Mescalines Promete Derreter o palco da Gimme Danger

Para chacoalhar o coração e deixar todo mundo um pouco mais tonto nesse açucarado mês dos namorados, nesta quinta-feira (02/06) teremos mais uma edição da festa mensal – que tira todo mundo do happy hour da firma e joga no rock – Gimme fuckin Danger!

Dessa vez para derreter os miolos de todos os envolvidos nessa bela confraria do rocão foi convocado o duo ~venenoso~ Mescalines. Há pouco mais de 3 anos os caras deixam os cabelos de pés por onde passam, deixando vestígios de caos, distorção e confusão.

O som psicodelico-bluseiro-afro-cigano-americano tem descido a marretada em tudo quanto é tipo de palco. Suas jams desconcertantes já passaram pelo metrô consolação (que fica na Av. Paulista – vai entender), pelo Palácio do JK, além de tocarem o terror no festival Sofar Sounds e mais recentemente quebrarem a banca no Festival Path. Não é à toa que o maior festival de música negra do mundo, o ilustríssimo AFROPUNK, em seu site já deu a dica do som dos caras.

Disco
O primeiro disco Mescalines (2016) foi lançado recentemente pelo selo InstrumenTown

O primeiro disco do duo formado por Jack Rubens e Mariô Onofre foi lançado pelo selo InstrumenTown. Bastante interessante e novo por sinal. O InstrumenTown nasceu no ano passado e teve seu conceito elaborado após um festival instrumental que contou com nomes de peso do cenário nacional: Bombay Groovy, Mescalines, Bmind e Tigre Dente De Sabre. Assim em 2016 o selo já preparou logo de cara três lançamentos: O primeiro álbum do Mescalines, o segundo trabalho do grupo Bombay Groovy, Dandy do Dendê e o EP instrumental “Paisagens” do grupo Nuvem.

Além disso a boa notícia vem de que iniciativa de festivais com a proposta de apoiar o cenário de música instrumental nacional continua. Deveriam chamar o Nãda: projeto apresenta uma nova roupagem a música caipira na próxima edição, fica a dica.

Mescalin

Com intuíto de entender o som deles e dissecar com propriedade o novo trabalho do Mescalines me meti na presepada de ouvir o recém lançado disco homônimo do duo. Deixei meu vizinho surdo e provavelmente vou levar uma multa de condomínio, mas a vida é feita de sacrifícios. Não é mesmo? E rock é isso, fúria, caos e destruição!

“Serpente de Bronze” abre o disquinho com ritmos de tambores e melodia hibilly alucinógena bluseira. A caixa da bateria segura o tranco e a guitarra meu amigo, chora e conduz. Quem marca o compasso é o chocalho. Assim como o efeito da mescalina, a música lentamente derrete seu cérebro. Viva o Peyote!

A seguinte é “solaris” uma canção que te leva para outro plano, poderia ter sido composta numa viola ou até mesmo num banjo mas é na eficiência dos pedais e no compasso pegado que ela transcende. Eu fico imaginando uma versão acústica com um Cajón porque sou desses. Tem uma levada Bob Dylan depois de um ácido e um encontro com Jimmy Page. A progressão e evolução da música é bastante interessante e te faz bater o pé no ritmo do chocalho.

“Nomad” tem a ciganice até no nome, o espírito alt. country na levada e o efeito da Mescalina em seu DNA. Podia entrar para a trilha sonoro do maravilhoso filme Medo e Delírio (1998). Mas ao mesmo tempo que podia entrar na trilha de Rei do Gado, novela da TV Globo, o que é muito sensacional. Pessoal da novela Velho Chico dormiu no ponto nessa. Os instrumentos de percussão deixam a levada da canção ainda mais folclórica.

Já “Pássaro Vermelho I” tem o som inicial que te remete ao som de um berrante, um solo de guitarra que soa como banjo mais uma vez e te conduz numa estrada em direção ao velho oeste. O universo dos filmes bang bang macaroni western e toda a loucura do Texas. A odisseia pela procura do cactus para suprir a sede de loucura. Conforme progride, a distorção te leva para um mundo transcendental através dos reverbs e delays.

“Barko” é arrastada. Sabe aquela música para por no toca-discos fechar os olhos e se ver em outro lugar-tempo-espaço? Só sentir a levada e seguir conforme o sentido que o vento nos levar. Ela ganha peso e elementos de música cigana. Você consegue imaginar as dançarinas andaluzas desfilando pelas ruas de Sevilha nos tempos de guerra civil enquanto seus maridos eram esfacelados pela coroa espanhola. Eu fico até imaginando se o disco deles cai na mão do Josh Homme, o quanto ele ia copiar na cara dura essas influências tão ricas e harmonicas.

A seguinte é “Nebulosa” um blues de dar inveja a Jack White e Neil Young. Este que cresce mais pesado ao mesmo tempo que melódico. Tem uma levada desert rock que Alain Johannes tenta imprimir em seus discos. Ela esconde um rock’n’roll venenoso e apocalíptico conforme vai se aproximando de seu final. Meteórico e avassalador.

“Pássaro Vermelho II” conduz o vagão até a trilha perdida em direção aos não limites da transgressão. E ele ruma num ritmo extenuante até o sol. Ela abusa dos arranjos que bebem do blues mais disruptivo norte-americano. A música quer mesmo é te perturbar e te fazer querer arrancar a cabeça para fora de seu corpo. No fim da música, sua sentença de morte é dada como certa: Bang Bang, You’re Dead.

Para fechar o disquinho, “Calchaquí”. Calchaquí para quem não sabe é uma tribo devastada pelos mesmos espanhóis que colonizaram o território Argentino. Afinal de contas vivemos num mundo onde a dominação e a doutrinação fazem e fizeram parte da nossa história. O eurocentrismo fez por séculos, nós sul-americanos como reféns. A civilização Calchaquí – ocupava a parte norte da Argentina – e por certo tempo teve uma civilização bastante desenvolvida tanto em sua estrutura como espiritualmente. Assassinatos que podemos sim colocar na conta dos jesuítas.

A melodia da canção narra o choro daqueles que infelizmente não estão mais aqui para contar a história. O mar de sangue espanhol levou consigo talvez uma das civilizações mais culturalmente desenvolvidas do hemisfério sul. Não que os portugueses no Brasil não tenham feito algo parecido mas pensem em quanto conhecimento foi perdido.

Depois desse belíssimo disco com tanta história e referências que eu notei fica difícil não “pousar” quinta feira no Squat para mais uma Gimme Danger. Então vamos combinar: entre hoje e amanhã façam uma maratona The Good, The Bad And The Ugly. E nos vemos no palco da festa mais _perigosa_ de meio de semana da cidade. Gimme Danger, Baby!

gim

Mas vocês pensam que a ~baguncinha~ acabou com o show do Mescalines? Vocês realmente precisam frequentar mais a Gimme Danger. Como alguns sabem a Debbie Hell sempre chama um convidado especial para quebrar tudo no DJ SET. Dessa vez ela escalou Enrique Herrera do canal de Youtube, Meninos da Podrera.

Além claro dos já clássicos DJ Sets do Giuliano Di Martino (Deb And The Mentals e Veronica Kills) e Debbie Hell com o melhor do proto punk/glam tacando purpurina e organizando o “corre” 24/7.

Quem derreter ao som dos Mescalines poderá também entre um fuzz e outro se empolgar e sair com a pele tatuada. O Roger Marx (Nimbus Studio) estará lá no Squat fazendo arte em quem decidir encarar a agulha.

Serviço:

Onde: Squat
Horário: Das 19h às 02h (show às 23h)
Entrada:
*Na lista (enviar até às 16h do dia do evento): R$10 entrada
*Na porta: R$10 entrada + R$20 consumação
(confirmando a presença no evento ATÉ ÀS 16h do dia da festa, seu nome vai automaticamente para a lista de desconto)
Contato para mandar nomes para lista >>>festagimmedanger@gmail.com<<<

Bar Squat – Alameda Itu, 1548
www.barsquat.com.br
DJ Residente: Diego Trevisan
Só é permitida a entrada de maiores de 18 anos.
Leve documento com foto.

–Apoio: Rock NoizeIdeal Shop e Rcknrll
–Fotos: Amanda Costa Fotografia
–Arte por: @gg.dimartino (Coolthing)

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s