Codinome Winchester fecha com chave de ouro a 1ª temporada das Orange Sessions

Hoje chegamos ao último capítulo da primeira temporada das Orange Sessions. O projeto é realizado através da parceria do canal Minuto Indie com o Estúdio Casa da Vó.

Nele bandas independentes foram convidadas para gravar um mini-set no estúdio e bater um papo descontraído sobre sua carreira, perspectivas, conceitos e futuro. Em tempos de dificuldade em fortalecer o cenário independente nacional, a iniciativa merece o devido reconhecimento.

A experiência foi um aprendizado em muitos aspectos. E para saber mais sobre isso, além de comentar sobre a session de hoje,  entrevistamos os responsáveis pelo Minuto Indie: Gustavo Cruz e Alexandre Giglio.

Após os episódios com as bandas Molodoys, Quarto Negro, Sereialarm, Instelara chegou a vez de fechar a edição 2016 com chave de ouro. E para isso foi convocada direto de Campo Grande (MS): Codinome Winchester.

Formado em 2013 ainda nos tempos de UFMS, o grupo é composto por Arthur Maximilliano, Fillipe Saldanha, Guilherme Napa, Luciano Armstrong e Thiago Souto. Com referências do rock psicodélico setentista eles em 2014 lançaram seu primeiro EP, 10% Alien.

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Codinome Winchester ao vivo – Foto: Andre Barbosa

10% Alien (2014) já se inicia com o single “O Paulista”. Um rock cheio de guitarradas acompanhadas de pedais com muito fuzz e delays. A letra prega o “código de conduta” que um cidadão comum faz no automático em seu dia-a-dia. Uma crítica a rotina das grandes cidades, onde seus habitantes vivem dentro da sua própria bolha de alienação.

A segunda faixa do disquinho “Sobre Viagens e Equilíbrio” tem uma melodia trabalhada e uma letra mais viajada que parece entrar em órbita entre os planetas do sistema solar feito um cometa de sentimentos e emoções.

A metáfora para os planetas na real como a própria canção explana é sobre “nossos pais”, seu papel e importância em nossas vidas. Aquele ombro amigo que podemos contar por mais difícil que seja a situação vivida, naquele instante que você mais precisa.

Logo em seguida num ritmo mais frenético e riffs alá country/rock’n’roll temos “Espírito Velho”. Cheia de energia ela tem sing-a-longs e uma frequência translúcida que culmina em um solo de guitarra psicodélico com devaneios macabros setentistas. Entre seus altos e baixos sentimos um pouco das trevas, alá Black Sabbath, ao derreter de um pôr do sol em chamas.

Um pouco mais flutuante na psicodelia vem “Vida Lá Fora”. Uma canção que cresce a partir da soma dos elementos que compõe suas camadas. Feita um rock progressivo setentista ela reforça a sinergia entre o vocal, os teclados densos e os agudos sonoros. Uma canção sobre o desprendimento das emoções e que te mostra o caminho em direção a seus sonhos.



Já no ano passado eles lançaram o single “Astro Novo”. Este também bastante imersivo que passeia pelas guitarras de jam de improviso alá Jimi Hendrix. Tudo isso somado com o lo-fi disruptivo do rock moderno. É como se fosse uma jornada espacial com destino a nossa própria órbita. As guitarras soam em determinado momento como se estivéssemos cruzando os limites da velocidade da luz.

Pouco tempo depois chegava com tudo o segundo EP do conjunto mato grossense, Ocasiões Espaciais (2015). Este que conta com mais 4 novas composições, sendo que três delas ganharam vídeos em versões acústicas feitas para o Acoustic Sessions – Ao vivo na Toca do Bandido (2016).

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Codinome Winchester durante viagem para Dourados (MS) – Foto Por: Hélio Severo

“A Busca” inicia o mais recente trabalho do grupo e mostra uma nova face. Com bateria e guitarras mais aceleradas. Os elementos ganham ritmo e compasso através dos acordes mais soltos que soam quase como eletrônicos.

A melancolia também marca essa transição do som. A busca é a por procurar ajuda para se curar dos problemas da vida mundana antes que perca a cabeça de vez.

“Vida Vazia” volta para as influências mais psicoativas. Sua introdução lembra até um pouco as guitarradas de Matt Bellamy do Muse, logo que progride a canção podemos notar a influência dos teclados/sintetizadores dos anos 80. O solo setentista de guitarra mais para a parte fim da canção mostra que os anos 70 ainda marcam presença na área.

É uma música de experimentação de muitos recursos até então não usados dentro da discografia do Codinome Winchester. A rotina assim como no primeiro EP volta a ser criticada como sufocante.

Com influências mais lo-fi alá Strokes temos “Mensagem de Outras Horas” com uma veia mais pop/rock que flertam com o rock de garagem. A música cresce em progressão e vai cativando o ouvinte a aumentar o volume.

O tema do real x ilusão e o sentimento de superação são a força motriz da canção. Que acredita no amor como o caminho a ser seguido para superar os problemas do cotidiano.

A canção que fecha o segundo EP do Codinome Winchester é “Entre Estrelas”. Que já começa com uma atmosfera mais psicodelia/lo-fi, uma música que dialoga com o ouvinte e tenta fazer ele refletir sobre as coisas de sua vida. A desconstrução do ego através de metáforas te puxa para outra dimensão. A faixa cresce no quesito peso e progressão para se esvair feito poeira espacial em seu fim.

Orange SessionsCodinome Winchester

EntrevistaMinuto Indie

No último mês publicamos matérias cobrindo as Orange Sessions e ainda não tínhamos passado a palavra para dois dos idealizadores do projeto, Gustavo Cruz e Alexandre Giglio do canal Minuto Indie.

Para quem ainda não conhece o canal e os projetos deles a entrevista é uma boa maneira de saber mais sobre. O canal é mais uma iniciativa para divulgar a cultura através da música, bom humor e entretenimento é claro.


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Gustavo Cruz e Alexandre Giglio durante festa Junina Indie. A dupla compõe o time do Minuto Indie e soma forças na nova empreitada: Ártico Filmes.

[Hits Perdidos] Como Surgiu o canal Minuto Indie?

Alexandre: “Eu sempre curti muita música, sempre troquei muita música com meus amigos, principalmente com o Gustavo. E foi mais de uma necessidade de não achar uma ferramenta que me pudesse me falar ou me desse dicas de algumas bandas. Algo “rápido” e prático. Foi dessa necessidade que surgiu a ideia do canal.”

Gustavo: “O Alexandre sempre foi viciado em mostrar músicas que curtia para os amigos. Um deles era eu, nos conhecemos a mais de 12 anos e quando ele me chamou para participar aceitei na hora.”

[Hits Perdidos] A dificuldade dos artistas de conseguir espaço da mídia nos últimos tempos tem sido a cada dia pior com o fechamento de rádios, redações com foco em cultura, revistas e a extinção de programas de TV que abordem temas como a música.

Como veem o youtube como ferramenta para dar um gás para as bandas independentes?

Alexandre: “O youtube é uma ferramenta maravilhosa, gratuita que você pode fazer o que bem entender nela. Ela pode potencializar e ajudar a banda a ter um lugar onde postar isso. Mas o youtube ele ainda tem dificuldade em filtrar ou conseguir mostrar vídeos ou canais de menores expressões.

Acho que as bandas podem ter mais sucesso hoje me dia no facebook. Com conteúdos que podem viralizar. Mas o youtube com certeza para maioria das bandas é um site usado como uma ferramenta para postar as músicas e clipes. E existem bandas que preferem soundcloud e até o bandcamp. Mas com certeza vai ser uma ferramenta bastante usada pela indústria.”

Gustavo: “Vemos o Youtube como o futuro de toda indústria. Claro que pode surgir um site de vídeos amanhã e superar o Youtube, mas o conceito é esse, um espaço democrático, onde todos tem espaço. Usamos o nosso canal para divulgar essas bandas que acreditamos, mas sabemos que podemos ampliar muito mais, e é isso que vamos fazer após a session.”



[Hits Perdidos] No vídeo sobre o Dia do Rock vocês fizeram um sincero manifesto sobre as dificuldades e a realidade das bandas independentes no país. A partir do trabalho das Orange Sessions vocês puderam ver ainda mais de perto.

O que acham que pode mudar no cenário nacional em geral?

Alexandre: “É um cenário difícil. Existem diversos fatores para isso. As bandas acabam não se ajudando, o próprio público tem meio que preguiça para o que não é “conhecido”. A galera precisa se mexer e ter pessoas afim de fazer. Banda boa é o que não falta!”

Gustavo: “O cenário precisa deixar de ser nicho. O público gosta de conhecer bandas que ninguém conhece, e as vezes fazem questão de esconder suas “bandas favoritas”. Isso é um erro. Se você gosta desse tipo de música, tem que virar o maior divulgador da parada. Os grandes astros do rock foram mantidos no topo pelos fãs.

Fazer a Sessions nos mostrou que o buraco está muito mais embaixo. Banda boa é o que não falta, isso a gente garante.”

[Hits Perdidos] Pretendem continuar com as Orange Sessions?

Alexandre: “Sim! Com certeza! Foi um trabalho de muito tempo e ralação! É cansativo ainda mais na parte final, parte de edição. Mas depois que você vê o episódio pronto é só orgulho e felicidade.”

Gustavo: “A Orange Sessions foi o melhor projeto que já fizemos. Aprendemos muito e sentimos que podemos melhorar muito ainda. Mas é uma parceria, quando lançarmos todos os episódios vamos conversar com o estúdio e ver o que podemos fazer para melhorar. Estamos começando os trabalhos com a nossa produtora, projetos como esse sempre serão importantes.”

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[Hits Perdidos] Vocês também vira e mexe fazem especiais com bandas para o pessoal ficar ligado. Recebem muito material? Como fazem a seleção e qual e-mail as bandas interessadas devem enviar seu trabalho?

Alexandre: “Adoramos receber material da galera. Depois que começamos a fazer esses especiais, começou a triplicar. Toda semana sempre recebemos material de alguns artistas. E sempre abrimos, ouvimos e quando da nós respondemos! A seleção na realidade não tem uma fórmula. Se gostarmos vamos falar!

As bandas que quiserem mandar material podem nos mandar no minutoindie@gmail.com


Gustavo:
“Recebemos muita coisa pelo face e e-mail. A melhor maneira de enviar o material para gente é por e-mail: minutoindie@gmail.com e quem quiser realizar algum projeto com a gente, como clipes, sessions e afins: articofilmes@gmail.com.”

[Hits Perdidos] Quais os grandes ensinamentos que tiveram com o processo e como foi a parceria com o Estúdio casa da Vó?

Alexandre: “Aprendizado gigantesco, uma experiência que nunca iria ter em 10 anos de trabalho. Trabalhamos com excelentes profissionais e com disposição de fazer o trampo! (sic).”

Gustavo: “Aprendemos muito. Poderíamos escrever um livro sobre o processo como um todo. Mas acho que a maior lição que fica é: Realizar as coisas não é difícil, é uma questão de vontade e determinação. Difícil mesmo é não desistir no meio do processo, mas o mundo não é para amadores. Trabalhamos com profissionais incríveis que nos ajudaram a evoluir.”

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Sereialarm durante as gravações das Orange Sessions no Estúdio Casa da Vó (Santana – São Paulo)

[Hits Perdidos] Qual Session mais marcou vocês e quais curiosidades sobre o processo vocês podem contar?

Alexandre: “Acho que todas tem o seu momento marcante, cada um tem o seu jeito, personalidade e estilo de som. Acho que cada me marcou de um jeito especial. Ainda mais que foi o nosso maior projeto que fizemos.”

Gustavo: “Como a Session foi minha primeira experiência como diretor, todos episódios são extremamente especiais para mim. Existia o desejo inicial de cada episódio conter a alma da banda e acredito que conseguimos passar isso.”

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[Hits Perdidos] A pouco tempo vocês começaram a produtora Ártico Filmes. Como a ideia nasceu e quais os futuros planos pós finalização das Orange Sessions?

Alexandre: “Ela nasceu durante o processo da Orange. Vimos que esse trabalho poderia render frutos para o futuro. Agora queremos trabalhar com bandas, canais do youtube, design, foto. Ser um produtora mesmo! Fora que agora vamos realizar diversos trabalhos.

Gustavo: “Criamos a Ártico Filmes durante o processo das Sessions. Eu e o Alexandre trabalhamos a 2 anos juntos com o Minuto Indie. A parceria com o Caue deu muito certo nessa Sessions e percebemos que dar um passo maior era a melhor coisa a fazer.

Os futuros planos são de trabalhar com mais bandas, realizando clipes e outros tipos de projetos, além disso, trabalhar com outros canais no Youtube e com publicidade. Também temos alguns projetos de curta-metragens e documentários que serão realizados em breve.”

[Hits Perdidos] Qual vídeo do Minuto Indie que vocês mais gostaram depois que ficou pronto? E qual dá certa “vergonha” mas segue o jogo?

Alexandre: “Eu gosto muito do vídeo do The Neighbourhood. Umas das minha gravações e bandas preferidas. Nossa tem vários que temos aquela vergonha. Mas quando pudermos vamos fazer alguns!”



Gustavo: “O meu vídeo favorito é o “Especial The Black Keys”, é o vídeo mais longo do canal, mas fizemos um trabalho que mistura a história da banda, comédia e uma pegada documental.

Pena que por ser muito grande as pessoas não assistiram tanto como imaginávamos. Existem alguns que dão vergonha, mas o jogo não segue, vamos re-gravar os vídeos e apagar todos que nos incomodam.”



[Hits Perdidos] Para finalizar: Quais discos favoritos de cada um de vocês?


Alexandre: “Tenho alguns favoritos, mas sempre mudo de gosto sempre. Hoje meus favoritos são:

Tame impalaCurrents (2015)
Queens Of The Stone Age…Like Clockwork (2013)
Alt jAn Awesome Sabe (2012)
Rage Against The MachineThe Battle of Los Angeles (1999)

Quarto negroAmor Violento (2015)


Gustavo: “Não tenho um disco favorito, costumo viciar na banda durante um tempo e depois partir pra próxima. Hoje o que mais escuto é o Amor Violento da banda Quarto Negro, segundo EP da Sessions.


mi

casa
Estúdio Casa da Vó
Site 
Orange Sessions
Facebook
Endereço: Av. Imirim, 795 – Santana – São Paulo
Estúdio de ensaio e gravação
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