Tallene e o peso dos campeões de wrestling

Podemos não estar no ringue de UFC, mas certamente depois de ouvir o som da banda paulistana, Tallene, nos sentimos um pouco baqueados – alguns outros até pedindo água.

E de longe que isso seja algo negativo, tudo isso é fruto do peso do encontro do Metal com o Southern Rock e o Hardcore. Sim, é como se fosse a combinação de um cruzado, com um frontkick e uma voadora ao mesmo tempo.

Formado em 2009, o grupo conta com a mesma formação desde 2013. Nela contendo Marcelo Smile (Vocais), Jair Rosa (Guitarra), Thiago Proficio  (Guitarra), Hellvz Bernardes (Baixo) e Iuri Barboni (Bateria).

tallene

Em 2010, eles lançaram o primeiro EP (Bem Vindo Ao Caos) contendo cinco músicas. Este que já contava com “Manipulador”, single que ganharia clipe e estaria presente no primeiro disco dos caras, Apologia à Ostentação do Nada (2013).

Suas influências passeiam por bandas de vários estilos como Metal, Metalcore, Hardcore, Southern Rock e Stoner. Como eles mesmo citam Pantera, Maylene And The Sons Of Disaster, Clutch,  Cancer Bats e Everytime I Die.

Bom quando eu li Everytime I Die mesclado com southern rock eu fiquei no mínimo curioso para saber qual é a deles. Visto que Everytime I Die é um dos shows de metalcore que mais representa mundo afora, pela sua energia, explosão e impacto que causa em quem os assiste. Já o southern tem uma vibe mais hibilly e rockeira alabanesca.

Assim em 2013 como havíamos dito, saia o primeiro disco da banda, Apologia à Ostentação do Nada. Este que foi lançado de maneira totalmente independente e gravado no Estúdio Pedrada – estúdio que tem como sócios Marcelo e Iuri.

 

A primeira canção que abre o trabalho é justamente o single, “Manipulador”. Que começa violento, cheio de berros e peso para ninguém colocar defeito. O nível das críticas me lembrou o tom politizado do disco Homem Inimigo do Homem (2006) do Ratos de Porão que crucifica a corrupção e a fé cega. Na parte sonora você consegue ver a mistura de influências facilmente, o peso do metalcore aliado a solos mais trabalhados, ah, claro: tudo isso em pouco mais de 2 minutos.

#Installene, é o segundo som do disco. As influências de NYHC na parte instrumental e melodias alá Stoner Rock em suas transições também são sentidas nos backin vocals. Sim, consegue juntar o peso de Madball e Hatebreed com melodias mais hibilly. A crítica é aos pseudo revolucionários de internet, em que ficam no discurso nas redes porém na hora do vamos ver: não fazem nada.

“Angelina” sentimos a veia de bandas como Everytime I Die, o peso a raiva e a ira são perceptíveis nessa canção. Com a letra mais southern rock, a música parece contar uma história de romance que não deu tão certo. Conforme ela cresce sentimos o peso do Stoner, como eles mesmo citam: são fãs de bandas como Clutch.

“Porn” outra com temática totalmente ALABAMA BABY, vida regada a bebedeira, strippers honey – provalvelmente regada a Jack Daniel’s – e confusão. Sem perder o peso a música é trabalhada nas progressões e as duas guitarras são bem utilizadas nas diversas transições que a canção tem.

Lembram do primeiro EP? Então, a faixa título “Bem vindo ao caos” também entrou no primeiro disco. Com veia mais hardcore, ela tem breakdowns e questiona as manipulações das diversas religiões.

A seguinte “É tudo seu” parece ser continuação da anterior. Com destaque para os solos mais metaleros, guitar hero, e baixo no talo ela quer mesmo é colocar o dedo na ferida e provocar o caos. Sendo ideal para um bate cabeça entre um stage diving e outro.

caveira

“Mais uma dose” tem o espírito boêmio e inconfundível do Black Crowes numa guitarra e o peso do bicorde na outra. Conforme cresce, ela com o adendo de pedais fica ainda mais poderosa. Quando você acha que as transições param ela fica hipnotizante com solos muito bem trabalhados.

“B.E.E.R.” tem uma levada Cancer Bats. Jogo entre vocal e backin vocals de dialogar os versos. A canção fala sobre matar um leão a cada dia, o esforço que alguém tem em reconstruir e seguir em frente.

“Las Jegas”, que leva o nome de uma casa da luz vermelha da Rua Augusta, já começa meio country/bluegrass fanfarrão mas logo ganha peso. A letra é sobre festejar, o famoso “tocar o louco” e farrear no puteiro. Não poderia ser mais literal, né?

A música escolhida para fechar o disco é “Regras?”, de novo o southern rock ganha destaque. O desprender das correntes e a fuga da realidade. A rotina treteira que o álcool nos desperta e suas consequências que nem sempre são as melhores, não é mesmo?

A atmosfera de forasteiro invadindo um bar no faroeste á procura de confusão. A música se encerra com um trecho acústico e melancólico diretamente das cordas de um violão.

tall

Desde então quase 3 anos se passaram e a banda vinha prometendo um novo release, que veio logo no fim do ano passado: International Wrestling Federation Presents (2015). Este que conta com 5 faixas inéditas.

Estas que estariam presentes no disco anterior, porém ainda estavam cruas, logo eles decidiram guardar elas e trabalhar melhor para um futuro release. Bom, esse dia chegou:

 

Em conversa com o guitarrista Jair, questionei o porque do nome do EP e a resposta foi no mínimo curiosa e sincera:

“Cara, que bom que você gostou, fizemos muita pesquisa e trabalhamos horas em cima de 358 possibilidades de nomes…brincadeira, o Igor Pizzuto que fez a arte da capa escreveu isso pra dar uma previa do q ele pensou em fazer. nós gostamos e acabou ficando por isso mesmo. Juro que é verdade!”

Logo em seguida do lançamento eles lançaram o primeiro clipe “Copo Vazio” e ele nos contou como foi o processo e a mensagem que eles quiseram passar:

“O clipe de inicio era pra ser para a música Fim (primeira do EP). Tentamos fazer um roteiro até, ia ser um lance mais produzido mas nos enrolamos e decidimos só tocar e filmar a galera. Essa é a musica que tem mais essa cara, esse lance de tocar, tomar umas sem ligar pra muita coisa, só essa vontade de curtir o role mesmo.”

Assim um pouco mais introduzidos ao EP, vamos para o habitual faixa-a-faixa:

“Fim”, como Jairo nos contou era a canção que ganharia clipe elaborado mas que a ideia acabou não indo para frente. Cheia de riffs elaborados, breakdown a música tem levada de metalcore, guturais e atitude HC.

“Baião de dois” já começa cheia de cavalgadas alá Pantera, a canção fala sobre perdão e o fim inevitável. Conforme a música cresce o lado Cowboys From Hell ganha maior espaço, e a raiva que uma ingratidão parece despertar: é sentida á flor da pele.

“Copo Vazio” como citado acima é sobre ir pro rolê se divertir sem se preocupar com muita coisa. Sabe aquele eterno rolê sem fim pulando de bar em bar? Esse espirito rock’n’roll que a Tallene quer te despertar com esse som. Feel The Breeze, tome a breja e se jogue na noite.

talleneeeeee

A metaleira – com espírito Black Sabbático –  “Partidário” mostra o lado o veia política de algumas composições da banda. Indignações, revoltas e colocam o dedo na ferida. Quando questionado sobre esse lado da banda Jairo prontamente responde:

“Na real muitas vezes o lance é uma critica justamente por algum posicionamento míope, que acaba sendo hipócrita também. Acreditamos que cada um tem a sua verdade, e todo mundo tem o direito de se posicionar como queira desde que esteja disposto a ouvir os outros lados, ou pelo menos aceitar criticas.” Jair, guitarrista da Tallene – Fevereiro/2016

“Farsa Universal”, assim como canções de bandas como DFC, Mukeka Di Rato e Ratos de Porão critíca a fé cega e o dízimo cobrado pela Igreja Universal do Reino de Deus. Através das falsas promessas de salvação, mudanças de vida e curas milagrosas. A crítica no tom de explorar o fiel que muitas vezes nem tem muito recurso, ficando ainda mais miserável.

O EP mesmo contendo faixas não aproveitadas e não finalizadas frutos do primeiro trabalho, mostra como a banda nos últimos anos teve uma evolução em influências. Muito disso sendo fruto do corre do dia-a-dia. Este que fez eles conhecerem e tocarem com uma porção de bandas interessantes, já que o primeiro disco abriu diversas portas para o grupo:

” Em 2013 rolou um movimento legal que fizemos parte, tocamos com ótimas bandas e fizemos grandes amigos quando rolou o Southern Fest. Dentre elas destaco o Mattilha, Black Laguna, Grindhouse Hotel, Blue Barrel entre outras.” Jair, guitarrista da Tallene

Sobra a cena de Southern Rock e as influências, Jair ainda complementou:

” Mas acho que essa cena, ao meu ver, tem uma galera que cai mais pro rock’n’roll, e outras pro stoner. Tem a TRNK também que é muito boa e mais pro lado do metal. Acho que somos uma das poucas que tem essa influência Southern mas ao mesmo tempo tem uma pegada um pouco mais HC.”

Sobre os planos futuros e o lance da discrepância sonora do grupo perante a cena – devido a mistura de Metal com Southern e Hardcore – ele ainda nos contou:

“E é isso que vamos buscar no próximo disco, nos isolarmos mais (risos). Mas por uma boa razão, queremos fazer um som diferente da maioria. Algo mais parecido com o que o Every Time I Die faz, que é uma grande influência para nós. Só resumindo: temos planos de lançar um disco novo em 2016 mas vai ser bem mais pesado.

Para finalizar, fique com um cover para lá de não convencional de “Stay” do Oingo Boingo que conta com uma história curiosa que, bem, vejam o vídeo: Sem Spoilers.

ep

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