Quem conhece o Sandro sabe como seu pop é irreverente, cheio de piadas contextualizadas e trocadilhos. Tendo até recentemente lançado um feat com a Tuyo que ganhou um clipe que acabou entrando nas nossas listas mensais de videoclipes; “1989”.

Agora em plena quarentena, por conta do COVID-19, ao invés de fazer uma live no instagram, o cantor e compositor preparou uma surpresa para os fãs.

Para tirar do tédio de ficar em casa, ele lançou a coletânea Músicas que nunca seriam lançadas não fosse a quarentena; um compilado digital com músicas que estavam engavetadas em seus arquivos. O álbum, inclusive, já está disponível nas principais plataformas digitais.

O registro é um apanhado de sobras de estúdio, nu e cru, podemos observar os esqueletos de algumas canções. Algumas inacabadas e outras sem pós produção. As faixas foram produzidas entre 2016 e 2017 e diretamente do quarto do músico, de modo muito particular e experimental. São 13 faixas que se não fosse a quarentena provavelmente ficariam perdidas em seu PC.

“Num primeiro momento fiquei um pouco receoso em mostrar algo tão íntimo e inacabado, mas ao mesmo tempo me senti leve em mostrar as imperfeições e a verdade desse projeto. Tive o cuidado de nem remixar justamente pra não perder nada da essência original das músicas”, ele completa a respeito do estilo das gravações divulgadas.


Sandro Entrevista

SandroFoto Por: Manoel Andrade


Entrevista

Conversamos com o Sandro para entender mais sobre as motivações para lançar os B-Sides. No papo ele confidenciou mais sobre o experimento. Confira!

Conte mais como surgiu a ideia de levar ao mundo essas demos, takes, experimentações e versões extra oficiais durante a quarentena? Como foi se deparar com elas? Tem alguma que ficou com vergonha de liberar para geral?

Sandro: “Eu tenho um apego emocional muito grande com essas versões. Elas marcam o momento quando cheguei em SP, muitas delas eram para serem lançadas dessa forma. Quando pensei em montar esse disco de sobras a única coisa que passou pela minha cabeça foi: mostrar mais de mim e na forma mais crua possível. Não senti vergonha, receio talvez, mas sempre quis muito expor esse meu lado. A quarentena veio para me ajudar a colocar isso em prática.”

Você incentivaria aos fãs e amigos a reconstruir ou re-imaginar as versões?

Sandro: “Esse é o grande propósito do projeto, mostrar que a música é como uma fotografia: ela imprime o momento. Sendo assim, acredito que é uma outra forma de olhar pra música, enxergar novos horizontes e perceber as imperfeições que todos temos quando não passamos por alguns filtros.”

Muitas apresentam um lado ainda mais eletro e menos pop que o resultado das originais. Acredita que quem ouvir irá se deparar com outra versão do Sandro?

Sandro: “Sim. Essas versões são bem menos pretensiosas, tanto esteticamente quanto em termos de qualidade técnica. São esboços, rascunhos, que podem sim trazer coisas bem interessantes, mas que soam completamente diferente das versões finais, que são melhor acabadas e muito mais produzidas. Mas é claro que nada impede de quem ouvir se identificar mais com essas versões, eu acredito nisso!”

Em tempos de quarentena muitas gravações se centrarão em casa. De certa forma quis adiantar a tendência? Acha que este período pode render diversas parcerias e colaborações em projetos?

Sandro: “Na verdade, todas as músicas que lancei até agora foram feitas em casa, mas certamente não sou o pioneiro nisso (risos)… O grande lance dessas músicas divulgadas neste disco de sobras é que elas estão em fase de composição, inacabadas. E isso é muito mais determinante do que o fato de serem feitas em home estúdio. E sim, acredito que nesse momento muitos artistas vão buscar produzir mais e, consequentemente, encontrar novas parcerias. É o que eu tenho procurado fazer.”

Ouça Sandro no Spotify