Categories: Premiere

Chico Chico e João Mantuano passeiam por diferentes frequências em álbum em parceria

No ano passado Chico Chico lançou o álbum Onde? em parceria com Fran e apesar do filho de Cássia Eller ter lançado em 2015 seu primeiro disco de estúdio, 2×0 Vargem Alta, foi a primeira oportunidade de ouvir o trabalho do músico. Nesta sexta-feira (26/02) carioca Francisco Ribeiro Eller (Chico Chico) junto ao conterrâneo e amigo de longa data João Mantuano lança um novo disco via Toca Discos.

Com produção de Felipe Rodarte e mixagem Raphael Dieguez, o álbum foi gravado no Estúdio Toca do Bandido (Rio de Janeiro) e conta com 12 faixa, algumas já disponibilizadas previamente.

“Esse é o resultado de três anos de trabalho numa banda que acumula quase 20 anos de amizade e um pouco mais do que isso de vivência em nossas individualidades urbanas. Por vezes doce, quase sempre ácida. Esse disco é sobre isso”, conta Chico Chico



Chico Chico e João Mantuano

O disco é um grande deleite para quem gosta de uma produção encorpada e que permite com que a cada audição nos atenhamos a um detalhe ou camada do instrumental.

Basta ver como consegue ir do blues, passando pela percussão do axé, ao funk com facilidade, sem deixar de lado a MPB, arranjos delicados, teatralidade e a poesia de lado. Por muitas horas ele empolga justamente por isso, por conta das possibilidades e campos que abre. Tem swing, tem introspecção, paisagem, cores e fúria.

A gama é tão vasta que exige do ouvinte uma atenção redobrada ao mesmo tempo que traz narrativas isoladas a cada faixa. Não é nada careta. Tem espaço para as teclas, notas altas, groove de baixo pegado, percussão versátil.

Os sentimentos também acabam à flor da pele, indo do lado mais intimista, passando pela tensão a euforia. Já a mixagem usa e abusa das camadas e desta forma consegue seu principal objetivo: trazer sensações para a experiência. Sua narrativa traz várias referências de paisagens e da música – e poesia – carioca contemporânea.

É aquele disco que sabe ser técnico e agradar a crítica ao mesmo tempo que é pop – e permite uma série de possibilidades de novos arranjos no momento que for executado ao vivo. Ou seja uma caixinha de chocolates pronta para apreciar.

A ressalva que fica é que o álbum poderia ser mais curto. O registro começa explosivo mas na parte final parece perder um pouco o gás.

Recomendado ouvir com bons fones de ouvido para não perder nenhum detalhe.


This post was published on 26 de fevereiro de 2021 12:32 am

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

Posts Recentes

Roxette em São Paulo: como foi o show com Lena Philipsson no Espaço Unimed

O Roxette voltou ao Brasil para um show em São Paulo que marcou uma nova…

15 de abril de 2026

Crise estreia com “por favor, me perdoe. às más notícias finalmente chegaram” — um manifesto sobre ansiedade digital

A banda Crise, de Sorocaba, lança o álbum de estreia “por favor, me perdoe. às…

13 de abril de 2026

Vitor Araújo lança “TORÓ” com a Metropole Orkest e aprofunda pesquisa em música experimental

Vitor Araújo lança nesta quarta (8) o álbum ao vivo TORÓ, projeto em parceria com…

8 de abril de 2026

11 artistas da nova cena alagoana para conhecer agora

Entre psicodelia e cultura popular: o novo trabalho de Pedro Salvador Pedro Salvador é natural…

8 de abril de 2026

Mapeamento expõe nova fase da cena independente de Goiânia a partir de 49 casas de shows

Cena Independente de Goiânia: Projeto mapeia mais de 115 artistas e 49 casas de shows…

6 de abril de 2026

5 Bandas 2026 anuncia retorno do Black Drawing Chalks e completa line-up em SP

Festival 5 Bandas revela últimas atrações da edição 2026, com retorno do Black Drawing Chalks…

6 de abril de 2026

This website uses cookies.