Helo Cleaver traz uma preguiça gostosa em seu primeiro projeto solo

 Helo Cleaver traz uma preguiça gostosa em seu primeiro projeto solo

Helo Cleaver, capa do EP. “Preguis” (Cavaca Records) – Foto: Renata Malzoni @rmalzoni / Colagem: Letícia Miranda @leticiadsmiranda

Helo Cleaver já é um nome conhecido na cena independente de São Paulo, além de ter tocado na banda Raça e no projeto Brvnks, ela também trabalhou no selo Balaclava Records e está à frente da Revista Balaclava.

Sabe aquela preguiça gostosa de um domingo à tarde? É para este lugar que Priguis, seu primeiro EP lançado pela Cavaca Records, te leva. E não só de bedroom pop que ela entende, esse projeto possui quatro músicas com experimentações flertando com o indie e o folk.

Muito já se comentava sobre as composições da Helo, e mesmo assim Priguis nasce da ausência de urgências.Tudo isso contribuiu para que ela encontrasse uma sonoridade tranquila, composta de beats e acordes melancólicos.

O EP teve a colaboração de Thiago Barros da banda Raça, que gravou e produziu. Além disso, o companheirismo de amigos e parentes também foi essencial para transformar a vulnerabilidade em uma obra delicada, sincera e corajosa.

Curiosa, fui atrás da própria para tirar algumas dúvidas que vocês podem ler aqui.


Helo Cleaver lança primeiro EP solo "Preguis" via Cavaca Records
Helo Cleaver, capa do EP. “Preguis” (Cavaca Records)Foto Por: Renata Malzoni (@rmalzoni) / Colagem: Letícia Miranda (@leticiadsmiranda)

Entrevista: Helo Cleaver

Quando você compôs essas músicas? Se foi a muito tempo atrás, você ainda se identifica com as letras?

Helo Cleaver: “Ixi, faz um tempão… A mais antiga é “Café com Leite”. A mais nova é “Filha Única”. Mas mesmo essa já tem uns 5, 6 anos. São versões de mim mais jovem. O drama, (risos).. A melancolia. Eu ainda me sinto como descrevi, mas acho que muitas dessas frustrações eu já aceitei ou lidei na terapia, (risos).

Mas foi um processo importante pro meu crescimento, conseguir dar nome a tudo isso. Entender processos, humanizar as pessoas à sua volta. Na hora parece um fim do mundo, mas daí você coloca no papel e vê que não é nada fatal, (risos). Às vezes eu ouço as músicas e fico meio… “Calma, Helo! Vai dar tudo certo!” (risos).”

Como pensou nessas 4 ilustrações das músicas? Qual é o significado delas para você?

Helo Cleaver: “São aquarelas feitas pela minha irmã, Renata Malzoni. Eu amo a sensibilidade do jeito que ela produz imagens, um olhar que me acompanha desde pequena. Inevitavelmente, o jeito que ela fotografa e desenha virou quase que a estética da minha infância e adolescência. Gosto também de como as fotos e as aquarelas conversam de certa forma, tão dentro de uma mesma paleta de cor.

Cada imagem é um espaço que dividimos ao crescer… A casa da minha avó, a mesa de casa, o carro no bosque do interior (onde crescemos). Ela ouviu cada música e pensou na imagem… Só de ver ela fazer isso já foi demais, parecia que leu minha mente, (risos). Além de amar tudo que ela faz esteticamente, foi um processo bem natural ela participar de tudo isso, já que as músicas falam sobre família, amizade e crescimento. A Re sempre torceu muito por mim e me incentivou a cantar, tocar e gravar esses sons.”

Você sempre pensou nessas músicas com essa pegada mais experimental? Acha que teve alguém que te influenciou a seguir mais nesse estilo?

Helo Cleaver: “Quando eu escrevi as músicas, não tinha muito ideia como elas acabariam esteticamente. Eu nunca me imaginei lançando tudo isso como projeto solo. Eu me emociono muito com a simplicidade das coisas. Conseguir concretizar sentimentos com poucos elementos, poucas palavras… Quando eu sentei pra gravar com o Thi, eu estava ouvindo muito Frankie Cosmos, Drake, Homeshake, Tuyo… Acho que esses artistas fazem isso muito bem. E como as músicas são antigas e cruas, não fazia muito sentido pirar demais, escrever mais letra, inserir muito elemento. Não teria muito a carinha da Helo adolescente, (risos).

A primeira que fizemos foi “Café com Leite”, acho que é a que tem mais essa estética… Eu enchi muito o saco para ser um beat cíclico, elementos minimalistas… O Thi queria pirar mais, (risos). Mas eu admiro demais o senso estético dele e ele acreditou muito no potencial do som…

Como gravar foi um processo de quase 2 anos, aos poucos fui entrando na brisa dele e fomos inserindo coisinhas diferentes. Acho que no final ficou um resultado mais “experimental”, o que faz muito sentido com o processo e com a mistura das nossas estéticas. Eu queria muito que o resultado também fosse algo que fizesse sentido pro Thi e ele pudesse experimentar diferentes elementos de produção. Hoje me emociono ao ver que realmente é algo que tem a carinha dos dois :)”

Ouça: Helo Cleaver “Priguis”


Mariana Marvao

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