Em família e sob as ondas da Chillwave: Vocalista do Wavves lança novo projeto

No fim do ano passado, Nathan Williams (Wavves) decidiu realizar um sonho: ter uma banda com seu irmão, Joel (Sweet Valley). Além do irmão: Andrew Caddick (Jeans Wilder) completa o trio.

Mas para entender um pouco mais sobre a sonoridade e a riqueza de elementos do Spirit Club, vamos falar um pouco sobre os outro projetos dos integrantes. Afinal é muito provável que muitos nunca tenham ouvido falar sobre o Sweet Valley e o Jeans Wilder.

O Sweet Valley, usa e abusa dos teclados e tem o adendo de elementos de trap music que se casam em harmonia com guitarras psicodélicas e vocal com características dignas de canto gregoriano. Na faixa “Stoner”, fica clara a vibe que o grupo do irmão de Nathan quer deixar fluir.

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Já o Jeans Wilder surfa pelas ondas do Chillwave, o som é experimental, gravado em lo-fi, alucinante e bem tripy porém mais pop do que os conjuntos dos irmãos Williams.

Nathan que no último ano se viu em uma verdadeira correria. Além dos habituais shows com seu projeto principal. Ele dedicou boa parte do tempo em estúdio devido as gravações do quinto álbum do Wavves (V – 2015) e o Debut Album do Spirit Club.

O disco do Spirit Club saiu em Maio, já o do Wavves saiu no começo de Outubro via Ghost Ramp/Warner Bros. Records.

O som do Spirit Club bebe da fonte da psicodelia dos primeiros álbuns do Wavves porém o som pesado é deixado de lado e o resultado é um som mais pasteurizado e pop.

“Eye Dozer” foi o primeiro single do projeto a ser lançado ao lado “Sling” através de um 7″ no fim de 2014.

A faixa já mostra de cara a atmosfera diferente que este novo projeto quer passar: calmaria, chillwave, pop, psicodelia e ondas hipnóticas de teclados. Catchy em sua essência ela consegue te prender na primeira ouvida.

“Sling” já apela pros tecladinhos psicodélicos que o Flaming Lips cansa de brincar. Mais densa ela valoriza os vocais de Nathan e o instrumental delicado e refinado ganha maior atenção. O peso dela está escondido pr trás da calmaria dos acordes, a sensação que te passa é de paz rumo a uma viagem astral.

O disquinho serviu para aquecer e ficar com gosto de quero mais e eis que em Maio saiu finalmente o projeto dos irmãos.

O álbum passeia e podia bem que ser trilha de rituais de meditação pela atmosfera que parece te guiar em encontro com a própria alma. A sutileza da harmonia dos instrumentos te conduz em direção a outro plano.

Os elementos da experiência dos projetos principais dos integrantes se somam a cada faixa. Algumas são mais densas e contemplativas; outras viajam mais pelas trilhas do shoegaze/rock espacial nos pouco mais de 32 minutos do disquinho.

“Bless The Mess” por exemplo soa como o encontro do Wavves com elementos dos vocais do Sweet Valley.

“Duster” tem o peso das influências de trap/música eletrônica do Jeans Wilder. O clipe brinca com o universo sombrio, misterioso e espiritual dos tabuleiros OUIJA. Através experiência sombria de perder um amigo e tentar se comunicar com ele através de atividades paranormais.

Aliás os tecladinhos anos 80 ganham sempre destaque, te lembram New Order em algumas faixas do disco.

“Still Life” é um dos pontos altos. Justamente por te remeter ao excelente disco em parceria do  Wavves com o Cloud Nothings, lançado no ano passado.

Um detalhe interessante do grupo é que além de não possuir um baterista, todos os membros cantam: O que só enriquece na sonoridade deles.

Uma outra faixa que merece destaque e que vem aos 45 minutos do segundo tempo é “Carousel II”. Esta que começa toda cheia de distorção e conforme cresce se revele extremamente dançante. Por mais que a letra seja sobre se sentir sozinho, a música soa como uma balada de um homem só.

No último mês de julho o grupo postou que estava entrando em estúdio para gravar o que possivelmente seria o segundo LP. Agora basta aguardar e curtir o chillwave cheio de contatos de terceiro grau do Spirit Club.

 

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Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

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