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Melhores Álbuns da Década: Gabriela Deptulski (My Magical Glowing Lens)

No começo de Outubro a Pitchfork disponibilizou uma lista polêmica (confira aqui) comentando os 200 álbuns favoritos da década (2010-2019). Listas são controversas por si só mas acabam gerando uma discussão saudável, além de trazer dicas para sua playlist. Pensando nisso convocaremos até o fim do ano: um time de personagens do mercado da música para comentarem seus prediletos. A primeira que aparecerá por aqui é a Gabriela Deptulski, do My Magical Glowing Lens (ES).


Gabriela Deptulski (MMGL) – Foto Por: Francisco Xavier

O Desafio: My Magical Glowing Lens

Desafiamos a Gabi (My Magical Glowing Lens) a listar 10 discos. A princípio ela podia escolher entre os que mais gostou da década, ou então, listar o que mais foram impactantes. Seja emocionalmente ou tecnicamente, nossos entrevistados tem liberdade de escolher seu “conceito” para a seleção.

Tendo a liberdade de escolher álbuns lançando ao longo da década. Alguns optaram por escolher um por ano, outros tiveram mais de uma escolha por período de 365 dias. Mas valia tudo, certo?

O curioso é justamente observar as escolhas e como isso refletiu ou não em seus trabalhos. Menos papo e mais lista, com vocês a seleção da Gabi.

Observação: Não existiu a obrigação de listar de 1 a 10 a importância do disco. Sendo assim, não enumeraremos as listas.

Flora Matos: Eletrocardiograma (2017)



Compositora, instrumentista, produtora, fala as verdades na cara, tirando onda. Neste disco, poetisa marginal travestida de pop star. Disco lindo demais, arranjos perfeitos, letras polêmicas, sinceras.

Timbres cremosos e preciosos, sequências de beats incríveis, pesquisa de samples riquíssima, cheio de melodias que soam como clássicas, mas que saem do padrão melódico que vinha ouvindo em outros clássicos.

Rihanna: Anti (2016)



Começa com um beat muito loko com um drive. Quando o coloquei pela primeira vez, pensei: essa galera meteu um drive muito macio nos beats!

Achei audacioso, uma afronta ao pop preciosista. Ela né, com R de Rainha da Vibe. “Work” me marcou muito. O cover de Tame Impala marcou também, lembro que foi chocante na época!

M.I.A: Maya (2010)



Lá em 2010 a capa já traz uma estética muito atual. M.I.A às vezes parece estar sempre a frente. Os beats mais fritos do pop e vejo influência de funk. Tem o clássico XXXO com um clipe em gif muito loko.

Flaming Lips: Oczy Mlody (2017)



Já começa com um synth profundo, triste e esperançoso. Uma das primeiras frases já pede pela legalização de todas as drogas. Mistura a dor da existência, com a beleza do sentimento, do prazer em estar vivo. Sutil, sentimental, aquático. Muitos beats lindos.

Participa da produção Dave Fridmann, bruxão, faz tudo soar como numa câmara que te captura pra dentro da dimensão do som. Mix e master 10/10, texturizada, balanceada, bem dividida, profunda, dimensional. Synths brilhantes, espaciais e românticos. Me influenciou muito.

Melody’s Echo Chamber (2012)



Cada vez que ouço traz elementos novos, e novas questões sobre a existência. Nunca ouvi esse disco e ele me pareceu o mesmo. Transporta para um ambiente imaginário cheio de ecos, texturas, cores pastéis brilhantes, sonhos, e melancólicas esperanças de verão.

Bem experimental do meio pro fim. Tocado por ela e pelo Kevin Parker, que também mixou. Masterização do gênio Rob Grant que mixou Trem Fantasma, Bike e The Outs, aqui no Brasil.

Miley Cyrus & Her Dead Petz (2015)



O disco começa com um hino da década pra mim, “Doo It”. Anja perfeita, só lança discão, fiquei em dúvida entre este e o Bangerz.

Escolhi este porque ele é bem astral, traz alusão à temas espaciais, timbres macios, porém com bastante pressão. Dá vontade de estar num futuro utópico, dentro de uma nave transparente. Nunca vi o pop ser tão utópico. Marcou minha existência, me identifico com este disco.

Boogarins: Sombrou Dúvida (2019)



Mal foi lançado e já é um dos meus preferidos. Incrível como só vão evoluindo a cada disco. O modo que eles constroem a música por colagens é absurdo demais.! Artístico. As letras muito boas, Dinho mais crítico do que nunca!

Tame Impala: Innerspeaker (2010)



O álbum que mais ouvi na vida. Tudo soa como uma explosão mental. Tenho o delírio que tudo começou com ele, a expansão espiritual dessa década, ele abriu os caminhos.

Colorido, audacioso, criativo. Mix completamente fora dos padrões e absurdamente cremosa, agradável de ouvir. Envolvente. Cria ambientes mágicos na mente. Referência em tudo que estudo e produzo. Um grande marco na minha vida.

Céu: Tropix (2016)



Mistura música orgânica e eletrônica como se fossem uma coisa só. Composições melodramáticas intensas, minimalista. Músicas imagéticas, que fazem você ir longe, imaginar cada cena.

Pra mim, revolucionou a qualidade de produção de música. Qualidade de tudo muito alta, o carinho envolvido na produção é escancarado em cada arranjo. Místico futurista, absurdo.

MC Carol: Primeiros Singles (2014)



Tudo que esta mulher faz é uma tiração de onda absurda. Completamente rebelde, avessa às tradições, chavosa, perfeita. Ela lançou um disco foda produzido pelo Heavy Baile, mas meu destaque vai pros singles anteriores.

Playlist no Spotify

Claro que você não ia conferir essa lista sem ouvir um pouquinho de cada disco citado! Preparamos uma lista com os sons escolhidos especialmente para esta seleção.

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This post was published on 29 de outubro de 2019 1:03 pm

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

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