Na semana passada preparamos um especial com os 10 Melhores Clipes do 1º Trimestre de 2020 especialmente para o m-v-f. A lista elaborada pelo editor do Hits Perdidos, conta com destaques destes primeiros 90 dias do ano. São produções que se destacam por diversos motivos, seja pelo roteiro, seja pela fotografia, produção, contextualização, conceito entre outros fatores da sétima arte. São vídeos inclusive, que foram destaques nas nossas listas de Janeiro, Fevereiro e Março.

Confira nossos destaques e saiba mais sobre as escolhas neste post especial!


MELHORES CLIPES DO 1º TRIMESTRE DE 2020

Os Melhores Clipes do 1º Trimestre de 2020

10) Rubel e Adriana Calcanhoto “Você Me Pergunta”



Um dos vídeos virais mais impactantes de fevereiro definitivamente foi o de “Você Me Pergunta” faixa do Rubel em parceria com a cantora Adriana Calcanhotto.

O roteiro e a direção inclusive foram dirigidos pelo próprio músico formado em audiovisual, aliás a videografia do músico sempre traz mensagens importantes e força no roteiro.

“Essa música foi feita em homenagem à Adriana, que me recebeu com tanta generosidade desde que nos conhecemos. Quis retribuir de alguma forma o que aprendi com ela e o quanto as suas músicas me formaram. Tentei compor uma canção que se aproximasse do universo da Adriana, da canção de amor clássica, daquelas músicas eternizadas nas rádios do Rio de Janeiro e no imaginário coletivo do carioca”, conta Rubel.

“A nossa sintonia foi instantânea, imediata. Ele é muito focado, disposto a experimentar e tem uma musicalidade espontânea e natural, uma leveza muito charmosa. Como diretor do clipe sabia exatamente o que queria e conduziu tudo com delicadeza e afeto. Grande artista, tenho adorado colaborar e torcer por ele”, afirma Adriana

9) As Despejadas “Sonhos em Cativeiro”



Um registro importantíssimo e contextualizado com a realidade de milhões de brasileiros. É esse o mérito da narrativa do clipe d’As Despejadas que denuncia as marcas da violências, principalmente nos mais jovens, discorre sobre representatividade, falta de oportunidades e a repressão policial.

A produção audiovisual tem roteiro e direção de Yalla Kala, direção de fotografia de Renato Pascoal e direção de arte de Monalisa Amaral. O vídeo é uma realização Nabê Produções.

8) francisco, el hombre “Matilha”



Outro videoclipe que fez bonito neste mês de fevereiro foi o da francisco, el hombre para “Matilha:: Coleira ou Cólera”. Um clipe que começa com o clima de mal estar causado pelas eleições de 2018 mas que mostra o poder da união das pessoas em meio a um momento delicado da democracia.

“A francisco, el hombre sempre se colocou numa função de cantar, escrever e falar sobre sua época, de marcar sua época”, conta Mateo. Desta vez, mais do que eternizar a efemeridade do mundo contemporâneo e o momento “de crise social gigante”, a banda une forças para criar pontos de esperança através da coletividade. “Depois de tanto golpe, de tanto baque, de tanta queda que esse governo Bolsonaro entre outros da América Latina nos trouxeram – a gente quer trazer esse ar de esperança, esse ar de força, de grito, de construção”, explica.

Voluntários

Foram mais de 350 voluntários que contribuíram através de grupos coordenados no whatsapp para que a obra audiovisual fosse possível. O local escolhido foi o centro de São Paulo. O que só provou como a tese do grupo de união é válida em momentos como este. O filme dirigido pelo duo Los Pibes tornou-se a maior produção audiovisual da francisco, el hombre e deixou explícita a razão para o nome da música.

“MATILHA é uma música que tem o nome de um coletivo de cachorros, talvez de rua – talvez vagabundos – que se unem e, uma vez unidos, é só educar e resistir, é só semear e seguir em frente (…) E pra juntar 300 ou 400 pessoas numa rua, é porque compartilhamos de uma só ideia de resistência na América Latina, e isso é muito forte porque é o fio condutor deste ano”, destaca Mateo.

O vídeo conta com diversos easter eggs que vale procurar, além de claras manifestações em defesa das minorias.

7) Céu “Corpocontinente”



Talvez um dos videoclipes mais impressionantes do mês de Janeiro tenha sido o da Céu. “Corpo Continente” é uma verdadeira obra de arte.

São 7 minutos de uma narrativa envolvente, um roteiro coeso, fotografia impressionante, muita tensão e delírios. Ainda há espaço para a solitude, coreografia e efeitos especiais. O vídeo foi dirigido por Rodrigo Saavedra (LANDIA).

6) Vivian Kuczynski “Carne”



A sensibilidade toma conta do novo videoclipe da Vivian Kuczysnki. “Carne” integra o álbum de estreia da artista Ictus que saiu no ano passado via Balaclava Records. Com temática que envolve o universo feminino, o vídeo teve a atuação e direção realizados por Maria Eduarda.

5) Duda Brack “Pedalada”



A carioca Duda Brack disponibilizou o videoclipe para “Pedalada”, composição em parceria entre a artista e Chico Chico, que estará presente no álbum produzido por Ney Matogrosso. Com temática carnal, o videoclipe dirigido e roteirizado por Ana Campos, Duda Brack e Rebeca Brack, utiliza de diversos elementos, cenários, bom humor e ação em seu roteiro.

A composição surgiu de um haicai que escreveu e Chico musicou.

“Criamos um arranjo que tinha uns improvisos no final e um atropelava a fala do outro virando um grande noize verborrágico”, lembra Duda

Duda estrela ao lado do ator Gabriel Leone, e o vídeo ainda conta com participações especiais de Alice CaymmiNão Recomendados e do Porta dos Fundos. O vídeo promete ter continuação.

“É sobre a confusão entre o sujeito e objeto. O lance de projetar no outro algo que na verdade nós que estamos enxergando. “Pedalada” aproveita a reflexão de um lugar mais psicológico do ser humano para trazer à tona algumas construções sociais machistas, como uma forma de questioná-las”, explica Brack

4) Letrux “Déjà Vu Frenesi”



A carioca Letrux acaba de lançar seu segundo álbum, Aos Prantos, que você pode conferir a resenha aqui. Para promover o lançamento, o single “Déjà Vu” ganhou um sensível videoclipe dirigido por Clara Cosentino. Segundo Letícia a composição nasceu após um banho de mar na Grécia.

“Banhada numa água Maria Callas e Platão, fui mergulhar e me baixou essa música. Psicografia musical aquática. Literalmente. Fiquei nadando, girando, cantando. Treco louco. Saí da água e corri pro celular pra me gravar e não esquecer”, contou a artista em suas redes sociais

O destaque fica para a belíssima locação, a suavidade dos movimentos, narrativa, sincronia, espiritualidade, edição e locação.

3) Chico Salem “Só que Não”



O paulistano Chico Salem, de São Paulo (SP), membro da banda do Arnaldo Antunes há 20 anos, no dia 16/01 disponibilizou o videoclipe para “Só que Não”. Com direção de Tiago Soban o vídeo bem humorado, assim como sua letra, debocha explicitamente sobre “as conquistas” do atual governo federal.

Um clipe protesto com direito a nariz de palhaço, fake news de zap zap, facadas de circo, chapeiro americano, carteira verde e amarela, políticas (fracassadas) anti-crime, birutices de carvalho, terra plana, autoritarismo, desmatamento, alienação, roupas roupas e azuis, corrupção, bolsofilhos e libertinagem acabam entrando como elementos do riquíssimo roteiro, dramatização e figurino da produção audiovisual.

O elenco ainda reúne nomes de peso como Arnaldo Antunes, a drag queen Rita Von Hunty e uma equipe que contou com 150 voluntários. O músico afirma que a canção é  um grito preso na garganta de todos.

2) Livia Nery “Estranha Melodia”



Com muito surrealismo e universos paralelos, o videoclipe da Livia Nery, de Salvador (BA), chamou bastante a atenção por aqui. As paisagens nos levam para filmes cult e experimentais, com destaque para a produção, figurino, montagem, animação, coloração e fotografia. O vídeo é uma produção da equipe da Blitzkrieg Content.

1 Rita Zart “Linguagem”



A artista gaúcha Rita Zart, lançou o videoclipe para a música “Linguagem” no dia 06/02. Marcela Ilha Bordi assina o roteiro e direção do vídeo que exalta o erótico, o prazer e clímax. A peça audiovisual conta com fotografia de Edu Rabin, a Direção de Arte de Talita Menezes e o figurino de Juliana Franarin e Mariana Tostes.

“O clipe de “Linguagem” explora os indizíveis desejos, libidos e paixões que nos movem em contraponto à estruturas em que somos condicionados a viver nossas relações em todos os campos, para além do afetivo e sexual.

A letra é parceria com uma amiga que é psicanalista e faz poemas com separação de sílabas, a Beta Pires, com quem converso muito sobre o tema”, comenta Rita.

Sobre as referências, ela conta que a inspiração veio do livro Delta de Vênus, em que Anaïs Nin escrevia contos eróticos sob encomenda, e no poema “Exterior”, de Waly Salomão, que discorre eroticamente sobre possíveis limites impostos à poesia.

A tensão e o clímax no Videoclipe

“De um lado há a volúpia, o toque, o animalesco que se expressa na coreografia e no movimento dos corpos de Rita e dos dois bailarinos, Douglas Jung e Joana Selau, em uma performance que os rende andróginos e quase indistintos.

De outro, temos a direção de arte dramática, as peles cobertas por roupas e luvas, sugerindo a rigidez estrutural e imóvel das palavras, das regras e do modo de se relacionar, que é explorada nos quadros vivos estáticos, que paralisam o fluxo das trocas.”, comenta a diretora Marcela Ilha Bordi

“Marcela pode construir este contraponto entre a coreografia fluida dos corpos lindos, figurinos, cores e arte intensos em quadros parados que simulam pinturas vivas”, completa Rita. 

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Os Melhores Clipes do 1º Trimestre de 2020

A playlist oficial do post foi publicada diretamente no canal de Youtube oficial da m-v-f.
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