Reverendo Frankenstein revela os bastidores e a mutação sonora do EP Renascido!
Em entrevista, o Reverendo Frankenstein fala sobre o EP Renascido!, a nova formação e a mutação sonora que marca a fase mais plural da banda.
Com 14 anos de caminhada, Reverendo Frankenstein está de volta nas trincheiras e o EP Renascido! é consequência de uma série de suas inúmeras mutações. Além das mudanças na sua formação, a banda, que surgiu quase como uma dissidência do clássico grupo Kães Vadius, abre alas para uma nova fase com a entrada do baixista Villa von Zorch e do baterista Renan Pigmew, e faz o lançamento do novo compacto em pleno carnaval.
Alguns fatos escancaram essas transformações, como o amadurecimento artístico e a maior liberdade para explorar outros ritmos, elementos e gêneros musicais. “A gente já tinha essa sonoridade psycho-surf/surf punk, mas acho que conseguimos deixar nosso som com mais identidade”, revela Alexandre Saldanha.
Matheus Krempel completa: “Com o tempo e as mudanças na formação, encontramos uma liberdade artística um pouco maior e pudemos experimentar com outros subgêneros musicais relacionados. O que eu acho que é o grande paralelo ao Frankenstein de Mary Shelley. Uma verdadeira amálgama e que hoje se encaixa perfeitamente no cenário independente que se mostra muito mais plural e diversificado do que anos atrás. Esse EP é o primeiro esforço coletivo da banda em busca de uma sonoridade mais diversificada, que provavelmente deverá aparecer nos próximos trabalhos”.
A contribuição dos novos integrantes
Os integrantes ainda complementam que as trajetórias de Villa, que vem da cena da Surf Music, e de Renan, que vem do Metal e toca em uma banda de Rockabilly, contribuíram para o peso da nova fase. Krempel ressalta que o som da fase anterior era mais ortodoxo, pois Fabio e Felipe são “verdadeiros mestres na arte do Rockabilly” e que agora a atmosfera mais calcada em acordes menores e mais agressiva, contribuiu para deixar o som mais soturno.
O retorno ao Psycho Carnival
“Essa é a terceira vez que a gente toca no Psycho Carnival — tocamos em 2016 e 2024, mas sempre na programação paralela. Acho que vai ser bem legal tocar no evento principal e fazer o lançamento lá vai ser bem importante já que a gente nasceu na cena psychobilly“, diz Saldanha.
“Não vemos a hora de levar essa nossa proposta pro palco do Psycho Carnival. Vai ser uma prova de fogo para nós. Um verdadeiro desafio. Aquele momento para o qual nos preparamos durante toda nossa trajetória”, completa Matheus.
O esqueleto musical do Reverendo Frankenstein
A ideia de não ficar preso a estilos e estéticas manjadas é algo presente no DNA do projeto desde seus primeiros dias.
“Eu lembro que quando entrei para o Reverendo, já existia um repertório. Eu já havia ido a shows da banda. Uma das coisas que eu disse pra eles foi que eu gostaria de cantar as músicas e me vestir do meu jeito. Eu vi ali uma oportunidade de profanar o sagrado, saca? E se não for para profanar e desconstruir, nem me chama.
O tempo passou e eu enxerguei que era isso que eles também queriam fazer. Basta ver a versão que fizemos de “Praieira” do Chico Science”, comenta o santista.

Renascido! (e mutante)
O material conta com “O Respiro”, previamente lançado em 2025, com letra de Fabio Gasparini, da clássica banda pós-punk paulista Varsóvia, que ganhou um videoclipe nas mãos da produtora Nacho Produções.
“Deixa Ela Falar” entra para a cota das autorais e homenageia a música. “Tubarões & Serpentes” tem letra assinada por Maurício Garcia, vocalista da banda carioca A Grande Trepada (ou Big Trep), pioneira do psychobilly no Brasil, faz crítica à escala 6×1.
O material ainda conta com versão de “Skate Punk” – rebatizada de “Surf Punk” – da banda paulistana Gritando HC com participação do lendário guitarrista Robertinho de Recife.
“Não Me Arrependo (I Would Do It Again)” fecha o disquinho com uma versão da banda santista The Bombers que fará parte de um tributo organizado pelo Estúdio Mutante.
Os bastidores da versão do The Bombers
Fazer uma releitura pelas costas de um integrante da sua própria banda é um desafio por si. Seja por conta de lidar com um dilema entre respeitar a versão original ou repaginá-la completamente, como também em conseguir injetar o DNA do projeto no novo registro.
“A versão foi feita pelas costas do Matheus!
A gente fez os arranjos, escondido dele, mas ele acabou descobrindo. O engraçado é que quando eu fui gravar o vocal do refrão e as palmas, ele comentou que achou as estrofes meio vazias sem a voz, aí lembramos de um áudio que o Matheus mandou de brincadeira no grupo da banda.
Aí recortamos e usamos como se fosse a letra da música (risos). Mandamos no grupo da banda e o Villa respondeu em áudio falando que tinha que entrar e também colocamos esse áudio na faixa”, relembra Saldanha.
O momento da concepção do EP
No campo criativo nem sempre as coisas funcionam como o planejado e esse EP tem todo o DNA mutante do Reverendo.
“Essas músicas novas foram compostas na pandemia, numa época que o Reverendo tava em hiato. Acabei usando a música e a composição como válvula de escape. Como eu sou ruim de letra, mandei para alguns amigos ajudarem.“O Respiro”, por exemplo, saiu bem Joy Division, aí pensei no Fabio Gasparini, que tinha tocado comigo no Varsóvia, uma banda pós-punk da cena paulista dos anos 1980. Mauk Garcia é um amigo há muitos anos, mas a gente nunca tinha trabalhado junto. Mandei um esqueleto de música pra ele e ele criou “Tubarões & Serpentes” que fala sobre um tema super atual que é o fim da escala 6×1 e da desigualdade social. Fiz outras músicas com os dois, mas ainda não finalizamos. No futuro, vamos ter mais parcerias assim”, revela animado Alexandre.
“Eu estive fora do Reverendo por alguns anos. Na época sugeri que o Reverendo deveria gravar um disco com diferentes vocalistas. E nessa o Saldanha correu atrás de parceiros para letrar as músicas.Obviamente, essa ideia de diferentes vocalistas era bem maluca mesmo e eu não iria jamais deixar o Reverendo patinar. Então, eu pedi pra voltar e abracei a causa. No Reverendo é onde eu experimento o meu lado de performer e intérprete. Aliás, não vejo a hora de começarmos a produzir o próximo trabalho. Quero estar 100% presente em tudo. Eu devo isso à banda e a mim mesmo. Acho que agora eu estou pronto”.
A participação especial do Robertinho do Recife
“Conheço o Robertinho alguns anos, por conta de um emprego que tive na música. Logo no início da nossa versão de “Skate Punk” fizemos aquela levada jazz, mas na hora da gravação sugeri em estender um pouco mais e deixar um espaço pra convidarmos algum guitarrista para gravar um solo, mas sem ninguém em mente ainda.Um dia, o Robertinho me mandou uma mensagem e já fiz o convite na hora. É engraçado que o cara é um gênio da guitarra, já tocou com meio mundo e ficou preocupado de não conseguir fazer o que a gente tava esperando. No dia que ele mandou a parte dele gravada, mostrei pro pessoal e todo mundo pirou! A gente ficou muito feliz com o resultado!”
SERVIÇO
Psycho Carnival
Data: 15 de fevereiro, domingo às 18h
Local: Jokers Punk (Rua São Francisco, 512, Pinheiros – Curitiba/PR)
Horário: 18h
Entrada: A partir de R$160 (Ingressos)

