Experimental, dançante e alucinante: conheça o som do duo português Lucky Lupe
O Lucky Lupe surgiu como um duo ainda em Lisboa tendo em sua formação David Ferreira (Guitarra/Baixo/Synts) e Tiago Salsinha (Bateria). Em 2014, David saiu de Portugal para morar na capital paulista. Um grande desafio afinal de contas a adaptação a um novo país com condição de vida e cultura diferente sempre demanda tempo e paciência.

O som da banda é a soma das vivências de David que passou sua vida toda apreciando músicas dos mais diversos estilos, o que agrega na rica mistura e gama de sons que o projeto carrega. Você sente o post-rock do Mogwai, o psicodélico do Pink Floyd, a dance music, o Jazz, o indie pop, rock progressivo e o rock alternativo.
Tudo isso soa muito natural ao ouvir o disco. A magia está justamente em como ele consegue explorar esses estilos que se fundem e carregam sua alma nos mais pequenos detalhes. Ferreira utiliza do recurso de um double neck (guitarra + baixo no mesmo instrumento para leigos) e ainda toca sintetizador, utiliza de diversos pedais de efeitos e explora loopstations.
Lucky Lupe Lucky Lupe (2016)
A canção que abre o trabalho é “Quarto Zimmer” está que carrega um alto astral evidente e revigorante. Este som flerta com a dance music e com a psicodelia setentista, é como se estivéssemos à bordo de uma espaçonave com destino incerto. A progressão de acordes não te deixa parado, ao mesmo tempo que te leva para o campo da abstração.
“Delay Song” tem aquele espírito Pinball Wizard (The Who) abraçando as guitarras do Rush. São 7 minutos de devaneios em uma atmosfera alucinante e hipnótica. A maneira como a música progride e o recurso dos synths e riffs de guitarra fazem com que sua atenção não se perca. É neste momento que o brilho do post rock se evidencia. É tudo muito matemático e flerta por alguns momentos com o math rock. O mais legal é que isto é atemporal e poderia ter sido feito nos anos 70, 80 ou em 2017.
Sendo amante do jazz nada como David homenagear o músico e compositor com uma canção. A faixa conta com um baixo pegado com as métricas do jazz e utiliza da bateria eletrônica para dar um beat que casa com os riffs de guitarra um tanto quanto cibernéticos. Se você pirar em Kraftwerk, Jazz Punk e No Wave meu amigo essa será sua canção favorita no disco. Ela tem swing, levada e te conduz direto para a pista de dança.

No ano passado eles lançaram a primeira faixa gravada no Brasil, “Phased Tripping” esta que foi gravada no Family Mob, em São Paulo. Eles agora em abril gravaram uma faixa inédita para o projeto da Levi’s então em breve teremos muitas novidades sobre a Lucky Lupe!
[soundcloud url=”https://api.soundcloud.com/tracks/258221434″ params=”color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false” width=”100%” height=”166″ iframe=”true” /]
Depois de ouvir o EP, nada como conversar um pouco com o David Ferreira para saber mais sobre o projeto, origens, adaptação do país, cenário underground e futuro.
David Ferreira: Na verdade lançamos o disco com um Show na SIM (semana internacional da música em SP) e com um show em Lisboa.

David Ferreira: O cenário independente aqui é similar ao de Lisboa, tirando a diferença de tamanho, para poder ter uma ideia, só na cidade de São Paulo vivem mais pessoas que em Portugal inteiro. Nesse sentido acredito que hajam mais oportunidades aqui.
David Ferreira: Bom, eu uso de fato o Double Neck de Guitarra e Baixo e toco também os Synths, foi uma questão de necessidade, precisava ter um som de Guitarra e Baixo, daí ter mandado construir esse instrumento.
O Lucky Lupe é uma banda que usa Loopstations, na pratica eu vou gravando os riffs nos Loopstations e criando camadas de som, sobrepondo os sons e tocando em cima desses sons. Se você for ver um show nosso vai reparar que é bem “esquizofrênico” pois nós não usamos nenhum som pré gravado ou sequenciado. Desta forma fica bem complicado executar tudo, mas é uma opção nossa, dá trabalho, precisa ensaiar bastante mas o fato de o público escutar os sons tocados na hora e gravados nas loopstations em real time também tem o seu impacto e torna a banda bem diferenciada.

[Hits Perdidos] O virtuosismo é algo notável nas composições. Mas as referências não conseguiria encaixar apenas em pós rock, progressivo, tem um pouco de dance music e elementos de outros gêneros como jazz e psicodelia. Qual o background musical?
[Hits Perdidos] Quais discos fizeram querer abrir o leque de influências? E como funciona o processo criativo?

Lucky Lupe
