nossa história verdadeira”, comenta a artista em material enviado à imprensa.

Você pode ouvir OBA TAJÁ aqui

Devido à sua relação com a cena sergipana intensificada na construção do álbum, pedimos para Táia apontar 10 artistas da nova cena sergipana que o Brasil precisa conhecer.

Não é a primeira vez que abrimos o espaço para uma lista abrangendo artistas do estado, por aqui, em 2020, na coluna Sons do Brasil apresentamos 16 artistas sergipanos (saiba mais), agora é a vez de amplificar com 10 novos nomes.

Quem assume a partir daqui é a artista sergipana.

1) Centaura 

Centaura representa com potência o pagodão na nova cena sergipana, trazendo um show extremamente vibrante, dançante e envolvente. Sua presença de palco é magnética e cria uma conexão imediata com o público, transformando cada apresentação em uma experiência coletiva de celebração. É um artista que movimenta a pista, afirma o gênero dentro da cena independente e amplia as possibilidades sonoras e performáticas da música feita em Sergipe hoje.



2) Marvi

Diretamente de Lagarto, Marvi apresenta um trabalho de alta qualidade sonora, com um repertório envolvente que prende a escuta do início ao fim. Sua música revela cuidado estético, identidade e sensibilidade na construção dos arranjos e das atmosferas, apontando para a força criativa que pulsa para além da capital. É um nome que amplia o mapa da nova cena sergipana e evidencia a diversidade e o refinamento das produções do interior do estado.  



3) Daguada – Açocena

Daguada constrói uma sonoridade inquieta e sofisticada, transitando entre o popular, o eletrônico e o erudito com naturalidade. Multi-instrumentista, seu trabalho é atravessado por uma forte presença da afrobrasilidade, que não aparece apenas como referência, mas como pulsação estética e espiritual. Sua música conduz a uma escuta em estado de transe, criando camadas, texturas e atmosferas que expandem os sentidos e reafirmam a potência experimental da nova cena sergipana.

Ouçam o single “Veia de Lá”.



4) Dani Dk

Dani Dk tem uma voz potente e absolutamente marcante, daquelas que atravessam a gente na primeira escuta. Suas letras carregam força política e sensibilidade, trazendo narrativas urgentes sobre existência, território e identidade, conectadas à cultura hip-hop da Grande Aracaju. É uma artista que une qualidade musical, presença e discurso, criando apresentações intensas e necessárias para a cena sergipana. Sugiro o single “Amor Preto”.



5) Pardal MC

Pardal MC é uma das vozes mais potentes do hip-hop sergipano, criando uma sonoridade que atravessa o rap e se encontra com a música de terreiro de forma visceral e emocionante. Essa fusão não é apenas estética — ela carrega espiritualidade, identidade e posicionamento, resultando em apresentações que impactam profundamente o público.

Já dividi processos criativos com ele e é impossível não destacar sua força lírica, presença e a maneira como transforma o palco em um espaço de consciência e celebração. É um trabalho que expande os limites do gênero e provoca escuta e sentimento. Vem lançamento novo por aí, fiquem de olho.



6) Stella

Stella constrói uma obra onde poesia, som e corpo se tornam instrumentos de emancipação de corpos negros e travestis. Sua música nasce da força da palavra falada, atravessada pelo hip-hop e pela pulsação da eletrônica, criando uma experiência ritualística, política e profundamente sensível.

Autora de “A Mantenedora do Ritual”, leitura que me atravessou diretamente no processo de criação de OBA TAJÁ, Stella é uma artista que transforma linguagem em movimento e presença, abrindo caminhos estéticos e simbólicos fundamentais para a nova cena sergipana. Ouçam o EP A Fim.



7) Chevie

Chevie chega como um dos nomes mais promissores da nova cena sergipana, trazendo a malemolência e a estética que dialogam diretamente com o que há de mais pulsante na música brasileira atual. Com atitude, presença e identidade, constrói um trabalho que conecta sonoridade contemporânea, performance e carisma.

O single “Loba” já aponta essa força ao conquistar uma escuta expressiva e reafirmar seu potencial de alcance.



8) Danilo Duarte

Danilo Duarte faz uma música que encontra a canção popular e a vanguarda, atravessada pela diversidade rítmica brasileira e por uma forte presença da identidade nordestina. Sua sonoridade transita com naturalidade entre o rock, o samba, o experimental e as referências regionais, conduzida por reflexões sensíveis sobre a vida e a sociedade.

Com o recente lançamento do EP Desculpe o Samba Que Eu Não Fiz, afirma uma escrita musical sofisticada, autoral e profundamente conectada ao território.



9) ODUMA

ODUMA apresenta um trabalho sensorial e imagético, onde som, afeto e cotidiano se misturam como memória viva. O EP Ifé I é uma experiência envolvente, que soa íntima e coletiva ao mesmo tempo, com uma estética que dialoga diretamente com a música que vem sendo consumida no Brasil hoje, sem abrir mão da sua identidade própria.

Sua obra carrega frescor, delicadeza e uma atmosfera apaixonante, criando canções que acolhem e atravessam o público de forma sutil e profunda. É um nome que aponta para o presente e para o futuro da cena sergipana.



10) Jullya Murvack

Jullya Murvack é um dos nomes mais potentes do pop sergipano e precursora da drag music no estado, construindo uma obra que une representatividade, alcance e identidade artística. O álbum Pantera marca esse lugar com força, somando mais de 100 mil reproduções e apresentando um trabalho que transita entre gêneros com naturalidade, criando faixas que envolvem em diferentes momentos e camadas da vida — como “Amor Bandido” e “P.D.M.”.

Sua presença amplia as possibilidades do pop local, conecta diretamente com o público e reafirma a importância de artistas LGBTQIAPN+ na construção da nova cena.  



Quais artistas da nova cena sergipana você adicionaria na lista?

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