Soledad alça voos mais altos e emancipa sentimentos em “Revoada”

Lançado no dia 26 de abril, Revoada (Índigo Azul) é o segundo álbum da cantora e compositora cearense Soledad.

O sucessor de Soledad (2017 – EAEO Records) conta com a produção do cantor e compositor Fernando Catatau (Cidadão Instigado). Ele que já havia contribuído anteriormente tocando guitarra em algumas faixas do disco de estréia da musicista.

“Trabalhar com Fernando era um desejo antigo. me identifico muito com o que ele propõe poeticamente e musicalmente. Os timbres de guitarras, o romance e a intensidade das letras, a psicodelia”, comenta Soledad. 

São 8 faixas carregadas de arranjos cheios de sentimento, letras inspiradas em pessoas (principalmente a mulher), lugares, evolução coletiva e individual.

Para o estúdio ela trouxe instrumentos inusitados como uma mesa altec, um orgão minami, um echoplex e um microfone electro-voice Re 15 vintage. Tudo isso com um timbre diferente. Uma assinatura forte da cearense com raízes em São Paulo há 4 anos.


Soledad.Foto Por: Julia Moraes

“Esta cidade me colocou dentro de um espaço/tempo/desejo diferentes. Andar nas ruas, a Casa do Povo, as manifestações, os filmes embebidos de vinho no Cinesesc, as amizades que me abraçaram, o Loki Bicho, o Ocupeacidade, a saudade do mar, de minha mãe… tudo tudo tudo é um atravessamento poético e se encontra no meu desejo pela música.

Revoada é o coletivo de pássaro. É o vôo desse bando. Esse disco fala sobre a minha arribação. Sobre voar junto, compreendendo as necessidades coletivas e as nossas relações/necessidades afetivas. sobre a libertação da mulher, de nossos desejos”, complementa.

Faixa a Faixa

“Próximos ao Máximo” tem o instrumental denso e instigante. Te envolve com o som fazendo com que você espere pelo próximo ato.

Canta “próximos ao máximo, a menos de um passo, num passe de mágica a menos de um palmo.”  Te levando literalmente ao próximo passo, a distância no pequeno espaço que separa o instrumento do foco.

“O silêncio é o Espaço Vazio Entre as Bocas” com instrumental mais denso e com direito a solo de guitarra, traz Soledad desabafando sobre a poesia e saudade do amor que faz falta “não te vejo mais, falta coragem pra falar”.

“Dança na Chuva” tem o som do baixo predominando e a viola presente em diversas vezes durante a música. É a construção do ser, do lugar, a transformação de mudança. “2013” traz no som um pouco de melancolia. Na letra um protesto, a tristeza e o vazio. “gaiola de flores, rosto de cimento. a queda do avião desbota o meu batom”.

“Céu” compara o jeito de ser com e sem o amor, exemplificando o quanto o sentimento pode ser diferente se levado ao ápice da doçura.


“como posso ser um anjo sem o céu do teu beijo? Como posso ser leve como a nuvem sem o céu do teu beijo? como posso ser suave como a brisa sem o céu do teu beijo?”, trecho de “Céu”


Em contrapartida “Por Amor” tem um instrumental que embala uma melodia triste. Com certa melancolia Soledad canta “por amor eu tive que partir, e cheio de razão me arrependi com medo de ser feliz”.



“Pássaros, Mulheres e Peixes” é um dos instrumentais do álbum que eu mais gostei pois ele embala a música como ela pede, no ritmo, sem muitas mudanças. O sentimento vindo da mulher, como nasce o amor e como é sentido. Comparando o pássaro preso com o batimento do coração.

Já “Amigos Bons” é bem a marca da música brasileira. A última faixa do disco canta a saudade de casa, lembra em sonho dos momentos entre os amigos bons. Seu segundo registro traz uma Soledad mais experimental, dando mais voz ao recorte da cena contemporânea.

Parcerias

Ela interpreta composições de Alzíra Espíndola e Arruda (“Próximos ao Máximo”), de Alessandra Leão e Xico Sá (“Pássaros, Mulheres e Peixes”), de Jonas Sá, Negro Leo e Santiago Botero Rodriguez (“2013”), de Junio Barreto, Otto e Bactéria (“Amigos Bons”), de Giovani Cidreira (“Dança na Chuva”), de Luis Capucho (“Céu”), de Vitor Colares (“O Silêncio é o Espaço Vazio Entre as Bocas”) e Fernando Catatau (“Por Amor”). Este último foi lançado como single e que ganhou um clipe que você pode ver logo acima.

Esse projeto teve incentivo do Edital de Apoio a Criação Artística – Linguagem Música da Secretaria de Cultura de São Paulo – Prefeitura de São Paulo e foi gravado no estúdio Índigo Azul (SP).


Mila Borges

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