Nada mais justo do que o Porcas Borboletas homenagear o legado imaterial da Casa do Mancha. A clássica banda do triângulo mineiro passou por diversas vezes no palco da casa localizada no coração da Vila Madalena mas que abraçou de peito aberto vários brasis.

Conhecida por ser fundamental para ajudar a fomentar a cena independente local e abrigar bandas que vinham de todo país durante suas passagens pela capital paulista, a casa foi fundada pouco tempo depois da estreia do Porcas Borboletas que se formou em 2002 na cidade de Uberlândia (MG) ainda como um duo.

O último suspiro de um dos palcos mais importantes do país nos últimos últimos 15 anos aconteceu recentemente e o acontecimento foi o grande motivador para que eles disponibilizassem o videoclipe que conta com versos amargos feitos o triste destino de diversas casas de show que tiveram que encerrar suas atividades ao longo da pandemia. Fica aqui o questionamento em alto e bom tom: “É possível transcender na derrota?

Se a arte imita a vida e a vida tem traços da arte, Mancha pouco tempo depois vai ajudar a reestruturar novos palcos com uma função administrativa dentro da prefeitura de São Paulo, um alento para todos que se veem representados por seus pensamentos e sementes plantadas ao longo do tempo. E talvez essa seja a melhor resposta para os versos.

Se a falta de apoio da cultura se vê em todos os cantos e os profissionais da música sofrem a cada dia as consequências de uma pandemia sem fim – e sem espaço para palcos…que aos poucos se construam novas pontes para um futuro.

Porcas Borboletas “Derrota Trascendental”



Danislau (voz), Enzo Banzo (guitarra e voz), Moita Mattos (guitarra e voz), Ricardim (samplers), Chelo (baixo) e Pedro Gongom (bateria e voz) transformam a algazarra da festa na “casinha” em um grande karaokê – e quantas noites começaram por lá e acabaram no samurai, não é mesmo?

As imagens foram captadas pelo diretor Filipe Franco (Panamá Filmes) momentos antes do último show do grupo no local antes da paralisação das atividades (ainda em 2018). A faixa integra o álbum mais recente do grupo, Momento Íntimo (2017, Matraca Records/YB Music),

“O clipe se ajustou bem à canção, o conjunto produziu uma coerência muito expressiva. A letra é o discurso de uma personagem, e a maneira pela qual as pessoas aparecem, os cortes, as edições, as repetições em câmera lenta, tudo criou uma atmosfera muito favorável para a expressão desconcertada dessa personagem.”, conta o vocalista Ladislau