Asteroides Trio é um power tio de Arujá (SP) que em seu rockabilly incorpora elementos do punk rock entre outros estilos. Naturalmente o conjunto formado por Leandro Franco, aka. Franco Kid (Vocal e Bateria), Weasel Rocker (Baixo Acústico) e Formiga (Guitarra), já explorou por versões tanto no disco Punkabilly, como no Tributo aos Autoramas – A 300 KM Por Hora, organizado pelo Hits Perdidos. Agora eles se juntam ao João Gordo para lançar uma justa homenagem aos 40 anos do Ratos de Porão.

O álbum tributo a icônica banda de hardcore brasileira contará com faixas de álbuns clássicos como o tão assustadoramente atual Brasil, produzido pelo renomado produtor Harris Johns e lançado em 1989 via Roadrunner Records. A primeira amostra é o single “Direito de Fumar”, faixa presente no disco Feijoada Acidente? (1995) que ganhou uma versão punkabilly com o adendo dos vocais do João Gordo.

O clássico do Ratos de Porão foi gravado ainda antes da quarentena ao vivo diretamente da casa do João Gordo. O take da gravação inclusive foi filmado e virou um videoclipe que você confere logo abaixo.



A música faz parte do álbum que será lançado pela Neves Records, em vinil, em comemoração aos 40 anos de Ratos de Porão. A produção da música é assinada por Addassi Adassi e Brendan Duffey do Fuel Music Studio na Califórnia e contou com o apoio da Ehrlund Microphones e Caxão Produtora.

Entrevista

Conversamos com o Leandro Franco, vocalista e baterista do Asteroides Trio, e o João Gordo para saber mais sobre a produção dos tributos, versões, bastidores, pandemia, e claro, política.

Como surgiu a iniciativa da coletânea? Quais discos tiveram faixas? Como foi contar para o João Gordo sobre a iniciativa?

Asteroides Trio: “A ideia de convidar os Asteroides para o projeto partiu do próprio João Gordo. Foram selecionadas faixas de todos os discos clássicos do RDP, tais como: Brasil, Anarkophobia, Crucificados pelo Sistema, etc.”

Conte sobre a participação do João Gordo na faixa? Falem mais sobre a amizade e como foi o primeiro contato de vocês com os discos e shows da banda?

Asteroides Trio: “O João Gordo nos recebeu na casa dele, e foi uma tarde agradável de gravação. Antes da pandemia já estávamos ensaiando com ele o repertório punkabilly de várias músicas do Ratos.

O primeiro contato foi feito por mim mesmo. Levei um disco dos Asteroides Trio para ele na Central Panelaço, o “Punkabilly – Tributo Rockabilly ao Punk Nacional (2018 – Neves Records).

Ele gostou tanto que nos chamou para tocar lá, na estreia do”Projeto Passando o Chapéu”. Foi uma noite muito divertida com a participação de várias pessoas do punk de SP, tais como Lee do Gritando HC, Ariel dos Invasores de Cérebro, Barata do DZK, General Sade do Porno Massacre e muitos outros amigos.”

Vocês já fazem várias releituras tantos nos shows como nos discos. Como foi reimaginar um som do Ratos de Porão neste estilo?

Asteroides Trio: “Foi bem tranquilo. Na realidade, era para ter uma música do Ratos no Punkabilly. Mas na época do lançamento em CD, não tínhamos contato com o João Gordo. O processo é o mesmo, o Formiga faz a releitura na guitarra, o Weasel cria novas linhas de baixo acústico e eu recrio a bateria na pegada rockabilly.”


RDP_CATS - João Gordo Asteroides Trio

Arte Por: Leandro Franco


Comentem um pouco mais sobre a produção e as referências para o videoclipe.

Asteroides Trio: “A produção é do Addassi Addassi, do Fuel Music Studio na Califórnia e mixagem do Brendan Duffey, renomado engenheiro de som que já trabalhou com Angra, André Matos, CBJR, CPM22, Tihuana, Biquini Cavadão, Hateen, Malta, RPM, Luiza Possi, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Dr. Sin, 50 Cent e muitos outros.

A produção tem apoio da Erhlund Microphones. O clipe foi gravado pela produtora paulista Caxão Produtora, e são cenas da gravação da música.

O estúdio foi montado na própria casa do João. Conseguimos gravar a primeira música antes do início da pandemia. A  música escolhida é “Direito de Fumar” que está no disco Feijoada Acidente (Brasil).”

Além do tributo punkabilly ainda terá um outro com artistas de Rap, conte mais detalhes sobre essa outra iniciativa.

Aliás vocês tem planos de lançar algo do Ratos para comemorar a marca?

João Gordo: “O projeto com os Asteroides Trio está de vento em popa. Somente esperando passar a pandemia para voltar a ensaiar e gravar. O tributo de rap é um pouco mais complicado por conta de produção.

Andei conversando com o Ganjaman (produtor de rap), que também produziu o nosso disco Homem inimigo do homem (Alternative Tentacles – 2006). Conversei também com o Thaíde, Sandrão, Helião, Djonga, Marcelo D2. No entanto, preciso correr atrás disso. Tem muito trabalho pela frente.”

O Ratos é aquela novela. Enquanto estou fazendo um monte de projetos, o Ratos nem tchungas. Cada um pro seu lado, meio desanimados. Mas é isso aí, Ratos é Ratos.”


João Gordo e Asteroides Trio Ratos de Porão

João Gordo e Asteroides Trio – Foto Por: Nadia Ramone


Quão importante é para vocês continuar resistindo em tempos terríveis tanto no campo da política como na sociedade?

João Gordo: “A resistência do Ratos vem de sempre. Sempre nadamos contra a maré. Vimos vários panoramas políticos retardados nesse paisinho de merda nosso. Esse sem dúvida é o mais bizarro. A banda vem desde os anos 80, da época da ditadura, vimos os caras pintadas, Fernando Collor, Fernando Henrique, Lula, cruzerio, cruzado, cruzado novo, “cata e deixa” na poupança, etc.

Cada disco nosso é marcado por uma época bizarra dessa daí. E no momento atual, não faltam ideias para fazer letras, só que estamos parados e a militância nossa é de sempre. Por exemplo, o disco Brasil parece que foi feito ontem, a capa, as letras, etc. Estou esperando uma chance para poder compor e manter nossa militância. que é bem importante e influencia um monte de gente.

As pessoas necessitam de formadores de opinião que pensam no papo reto. Somos bem esclarecidos nesse assunto de política. Enxergamos o que não presta já faz um tempo.

Em 2013 já prevíamos a ascensão do nazismo no Brasil, dos fascistas, e muitos ficavam me xingando, dizendo que eu estava viajando na maionese… e agora estamos aí, a beira de um colapso social.

Os caras com eugenia, querendo matar velhos, pobres e pretos às custas da pandemia. É complicado. Mas vai chegar uma hora que vamos conseguir deslanchar e abortar um disco novo, como sempre.”