Categories: Alternative Rock

CRÍME nos apresenta Destinos Piores Do Que a Morte em álbum de estreia

“Em meio à evidente ruína do sonho neoliberal, CRÍME é construído a partir das experiências com os muros gretados, o cheiro de urina dos postes no centro, as torrentes crescentes de ódio no país, a solidão e a alienação às quais estamos sujeitos – em contradição com as timelines que refletem desempenho e positividade – e a crença individualista de que estamos destinados a um grande fim, que vem contaminando as últimas gerações com ansiedade, depressão, frustração e ódio.”

É com essa introdução que podemos definir a banda de pós-punk darkwave paulista CRÍME, formado por Jean Deffense, Daniel Ishii e Théo Fialho. Em meio aos tempos decadentes de agendas neoliberais ultrapassadas, miséria, fome, egoísmo e toda uma geração afetada por doenças mentais e problemas de saúde, o álbum de estreia Destinos Piores do Que a Morte ganha vida.


CRÍME apresenta seu debut imerso nas ondas sombrias da Coldwave. – Foto: Divulgação

CRÍME Destinos Piores Do Que a Morte

Com 6 faixas ao longo de quase 27 minutos, o primeiro trabalho dos paulistanos nos entrega uma atmosfera obscura, com melodias perigosas e experimentais sem deixar de lado o grandioso pós-punk e punk paulistano dos 80. A arte ficou por conta de Jean Deffense, introduzindo de forma sútil o que está por vir aos seus ouvidos. O álbum ainda conta com as participações de Maurício de Caro Esposito na bateria e Guilherme Cunha no baixo.

Existe uma coerência de passagens sonoras dentro do projeto que só notamos quando ouvido por completo – e mais de uma vez. O coldwave cresce no início das primeiras faixas “Loose Knot” e “Martyr” flertando com Lebanon Hanover e Clan Of Xymox, nos introduzindo a terceira faixa eletrônica e experimental, apontada ao techno, em “Bad Dreams”. Pode parecer estranho, mas a faixa inserida na obra faz todo o sentido.

Esse é o momento em que o buraco é mais embaixo: a faixa “Atos Heroícos / Escadas” nos levam ao ponto alto do álbum onde o pós-punk toma conta. O fim caótico transita a melhor faixa do projeto chamada “São Paulo” – um brinde ao punk e pós-punk paulistano com toda sua decadência e desorientação como o título sugere a gigante metrópole.

Dentre arranjos muito bem produzidos e melodias viscerais, podemos notar sempre algum barulho, alguma coisa escondida ao longo de novas audições.

O trabalho nos apresenta sempre uma nova surpresa e referência se prestarmos atenção. “Limítrofe” é o exemplo disso, encerrando esse grande trabalho de estreia que promete um excelente futuro, entre o caos e a tempestade.


Diego Carteiro

Apresentador do programa Ruído na Internova Radio, colaborador do Hits Perdidos. Entusiasta de shows e festivais e músico nas horas vagas. Siga o Hits no Instagram: @hitsperdidos

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