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C6 Fest 2024: Segundo dia tem brilho do Black Pumas e Raye, Cimafunk como surpresa, Romy e Soft Cell jogam para a torcida

C6 Fest 2024 tem como destaque no segundo dia Black Pumas e Cimafunk

Depois da sua primeira edição em 2023, o C6 Fest volta para a segunda edição, marcada para os 17, 18 e 19 de maio. O segundo dia do festival contou em line-up com Cimafunk, Black Pumas, Romy, Soft Cell, Jaloo e Gaby Amarantos, 2MANYDJS, Raye, Ayra Starr, Fausto Fawcett, DJ PS, Pista Quente e Valentina Luz.

Com portões abertos às 14:30h, o festival que mais uma vez teve como casa o Parque Ibirapuera, contou com shows no Auditório, na Arena Heineken, localizada na parte de trás do Auditório, a Tenda Metlife e o Pacubra, este focado na programação eletrônica.

O segundo dia, assim como o ano passado, começou mais vazio, ganhando mais público na proximidade das principais atrações do dia, Soft Cell e Black Pumas.

Em relação a 2023, a estrutura mudou um pouco, da Arena fechada com grande estrutura, para uma espécie de Tenda, o palco mais “indie” ganhou ares de festival de música eletrônica. A distância entre os dois palcos principais aumentou um pouco, o que gerou reclamações por parte do público.

Desta vez o evento ganhou um espaço gourmet para centralizar as ativações e praça de alimentação. Os banheiros e as poucas filas continuaram sendo destaque positivo. A pontualidade da primeira edição, neste primeiro dia, não aconteceu. Com atrasos no primeiro show, do Cimafunk, que acabou gerando efeito dominó na programação da Arena Heineken.


Raye fez um dos shows mais esperados da noite. – Foto Por: Rafael Novak (@novak.fotografia)

Os shows do segundo dia do C6 Fest 2024

Cimafunk

De Havana, Cuba, e com 8 integrantes no palco, o Cimafunk bem que podia estar dentro da programação da Virada Cultural, tocando 10 da manhã em algum palco com som ruim do centro de São Paulo. Em outros tempos, quando existia algum tipo de curadoria, isso seria viável, hoje em dia sabemos que apenas quando voltarmos a ter uma gestão competente na secretaria de cultura.

Para nossa sorte, a curadoria atenta do C6 Fest 2024 não deixou passar esta oportunidade de escalar o projeto encabeçado pelo showman Erik Alejandro Iglesias Rodríguez que já indicação no Grammy pelo álbum El Alimento (2021) na categoria Melhor Rock Latino ou Álbum Alternativo.

Em sua sonoridade o projeto mistura funk, hip-hop com referências da música cubana e caribenha. Erick já foi até comparado com ninguém menos que James Brown pelo jornal The New Yorker. Seu segundo disco é o mais recente e conta com feats de grandes nomes da indústria como George Clinton, Lupe Fiasco, e CeeLo Green.

Tendo a missão de abrir o dia, em baixo de sol, por volta das 15:50h, eles sobem ao palco com o desafio de tocar para um público que estava curioso para conhecer. O carisma dos integrantes, entre saxofonista, trompetista, percussão, teclado e muita pressão no baixo e guitarra, o ritmo cativante começa a colocar as pessoas para dançar.

Aliás, isso a cozinha cubana deixa claro desde o começo. Erik chega trajado de sua camisa florida, com óculos colorido e convida todos para chegar mais perto. A interação e a alegria dos integrantes estarem no Brasil, era evidente nas atitudes, desde o sorriso estampado no rosto, as dezenas de interações que iam de entrar com a bandeira a fazer uma dancinha freestyle “na pressão. Em determinado momento a distância geográfica entre o Brasil e o Caribe se encurta e eles convidam o público para subir no palco. Cerca de 15 pessoas sobem e o resultado vocês já imaginam, um tremendo carnaval fora de época.


Cimafunk abriu o segundo dia do C6 Fest 2024 – Foto Por: Rafael Novak (@novak.fotografia)

Ayra Starr

Nascida como Oyinkansola Sarah Aderibigbe, Ayra Starr tem apenas 21 anos, mas um futuro brilhante pela frente, tendo sido indicada em 2022 para o Grammy na categoria Melhor Performance de Música Africana. Assim como Adele, seus discos também carregam a sua idade no título, até o momento ela tem dois, 19 & Dangerous (2021) e The Year I Turned 21, que será lançado agora no dia 31.

Inspirada pelo pop de Nicki Minaj, seu som é uma mistura de muitas coisas, como Afrobeat, R&B, alté e Afro-pop. Isso se reflete em seu show onde até abusa um pouco do autotune e a cada música parece tentar mirar em uma sonoridade diferente. O que deixa o show um pouco morno. Ela parece ainda estar buscando a sua identidade, algo que com o passar dos anos deve aprimorar.

As referências da indústria norte-americana refletem bastante na forma de fazer pop, torço para que isso cada vez mais vá sendo deixado de lado. Já sua voz, é um ponto altíssimo, canta e dança, chega acompanhada de dançarinas e vai levando seu show para diferentes lados. Tenta se aproximar do Brasil em vários momentos, desde sua roupa com a bandeira do país estampada a até mesmo o momento que seu DJ solta “Passinho do Volante” do MC Federado e Os Leleks. Destaque, além da performance, fica para sua banda, principalmente pela cozinha baixo + bateria. Um show que ainda pode melhorar muito, mas sempre é bom pensar o que estávamos fazendo aos 21 anos antes de apontar os dedos. Para Ayra, o futuro é logo ali.


Ayra Starr, da Nigéria – Foto Por: Rafael Novak (@novak.fotografia)

Romy

A inglesa Romy Madley Croft, conhecida mundialmente pelo projeto The XX, veio ao Brasil pela primeira vez com seu projeto solo, no qual lançou o primeiro disco, Mid Air, no dia 8 de setembro do ano passado.

Aos 34 anos, seu show leva um público de muitos casais e tem uma atmosfera que acaba de certa forma homenageando o euro dance, sendo um disco de dance-pop produzido por ela em conjunto com Fred Again e Stuart Price. Entre as referências do projeto estão artistas como Everything but the Girl e Calvin Harris. Uma atmosfera bem diferente do que estamos acostumados no The XX, no qual divide a banda com Jamie xx, que veio recentemente ao país também.

Um fato era consumado antes dela subir ao palco, a de que “Strong“, faixa que foi indicada no Grammy como Melhor Gravação Eletrônica, fecharia seu set. O outro é que veríamos ela solta se divertindo. Não é aquele show que esperamos ela em seu melhor, nada disso, até porque não é um projeto para se levar tão a sério, mas entrega o que se propõe.

Uma apresentação dançante, com entrega e alternâncias entre a mesa de som e seu vocal marcante. Seu setlist conta com uma canção do The XX, “Angels”, além de “Lights Out”, do Fred again… aliás, essa versão conta com uma pequena homenagem a “Better Off Alone”, hit da Alice DeeJay, que ganhou bastante lastro no Brasil pela coletânea Summer Eletrohits. Minimalista, divertido, dançante e com muitas luzes – um bom show de fim de tarde de festival.


Romy, do The XX. – Foto Por: Rafael Novak (@novak.fotografia)

Soft Cell

Festivais são feitos de escolhas, e não pudemos ver tempo suficiente do show da Raye, embora os relatos que ouvi foram de que foi um dos grandes destaques do dia e até por isso cheguei já na parte final do show do Soft Cell.

Conhecidos por ser uma das principais bandas one hit wonder dos anos 80, por uma música que, na verdade, é uma versão, o duo subiu no palco acompanhado por um dueto de vocais, para dar mais força a voz já frágil do vocalista, Marc Almond, e teclados, na maior energia revival com DNA de grupos como Depeche Mode e New Order. Foi de longe o show mais lotado da Tenda Metlife do dia.

“Tainted Love” chega emendada com outra música conhecida do duo, “Where Did Our Love Go” e outro destaque fica para “Chips on My Shoulder”, onde eles pedem para os presentes gritarem enquanto no telão sobrem pôsteres no melhor estilo lambe-lambe de cartazes de BDSM. A parte final ainda conta com “Nostalgia Machine”, mas o sentimento que fica é de que bom que pudemos ver antes do encerramento do projeto.


Marc Almond, do Soft Cell. – Foto Por: Rafael Novak (@novak.fotografia)

Black Pumas

Falar que o Black Pumas colocou o line-up no bolso e fez o povo todo pedir BIS seria clichê demais. Fato que a volta ao país após o Lollapalooza de 2022, em um palco bem menor, foi um fator que fez com que a conexão entre banda e público fosse ainda maior no C6 Fest 2024.

O duo de soul psicodélico, de Austin, formado por Eric Burton e pelo guitarrista e produtor musical Adrian Quesada, foi indicado com artista revelação no Grammy de 2020, e desde então o culto começou, no ano seguinte, rendendo mais duas indicações. Para deixar o show ainda mais impactante, eles excursionam com Angela Miller (vocais de apoio, pandeireta), Lauren Cervantes (vocais de apoio), JaRon Marshall (teclados), Brendan Bond (baixo) e Stephen Bidwell (bateria).

O repertório trouxe canções dos discos Black Pumas (2019) e Chronicles of a Diamond (2023). Com show muito bem ensaiado, e luzes que oscilam entre muito vibrantes, e momentos escuros. O equilíbrio entre os discos no set é outro fator a se atentar. Do mais recente, temos 8, e do anterior, 7, com espaço para dois covers; um dos Rodriguez, que foi resgatado pelo documentário Searching For Sugarman, e “Fast Car” da Tracy Chapman que recentemente nos deixou.

Momentos marcantes acontecem quando toca “More Than a Love Song”, a irreverente “Rock and Roll”, a doce “OCT 33”, a apaixonada “Gemini Sun” e “Know You Better”. O show tem momentos para contemplação, com faixas que se estendem, outros com guitarras estridentes e até mesmo uma ida do vocalista ao meio do público. Esta ida em que o público quase não deixou ele voltar em meio a tantos celulares tentando tirar uma selfie com ele. Romântico e de peito aberto, como “Fire” deixa claro logo no começo da apresentação. Uma banda cada vez mais madura e entendendo o rumo para onde quer traçar seus próximos passos.

O saldo do segundo dia do C6 Fest 2024 foi a conexão entre a música negra mundial e uma viagem pelo universo da música eletrônica. O novo e o clássico andando de mãos dadas, assim como foi o dia do Kraftwerk no ano passado.


Eric Burton do Black Pumas no C6 Fest 2024 – Foto Por: Rafael Novak (@novak.fotografia)

This post was published on 19 de maio de 2024 12:39 pm

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

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