Quem canta é a madeira. Kiko Dinucci, compositor, instrumentista, artista plástico, uma das cabeças do Metá Metá e tantas outras produções como Jards Macalé e Elza Soares, acaba de lançar seu novo disco intitulado “Rastilho“.

Inspirado em sambas de roda e cantos de terreiro. O violão se sobrepõe em toda a obra. Todas as vozes e todas as letras. O violão oras agressivo oras lírico soa perfeito e moderno, no compasse necessário que o disco pede. Prova que a sequência de seu primeiro álbum Cortes Curtos (2017) mantém o nível criativo e conceitual, trazendo novas fórmulas ao seu inquieto autor.

Kiko Dinucci: Rastilho (2020)


Kiko Dinucci

Kiko DinucciFoto Por: Fabio Piva


Produzido e gravado em um intervalo de dois meses, conta com grandes participações de Juçara Marçal (“Gaba”), Rodrigo Ogi (“Veneno”) e Ava Rocha (“Dadá”), com apoio nas vozes de Dulce Monteiro, Maraísa e Gracinha Menezes. São esses os componentes finais para coesão do disco.

“Vida mansa”, por sua vez é uma canção composta pela dupla José Batista e Norival Reis em 1955 e lançada na voz do cantor Cyro Monteiro. O cinema também acaba ecoando no álbum do artista de alma punk, ele citou recentemente em entrevista para Alexandre Matias que até mesmo a trilha de um filme do Glauber Rocha entrou no campo das influências. O músico ainda revelou ter saudades do violão – já que Cortes Curtos (2017) foi gravado no formato power trio.

Rastilho nos apresenta como seria um disco cantado por Baden Powell. Celebra orixás, e contém escritas em iorubá como a estrofe-saudação no single “Olodé” (Olodé, Odé Lonan, Odé Asiwaju).

Faixa a faixa, o disco vai provando que sua grandeza é digna de um afrosambas de nossa geração. Encerra com a faixa-título “Rastilho”, e suas referências ao atual cenário político que vivemos. É o ápice de um dos discos que integrará muitas listas de fim de ano.