Lan lança "Estelar". - Foto Por: Victor Takayama
Na virada da quinta para a sexta-feira, LAN recebeu no Estúdio Central alguns convidados para ouvir em primeira mão seu álbum de estreia, Estelar. O produtor musical alagoano radicado em São Paulo contou algumas curiosidades sobre o processo do material que estava em produção há quase três anos e tem resquícios até mesmo do período pré-pandemia.
Período este em que para uma perda compôs “Céu Estelar”, faixa título e a única em que se permite assumir os vocais. O produtor, que também integra ao lado de Tuti AC o BADZILLA, conta que o áudio de sua voz captado ainda em 2019, quando estava emocionado pela perda de uma pessoa querida. Ouvir sabendo disso deixa a experiência ainda mais impactante.
“Essa canção acabou funcionando como um eixo emocional do álbum. Ela traz uma narrativa muito nostálgica, tanto nos arranjos quanto na atmosfera, e ajudou a organizar o sentimento que atravessa todo o projeto”, afirma o produtor.
Mas se engana que esta é a primeira experiência produzindo discos com seu CPF.
“Lancei meu primeiro disco em 2014, ainda como cantor e compositor, e já era formado em produção musical eletrônica. De lá pra cá, mergulhei de vez nesse universo. Agora senti que era hora de transformar essa pesquisa em um disco solo”, revela LAN sobre a empolgação pelo momento.
“O disco sintetiza isso, tanto esse meu lado mais orgânico, musical, de tocar instrumentos, mas também esse lado de produtor, on the box, de produzir beat. Tem essas nuances do house, da minha pesquisa da música eletrônica, mas também tem muito soul, R&B fundido com eletrônico, minhas influências de música brasileira, alguma coisa ou outra ali em pitadinhas.
De caras que eu ouvi muito como Djavan, como Guilherme Arantes. Eu queria que trouxesse nostalgia, queria que quando as pessoas ouvissem fossem transportadas para uma época. Acho que “Estelar” significa isso, é um conjunto de estrelas quando elas se encontram”, comentou LAN para os presentes no estúdio.
O registro, como ele mesmo brincou, reúne muitos artistas cariocas ao longo das 8 colaborações que contribuem ao longo das 10 faixas do álbum. Sendo uma instrumental “moov” e “Céu Estelar” na qual encerra o disco em faixa 100% solo.
As participações especiais são por si um time de estrelas da nova música brasileira. Reunindo os paulistas, Bebé, Gadel e Ruas MC, os cariocas Tárcis, JOCA e Manda, a brasiliense Marissol Mwaba, e o baiano Yan Cloud. O material tem mixagem de Zep e master de Rodrigo Deltoro.
“’Estelar’ é um espaço onde eu pude experimentar sem pressa, testar limites entre gêneros e construir uma identidade que junta tudo o que venho pesquisando na música eletrônica, na música orgânica e na canção”, declara o LAN em material enviado à imprensa.
A respeito da escolha do single para abrir alas para o trabalho, ainda no primeiro semestre de 2025, LAN foi enfático: “Escolhi essa faixa como primeiro single porque ela passa o recado da minha pesquisa. Ouvi por aí que o house estaria ‘morto’, por ter se fundido com outros gêneros, mas é justamente isso que me interessa: ultrapassar fronteiras, criar sem amarras”.
Sem amarras com estilos ou referências, o artista cita como referências do projeto nomes como Little Simz, The Internet, Free Nationals, Wesley Joseph, Mura Masa, BAKEY, Interplanetary Criminal e Solange. Inclusive, o ecoar do movimento, a fusão do orgânico e o eletrônico entra como uma pedra de fundamental do DNA do projeto.
“A ideia sempre foi fundir beats modernos com elementos tradicionais. É uma música que carrega brasilidade não como estética, mas como raiz. Um espaço de encontro, memória e movimento.”, frisa LAN
Imersiva, quente e pulsante, “Acelerando, bby” mistura versos livres em português e espanhol e tem no descontrole da noite seu cenário perfeito. Características do funk carioca, como citar marcas de bebida aliadas a referências latinas, como o porto-riquenho Bad Bunny, aparecem como elementos para ilustrar em nosso imaginário a história de uma colombiana que decide cair na noite de uma metrópole brasileira.
Nela, o house entra como elemento surpresa. O estilo de música eletrônica oriundo de Chicago, inclusive, está voltando com força no cotidiano dos jovens, ganhando adeptos, mundo afora. Assim como o Jungle, o próprio UK Garage e o Jersey. O acelerar nas curvas da noite tem a imersão do house e do funk estadunidense como elementos que criam sensações no ouvinte.
No fim de julho do ano passado foi a vez do segundo single, “DIVERSÃO”, faixa do músico com participação de Tarcis ganhou a luz do dia tendo como base a house music, mas sem perder seu aspecto urbano. LAN colaborou na produção ao lado de Fs.Aiff e o resultado faz uma ponte entre a música eletrônica, a MPB, os bailes e o rap.
“Essa música é tipo o momento em que a gente sorri dançando. “Diversão” aqui não é só entretenimento, é expressão, conexão e liberdade. É o tipo de som que transforma rua em palco, cidade em festa e o ouvinte em protagonista.”, resume LAN.
Essa verve dançante libertina, que vai no balanço da noite a suas curvas perigosas, ganha cenários urbanos ao longo da narrativa cotidiana que Tarcis versa livremente. O beat frenético imersivo traz o calor da rua mais próximo de quem chega junto.
Inclusive, é a segunda vez que Tarcis e LAN colaboram, a primeira foi em “Vitória Brindar”, do BADZILLA.
“Essa faixa se encontra em num estilo musical que eu gosto muito, o house. A letra foi quase um freestyle, a ideia veio muito rápida na cabeça. Eu e LAN conseguimos entender as ideias um do outro, por isso foi um processo tranquilo e divertido”, afirma Tarcis sobre a parceria.
“Acelerando, bby, primeiro single, foi o ponto de partida, um som mais noturno com aquela sensação de estar em movimento. “DIVERSÃO” chega como uma extensão dela, mas com um pé no solar, elegante, e mais groove, mostrando que o álbum terá muitas surpresas”, complementa LAN
“(Des)conectar” foi lançada pouco tempo depois em colaboração com Bebé. Uma faixa mais introspectiva e densa que puxa o mote sobre a necessidade da pausa e dos silêncios no nosso cotidiano. Essa marca de explorar as nuances da música brasileira, partindo do legado e se misturando com a nova geração, deixa tudo um tanto quanto plástico, nostálgico e com curvas sonoras bem definidas.
Elegante, com potencial de ser bastante versátil em playlists, entre o indie e o soul, a faixa explora texturas e sensações. Entre as referências estão artistas como The Internet, Little Simz e Solange.
Sua letra brinca com a sua forma, do desconectar e experimentar do seu instrumental, ao convite a viver o mundo offline. É a partir do poder do íntimo, sublime e espontâneo que a canção ganha asas para cruzar os limites entre o real e o intangível.
“O equilíbrio do que chamamos de indie soul cria uma atmosfera que é íntima e sofisticada, mas também orgânica e imperfeita na medida certa. Um espaço onde o eletrônico encontra o humano, e onde a leveza dialoga com a intensidade”, explicou LAN em material enviado à imprensa.
Sobre as pontes que a parceria compõe e o encaixe no set do disco que transita entre o orgânico e o digital, a pista e a introspecção, a leveza e a intensidade, ele completa: “(Des)conectar” simboliza os encontros que permeiam todo o disco, unindo gerações, estéticas e afetos. É um convite para mergulhar de vez nesse universo.”
A opção por iniciar com “Nostálgica”, parceria com o MC baiano Yan Cloud, é evidente: a ideia de introduzir desde o primeiro momento, a intenção do experimento. As colagens de vocais deixam sua energia flutuante e ouvir essa faixa direto das caixas do Estúdio Central é uma experiência que queria que mais pessoas tivessem. O timing de resgatar o R&B noventista junto a camadas de sintetizadores fazem com que o sentimento seja de conexão desde o primeiro beat e linha de baixo.
“Edredom” parceria com Gadel, chama o ouvinte para mais perto e se aproxima com mais força da nossa música brasileira. Seja pelas suas pausas melodramáticas, como na sua propulsão e canto apaixonado. É no refino dos arranjos e soluções sonoras, que o disco capta o espírito de construir novos caminhos sonoros por meio do mix entre orgânico e digital do eletrônico. Em tempos de Suno e outras ferramentas de IA, a provocação e retorno às raízes são mais do que necessárias.
A sensibilidade também faz parte da sua narrativa. A escalação de Marissol Mwaba é a prova disso.
Ela canta em swahili em uma faixa que tem como missão se conectar com espiritualidade, ancestralidade e memória. A artista sabe falar em sete idiomas e trouxe um pouco mais de si para a canção explorando a sonoridade da língua para deixar tudo ainda mais profundo, os beats, claro, acompanham a densidade.
Dos grandes nomes do 021, JOCA apresentou ao mundo em 2025 o fantástico CORTAVENTO e para a parceria com LAN em “Tão Bom Lembrar” pegou referências de R&B, com direito a citações ao gênio do reggae Jimmy Cliff e relatos do seu dia a dia.
Esse lado leve, ganha beats mais envolventes, como se o vocalista estivesse subindo uma grande montanha sem esquecer das suas origens e passagens pelo caminho. A grande graça da track são os elementos de indie, drum’n’bass e R&B coexistindo nas colagens sonoras escolhidas pelo produtor.
É impossível não ouvir “moov” e não imaginar um produtor e pesquisador de beats se divertindo em uma sala experimentando sonoridades. Pronta para pistas e para ser remixada para outros artistas, a faixa explora as camadas da house e do funk no que chamamos popularmente de “buena onda”.
Depois do viral, a carioca Manda captou a atenção do Brasil e LAN deu liberdade para a artista se aventurar nessa produção feita para brilhar nas pistas de dança. “Meu Coração Decidiu Dançar” é resultado disso e coloca o movimento do corpo em primeiro plano. As curvas sonoras captam a nostalgia e seus beats elevam a energia astral.
Escolhida acertadamente para encerrar Estelar, Céu Estelar”, além de toda a carga emocional que já comentamos anteriormente, traz um vocal com referências da música gospel e mostra o poder da sua extensão vocálica, tudo isso com muita intensidade para falar sobre sentimentos tão humanos como o lidar com a ausência, saudade e permanência. O que nos faz de fato eternos, mesmo muito longe do plano físico. É daquelas tão intensas que arrepiam.
“ESTELAR ⭐️ está no mundo.
Estelar carrega “lar” no nome.
E não é por acaso.Esse disco nasce de um retorno.
Um revisitar de tudo que me formou.
Do garoto que, aos 15 anos, se encontrou produzindo sua banda de adolescência, pois era necessário gravarmos uma demo, e sem saber exatamente que aquilo já era o começo.Do músico instrumentista, do estúdio físico, do som orgânico. E depois, aos 20, do choque com o universo digital na faculdade de produção musical com ênfase em música eletrônica, com os beats, com novas possibilidades de criação eu e meu PC e sem a necessidade de uma grande SSL. 🤯
Estelar é o encontro desses dois mundos.
O orgânico e o digital.
O passado e o presente.
Tudo o que eu carrego e tudo o que eu me tornei.Na astrofísica, um grupo de estrelas agrupadas gravitacionalmente brilham mais forte. Elas deixam de ser apenas pontos isolados e se tornam um acontecimento estelar. E esse álbum é exatamente isso.
Cada artista convidado, cada pessoa da engenharia de som, da mix, da master, da imprensa, distribuidora, meu selo…
E também quem esteve ali nos bastidores comigo.
Vocês transformaram esse projeto em algo maior do que eu poderia fazer sozinho.Foi um processo longo.
Às vezes difícil.
Mas profundamente verdadeiro.Colocar Estelar no mundo é a confirmação de que tudo valeu a pena. 💫⭐️✨🌟🌠🤸”, comentou LAN em seu Instagram nesta sexta (23)
This post was published on 23 de janeiro de 2026 6:21 pm
Instalação no Itaú Cultural reúne 168 capas de discos de LPs brasileiros onde música e…
Um mapeamento da nova cena musical independente de São Paulo no pós-pandemia Mapear a cena…
Em Adeus Atlântico, Bemti apresenta um pop autoral que cruza viola caipira, indie pop e…
No sábado (24) aconteceu a 11ª edição do CarnaUOL no Allianz Parque, em São Paulo, em…
Listening parties, super fãs e a urgência do encontro no mercado da música Você provavelmente…
Daquelas vindas que os fãs brasileiros esperaram por muito tempo, o inglês Frank Turner finalmente…
This website uses cookies.