No ano passado Tai Veroto perdeu o avô. Seu Renato, inclusive, ensinou ao neto o amor pela música e o mar. Sentimento difícil de lidar mas que rendeu uma belíssima homenagem unindo os universos que estreitaram ainda mais os seus lanços. Lidar com a perda de um ente querido tão próximo definitivamente tem o poder de transformar a maneira como enxergamos a vida.

Conseguimos ver a sua fragilidade, o seu encanto e como cada dia realmente importa. Se a nossa noção de tempo muitas vezes pode parecer acelerada, são as lembranças que fazem com que o nosso coração se nutra. Um dia de cada vez, uma brincadeira, um olhar, um gesto, uma frase, um conselho, uma lembrança. Ainda não sabemos quantificar o peso disso tudo isso mas a gratidão talvez seja uma das melhores formas de olhar para o que teve a oportunidade de viver. E que bom é poder usufruir da vida intensamente.

A nostalgia também é um sentimento que permite essa conexão. Por si só rebobinar fitas dentro da caixa preta cinzenta tem o poder de reviver situações e permitir-se ver a beleza dos pequenos momentos. Para homenagear o avô, Tai Veroto foi até a praia de São Vicente, no litoral de São Paulo, e gravou um vídeo mistura imagens de VHS da infância do cantor e trechos do presente.


Tai Veroto

Tai VerotoFoto: Reprodução Youtube


Tai Veroto “O Sal de Todo o Mar”

Natural de São Vicente (SP), Seu Renato, sempre carregava uma câmera VHS por onde quer que fosse. Registrava a infância de todos os netos e a relação com a família. Muito íntimo do mar, ensinou Tai Veroto a nadar e a amar a praia.

“Escrevi a canção um pouco antes de meu avô falecer. Sabe aquele misto de vontade de chorar e sorrir, por lembrar de tudo de bonito da pessoa que continua na gente?

A música fala sobre isso também. Num videoclipe bonito e reflexivo, revelo parte da minha intimidade para lembrar a todos das raízes que nos sustentam e da importância de prestarmos homenagem aos nossos antepassados.”, explica Tai Veroto.

O Videoclipe

Sobre o experimento da produção audiovisual o músico reflete:

“De um lado, na crueza das imagens VHS, temos uma homenagem ao passado. Do outro, numa calma manhã nublada na praia, uma homenagem ao presente e ao futuro moldados por esse homem do mar.”, define Tai.

O videoclipe tem direção, e fotografia, de Bárbara Lins e revela um lado sensível da intimidade do músico paulista. A faixa integra o álbum Vamos que conta com 8 faixas, mixado e masterizado por Gabriel Serapicos.

“Este clipe significa meu peito aberto. Acredito que neste novo trabalho eu alcance um outro grau de intimidade com o público. Faço isso na esperança de também abrir os peitos de quem assistir, para que a gente possa chorar sorrindo juntos.”, convida Tai.

A sensibilidade do clipe está justamente na conversa da faixa com a sequência do vídeo, misturando o hoje com o ontem de uma forma plena e contemplativa. As marolas do mar nos passam a sensação semiótica de observar o choro por um tempo que infelizmente não volta mais.

A balada da gratidão se embala por versos que relembram das passagens e do aprendizado acumulado. A fotografia no take solo que se funde a um dia nublado passa a sensação de paz espiritual; ao mesmo tempo que deixa um desconforto natural ao espectador.

O choque das idas ao mar, das imagens em VHS com as digitalizadas atuais, mostram que tudo mudou mas algo de bom ficou pelo caminho. A peça audiovisual finaliza com a falsa sensação de calmaria das águas do mar…mas que de certa forma traz consigo o reconforto, e gratidão, pelas boas memórias.



Ouça: Vamos (2019)