Toda sexta-feira saem inúmeros lançamentos e muito material acaba ficando de fora das nossas postagens por uma série de motivos. Mas a procura por Hits Perdidos não acaba apenas no envio de releases para imprensa; e pensando nisso resolvemos criar a coluna Release Radar.

Sim, homônima a playlist semanal do Spotify, para colocar vocês à par dos principais lançamentos sem a necessidade de que os artistas, selos ou suas respectivas assessorias de imprensa tenham enviado o material.

Feito um “encontro as escuras” resenharemos, singles, EP’s, discos, mixtapes e o que acharmos interessante que saiu após às 00h da sexta-feira nas principais plataformas digitais. Será nossa coluna de “pitacos” semanais da música pop.

Release Radar: 30/10


Julico Release Radar - Foto Por Victor Balde

Julico, do The Baggios, lança seu primeiro álbum solo – Foto Por: Victor Balde


Décimo Post do Release Radar, comentem se gostaram e se deve continuar!

Julico ikê maré

Um voo solo é sempre uma experiência diferente e Julico, vocalista e guitarrista do The Baggios, foi de mansinho tateando e aos poucos apresentou live sessions e singles. A essência do sergipano transparece, multiritmico a psicodelia, o baião, desert blues e música funk ganham novos contornos em seu caldeirão que ganha o caldo com direito a uma série de participações especiais como a de Sandyalê.

Na temática o autoconhecimento, o espírito animal e os dilemas a respeito da nossa existência transparecem ao longo do álbum que conta com 13 faixas. Parece todo audacioso escrevendo assim mas para quem acompanha a carreira do The Baggios de perto sabe que é um processo natural, intenso e bastante verdadeiro.

“Minha necessidade com a música foi justamente fazer algo mais segmentado neste sentido, com um conceito amarrado das temáticas e das texturas. As músicas se complementam”, comenta Julico.

“Todo Dia É Santo (feat. Curumin)”, com percussão que se une as teclas para falar sobre as pedras no sapato, o karma e as lutas do dia-a-dia, “Nuvens Negras”, um clamor por tempos melhores que parece até antever os incêndios na floresta amazônica, “São Cristóvão Via Niger (feat. Sandyalê)”, uma espécie de dub forasteiro, e “Eu São / Curtis Says”, foram os singles apresentados antes do lançamento e já davam um pouco a ideia do caminho do disco.

O Espírito livre e a maturidade musical de Julico

Pesquisador nato, as parcerias potencializaram horizontes complementares ao seu repertório. “Ikê Maré” motiva a lutar pelos sonhos independente das dificuldades que aparecerem pelo caminho em um caldeirão bluseiro e alto astral. O soul e as guitarras setentistas aparecem em coalizão em “Aonde Viemos Parar” e ainda tem vocais que complementam a experiência quase espiritual com direito a trocadilhos sagazes.

Aliás a política aparece ao longo de todo o disco mas sempre com alguma tirada ou duplo sentido, característica da música brasileira de outrora que muitas vezes faz falta. Um álbum de um guitar man que não tem medo de ousar, reconhecer origens e domina a arte de criar ambiências, texturas e imagens. “Pelejamor” é um dos pontos altos do disco e consegue fazer uma mistura rica entre baião, soul e seu espírito livre.

Não se limita, não se prende, dialoga através do choro da guitarra onde consegue desafogar suas reflexões. Aliás, a capa nesse sentido é perfeita, Julico desafoga para se encontrar e quem sabe poder enconrajar os outros a fazer o mesmo.

Tuyo e Luccas Carlos “Sonho da Lay”

A Tuyo, de Curitiba (PR), lançou “Sonho da Lay”, segundo single do seu próximo álbum que sairá via Natura Musical em uma data ainda não revelada. A faixa conta com a participação do rapper Luccas Carlos.

“A sensação foi de desfrutar de uma brisa tendo consciência de que eu estava sonhando”, recorda-se Lay sobre a composição que também dialoga com o momento vivido pelo trio de gestação de um novo disco

“Um presente do meu subconsciente envolvendo escuridão, luz, água e segurança”, completa. Sobre a parceria: “Faz tempo que a gente fala sobre democratizar temas densos sem que eles percam a profundidade, as suas dimensões originais. O Luccas é mestre nisso e a gente também tem vontade de dominar essa arte”, afirma Lio.

“Ele faz com que a simplicidade e o requinte caminhem de mãos dadas. A maciez e a habilidade do que ele pode fazer com a voz, aliada ao jeito acessível de escrever sobre amor,  é o componente que a gente estava caçando para compor esse universo novo”, completa Lio

O segundo single do novo disco

A faixa emerge na escuridão para representar esse momento de buscas internas e de explorar novas habilidades ainda não apresentadas tanto no primeiro EP como no álbum de estreia, Pra Curar (2018).

Os beats ganham peso, os vocais exploram novas melodias, já o feat foi algo natural já que ao longo do último ano o trio colaborou com diversos artistas de diferentes estilos. O piano entra como surpresa e deixa a canção ainda mais densa. Já o videoclipe, que flutua pelo plano dos sonhos, foi dirigido por Xan (em colaboração com Sabrina Duarte).



Eddu Porto “Estamos Vivos”

Eddu Porto, baterista da banda instrumental ATR, lança o primeiro single solo da sua carreira, “Estamos Vivos”. Experimentação é a base do projeto que promete misturar música eletrônica, cordas de nylon, bossa nova entre outras frequências.

O músico que também é amante e pesquisador da música brasileira, reflete sobre temas latentes ao momento como nossa relação com o tempo, o longo processo de autoconhecimento e como passamos a enxergar o mundo após passar por situações de adversidade. Onde medimos o peso das nossas ações e temos que lidar com nossos próprios abalos sísmicos.

A canção de certa forma também dialoga com nossos tempos, onde a introspecção, a mudança de rumos e os sentimentos mais profundos parecem estar à flor da pele. Se 2020 nos permitiu desacelerar para buscar novos horizontes, a canção bate em cheio com esse mood – e o alinhamento da órbita planetas, ou melhor dizendo, da nossa mente.

DZ Deathrays “Fired Up”

O duo australiano DZ Deathrays prepara seu novo álbum para o ano que vem, Positive Rising: Part 2 sairá no dia 09/06 e nesta sexta-feira eles apresentam o single “Fired Up”.

Energético, o espírito do garage rock e punk permanece mas agora em um a faixa mais sentimental que acredito que irá agradar a até mesmo fã de grupos como Box Car Racer. Lembrando que recentemente eles tiveram uma faixa incluída na trilha do Tony Hawk Pro Skater 1+2.

Cardamomo Nada a Fazer

Após um EP os gaúchos da Cardamomo apresentam seu álbum de estreia, Nada a Fazer. O trio experimental apresenta Nada a Fazer após uma série de single e videoclipes. Post-Rock, Post-Punk, Garage Rock, math rock, grunge e o rock progressivo acabam adentrando no emaranhado de canções do disco que conta com 11 faixas. 

Distorção, ondas sonoras, sensações, paisagens, cores frias e imersão fazem parte do fluxo do disco que lida com temas como o tédio, o deslocamento, a inércia, o vazio, a repetição, nossa forma de enfrentar os problemas e lidar com os outros terráqueos.

Ansiedade, repulsa, conflito, insegurança e as voltas que a vida pode dar estão presente e representados em círculos, e memórias, transmitidas em suas linhas de baixo que nos conduzem. As guitarras traduzem a sensibilidade e nossos conflitos. Já a percussão tem o papel de desacelerar e mostrar o paradoxo entre a vontade de se movimentar versus a estafa e o sentimento de apatia.

Cayena “Medo”

A Cayena, de Belo Horizonte (MG), em seu som mistura ritmos como pagodão baiano, rock psicodélico e brasilidades, e assim como a Ana Frango Elétrico rejeita o rótulo de “Nova MPB”.

Inclusive o nove single o grupo mineiro rotula de uma forma bastante divertida: “Um pagodão baiano, com um quê de Sidney Magal, fantasiado de novela mexicana”. Por mais estranho que pareça assistindo ao clipe, dirigido por por Raquel Ladeira e Joshua Wolf, até que parece fazer mais sentido.

Diferentemente dos lançamentos anteriores a produção do single foi inteiramente feita a distância entretanto isso possibilitou com que a banda arriscasse uma fase de transição sonora e experimentasse ainda mais.

Já na produção audiovisual propuseram criar um “submundo com quê de novela mexicana e uma pitada de Twin Peaks”. Segundo eles o objetivo era de “evidenciar texturas visuais, projeções e ilusões de ótica, o clipe, filmado em dois dias corridos, foi inteiramente gravado em VHS e toda a estética gira em torno da convivência do humano real e do medo exposto” e dialogando com a canção.



Uiu Lopes “Raffa Moreira Me Conhece”

Em parceria com Lau e Eu e Dieguito Reis (Vivendo do Ócio), Uiu Lopes lança o single “Raffa Moreira Me Conhece”. Redes sociais, relacionamentos e até o comportamento do trapper acabam inspirando a faixa que conta com a produção do produção de Fernando Rischbieter.

Nas melodias o músico afirma ter como referências para o som Cassiano, Marcos Valle, Black Party e Anderson Paak. Aliás eu tô adorando essa redescoberta de artistas novos por nomes como Cassiano e Marcos Valle, que diga-se de passagem só tem lançado álbuns excelentes.

“Nós misturamos essas influências a fim de dialogar com o público de outra forma. Isto é, não tentamos reproduzir nenhum gênero. Fizemos um mix entre neo soul, hip hop, indie e música brasileira”, conta o músico

A graça do single é esse aspecto de não se levar a sério e misturar referências de diferentes lugares para falar sobre o hoje de um “jeitão” todo deles. De careta tem nada, é moderno e faz um mashup da timeline.

Elboni “Grounds”

De São Paulo a Elboni aparece pela primeira vez por aqui no Release Radar com o single “Ground” que ganhou uma versão elétrica e outra acústica.

O duo de indie pop composto Rubens Elboni e Juliana Pallamin optou por produzir materiais a distância. O som lembra bastante o rock dos anos 2000 com doses de pop e com direito a sing-a-longs.

Fntsma “Abrigo?”

O duo Fntsma é composto por Alessa Berti e Daniel Rojas e inclusive já apareceu por aqui com matéria cheia. De Curitiba, o som é estranhamente leve e indie e até na resenha chegamos a compará-los a um encontro entre Grizzly Bear e Neutral Milk Hotel. Desta vez eles aparecem com o single “Abrigo?” que será lançado no dia 31/10, afinal de contas Fantasma e Dia das Bruxas tem tudo a ver, não é mesmo?

Como novidade o single produzido a distância conta com a participação de Anil, Didi Fiorucci, Érico e Shower Curtain. A canção também contará com um videoclipe, o que facilita é o fato deles trabalharem com audiovisual.

A delicadeza do single chama a atenção da melodia que tem um que de trilha de séries como Twin Peaks mas uma letra que dialoga com um tempo de aparar arrestas para lidar com o futuro ainda incerto. Reflexões de tempos como os nossos onde temos que reavaliar planos, sonhos e metas antes de avançar as próximas casas.

A canção cresce com seus sintetizadores e seu espírito de proteção – onde o conforto do abrigo vive no abraço. No fim o fantasma, assim como todos nós, é carinhoso e só quer poder abraçar e rever os amigos novamente (mas com segurança).

Brisa Flow “Jogadora Rara”

Gravado na comunidade da Coroa, no Rio de Janeiro, o clipe “Jogadora Rara” da rapper Brisa Flow crítica ao sistema que coloca corpos racializados em museus, mas que os marginaliza nas periferias.

“‘Jogadora Rara’ faz um paralelo do mercado da arte com o mercado da música, que desde os tempos da colonização vê os corpos e a arte de povos racializados como algo para ser comercializado mas não em um local de protagonismo”, explica Brisa Flow.

“É sobre a potência das mulheres racializadas de quebrada em fazer arte, mesmo diante de vários impedimentos da estrutura patriarcal eurocêntrica, e serem protagonistas de suas histórias que podem ser de vitória também”, finaliza a artista



Chico e o Mar “Acolher”

De pop e folk a Chico e o Mar é uma banda de Belo Horizonte. Depois de finalizar um projeto de financiamento coletivo para o álbum de estreia que será lançado no primeiro semestre de 2021, o grupo apresenta nesta sexta-feira o single “Acolher”. Entre as referências eles citam um leque vasto, e até mesmo pouco óbvio, que vai de Leon Bridges, passando por Paramore a Wallows.

A faixa conta com diferentes camadas e tem uma levada um tanto quanto espacial e introspectiva para falar sobre os medos e a jornada da vida. Pop por natureza, ela trabalha as camadas e utiliza das ambiências em segundo plano para dar foco nas melodias e no contraste dos vocais.

Zumbis do Espaço “Crianças Chatas Não Ganham Doce”

No melhor espírito divertido e descontraído o Zumbis do Espaço, “o Misfits Brasileiro”, lançou o single de Dia das Bruxas, “Crianças Chatas Não Ganham Doce”, um punk rock ramoníaco com boas doses de bom humor.

Superchunk “There’s A Ghost / Alice”

O Superchunk também nos presenteou com uma música especialmente para as festividades do Dia dos Mortos em uma faixa que diz literalmente “Tem um fantasma na casa” com direito a arranjos e melodias que não tem como amar. Algo meio The Weakerthans + Neutral Milk Hotel + Ramones = Amamos!

A Balsa “Filtro Solar”

Tranquila e contemplativa, é assim que A Balsa define o terceiro e último single de uma tríade de lançamentos programados para esse fim de ano. “Filtro Solar” é conduzida pelos sintetizadores e desacelera para refletir sobre o “se perder para se encontrar” e brinca com os diversos sentidos que a frase pode ressoar baseado em situações do cotidiano de um paulistano. Dois minutos de pura melancolia.

Versa Libertália “Café com Pão (Maglore Cover)”

O período de isolamento para algumas bandas como a Versa Libertália tem sido de produtividade. O grupo optou por gravar a distância uma versão para “Café com Pão”, uma versão para a canção do grupo baiano Maglore.

A faixa de certa forma acaba batendo com o espírito do momento e “reflete e fala da descoberta de que o valor da vida está nas coisas simples do dia a dia e nas nossas relações humanas.”, como comenta a banda que recentemente passou por um processo de reformulação

“A gente explorou na história do clipe a reflexão que estamos tendo durante o período de quarentena, tendo encontros virtuais e com o estreitamento de relações mesmo fisicamente distante. Todo o processo foi conduzido pelo diretor Demétrio Zanini, que foi na casa de cada um da banda fazer os takes para possibilitar o distanciamento e diminuir o risco de contágio”, explica Luis Haruna, que faz violão e voz na música.



Belau “Risk It All”

O duo de eletrônica hungaro Belau, de Budapeste, que já venceu um Grammy na categoria melhor álbum de eletrônica do país apresentou recentemente o videoclipe para “Risk It All”. A faixa que está presente no álbum Colourwave conta com a participação da inglesa Amahla.

Além do vídeo dirigido por Péter P. Szabó, que tem como trama mostrar viajantes explorando novos destinos, no Spotify você poderá encontrar uma versão noturna da canção.



Jagunço Contar Horas Até Cem

O músico Rafael Grison, da região da serra gaúcha, quando o assunto é música atende pelo nome de Jagunço e nesta sexta-feira lança o EP Contar Hotas Até Cem via Honey Bomb Records. O EP é curtinho e conta com 7 faixas que exploram as possibilidades lo-fi do estilo que ficou conhecido na internet como Bedroom Pop. Por aqui você já conheceu ele através da coletânea Sons que vêm da Serra.

O som é pop, etéreo, permite experimentações e lembra até mesmo as experimentações que encontrávamos no começo dos anos 2000. Lembram dos primeiros trabalhos do Washed Out e todo aquele caráter experimental que o Myspace deu holofotes?

São frequências assim de fácil assimilação entre sintetizadores, MIDI e drivers que o fluxo do EP se desenrola. Com direito a delays, colagens e mixagem que busca por texturas e sensações. O improviso e o acaso tem lugar como é o caso de “Sais” que integra a coletânea que saiu pela Natura Musical em 2019 e tem um flerte disco/funk e camadas eletromagnéticas. Experimento que da brilho ao resultado final.

Entre nuances e uma atmosfera bastante intimista muitas vezes parece que estamos em uma festa em que só nós fomos convidados, o que é de certa forma a tônica do nosso ano.

Você Não Pode Deixar de Ouvir!

O álbum do Andrew Bird Hark!
O álbum do Eels Earth To Dora
O disco do Elvis Costello Hey Clockface
O álbum do WRY Noites Infinitas (Tem Resenha no Hits Perdidos!)
O disco do Zé Manoel Do Meu Coração Nu
O álbum do Goo Goo Dolls It’s Christmas All Over
O álbum do Mr. Bungle The Raging Wrath Of The Easter Bunny Demo
O disco do Nothing The Great Dismal
O álbum do godofredo Arquivos Vol. 3
O álbum do The Inevitables The Inevitables
O disco do Puscifer Existential Reckoning
O álbum do Anti-Flag 20/20
O álbum do Sam Smith Love Goes
O EP visual do Klüber Cante Comigo Ao Vivo
O disco do Ariana Grande Positions
O disco do Busta Rhymes Extintion Level Event 2: The Wrath of God
O álbum da JoJo December Baby
O disco do Exclusive Os Cabides Roubaram Tudo
O álbum da Bel_Medula Luna
O disco do Midnight Oil The Makarrata Project
O disco do Bring Me The Horizon Post Humam: Survivor Horror
O Álbum da King Khan The Infinite Ones (Khannibalism)
O Álbum do War On Women Wonderful Hell
O disco do Mourn Self Worth
O disco do Inconsciente Coletivo O Grande Movimento do Não Sei
O álbum do WizKid Made In Lagos
O EP da Viratempo Autocura
O álbum da OM Onça Monstra
O disco do Carcass Despicable
O disco da Emma Ruth Rundle May Our Chambers Be Full
O álbum do Spectres Nostalgia
O EP do Adriano Cintra Radio 08
O álbum do Sun Ra Arkestra Swirling

Os Singles do Release Radar

The Drums & Jonny Pierce “Nadia”
Karen O & Willie Nelson “Under Pressure” (Queen & David Bowie Cover)
Jay Som & Annie Truscott “Cady Road”
Bright Eyes & Phoebe Bridgers “Miracle Of Life”
Mogwai “Dry Fantasy”
Nego Joca “Me Leva, Me Deixa”
Sound Bullet, MonoLLogo “Dance Tak Dance”
Neil Young “Wonderin’ (Alternate Version)”
Saves The Day “Through Being Ghoul”
Mahmundi “Sem Medo”
Kiko Dinucci “Habitual”
Boogarins “Benzin (Live)”
Wilco “A Shot in the Arm (Live at the Boulder Theater, Boulder, CO 11/1/99)
Cambriana “Huge”
The Queers “Bubblegum Girl”
Money Mark “Pain”
CocoRosie “GO AWAY!”
Baianasystem & Digitaldubs “2 Cities (Remix)”
Khruangbin “Summer Madness (Kool & The Gang Cover)”
Bill Calahan & Bonnie “Prince” Billy “Wish You Were Gay (Billie Eilish Cover)”
The Kills “I Put a Spell On You”
Bamba EFX “Bennu”
Chinelada “Não Deu Pra Ti”
Chuck Hipolitho “Disincaine”
The Avalanches “Interstellar Love (feat. Leon Bridges)”
Rhye “Black Rain”
As Baías e Kell Smith “Muito, Eu Te Amo”
Xenia Rubinos “Who Shot Ya?”
Jordana “I Guess This Is Life”
De La Soul “Remove 45”
Jesu “Alone”
Kylie Minogue “I Love It”
Dirty Projectors “Searching Spirit”
Cass McCombs “Don’t (Just) Vote” (feat. Angel Olsen, Bob Weir And Noam Chomsky)
Passante “Óculos-Degrau”
Dua Lipa & Angèle “Fever”
Maurício Tagliari “Amarildo” (feat. Janine Matias & Val Andrade)
The Smashing Pumpkins “Ramona”