Frank Turner. - Foto: Divulgação
Daquelas vindas que os fãs brasileiros esperaram por muito tempo, o inglês Frank Turner finalmente chega ao Brasil nesta sexta-feira (30) para três apresentações. A primeira parada acontece em São Paulo (30/1). O músico ainda se apresenta em Brasília (31/1) e Curitiba (1/2), em mais uma turnê realizada pela Powerline Music & Books, em parceria com a Sellout Tours.
Em São Paulo, Turner sobe ao palco do Fabrique Club; em Brasília, no Infinitu; e, em Curitiba, no Belvedere. O formato dos shows remete ao início de sua carreira, em voz e violão. As apresentações também contam com Dave Hause, vocalista da banda de punk rock The Loved Ones e do projeto Katacombs.
Com 10 álbuns lançados, Turner iniciou sua trajetória ainda jovem à frente da banda de post-hardcore Million Dead. Desde então, inspirado por nomes como Neil Young e Bruce Springsteen, passou a desenvolver um folk punk sincero, marcado por vivências pessoais.
Durante a pandemia, Turner arrecadou quase 300 mil libras para locais de música independentes por meio de uma série semanal de transmissões ao vivo, o que resultou no reconhecimento do Music Venue Trust, que lhe concedeu o Prêmio de Conquista Extraordinária por Locais de Música Independentes.
Na mesma iniciativa, Frank quebrou um recorde mundial do Music Venue Trust ao realizar 15 shows em 24 horas, todos em espaços independentes e em parceria com lojas de discos independentes, entrando para o Guinness Book.
A Latin America Tour 2026 ainda passou pela Costa Rica (25/1), segue pelo Chile (27/1) e pela Argentina (29/1).
Frank Turner: “Então… eu já estive no Brasil uma vez, de férias, e adorei. Quero dizer, adorei muito mesmo, foi algo que realmente explodiu a minha cabeça. Mas, mesmo antes disso, sabe… eu já fiz turnês na Ásia, na Europa, na América do Norte, na Austrália… e sempre houve um grande buraco na minha agenda, que era a América do Sul.
Eu queria muito vir para a América do Sul para tocar já faz muito tempo. Inclusive, eu tinha uma turnê marcada lá em 2020, que não aconteceu por razões que você pode imaginar, o que realmente me deixou muito frustrado, porque eu queria muito ir. Então eu estou extremamente empolgado. Em parte, como eu disse, porque nunca toquei aí antes e isso é algo muito legal — é um privilégio poder ir a novas partes do mundo simplesmente por tocar música.
Mas também porque vocês têm uma ótima reputação como fãs de música. Existe essa percepção de que as pessoas na América do Sul, e no Brasil em especial, são muito apaixonadas por música ao vivo. Ao longo dos anos, recebi muitos e-mails, comentários e mensagens dessa parte do mundo, então estou, realmente, realmente animado.”
Frank Turner: “Boa pergunta. Eu passo muito tempo pensando em setlists, e sou, antes de tudo, alguém que quer agradar quando se trata disso. É minha primeira vez no país, então quero tocar um pouco de tudo, de cada disco que já fiz. Se houver músicas que as pessoas queiram ouvir, vou tentar acomodar isso. Eu não sei exatamente quais são. Tenho uma ideia do que as pessoas talvez queiram ouvir. Eu sei quais músicas tiveram mais streams no Spotify ou algo assim, mas… Espero que tenha algo para todo mundo.
É engraçado, né? Às vezes as pessoas dizem “eu prefiro seus discos antigos”, quase como se isso fosse um desafio ou um insulto. E eu acho incrível que alguém goste de qualquer coisa que eu já fiz. Eu toco músicas do meu primeiro e do meu segundo disco o tempo todo. Então, espero que as pessoas fiquem satisfeitas com o que eu escolher tocar.
E também ajuda o fato de essa turnê ser solo — sou só eu e meu violão. Foi assim que comecei e ainda faço isso com frequência. Isso facilita muito mudar o repertório na hora, pensar “ah, vou tocar essa”, sabe? Vamos ver como os shows se desenvolvem.”
Frank Turner: “Bom… como qualquer trabalho, há dias em que eu me sinto cansado, em que não é a coisa mais empolgante do mundo. É fisicamente exigente, tudo isso. Mas, dito isso, eu amo fazer turnês. Em parte porque você vê o mundo — ou pelo menos um pedaço dele. É importante dizer: você vê muitos camarins, estacionamentos, hotéis e aeroportos. Mas ainda assim você tem um gostinho de lugares diferentes, o que é um enorme privilégio e muito educativo.
Além disso, estar em turnê faz o tempo passar mais devagar. Sempre penso nisso. Dez dias dentro de uma turnê e parece que ela já dura quatro meses. Dá a sensação de que estou realmente aproveitando meu tempo. E, no fim das contas, é um privilégio enorme poder viver de música. Meu trabalho é fazer as pessoas se divertirem. Isso é muito legal. É algo que eu definitivamente não tomo como garantido.”
Frank Turner: “Eu cresci ouvindo punk e hardcore e acabei aprendendo na prática numa banda chamada Million Dead, que era, de modo geral, uma banda de hardcore. Inclusive, fizemos uma turnê de reunião no ano passado, o que foi insano.
Quando aquilo acabou, eu quis fazer algo diferente. Comecei a ouvir, de forma mais privada, muitos compositores: Johnny Cash, Springsteen, Leonard Cohen, Townes Van Zandt… Eu queria tocar esse tipo de música. Eu não sentei pensando “vou fazer folk punk”. Eu estava sinceramente tentando soar como Neil Young.
O problema é que eu aprendi a cantar e a tocar violão no contexto de uma banda punk, então naturalmente tocava essas músicas de forma mais agressiva. As pessoas começaram a achar aquilo algo novo e interessante, mas não foi uma decisão consciente. Era só eu, um violão, tentando escrever músicas que soassem legais pra mim. E até hoje tento manter essa pureza: não pensar “vou escrever algo que soe assim ou assado”, mas simplesmente “qual é uma música legal?”.”
Frank Turner: “Pois é, e isso é outra coisa importante. Eu sei que a música que faço não reinventa a roda, mas, ao mesmo tempo, eu não quero me repetir. Acho que os artistas têm um dever de tentar evitar isso — com exceção do AC/DC, que pode fazer o que quiser.
Eu tento sempre encontrar novos caminhos, novas rotas criativas. Até porque eu faço turnês o tempo todo. Existe uma música no meu segundo disco chamada “Photosynthesis” que muita gente gosta. Eu não preciso escrever essa música de novo — eu já toco ela todo dia. Não faz sentido fazer “Photosynthesis” parte 2. Prefiro encontrar algo novo.”
Frank Turner: “A principal coisa é que eu aprendi a produzir. Meu “projeto da pandemia” foi aprender sobre produção — desde arranjos até a parte técnica: microfones, compressores, essas coisas.
No começo, aprendi isso para poder produzir outras bandas, o que eu adoro fazer. Mas quando chegou a hora de discutir Undefeated, eu percebi que sabia exatamente como aquele disco soava na minha cabeça. Não fazia sentido pagar alguém um caminhão de dinheiro para basicamente me dizer para seguir meus instintos — eu podia simplesmente seguir meus instintos. E eu adorei o lado técnico do processo. Sou meio nerd com isso, então funcionou muito bem.”
Frank Turner: “Foi uma loucura. Eu conheço o Mike há muitos anos e sou um fã gigantesco do NOFX. Nos conhecemos no Reading Festival em 2010 e viramos amigos. Pouco antes da pandemia, ele simplesmente virou pra mim e disse: “quer fazer um split algum dia?”.
Por dentro, eu pensei “que porra é essa?”, porque o último split deles tinha sido com o Rancid, em 2002, algo enorme pra mim. Quando a pandemia chegou, ninguém estava fazendo nada, então pensamos: “foda-se, vamos fazer isso”.
Trabalhamos separadamente, sem combinar nada. E quando saiu, eu fiquei muito orgulhoso. É uma coisa completamente maluca ouvir uma das suas bandas favoritas tocando suas músicas.”
Frank Turner: “Eles mandaram muito bem. É uma honra que vou carregar pro resto da vida. É tipo meu selo de verificação punk rock. Quando alguém questiona se o que eu faço é punk ou não, a resposta é simples: eu fiz um split com o NOFX. Então, foda-se. Eu ganhei.
Frank Turner: “Vários, centenas… mas um que me vem à cabeça agora é uma banda londrina dos anos 2000 chamada The Tailors. Eles tinham um disco chamado Wakey Wakey (2007). Foram uma das bandas que mais me influenciaram, inclusive me apresentando à música country.
As músicas deles são incríveis, e o fato de eles não terem ficado enormes é uma injustiça absurda. Mais gente deveria conhecer essa banda.”
Frank Turner: “Tenho sim. Primeiro, desculpa pelo meu português. Eu tenho estudado espanhol, mas sei que isso não ajuda muito no Brasil. Mas estou muito animado para estar aí. Mal posso esperar, e espero que essa seja a primeira de muitas visitas.”
Local: Fabrique Club (rua Barra Funda, 1071 – Barra Funda/São Paulo)
Ingresso online: fastix.com.br/events/frank-turner-dave-hause-katacombs
Valores: R$ 150,00 (Meia estudante – 1º lote); R$ 160,00 (Meia solidária – 1º lote); R$ 300,00 (Inteira – 1º lote)
Classificação etária: 16 anos
Ingresso: shotgun.live/events/frank-turner-em-brasilia
Ingresso: meaple.com.br/belvedere/frank-turner
This post was published on 26 de janeiro de 2026 9:00 am
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