Basta abrir os noticiários para ver as barbáries que tem sido ditas pelo governo atual a respeito das demarcações das terras indígenas. A guerra do campo é real e o número de morte de indígenas e manifestantes só cresce.
Drama registrado em Aruana, nova minissérie da Globo, que faz jus a memória de diversos guerreiros e ativistas que lutam contra o desmatamento de nossas florestas e biodiversidade.
“Aruanas” conta a história de três amigas de infância envolvidas em uma organização não governamental que investiga crimes ambientais na Amazônia. A sintonia com temas como ativismo, preservação, sustentabilidade e direitos indígenas começa pelo título, na palavra de origem tupi que significa “sentinelas da natureza”.
O preconceito, e a ignorância, são traços de um Brasil conservador e que a cada dia que passa não dá ouvidos as chamadas “minorias”.
É por isso que dar voz aos povos indígenas e seus interlocutores é a cada vez mais importante.
O rap que nasceu da resistência tem tido um papel importante desta luta. A rapper Souto MC, que recentemente gravou uma canção para o projeto Escuta as Minas do Spotify, atualmente através do edital da Natura, está gravando seu primeiro álbum que passará por sua ancestralidade indígena. Algo que ficará exposto em sua temática, percussão e beats. Mas ela não está sozinha!
Nesta terça-feira (15/07) a rapper Brisa Flow, que também tem origens indígenas, lança videoclipe dando a devida atenção a sua ancestralidade.
A locação do clipe de “Fique Viva” vai direto para o coração da floresta. O registro foi gravado na aldeia de TekoayvyPora, em São Paulo.
A produção audiovisual foi dirigido por Talita Brito e busca trazer através de seu roteiro: esperança para o futuro. Retratando a conexão com suas raízes através de um encontro transcendental da artista com uma liderança indígena.
Vale lembrar que o presidente Jair Bolsonaro recentemente se negou a encontrar para discutir a demarcação de terras, não os considerando “lideranças”, o que ofendeu profundamente a comunidade indígena brasileira.
Apesar das inúmeras tentativas de apagar de nossa história a população indígena, ela permanece viva, atuante e precisa de olhos atentos para existir no futuro.
A rapper ainda lembra que a faixa é sobre a sobrevivência da mulher indígena urbana, em constante reconstrução de identidade e ancestralidade, apagadas pelo processo de embranquecimento efetuado nos países latino-americanos.
“A ideia de gravar o clipe na aldeia consiste em deixar vivo os ensinamentos dos nossos ancestrais. É sobre futuro, sem esquecer do passado. É sobre demarcar pra manter nossa vida e cultura vivas. Indígena futurismo dentro da aldeia e no contexto urbano”, explica Brisa.
No ano passado Brisa Flow lançou seu segundo disco, Selvagem Como o Vento, e se tornou destaque nas principais listas de melhores do ano.
A faixa “Fique Viva” faz parte do registro e agora através da produção audiovisual se conecta ainda mais com sua temática contestadora. É o abrir de olhos para os problemas muito além dos noticiários.
O vídeo contou com montagem e edição de Arão da Silva, equipamentos de Rafael Kent,
assistência fotografia por Anna Catharina, direção de arte, figurino e chocalho de cabeça por Camila Valones e elenco composto por Brisa de laCordillera e Ara Mirim (Sônia Barbosa).
This post was published on 16 de julho de 2019 11:00 am
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