Em um dos momentos mais críticos da pandemia, onde questionamos qual será o futuro da música independente, nasce o NAVE SONORA, um evento que reúne agentes de diferentes localidades – e segmentos dentro do mercado musical – a fim de capacitar e promover o encontro de novos artistas da música. Visando profissionalização independente do impacto negativo causado pela pandemia.

“A Nave Sonora é um evento de mentoria com workshops e apresentações musicais, mas que visa reunir mentores e artistas para mostrar como essas carreiras podem ser definidas – e um mês antes do evento, vamos colocar artistas e mentores juntos para desenvolver apresentações coletivamente”, diz Flávio “Scubi” de Abreu, idealizador e produtor executivo do evento. 

“O evento foi pensando nesta situação de escassez no meio musical e sua ideia é oferecer aos artistas independentes mais ferramentas para gerir suas carreiras e metas profissionais, contando que toda equipe de produção está mais enxuta e com menos recursos neste sentido”, completa Amanda Desmonts, coordenadora de produção e comunicação do projeto. 

“É muito importante que os mentores e os artistas possam trabalhar juntos não apenas em seus projetos, mas que possam trocar informações entre si para enriquecer suas apresentações”, conclui o jornalista Alexandre Matias, coordenador editorial e curador do evento.


O Futuro da Música Independente - Nave Sonora


O que será abordado no Nave Sonora?

O Nave Sonora acontecerá através da plataforma Rede Xis (XYS Music Network) e realizará sua primeira edição de modo totalmente online entre os dias 13 e 16 de Abril, com inscrições gratuitas já liberadas (Inscreva-se Agora). Nos dias 22 e 23/04 também ocorrerá a apresentação de showcases com os artistas selecionados.

Além de Scubi (gestão de carreira), Matias (direção artística) e Amanda (produção de campo), o corpo de mentores do projeto conta com especialistas de diferentes áreas do mercado. NAVE SONORA também contará no time com Nancy Silva (produção executiva), Anna Turra (produção e direção de palco) e Nath Birkholz (comunicação). Cada deles acompanhará um artista em específico, orientando-os durante a montagem de seus projetos.

Como Funcionará?

Ao longo de cinco semanas, seis artistas pré-indicados pela comissão de mentores desenvolverão um espetáculo audiovisual – showcase – que será exibido como seus respectivos projetos finais.

Durante o período de um pouco mais de um mês, a comissão curadora realizará workshops específicos em suas áreas de experiência, utilizando como estudo de caso as atrações selecionadas, ao mesmo tempo em que acompanhará o desenvolvimento deste show e todas as características de pré-produção aí envolvidas.

Sendo assim, a NAVE SONORA traz 6 workshops abertos ao público e 6 showcases de novos e promissores nomes da música autoral nacional.

Os Artistas Pré-Selecionados

Yabba Tutti, MC do abc paulista fundadora do coletivo Guetto Mommys Posse, que visa a ascensão feminina e LGBTQIA+ dentro do reggae, ganhou no ano passado o concurso de novos talentos promovido pelo renomado sound system carioca Digitaldubs e tem os singles “Ouro e Diamante” e “É Nóis que Manda” circulando nas pistas.

Mariana Zwarg, flautista, saxofonista, compositora e arranjadora, em 2020 lançou seu elogiado disco de estreia, “Nascentes”, com participações de Hermeto Pascoal e Itiberê Zwarg.

Malu Magri, cuja influência do samba, da bossa e de vertentes lationoamericanas reverberam no trabalho sensível e político apresentado no EP “De uma para Outra” (2020), abordando sexualidade, anseios e desejos.

Jeffe, artista não binário que transita por estilos e funções, canta, compõe e performa seu Teatro Musical – tendo uma apresentação no Lincoln Center (NY), o musical “Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro” e o título de vencedor do Festival de Música de Fortaleza (2020) no currículo.

Amanda Mittz, é cantora e produtora musical. Sua sonoridade é essencialmente pop com influência dos anos 80. Atualmente vivendo no Rio de Janeiro, Amanda está na fase de lançamento do seu álbum de estreia, Acesso (2020), projeto este que une pop e acessibilidade como linguagem e conceito.

1LUM3, projeto e persona de Luiza Soares, com produção musical de Liev, propôs no primeiro disco, “antinomia”, uma imersão em luzes, flashes e nuances sonoras, abrindo portas para o Trip-Hop nacional.

O Futuro da Música Independente

Continuamos nossos questionamentos sobre qual o Futuro da Música Independente em uma pandemia que não parece ter fim com os profissionais que coordenarão o NAVE SONORA.

Cada um conta mais sobre como a pandemia se refletiu nos respetivos mercados, e no seu cotidiano, além das soluções que tem encontrado em um momento tão difícil para os profissionais da música.

Flávio “Scubi” Abreu (Gestão de Carreira)

“No que diz respeito a turnês no exterior, as coisas começam a clarear. Mas ainda não para brasileiros…

Os contratantes em Portugal, Itália, Espanha, Suíça estão todos confirmando os festivais de verão nos meses de julho e agosto. Sabem que será com público reduzido e cheio de protocolos, obviamente.

O que não sabemos ainda é como grupos brasileiros poderão entrar na Europa. Sem vacina? Com quarentena? Quanto custa manter um grupo com hotel e alimentação na Europa? A turnê se sustenta? São muitas as questões, as principais delas por estarmos muito atrasados no que diz respeito ao plano de vacinação.”


Nave Sonora - Flavio de Abreu

Flávio “Scubi” de Abreu


Amanda Desmonts (Produção de Campo)

“Em relação à produção de estrada e de set, as duas funções têm se aproximado bastante desde o início deste contexto pandêmico, que fez com que todas as atividades fossem concentradas no online, em maioria por meio do audiovisual. Assim, a realidade dos shows, com palco, casa, lotação, bastidores, camarim, traslado, alimentação, hospedagem deixam de existir e dão espaço para apresentações filmadas, com equipe reduzida e mil protocolos de cuidado com a COVID-19.

Assim, como tudo e todos, estamos tendo que nos adaptar. A ex-produção de estrada agora é audiovisual e tem exigido cada vez mais, seja no roteiro, na inovação estética, preocupação com o set… abrindo espaço pra esse perfil misto de trabalho e atuação.

De forma geral, a cena musical vive uma fase difícil e sem previsão de mudança, já que os shows eram a maior fonte de recursos; mas também tem se reinventado e caminhando por outras formas de expressão, com outros apelos e até formatos, em relação a antes da pandemia.”

Alexandre Matias (Direção Artistica, Curadoria)

“Toda questão não só da direção artística, quanto de curadoria e até a própria gravação de disco e lançamento foi completamente abalado por isso, como todo o mercado da música. Agora, tanto os artistas, quanto quem trabalha nos bastidores, estão pensando em como fazer com que este mercado continue funcionando mesmo não tendo shows, que era a principal plataforma pra espalhar a música e novos lançamentos pro público.

Acho que tem esse foco principal na internet, hoje, a própria Nave Sonora, que contempla a possibilidade de transformar o que a gente conhecia por live em filmes. A gente propôs a ideia que o artista possa fazer um filme que mostre como é o show mas que não necessariamente seja só a transmissão de uma apresentação ao vivo; que tenha um acabamento, uma pós produção e aí, no caso específico da direção de arte, tem essa nova área de atuação, isso vale também pra curadoria, pra outras subdivisões do mercado da música.”


Nave Sonora - Alexandre Matias

Alexandre Matias


Nathalia Birkholz (Comunicação)

“A área da comunicação está ativa, sendo hoje uma das únicas frentes trabalhadas pelos artistas (além de lives). O mercado está girando, mas não diria que está aquecido. E está em constante mutação: menos imprensa, mais conteúdo digital. O artista virou comunicador e redes coerentes e ativas são primordiais. As audências estão nos reels, tiktok, stories…

As possibilidades e oportunidades são várias nesse aspecto. O artista virou comunicador e videomaker. O jornalista virou roteirista e videomaker. O formato mudou, mas o conteúdo está sempre ali. O importante é não perder a verdade. E acompanhar as novas ferramentas de comunicação, que não param de surgir.”

Nancy Silva (Produção Executiva)

“A pandemia nos pegou de forma trágica, mas não de forma surpreendente. Acredito que a maior parte dos músicos independentes e as pessoas do nosso mercado já ouviu que o que sustentava o lucro das casas de shows e festivais era a venda de bebidas e não as atrações musicais.

Então, acredito que esse cenário e contexto apenas acelerou problemas antigos e precisamos olhar para frente. Como profissionais e amantes da música temos que encontrar um novo lugar no mundo, por enquanto digital e em breve (tomara), presencial, outros formatos, produtos.

Pra isso precisamos de investimento, dinheiro mesmo, não só para a sobrevivência da cadeia produtiva, mas para o desenvolvimento de novas tecnologias, pesquisas e projetos. Por mais que estejamos de luto pelo mundo que deixou de existir, não acredito que ele volte a ser como antes. Precisamos abrir nossas mentes e corações para esse novo mundo.

E então pergunto: onde estão as marcas de bebidas quando mais precisamos delas?


Nave Sonora - Nancy Silva

Nancy Silva


Anna Turra (Lighting Designer e Designer Multidisciplinar)

“A necessidade de distanciamento imposta pela pandemia provocou, nas criações visuais para palco e performance, uma atenção maior para o olhar da câmera. Se, antes, o registro audiovisual de uma performance era produzido por uma equipe alheia à concepção original do espetáculo e, ainda que executado com liberdade criativa, procurava principalmente documentar uma experiência ao vivo, o contexto atual pressupõe a concepção de um espetáculo dirigido a uma plateia que só poderá experimentá-lo pela transmissão.

Não existe uma experiência prioritária ao vivo que deve ser reproduzida da maneira mais “neutra” possível. Isso possibilita que criadores como iluminadores, cenógrafos, figurinistas e visagistas explorem as possibilidades de suas linguagens não mais para uma plateia que olha um palco, mas no cruzamento com a câmera, com todas possibilidades de edição, efeitos e tratamentos que se aproximam mais de um “cinema ao vivo” do que da gravação de um espetáculo.

Isso sem falar nos recursos disponíveis nas diversas plataformas e sistemas de transmissão, que, a meu ver, vem sendo exploradas timidamente na pandemia. Vejo um futuro cada vez mais transversal para os criadores de performance, e a pandemia terá sido não mais que um pontapé.”

NAVE SONORA

De 13 a 16 de abril de 2021
Um evento da Rede Xis
Totalmente online e gratuito (se inscreva aqui)
Inscrições: por CNPJ, apenas artistas podem se inscrever com CPF.

Programação:

13/Abril
14h00 – 15h30
Gestão de Carreira – com Flávio Scubi
Artista convidada: Mariana Zwarg

16h00 – 17h30
Produção Executiva – com Nancy Silva
Artista convidada: Amanda Mittz

14/Abril
14h00 – 15h30
Direção Artística – com Alexandre Matias
Artista convidada: 1LUM3

16h00 – 17h30
Produção de Set e Estrada – com Amanda Desmonts
Artista convidada: Malu Magri

15/Abril
14h00 – 15h30
Direção de Arte de Palco – com Anna Turra
Artista convidada: Jeffe

16h00 – 17h30
Assessoria de Comunicação com Nath Birkholz
Artista convidada: Yabba Tutti

16/Abril
14h00 – 15h30
Produção Técnica e Masterização – com Gabriel Spazziani

16h00 – 17h30
Distribuição Digital – com Mauricio Bussab e David Dines (Tratore)

Datas de estreia dos showcases (filmes musicais):

22/Abril
21h00 – Mariana Zwarg
21h45 – Malu Magri
22h30 – Jeffe

23/Abril
21h00 – Amanda Mittz
21h45 – Yabba Tutti
22h30 – 1LUM3

O projeto é apresentado pelo Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa com produção da Rede Xis (XYS Music Network).