A dupla chilena The Holydrug Couple, formada por Ives Sepulveda e Manuel Parra, já está junta há mais de dez anos e foi nos Estados Unidos que a carreira deslanchou.

Para vocês terem uma ideia, foi depois de uma demo gravada que em 2011 eles lançaram seu primeiro EP via Sacred Bones (Ancient Land). Mas foi só em 2013 quando conseguiram um maior reconhecimento com o single “Noctuary”.

Desde lá muita coisa aconteceu entre turnês pelo velho continente e EUA, além de lançamento de singles e álbuns. Em 2015, por exemplo, eles lançaram seu segundo álbum, Moonlust, este que trouxe uma temática bastante peculiar e interessante que lhes deu um rótulo de “grupo irreal de músicas para um dos melhores filmes não existentes de todos os tempos”.

Que claro perguntamos mais sobre o interesse por trilhas sonoras e essa fusão entre cinema, música e literatura. Em 2017 veio Soundtrack for Pantanal, inspirado nas discos pop dos anos 60 e 70, e mais recentemente se aventuraram lançando Hyper Super Mega (2018).


The Holyday Drug CCSP

The Holydrug Couple (CH) se apresenta no palco do CCSP ao lado da Atalhos, de Birigui (SP). – Foto: Divulgação


O duo de “Dream-Hop”, de Santiago (CH), que faz um som mezzo eletrônico, mezzo psicodélico, mezzo pronto para a pista de dança e mezzo experimental pretende realizar shows energéticos, crus e com direito a muita fumaça durante seu retorno ao Brasil. 

Eles desembarcam no país na segunda semana de Agosto para três apresentações. Uma em São Paulo, no CCSP, na mágica sala Adoniran Barbosa (15/08), ao lado da Atalhos, uma dentro da programação do Festival Bananada 2019 (18/08), e outra em Sorocaba (Maloca / Lobotomia), no dia 16/08.

Mas foi a magia e poder dos videoclipes dos chilenos que chamou a atenção. Então antes de lerem a entrevista, confiram este ótimo videoclipe.



Entrevista

Conversamos com Ives que soube fazer belas provocações em relação a indústria mainstream musical. Além claro de manter o bom humor.

[Hits Perdidos] Gostaria que contassem mais sobre esta interessante ideia de fazer trilhas sonoras para filmes que nunca existiram? Algum de vocês estudou cinema ou tinha sonho de compor trilhas? De onde veio essa ideia e como isso acaba influenciando na estética dos videoclipes?

Ives: “Eu pessoalmente sou muito fã da ideia de fazer filmes com um sentido visual. Acredito que adiciona uma perspectiva diferente para a composição e o som. Geralmente quando estamos escutando música no carro ou em nossas casas, também estamos usando os olho e o resto de nossos sentidos, não?

É interessante escutar discos de trilhas sonoras e analisar o que foi feito por diferentes músicos em relação a elas. Para mim é um tema de bastante interesse. Acredito que não tem muito a ver com videoclipes.

Para mim não é estranho me relacionar com a literatura, ou cinema ou arte. Convivo neste mundo, onde existe este intercâmbio, em coisas que admiro, coisas que consumo e em amigos. Então se para alguém essa relação pareça estranha eu diria que falta indagar mais.”

[Hits Perdidos] Aliás quais diretores de cinema gostariam de trabalhar junto numa possível trilha? Viajando um pouco mais, quais filmes gostariam de ter a música de vocês presente? Quais achavam que se encaixariam?

Ives: “Hmm, eu gosto muito do Roman Polanski, por exemplo, mas não estou seguro se a música que faço ou fiz ficaria tão bem em um filme dele. Claro que se eu me propusesse, conseguiria!

Mas não sei, talvez, uma música minha ficaria melhor em algo mais misterioso. Dá no mesmo o tema. Algo da natureza ou algo submerso? Algo urbano também poderia ser. Não recordo bem agora. Algo do (David) Lynch?”

[Hits Perdidos] Como vocês observam o mercado fonográfico da América latina? Já que viajam bastante, como notam as diferenças do mercado norte-americano e europeu?
Vocês já vieram para o Brasil antes, como notaram a recepção do público?

Ives: “Hm não sei muito a respeito do mercado musical latino-americano. Do que conheço não gosto muito. Se tem crescido bastante, falo pelo Chile mais que nada. Mas tem crescido majoritariamente no que a música estado unidense chama de “Latin”, acredito.

Ritmos e sonoridades urbanas que tem ligações com o reggaeton e o trap. Que acredito que fazem mais mal que bem para a indústria, já que somente “restringe” a música que um sul americano pode fazer. Se você é sul americano, certamente só pode fazer reggaeton e trap. Ou antigamente salsa. O que eu sei. Essa independência latina só termina sendo restringida, o que não é bom ao meu ver.

O mercado norte-americano é gigante, leva muitos anos de tradição em todos os âmbitos, igual o europeu, que acredito que é diferente ao norte-americano, mais na forma do que na tradição. Cada país da Europa tem sua própria tradição, então é um pouco mais difícil de identificar como um todo, não?

A história e a indústria da música italiana é bem diferente da inglesa e por sua vez da espanhola. Mas então. É um tema muito amplo e complexo para responder em uma só questão.”

[Hits Perdidos] A experiência do show é algo bastante importante em nossos tempos, como vocês tem preparado o palco para os shows? O que podemos esperar da apresentação no palco mágico do CCSP?

Ives: “Sou mais chegado da experiência real do espetáculo nas apresentações. Como nossa música se relaciona muito com os sons sintetizados e o eletrônica, mas também também usamos instrumentos de rock, eu gosto de projetar uma ideia das pessoas tocando música.

Então eu particularmente gosto do cenário disso de me apresentar de uma forma mais tradicional, algo mais próximo a música erudita que qualquer outra coisa. Uma disposição circular e luz central. Nos preocupamos muito com o som! E também gostamos muito de fumaça.”

[Hits Perdidos] Quais bandas do Chile vocês gostam bastante e recomendariam para os leitores do Hits Perdidos?

Ives: “Fiz uma Playlist para vocês com bandas que gosto. Aqui vão umas canções, espero que curtam!”



Ouça The Holydrug Couple



Datas no Brasil

The Holydrug Couple / Brazil Tour

15/8 – São Paulo, SP – CCSP / Sala Adoniran Barbosa
16/8 – Sorocaba, SP – Maloca / Lobotomia
18/8 – Goiânia, GO – Bananada Festival