Confesso que conheci o som do grupo Taco de Golfe depois de um reply no twitter ainda no ano passado. E digamos assim, é um método nada ortodoxo de conhecer uma banda. Ao mesmo tempo, por ter um nome tão diferente assim, aguçou a minha curiosidade.

Fiquei ainda mais interessado quando ao visitar a página deles, no bandcamp, vi citações no campo de influências de artistas, e bandas, do calibre de Toe, Chon, Don Caballero, Kamasi Washington, Jaco Pastorius e Julian Lage.

Um leque de sonoridades um tanto interessante que vai do rock, passando pelo math rock, progressivo e desembocando no jazz.

O interessante também foi notar que a banda é de Aracaju (SE), e só reforça como o cenário de música instrumental nordestino anda numa fase incrível com nomes como Astronauta Marinho (CE) e Kalouv (PE).


Taco de Golfe - Beatriz Linhares

Taco de Golfe impressiona a cada lançamento por sua criatividade. – Foto Por: Beatriz Linhares


O trio é composto por três jovens e o nível técnico também me chamou a atenção. Com idades entre 23 e 24 anos, e apenas 2 anos de banda, o conjunto conta em sua linha de frente com Gabriel Galvão (Guitarra), Filipe Williams (Baixo) e Alexandre Damasceno (Bateria).

São timbres, dissonâncias, jams, efeitos, maleabilidade e linhas criativas que captam a atenção do ouvinte logo em sua primeira audição. Posso dizer que antes de começar a escrever esse texto ouvi, no repeat, mais de 5 vezes o EP dos sergipanos.

Em 2017 eles lançaram o primeiro EP, Cato, com apenas duas faixas. No ano passado foi a vez de Folge, o primeiro álbum da banda a ganhar vida, e foi logo visual.

Já nesta segunda-feira eles lançam de maneira independente, em Premiere no Hits Perdidos, seu segundo EP, Erro e Volto.

“O projeto Erro e Volto veio nesse formato pela ideia de que era necessário um vídeo ao vivo decente (risos). A gente juntou os equipamentos que temos e fizemos acontecer essa gravação com uns amigos: Anderson Kabula ficou responsável pela captação, mix e master. A Bruna Noveli pela direção de vídeo e o João Henrique pela edição.

São todos amigos. As duas músicas vieram de um final de semana em que a banda se reuniu na fazenda de Gabriel, o guitarrista, com a intenção de compor e pré produzir coisas novas mesmo. Como tudo aconteceu em um local diferente do habitual, em 2 dias saíram essas 2 músicas e implicamos o conceito de Errar/Vagar.”, conta Gagau

Taco de Golfe – Erro e Volto (22/04/2019)

Sobre o momento e a razão do EP vir tão colado do álbum de estreia eles justificam de forma um tanto quanto compreensível. O processo de gravação foi rápido porém bastante intenso.

“Foi o momento culminante de um sentimento de que precisávamos nos desligar de nossa rotina, pelo menos por alguns instantes, e ver o que poderíamos criar; em um certo isolamento, encontramos um paliativo para aquela urgência autoimposta que envolvia o processo de produção da banda até então. Foram poucos mas intensos dias, e o resultado está nessas duas músicas em formato ao vivo, Erro e Volto, recorda o trio sergipano



O formato live session, gravada no Ateliê Verde, foi escolhido para apresentar o EP que terá seu show de lançamento realizado em show na capital sergipana no dia 27/04. Em breve o compacto também estará presente nas principais plataformas digitais.

“Erro” começa torta mas já permitindo sensações e dissonâncias. Funde estilos e sabe trazer as linhas mais enroscadas, e trabalhadas, do math rock/rock progressivo sendo cadenciadas pelo jazz e suas melodias mais amenas. O equilíbrio entre a explosão das guitarras e a bateria leve, que acelera aos poucos, faz a magia por sua vez acontecer.

Já “Volto” certamente irá agradar a fãs de CHON e E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Explorando vibrações mais baixas, com groove psicodélicos, progressão interessante e tom de jam. A faixa trilha um caminho obscuro, sinuoso e reverberante. Quando você percebe: está sendo levado pela onda e suas pequenas marolas.

Em sua metade, assim como o Kalouv, parece nos levar para a trilha de um jogo de videogame japonês. Seus solos de guitarra nos permitem viajar diretamente para os anos 70 e seus clássicos discos. Talvez seja esse hibridismo que faça do registro um trabalho relevante.

Certamente ficarei atento aos próximos passos dos sergipanos!