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Mapear para existir: um retrato da nova cena musical independente de Aracaju

Um mapeamento da nova cena musical independente de Aracaju no pós-pandemia

Mapear a cena musical de uma cidade nunca é apenas um exercício de organização. É, antes de tudo, uma forma de entender como a música pulsa, se desloca e cria territórios afetivos. Em janeiro, pude conhecer o projeto do jornalista Alexandre Bazzan, que, à frente da The Music Newsletter, assumiu o desafio de mapear a nova cena musical da cidade de São Paulo.

O resultado é um guia robusto que reúne 231 artistas emergentes — todos com até cinco anos de atividade — e um levantamento de 85 casas de shows na Grande São Paulo.

O material se desdobra em diferentes formatos — planilha, pins no Google Maps e playlist —, refletindo não só a diversidade da cena, mas também as múltiplas formas de consumo e descoberta musical hoje. Como o próprio Bazzan ressalta em sua newsletter, publicada na plataforma Substack:

“Este levantamento não pretende ser definitivo. Ele é um recorte possível de uma cena viva, em expansão, e que continua mudando.”

Após a repercussão do mapeamento, Bazzan constatou que:

  1. Havia muitas bandas e casas de shows que ele não conhecia e que acabaram ficando de fora.

  2. A maioria das pessoas ficou tão feliz com a lista que não se importou com as lacunas. Pelo contrário, passaram a indicar novos lugares e artistas.

A repercussão foi muito maior do que eu imaginava, e mostrou que a cena estava só esperando alguém organizar o mapa. Acho que esse é o caminho para ganhar relevância: um apoiando o outro e fazendo acontecer.”

Saiba mais sobre o mapeamento de São Paulo clicando aqui


Ilustrações por Isabella Pontes

O mapa da música autoral de Aracaju

A excelente repercussão da lista, que gerou engajamento e interação nas redes sociais, acabou despertando o desejo de mapas de todo o país. A iniciativa chegou a Lully, natural de Aracaju, que foi atrás de contribuir para o mapa da capital do menor estado do Brasil.

Com aval de Bazzan, que desta vez contribuiu com a revisão e coordenação, e com ilustrações, mais uma vez, de Isabella Pontes, o mapeamento parte de 37 bandas e artistas solo com som autoral. Eles se apresentam em 14 casas de shows espalhadas por Aracaju e a região metropolitana.

Assim como o levantamento paulista, as bandas selecionadas são pós-pandêmicas, com até cinco anos de atividade.

“Encontrar o mapeamento da música autoral de São Paulo me despertou a vontade de dar corpo a uma ideia que eu tinha há muito tempo para Aracaju, mas ainda não entendia como desenvolver. Por viver entre a música e o registro, vinha unindo essas coisas em alguns trabalhos amadores. Foi começando por aí que passei um tempo levando uma Instax rosa em todo show a que eu ia e postando as fotos digitalizadas no Instagram.

No processo de organizar o levantamento das bandas daqui, agora em janeiro, visitei esse acervo. Revi bandas que não existem mais, como a Origami Aquém, projetos que nem sei direito por onde andam, como a Tripa Sex Band, e até quem furou a bolha da nossa cidade. Este último é o caso da Cidade Dormitório, que vai tocar no Lollapalooza 2026 — a segunda banda sergipana a ocupar esse espaço, depois de The Baggios.

Outro movimento era entrevistar artistas da cena — em termos mais realistas, conversar com meus amigos. As transcrições desses papos permaneciam esquecidas na nuvem e, a partir da pesquisa de bandas autorais e casas de shows daqui, comecei também a formatar e postar (o equivalente digital ao “tirar da gaveta”) esses textos.

No meio de tudo isso, fui percebendo que a iniciativa de captar a cena de Aracaju através de qualquer tipo de registro era uma vontade muito similar à que os artistas têm ao produzir suas músicas, à que os produtores têm ao manter os eventos acontecendo e à que os donos de casas de shows têm ao sustentar espaços que fortalecem a cultura local. Também são semelhantes as inquietações e queixas, mas o aspecto colaborativo de toda a cena aparece sempre como elemento motor.

Agora, colaborando com o levantamento da cena de música autoral em Aracaju para A Newsletter da Música, tenho encontrado mais desse desejo de reverberar e fortalecer a cena em outras iniciativas, projetos, pessoas e cidades. E torço para que esse trabalho incentive várias dessas outras vontades a virarem mais e mais registros por aí”, revela Lully, que também conta com uma newsletter.



Os próximos passos do mapeamento

Em sua newsletter, Bazzan contou outras novidades e alguns mapeamentos adiantados em outras capitais do país em parceria com colaboradores locais.

O mapa de Goiânia, com pesquisa da Fernanda Meireles, e do Rio de Janeiro, tocado pela Rafinha Murad, devem ser os próximos a ganhar luz do dia. Segundo o jornalista, estão em fase avançada.

“A novidade é que, na última semana, o Marcelo Gosling propôs criar uma plataforma que deixe essa busca mais simples e ampla, com bandas mais experientes também. O endereço da página vai ser no live.art.br e ele já criou dois formulários do Google para quem quiser se cadastrar.”

A plataforma Live.Art.Br também ganhou uma página oficial no Instagram para quem quiser acompanhar os próximos desdobramentos.

This post was published on 23 de fevereiro de 2026 7:17 pm

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

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