Vitor Araújo lança “TORÓ” com a Metropole Orkest e aprofunda pesquisa em música experimental

Vitor Araújo lança nesta quarta (8) o álbum ao vivo TORÓ, projeto em parceria com a Metropole Orkest que mistura música erudita, brasileira e eletrônica em uma experiência sensorial. Disponibilizado em parceria com o selo RISCO, já no título vemos como se emocionar é parte do processo, assim como a sintonia ao trazer consigo elementos modernos, cacofonias e sua sensibilidade na construção sonora, aliando o som que vem de dentro da alma com a técnica de uma orquestra ao seu dispor.

Como nasceu o álbum TORÓ de Vitor Araújo com a Metropole Orkest

A parceria com a Metropole Orkest, sob a regência de Jacomo Bairos, surgiu a partir de um convite do Holland Festival. Vitor, exímio pianista e colaborador de diversos projetos ao lado de nomes como Caetano Veloso, João Donato, Naná Vasconcelos, alternando parceria em disco com Arnaldo Antunes (Lágrimas no Mar), trabalhos como solista e produção de discos de nomes como Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, guia a jornada pelas teclas do seu piano e em alguns momentos também acompanhado por sintetizadores.

Quem participa do álbum

A identidade brasileira também se faz presente na jornada de TORÓ — Aduni, ogã do mais antigo terreiro nagô do Brasil, traz na percussão referências do Coco de Roda, Afoxé, Maracatu, Boi do Maranhão. O recifense Amendoim também contribui nos tambores.

Neste misto entre experimentações, o renomado produtor francês Charles Tixier (bateria, synth, MPC, amostras), conhecido pelos trabalhos com Ava Rocha, Luiza Lian, Tim Bernardes, e por integrar projetos da cena brasileira como Charlie & os MarretasHolger e Grand Bazaar, promove esse encontro com o eletrônico moderno que faz todo o sentido ao longo da experiência, deslocando-nos do esperado e promovendo reflexões sobre o lugar que a música experimental pode adentrar. O carioca Felipe Pacheco Ventura também contribui nas guitarras.

Apesar do uso de partitura por parte dos doze gestos de cordas, a improvisação e o acaso quebram toda a dinâmica ao longo da apresentação. Após uma série de exibições do filme em São Paulo, o projeto terá versão ao vivo para a experiência ficar completa em seu país natal.


Vitor Araújo tocando piano com a Metropole Orkest durante apresentação do álbum TORÓ no Holland Festival
Vitor Araújo durante a apresentação de TORÓ ao lado da Metropole Orkest no Holland Festival. – Foto por: Manoel Borba

Vitor Araújo toca com nove dedos durante gravação com a Metropole Orkest

A apresentação aconteceu mesmo após recomendação médica de cancelamento.

O filme que se materializa em disco foi gravado ao vivo no Holland Festival, em 12 de junho de 2024. Ao todo, colaboraram na orquestra vinte músicos que tiveram dois dias de ensaios, o que deixa tudo mais humano, com abertura para o erro e experimento, sem receio de quebrar qualquer protocolo.

O acaso, sempre ele, se fez presente até às vésperas do espetáculo quando foi detectada uma infecção súbita no dedo de Vitor Araújo. Mesmo com a sugestão médica de cancelar a noite do espetáculo, ele decide continuar, reescreve suas próprias digitações em uma tarde e toca com nove dedos, virando parte dos ingredientes do espetáculo.

A experiência de assistir é daquelas que emocionam tanto pelos momentos mais intensos em que acelera, passando pelos mais melodramáticos quando diminui e catalisa seus sentimentos nas cordas do piano como protagonistas, passando pela malemolência da quentura da música brasileira, o experimental de artistas como Radiohead, o pós-moderno da música eletrônica e o orgânico e a profunda conexão que a música erudita nos permite.

Seu canto d’alma, assim como a água, é translúcido, incolor, inodoro, mas longe de ser insípido. É justamente do choque entre culturas, CEPs, histórias, ancestralidade, vivências particulares e encontros que a magia acontece.



Vitor Araújo e Metropole Orkest ao vivo no Holland Festival

Com Vitor Araújo, Metropole Orkest, e uma banda com Aduni Guedes, Amendoim, Charles Tixier, Felipe Pacheco Ventura
& Mauro Refosco.

Regência de Jacomo Bairos
Orquestrações por Vitor Araújo, Mateus Alves e Felipe Pacheco Ventura

CRÉDITOS DO FILME 

Direção, Câmera, Edição, Cor — Paulo Camacho
Direção, Câmera, Produção — Yara Ktaishe
Mixagem, Masterização — Martin Scian
Pós-produção, Cor — Vinícius Galaverna
Supervisão de Pós-produção — Pedro Bandeira
Chefe de Produção — Bruno Cupim

Lançado pelo selo RISCO
Uma produção de Fabulosa Figura
Comissionado pelo Holland Festival
Filmado e gravado no Bimhuis, Amsterdã, Países Baixos

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