Entrevista e troca de Mixtapes entre Hits Perdidos e Aperta O Play

Mixtapes nos fascinam desde os tempos das fitinhas K7 onde amigos compartilhavam gravações das rádios na época que não existia internet, não existia reprise e não era possível deixar passar aquele momento de gravar o som da banda favorita.

Para quem era meio “quebrado” ainda era talvez a única opção de ter os sons de suas bandas favoritas em uma fitinha para ouvir quando pudesse. Até mesmo compartilhar com os amigos para mostrar as novidades das bandas do Brasil e do mundo. Outra realidade das mixtapes era o lance de preparar um set para impressionar a garota que estava interessado anexando baladas românticas a uma perfumada cartinha.

Há relatos de fitinhas que salvaram a vida de algumas pessoas e isso faz com que nos apaixonemos mais a cada dia mais pela linguagem universal da música. Algo muito louco pois em 2012 eu comecei o Anchor Mixtapes sem nenhuma pretenção com fitas com temas muitas vezes esdrúxulos e em 2014 veio ao mundo a coletânea Rock Falido que foi divulgada em uma porrada de lugares como o Nada Pop e o Zonapunk, esta que continha bandas independentes nacionais e foi feita em parceria com Giuliano Di Martino (Veronica Kills – atualmente no Deb and the Mentals).

Algo muito legal foi descobrir após as aventuras pelas ondas da Mutante Radio a existência do Aperta O Play, que me fascinou por questão de identificação com a proposta e pelo rico conteúdo das playlists. Com direito até a convidados ilustres.


APERTA O
Após 3 anos de existência o Aperta O Play estreou na Mutante Radio em fevereiro.

Sobre o Aperta O Play

O Aperta O Play é um projeto de divulgação de mixtapes online com 3 anos de existência e mais de 80 mixtapes lançadas e programas semanais na Web radio Mutante Radio. As mixtapes lançadas são baseadas nos gostos pessoais dos integrantes do projeto e também dos colaboradores, convidados e ouvintes que podem enviar suas próprias listas.

O surgimento do projeto ocorreu após conversas entre os integrantes (Alexandre, Danilo e Eduardo) sobre músicas, podcasts e, principalmente, por conta do saudosismo em relação à época em que trocávamos fitas cassetes com os amigos para mostrar os sons que mais gostávamos. Dessa forma, o Aperta O Play veio para relembrar essa época e, com o auxílio da internet, voltar a apresentar aos amigos e pessoas as músicas que gostávamos, aproveitando para conhecer novas bandas e sons também.

Os integrantes têm gostos musicais semelhantes e divergentes na mesma proporção, o que faz com que as mixtapes lançadas não sejam sempre iguais e consigam abranger vários estilos musicais, mantendo ainda assim uma identidade para o projeto.

As Mixtapes possuem, em média, 60 minutos de duração e são publicadas todas as Quartas-Feiras ao Meio-dia no site e também na fanpage do Facebook.

Os programas lançados na Web Rádio Mutante Rádio vão ao ar todos os sábados as 11h e podem ser ouvidos através do site da rádio e ficam disponíveis para audição posterior no mixcloud da rádio e no mixcloud do Aperta O Play.

Os integrantes do projeto são:

Alexandre Okubo:

Sempre em busca de alguma coisa nova pra ouvir seja ela velha ou nova.

Não se considera um expert em música (e nem quer ser), não gosta de rotular música, ouve Mutantes, U2, My Bloody Valentine, Bixiga 70, Inky, Ramones e um zilhão de outras coisas.

Danilo Soares: “Se eu não gosto, é ruim”, ouve de tudo, desde Pink Floyd a Sepultura, tem como gosto principal o Stoner que conheceu depois de virar fã de Queens of The Stone Age. Não tem tatuagens, e por isso é o diferentão dos 3. Álbuns de cabeceira nos últimos meses: Machine Messiah (Sepultura), Hardwired to self-destruct (Metallica) e Sorceress (Opeth)

Eduardo Ferreira: Adepto do “Quanto pior, melhor” escuta de tudo um pouco, mas tem como preferência o Punk, Hardcore e Hardcore Melódico. Costuma tatuar o símbolo ou referências as bandas que mais gosta, e segue o mantra de “Se não dançam todos, não dança ninguém”. Bandas de cabeceira: Blink 182, Oasis e Garage Fuzz.


Nesta semana o Hits Perdidos foi convidado para participar da edição do Aperte O Playa Mixtape já está disponível no site.

Para mim receber o convite do Alexandre foi um honra e felicidade em poder voltar aos tempos de Anchor Mixtapes nem que fosse só por um dia. E defini de primeira que teria que ser uma Mixtape que dialoga-se com minha adolescência e os últimos 10 anos de descobertas na webesfera. Assim unindo o Hits Perdidos ao Aperte O Play de maneira digna.

Desta forma resolvi estender o faixa-a-faixa para justificar as escolhas de cada canção da lista. Menos análise de mensagem e mais nostalgia em cada uma das faixas. Então vamos lá!

1 – The Death Set –  Kittens Inspired by Canonball, Black Metal, Should I Stay or Should I Go, Get to the Point (The Breeders vs. Ascii Disko vs. The Clash vs. Sizzla)

Conheci o The Death Set em um momento delicado, o membro da banda havia falecido e a banda estava em um luto – daqueles eternos – por conta das vivências da banda. De NY para o mundo eles tem uns discos muito legais mas o que mais me chamou foi um Set que eles criaram especialmente para uma festa. E se a vida até parece uma festa como diriam os Titãs porque não dar o pontapé inicial nesse clima?

Esse mash-up mistura de uma maneira bem louca “Canonball” do Breeders a “Should I Stay Or Should I Go” do The Clash com intervenções de rap e do desconhecido Ascii Disko – que ficou estranhamente bom. Caso queiram baixar esse set procurem por Мишка Presents Artificially Sweetened.

2 – Latterman – There’s Never A Reason Not To Party

Conheci Latterman em uma época que estava interessado por bandas como Dag Nasty, Tigers Jaw, Alkaline Trio mas que queria algo que conversasse com a minha geração de certa forma. Fui me deparar com o som deles e ver um vídeo sensacional gravado em um quartinho do subúrbio dos EUA: a identificação com os rolês underground de São Paulo foi instantânea. Para mim essa canção é imbatível tanto na mensagem como na energia.

3 – Seaweed – Kid Candy

Não vou pagar de tr00 e falar que cresci ouvindo Seaweed pois eu estaria mentindo para mim mesmo. Foi uma descoberta tardia mas que quando ouvi quis pular e ir direto para o mosh. Nem eu sei explicar para mim mesmo. Depois fui descobrir que a galera que pirava em Skate Punk já surtava por aqui nos anos 90 e que o chorão até plagiou os caras. Essa canção peguei carinho mais recentemente. Grande Hit Perdido.

4 – Sunny Day Real Estate – 47

O que é esse disco do Sunny Day Real Estate. Diary é daqueles que a identificação ocorre logo no primeiro play em qualquer um que tenha um background punk rock mas que aprecia algo mais melódico e denso. “47” em sí é uma das mais emblemáticas para mim do disquinho.

5 – Shelter – Here We Go Again

O Shelter foi uma banda grande em termos de referência para várias bandas do Brasil. E o gozado foi que nunca esteve no hall de melhores bandas ou listas que eu costumava fazer. Até que um dia acompanhando o Heavy Pero No Mucho da 89 eu decidi fazer as pazes com o tempo e ouvir os discos novamente. Foi como andar de patins pela primeira vez. Um belo capote pelos anos perdidos.

super
6 – Superchunk – Why Do You Have to Put a Date on Everything

Uma vez eu vi uma entrevista do Matt Skiba do Alkaline Trio – e uma porrada de projetos – comentar que Foolish do Superchunk foi um dos discos que fez ele repensar o jeito de compor e tocar sua guitarra. Precisei pegar esse disco para ouvir e em poucos segundos me apaixonei por “Like A Fool” pela sua pureza e arranjos perfeitos. Foi porrada atrás de porrada em tudo que eu pensava sobre rock alternativo americano.

Algo que senti em outras bandas apenas como Lemonheads e Archers of Loaf. Nunca pude vê-los ao vivo apenas conhecer o simpático baterista atual que também toca com o Bob Mould em seu projeto solo. A música escolhida para a mixtape é uma das favoritas da vida.

7 – Q And Not U – Soft Pyramids

Estava no youtube procurando por bandas como Built For Spill e Refused e me caiu essa belezinha na mão. Esse clipe bateu na hora como algo diferente e que não tinha muitas coisas iguais. Aquela mesma sensação que tive ao ouvir Fugazi pela primeira vez.

8 – Built To Spill – Car

Sempre lia sobre Built To Spill em listas de gente que admiro e eu acho até natural ter um background musical punk e migrar para o alternativo. Weezer talvez seja um dos maiores exemplos nesse aspecto. E assim como Pavement essa delicadeza conversou comigo mais que qualquer disco do Iron Maiden ou dos Beatles. Vai entender. Simplesmente bateu. Dentro do meu acervo pessoal eu colocaria o disco dessa banda ao lado do Teenage Fanclub, Buffalo Tom e do Wilco com muito carinho.

9 – The Night Marchers – Thar She Blows

Não sei se vocês que estão lendo já ouviram falar alguma vez na vida de Rocket From The Crypt. Mas eu explico como uma banda que você conhece e simplesmente não consegue parar de ouvir. A maior prova disso foi sair correndo atrás de tudo relacionado a eles após os discos. Numa dessas gratas surpresas o The Night Marchers caiu bem demais.

10 – Yes Mistress – Can’t Make Me

Essa talvez seja a história mais legal da Mixtape. Eu conheci essa banda aleatoriamente enquanto peregrinava pelo soulseek. Baixei uma pastinha inteira de apenas UM ser humano que tinha os arquivos. Abri a janela do mensageiro da plataforma e fui trocar ideia falando que estava feliz demais por encontrar e que pirava em Rocket From The Crypt.

Mal eu sabia que estava conversando com o baterista da banda (Yes Mistress) que me contou que as influências iam de Radio Birdman, Stooges, Rocket From The Crypt e The Sonics. Foi um bate papo interessante, ganhei um amigo aquele dia…por mais que nunca mais tenha falado com o cara.

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Guided By Voices

11 – Guided By Voices – Game Of Pricks

Robert Pollard talvez seja o maior gênio do rock alternativo. Os discos do Guided By Voices ou de qualquer outro projeto que envolva ele são um tiro na sua alma. Com estética sempre lo-fi e visceral ele consegue dialogar com você em tempos ruins. É hit mas é hit perdido pois as pessoas deveriam ouvir muito mais.

12 – The Jam – Boy About Town

The Jam começou como uma banda mod revival mas ao mesmo tempo Paul Weller sempre foi um punk por natureza e isso está em hits como “Going Underground” ou em parcerias como a maravilhosa ao lado de Amy Winehouse no palco de uma grande premiação britânica. Escolhi essa canção pois é impossível não ouvir sem pensar em Londres ou em qualquer cidade cosmopolita.

13 – The Offenders – Before They Will Find Out

Sinceramente eu não sei como essa banda surgiu no meu Itunes, acho que foi na época que ia no New Albuns Releases e fazia a rapa nos downloads. Me lembra muito a segunda onda do ska de bandas como Madness. O que sempre me deixou alto astral então nada mais justo do que entrar na playlist.

14 – The Jesus And Mary Chain – I Love Rock & Roll

Sempre achei Munki um disco meio ignorado da discografia deles e extremamente pegajoso e gostoso de ouvir. A ironia dessa canção em ter esse título e não ser um hard rock farofa ou algo meio Kiss para mim traz toda a graça. E convenhamos, que banda né?

15 – Ride – Vapour Trail

Ride foi algo que nunca achei que fosse gostar. Mas foi lendo artigos em sites gringos sobre shows e experiências de fãs que fui atrás. Essa canção é um hit incontestável. Você sofre junto com os caras.

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Primal Scream

16 – Primal Scream –  Higher Than The Sun

Primal Scream é uma das bandas responsáveis por eu criar interesse por soul por incrível que pareça. Nunca pude vê-los ao vivo mas é um sonho de anos. Dessa mesma época pude ver um incrível show do Spiritualized que por pouco não entra na lista. “Higher Than The Sun” ao vivo ganha as vezes 7 minutos mas são minutos de êxtase sonoro.

17 – The Replacements – Left Of The Dial

Como fazer uma playlist sobre sua vida e não colocar sua banda favorita? Acho que seria impossível. A dúvida que me tirou o sono foi a escolha sobre qual canção colocar que não fosse bad vibes demais. É a minha banda favorita por ter me ajudado a sair de tempos difíceis onde eu não acreditava muito em mim.

The Replacements me abraçou de um jeito que eu só tenho a agradecer. Essa canção faz referência as college radios que eram localizadas no canto esquerdo do radio, longe do mainstream. A margem da sociedade, longe das MTV’s da vida.

18 – FIDLAR – 5 to 9

Eu passei a infância jogando Tony Hawk Pro Skater, tem até texto aqui no Hits Perdidos falando sobre isso, quem acompanha sabe. Eu conheci o FIDLAR durante uma entrevista que eles fizeram em um festival em que justamente falaram como o jogo de videogame influenciou em tudo que eles fazem de música. E que de certa forma as letras das canções moldaram o caráter deles.

Após isso lançaram dois discos e o último é bem triste. Sempre com bom humor o disco por traz fala sobre a morte por overdose da namorada do vocalista. Algo que pude ler em uma entrevista e me chocar de certa forma. Afinal de contas o disco carrega um remorso dele ter feito ela se viciar em heroína. A música que escolhi é do primeiro álbum oficial deles e é um punk rock direto e reto com tom de tiração de onda, ou seja a cara do FIDLAR.

19 – The Hatepinks –  Microwave Drugs

Conheci essa banda por acaso pesquisando por punk rock francês. Pode parecer algo um tanto quanto aleatório mas em certo ano quis fazer uma tour mundial pelo punk rock. Achei essa banda tão descolada e de certa forma ~Fodasse~ que rapidamente me identifiquei com a piração. Até o nome da música não dá para levar a sério, as roupas deles então. Tem discos que eles assinam como Les Hatepinks, caso interesse a alguém.

20 – Vanilla Muffins – No Punkrock In My Car 

Em determinado momento eu fui procurar por Oi!, também chamado de Street Punk. Eu adoro Los Fastidios, Cock Sparrer, Perkele e tantas outras. Em certo momento na busca por bandas da Suíça eu esbarrei com o Vanilla Muffins por conta de uma tag que achei engraçada e uma capa futebolística. A tal da tag era o Sugar Oi! uma espécie de Oi açucarado. Fui ouvir e fiquei cantando aquele disco por dias – talvez meses – foi paixão a primeira ouvida. Acho que nada como fechar um set punk com uma música com o nome “No Punkrock In My Car”, não é mesmo?

Muf
Para fechar a matéria com chave de ouro nada como conversar com os criadores do Aperta O Play: Alexandre, Eduardo e Danilo.

[Hits Perdidos] Em 3 anos foram mais de 80 mixtapes, quais vocês quebraram mais a cabeça para montar e como é o processo de pesquisa por novos sons?

Okubo: Acredito que foram as primeiras 10 mixtapes, porque a gente não estava entrosado e ainda não havíamos descoberto a “nossa maneira” de fazer as coisas.
Hoje cada um faz uma mixtape inteira e o ideal é que ela tenha vários estilos de sons (de vez em quando a gente lança uma temática), esse já é um puta exercício porque a gente tem que sair da nossa “zona de conforto” e ouvir coisas diferentes.

Eduardo: Para conhecer novos sons utilizamos indicações de amigos, o descobertas da semana do Spotify e programas que gostamos (como o zerodb do mahr, o do kid vinil e o heavy pero no mucho na 89 e os vários programas da Mutante Radio).

[Hits Perdidos] Apesar de vocês compartilharem de bandas e gosto musical vocês tem peculiaridades e cada um puxa para um lado o que é muito legal. Teve alguma mixtape que não foi consenso ser postada ou alguma banda que algum curte e o outro fico meio “mas essa banda cara…” ou algo do tipo?

Eduardo: Já “discutimos” muito por isso (risos). O Danilo sempre coloca um metal que achamos que não combina, eu chego com os punk e hardcore que parecem a mesma coisa e o Okubo com os sons malucos que nunca ouvimos falar. Mas essa é a parte boa, além de divulgarmos sons nós mesmos conhecemos coisas novas entre nós.

Okubo: Um exemplo desse tipo de discussão aconteceu na Mixtape 11 onde eu resolvi colocar um som da Fergie (Black Eyed Peas) tocando uma cover do Heart (Barracuda).

Danilo: Sempre acontece de discordarmos com as bandas que um coloca, afinal, apesar de gostarmos de algumas bandas iguais, sempre tem aquela que a gente torce o nariz, talvez eu seja o que mais fuja do gosto em comum por gostar mais de metal e stoner. Sempre tento aparecer com alguma música que fuja desses estilos para surpreender.

[Hits Perdidos] Como é o processo de divulgação? Vocês tem feedback das bandas? O lance da rádio tem ajudado de maneira significativa?

Okubo: Sempre utilizamos o Facebook, tudo começou como um hobby e não esperávamos o crescimento que tivemos, fizemos posts patrocinados para divulgar, porém, as coisas aconteceram muito no “boca a boca”, muita gente que curtiu via post patrocinado convidava os amigos para curtir a nossa página, ou marcava um amigo nos comentários de uma mixtape.

Este ano nós resolvemos investir em um novo site, em criar uma identidade visual e tentar aprender como divulgar melhor o Aperta o Play.

Várias bandas curtem e compartilham os posts, outras entram em contato com a gente para mostrar o seu som, algumas mixtapes que estamos lançando este ano (Jonnata Doll do Jonnata Doll e os Garotos Solventes e Glauco Ribeiro do Lava Divers e outras estão para ir pro ar) foram produzidas por membros de bandas que curtiram e compartilharam nossos posts.

A rádio ajuda bastante na divulgação, o número de curtidas na página estava “estável” no final do ano passado e em janeiro, quando lançamos o programa na rádio o número de curtidas na página vem aumentando sem fazermos nenhum tipo de divulgação extra.

A Mutante também auxilia no contato com o pessoal de banda independente, as vezes a pessoa não conhece o nosso trabalho mas quando falamos que temos um programa na Mutante a vibe muda pra um clima bem mais positivista.

[Hits Perdidos] Em 3 anos imagino que já devam ter abordado vocês de várias formas. Já tiveram convites para discotecar ou participar de algum evento de música?

Eduardo: Por incrível que pareça, não (risos).

Okubo: Nós que fomos atrás de muitas coisas, bandas e pessoas, mas por não termos um grande relacionamento com o pessoal do meio e sermos desconhecidos, sempre foi bem difícil. Só em 2017 as coisas deram uma boa guinada com a entrevista que demos para o Ricardo Schott e com o lance da Mutante. Isso tem aberto muitas portas pra nós.

APERTA O PLAY
O trio comanda o Aperta O Play. – Foto: Acervo Pessoal.

[Hits Perdidos] Sobre Mixtapes. De onde veio a ideia? Vocês faziam e ganhavam mixtapes?

Okubo: Fita cassete faz parte da minha adolescência que aconteceu na década de 80, quando eu tinha 12 anos ficava gravando as músicas que tocavam na rádio que eu gostava, aos 15 descobri o rock alternativo através de um amigo e ele gravou as minhas primeiras fitas com Buzzcocks, Ramones, Joy Division, Cramps, Meteors, Sisters of Mercy, Bauhaus, New Order e várias outras coisas.

Esse meu amigo tinha um double deck então muitas dessas músicas eram gravadas a partir de outras k7, porque disco era caro e o acesso a música era difícil, ainda não existia a MTV e o MP3, passei várias tardes na casa dele gravando músicas.

O Danilo e o Edu usaram fitas cassete, porém, ele pegaram mais a época da troca digital.

Danilo: Cheguei pegar a época da fita mas já rolava da galera gravar CD em casa com mp3 ou mesmo um disco inteiro na qualidade “original”. A época que mais conheci bandas foi indo na galeria do rock e pegando álbuns que os caras das lojas recomendavam quando eu falava de uma banda que eu curtia. Era corriqueiro eu e um amigo irmos em  uma lan house no sábado e passar o dia fuçando a Radio UOL atrás de algum som diferente.

Eduardo: Conheci muitas bandas quando quebrei meu pé. Não tinha o que fazer e já tinha um computador com acesso a internet. Joguei no Cadê ou Miner (não lembro o buscador da época) a busca *.mp3 (risos) . Vieram mais de 1000 abas, e eu fui entrando em todas. Uma que lembro dessa época era o Millencolin. Aí com isso, ia no Orkut dessas bandas e via as bandas relacionadas a ela, e procurava pra ouvir. Isso em época em que não existia Youu Tube ou outros Streamings. As bandas compartilhavam muitos sons no 4shared e divulgavam no Fotolog delas.

Okubo: Em nossa ideia inicial o Aperta o Play seria um podcast sobre música com formato de programa de rádio, acabamos desistindo da ideia porque não tínhamos tempo para elaborar pauta, fazer pesquisa e editar o programa.

Aí eu falei pro Edu: vamos colocar só as músicas que queremos tocar, como fazíamos na época das fitas cassete, começamos a discutir o conceito e tivemos a ideia de pedir pra alguns amigos fazerem uma seleção de músicas e mandar pra gente, assim nasceu o Aperta o Play.

[Hits Perdidos] Quais bandas mais gostaram de conhecer que se não fosse por aquelas fitinhas provavelmente se perderiam no tempo?

Danilo: Opeth, Karma to burn e NOFX.
Eduardo: Millencolin, Street Buldogs e Nitrominds.
Okubo: Muita coisa que hoje é classificada como clássico do rock/discoteca básica e na época não era: Joy Division, Bauhaus, Cramps, Jesus & Mary Chain, Stereolab, Cocteau Twins. Essas bandas não se perderiam no tempo, porém, muitas dessas bandas são trilha sonora da minha vida..(risos).

[Hits Perdidos] O que acham sobre a internet e a nova visão e extensão uma mixtape pode alcançar. Quais os ganhos? Acreditam que a magia da fitinha se perde ou se renova?

Okubo: A Playlist que você cria no serviço de streaming (Spotify e Deezer) e compartilha com um amigo é a nova fita k7, o alcance é muito amplo. Hoje há um revival da fita k7 física que eu acho bem legal.

Eduardo: A mixtape e a divulgação de sons só cresce, porém temos sempre de estar antenados com as mudanças, pois as coisas acontecem muito rápido agora. O vinil e o k7 comandaram por uns 30 anos, o cd por uns 15. Ai veio o mp3, e a “livre” distribuição reinou.

Hoje temos spotify, deezer, youtube, mas a 3 anos atrás esses serviços para “música” estavam engatinhando ainda. A maioria das coisas era por download. A 3, 4 anos atrás ainda tinha o trama virtual, com um acervo espetacular. Tudo isso mudou, e hoje se um som não está no streaming a galera não ouve. E isso que tentamos fazer, voltar a fazer as pessoas ouvirem e conhecerem coisas que, em situações normais, passariam batido. E nesse ponto os gostos diferentes que temos ajuda pois acabamos fazendo mesclas bem legais.

Danilo: Acredito que o conceito ainda existe, mas renovado no streaming, eu por exemplo possuo uma playlist colaborativa com uns amigos que estão espalhados pelo Brasil e sempre rola aparecer bandas independentes de cada região que nunca conseguiríamos achar se estivéssemos no tempo da fita k7. Ainda acho que da forma atual que se encontra o streaming não irá durar muito tempo, já é algo que precisa se renovar por conta da indústria que ainda se recusa a evoluir pra esse lado.

[Hits Perdidos] Qual formato mais gostam quando o lance é ouvir música: Vinil, CD, streaming ou K7? Vocês tem coleções? Se sim quais são os itens que mais se orgulham de ter?

Eduardo: Vinil 180 (risos). Mas pela comodidade escuto mais mp3 e streaming. Mas tenho coleção com uns 400 cds, uns 100 dvds de shows e uma coleção com uns 250 vinis. Eu ainda hoje compro muita mídia mesmo sabendo que nunca vou ouvir nesse formato. Eu me orgulho dos vinis dos Beatles, Led e do “black album” do Metallica.

Danilo: Streaming pela comodidade, tenho alguns CDs ainda que não são de coleção, guardo mais por afeto mesmo.

OkuboFui me “desapegando” de muita coisa, primeiro foram os vinis na época que o CD começou a reinar, depois foram as fitas k7 e vários cds quando eu me mudei de Santos para São Paulo.

Tenho alguns cds ainda que eu não consegui me desapegar como por exemplo: vários EPs do My Bloody Valentine, o cd do Ciccone Youth, todos os singles dos seguintes discos do U2: “Joshua Tree”, “Rattle and Hum”, “Achtung Baby”, “Zooropa e Pop” e algumas outras coisas.

Por causa de espaço físico a minha coleção foi se transformando em arquivos digitais, “ripei” muita coisa antes de me desfazer.

Ainda compro música em mídia física e 99% é de bandas independentes, mesmo sabendo que não utilizarei a mídia para ouvir as músicas, essas bandas tiram dinheiro do próprio bolso para gravar, então é a minha forma de contribuir para que esses artistas não parem de gravar.

As últimas 3 aquisições foram o “Crocodilo” do Jonnata Doll e os Garotos Solventes, o k7 do “No Song As A Trio” do ACruz Sesper Trio e a contribuição no crowdfunding para o novo disco do Far From Alaska que se chama “Unlikely”.

Hoje uso muito os serviços de streaming (Spotify, Youtube, Bandcamp, Soundcloud, Mixcloud).

Playlist Exclusiva APERTA O PLAY no Spotify do Hits Perdidos

Playlist Aperta O Play

Para entrar no jogo de troca de Mixtapes nada como pedir para o trio organizar uma playlist exclusiva no Spotify do Hits Perdidos. O tema não poderia ser outro: Hits Perdidos que eles descobriram ao longo da vida. Seja ele por meio de mixtapes ou por troca de mp3 internet afora.

Eles foram além e prepararam meia hora de sons escolhida por cada um + 30 minutos com músicas que ficaram conhecendo através de mixtapes de colaboradores. Ou seja o resultado final é um bom apanhado para conhecer mais afundo o trabalho dos caras.

O resultado da playlist deixa evidente a preferência de cada um dos envolvidos no projeto. As dicas estão ao longo da entrevista. Descubra!
Temos de Savages a Gal Costa, de Sugar Kane a Bass Drum Of Death, De Lava Divers a Fu Manchu. Bem diversificado, bem a cara do Aperta O Play!


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