Muntchako e Francisco, el Hombre fazem releituras de clássicos da música brasileira

 Muntchako e Francisco, el Hombre fazem releituras de clássicos da música brasileira

Muntchako Fela dum Gonzaga – Foto Por: Letícia de Maceno – Arte de Marcio H Mota

Brasilienses da Muntchako e paulistas da Francisco, el Hombre lançam versões para clássicos da música brasileira

Releituras muitas vezes servem para apresentar para novas gerações clássicos do passado, em outros momentos é a sua atualidade que faz do resgate algo necessário. O interessante mesmo é quando acontece um esforço durante a reinterpretação de trazer em seu instrumental, versos ou ritmos um novo ângulo ou caminho para aquela canção.


Muntchako Fela dum Gonzaga com arte - Clássicos da Música Brasileira - Foto Letícia de Maceno Arte de Marcio H Mota
Muntchako Fela dum Gonzaga – Foto Por: Letícia de Maceno – Arte de Marcio H Mota

Muntchako “Pagode Russo”

“Pagode Russo” é um daqueles clássicos que já foi regravado inúmeras vezes, composta originalmente em 1946, a faixa ganhou uma releitura que vai beber de fontes diversas passando pelo afrobeat de Fela Kuti, a psicodelia, a pista de dança e o mestre Luiz Gonzaga. A canção, inclusive, é o segundo single revelado de FELA DUM GONZAGA, álbum previsto para 2023 (o primeiro foi “Waka Morena” – mistura de “Waka Waka”, de Fela Kuti, com “Vem Morena” de Luiz Gonzaga).

Para a releitura, os brasilienses não mediram esforços e excepcionalmente para a versão o trio virou um quinteto.

“O que seria um “pagode russo”? O que seria “coçar com dançaê”? O que seria o “parecia até um frevo, naquele cai e não cai”? Imagine tudo isso traduzido em vocabulário instrumental, acrescido de um banjo bizantino, uma flauta-pife sinuosa, uma sanfona rebelde, percussões indomadas, synths eletrônicos envenenados, e os graves do peso do beat pulsando num pseudo baião?, afirma Samuca que assina guitarra, synths, programações e a produção musical

Além dele complementam o trio Rodrigo Barata (bateria e beats) e Macaxeira Acioli (samples, beats e percussão), que para a faixa ainda teve a participação do sax barítono de Esdras Nogueira e a sanfona de Juninho Ferreira para o projeto.

A versão ganhou nuances eletrônicos sem perder o espírito seresteiro e ainda teve os adendos percussivos do afrobeat, o que fez a “Pagode Russo” ganhar ainda mais profundidade. Deixando os vocais em segundo plano para uma viagem psicodélica progressiva pronta para colorir uma pista de dança.



Francisco, el Hombre “Apesar de Você”

Já a Francisco, el Hombre foi atrás de lançar uma versão para “Apesar de Você” contextualizando para a semana das eleições. Com esperança pela mudança, após 4 anos de resistência que sempre reverberaram em suas composições, o grupo vislumbra a mudança e traduz isso de maneira prática em versão para clássico de Chico Buarque.

A canção composta em 1970, ainda em período de regime militar, em tempos de um governo que sauda este tempo, é daquelas que lamentamos a sua atualidade. E em semana decisiva eles conseguem enxergar uma luz no fim do túnel.

“É para dar um gás nessa reta final, falando desse amanhã que a gente já vê ali brilhando. Queremos que seja uma celebração e também um tributo a todos aqueles que não chegaram até aqui, mas que nos dão força para conseguir virar essa página da história”, reflete Mateo Piracés-Ugarte, que forma o conjunto ao lado de LAZÚLI, Helena Papini, Sebastianismos e Andrei Kozyreff.

A faixa ganhou além da versão, uma instrumental e outra A Capella, para chegar ainda em mais pessoas, como comenta o vocalista.

“Ele conseguiu esculpir o nosso arranjo de uma maneira minimalista, mas tendo o necessário para a música ter a cara da banda. No final, ela reflete a gente ao vivo: é brincalhona e feliz”, comenta Mateo sobre a faixa produzida por Felipe Vassão

É a segunda releitura que o grupo paulista faz da obra de Chico. A primeira foi “Roda Viva”, que integra a trilha-sonora de “A Fantástica Fábrica de Golpes” (The Coup d’État Factory)”.

Sobre o momento decisivo ele ainda reflete: “Essa reta final todo mundo tem que olhar para o trabalho de resiliência e resistência que rolou nos últimos anos para que agora pudéssemos virar a página. O amanhã está quase lá”.



E vocês, o que acharam destas releituras para clássicos da música brasileira?

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

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