Dois anos após lançar Mamba, Sammliz tem planos de disponibilizar em 2020 um novo EP. O lançamento acontecerá logo após o carnaval. Leviatã Lux chegará ao mundo mostrando novos caminhos, estética e proposta sonora.

Por aqui quem acompanha o Hits Perdidos pôde ver o clipe de “Quando Chegar o Amanhã” ganhar destaque como um dos Melhores Clipes do Ano em 2017.

Já em 2018 ela participou da coletânea A 300 Km/h – Tributo Aos Autoramas com a missão de regravar a faixa título (Ouça Aqui); a coletânea inclusive recebeu recentemente o Prêmio Gabriel Thomaz de Música Brasileira na categoria “Sou Suspeito”. A premiação aconteceu dentro da programação da SIM São Paulo.

A paraense que nacionalmente ficou conhecida por seu trabalho ao lado do grupo Madame Saatan revela em sua carreira solo um lado mais pop mas ao mesmo tempo bastante confessional e marcante.

O Momento

Se no primeiro disco ela trouxe guitarras misturadas aos ritmos locais, o single “Leviatã Lux” já revela uma outra abordagem. Flertando com a synthwave e o dark do post-punk mas sem deixar de ser pop ou perder seu carisma e identidade.

Acho também que ir instintivamente em direção ao pop, ainda com um quê de sombrio, e o que você observa fazer parte de meus traços característicos, era o que eu precisava para ter mais possibilidades, mobilidade. Nuances.

Não consigo me imaginar dentro de uma fórmula hermética para produzir som. Tive a sorte de encontrar no Mateus um parceiro que me possibilitou explorar outras facetas que queriam muito se mostrar. Eu tinha coisas duras para falar mas queria uma cama dançante, sexy e até um pouco debochada para cantar em cima.”, conta Sammliz

A artista revela ainda em entrevista exclusiva para o Hits Perdidos que o resultado da experimentação e alinhamento com a proposta que gostaria só foi possível graças a parceria com o produtor Mateus Estrela (STRR). Ela gravou o registro ao lado dos músicos Mateus Silva (guitarra) e Leo Chaves (baixo), com quem colaborou também pela primeira vez.

“Uma das coisas que mais gosto da música eletrônica é poder experimentar e ser criativo de uma forma muito prática e inovadora, muito rápida. Dá uma liberdade muito grande”, comenta Mateus

Referências da Nova Fase

Dentro do campo de referências que passeiam por gêneros como post-punk, eletrônica e R&B ela cita artistas do calibre de PJ Harvey, Fiona AppleSt.Vincent, Charlotte Gainsbourg, Siouxsie e Anna Calvi, antigas e novas influências na formação da artista, assim como Portishead, New Order, GrimesLorde e Flume.


Sammliz Leviatã Lux

O clipe “Leviatã Lux” – Foto: Reprodução


Premiere: Sammliz “Leviatã Lux”

Hoje em Premiere no Hits Perdidos ela disponibiliza o videoclipe para “Leviatã Lux”. Este que vem de um sonho antigo de Sammliz de fazer um clipe homenageando a Monga.

“Já havia falado sobre usar essa mística da mulher gorila em algum trabalho, com Adrianna Oliveira, que fez dois clipes meus e com quem tenho muita afinidade, e eis que um belo dia chega um circo em Belém, onde uma das atrações era um gorila mecanizado de 12 metros de altura que emulava o clássico King Kong. Que tal?

Pilhei minha amiga diretora e botamos na cabeça que iríamos gravar com o macaco de qualquer jeito para alguma coisa que ainda não sabíamos ao certo.”, relembra Sammliz

A história de uma mulher comum que dá a volta por cima após passar por uma tormenta acaba entrando no enredo do clipe dirigido por Adrianna de Oliveira e que conta com direção de fotografia de Matheus Almeida.

As imagens de um tempão atrás encontraram o destino, o conceito da mulher comum, vulnerável, mas enaltecida quando vira fera. Temida, mas que ninguém tem ideia do que aconteceu com ela até que virasse o jogo. A nossa mulher gorila, a nossa Monga.”, conta a paraense



O processo do clipe durou quase 2 anos e só foi possível graças a parceria com o circo itinerante Khronos que estava de passagem por Belém. Eles puderam filmar com um macaco robótico de aproximadamente 10 metros que inspirou a criação de um vídeo que falasse sobre transformação.

O amor e as experiências dolorosas traduzidas nos versos da canção acabam ganhando os holofotes em uma atuação que dialoga com a personagem da Monga.

Fotografia & Trama

A fotografia, coloração e as luzes acabam por sua vez enchendo a tela e colaboram para o impacto da produção audiovisual. O suspense e o drama ganham contornos em sua narrativa que vai ambientando o espectador ao cenário aos poucos.

O aspecto de cada cena poder virar uma fotografia é presente, do choro de sangue ao intenso jogo de luzes. Plástico e aos poucos adicionando elementos que culminam na guinada da personagem. A dança antes triste ganha energia e confiança – tanto que isso se reflete nos traços de confiança estampados na face de Sammliz durante sua performance.

Se empodera de tal forma que de tão forte não teme as garras do Gorila por mais assustador que ele pareça. Um roteiro que mostra a força da transformação e de como a vida pode dar voltas. Nada como um dia após o outro. Nada como uma nova história de amor para fazer tudo voltar a ter sentido na vida. Superação.

Entrevista

Conversamos com a Sammliz para saber mais sobre o momento, planos, mudanças e o futuro do projeto que volta a ativa após uma pausa.

Dois anos se passaram do intenso e vibrante Mamba, conte mais sobre como foi o processo de construção e imersão que em breve poderemos conferir em Leviatã Lux. 

Sammliz: “Depois do Mamba, fiz uma pequena tour; um ano depois, produzi outro single e, de repente, pá! Quebrei emocionalmente. Aí encerrei, não sei se antes da hora o ciclo do Mamba que ainda estava rendendo, o fato é que saí de cena total e fui tomar conta da vida de uma outra forma.

Naquele momento, eu não queria, não conseguia nada daquilo e isso durou muito tempo até que sentisse de novo vontade de escrever, compor. Aos poucos fui voltando e ao longo de um ano trabalhei sozinha em casa, montando umas bases toscas mesmo, buscando uma outra maneira de produzir. Mesmo ainda afastada, eu estava por dentro de quem estava fazendo o quê na cidade e aí estava o Mateus (STRR).

Eu não queria trabalhar com ninguém com quem já havia trabalhado e quando ouvi as produções dele, soube na hora que era com quem eu queria trabalhar. Ele é de outra geração, tem outras referências, todo um frescor novo e eu queria muito isso. Assim foi. Procurei, o hoje meu querido amigo, e tudo rolou rapidamente. A química rolou, ele entendeu exatamente o que eu queria falar e como queria que soasse tudo.”

Aliás o lado eletrônico e o íntimo já reverberam nesta primeira faixa bastante confessional, conte mais sobre a composição e a estética deste novo trabalho. 

Sammliz: “Há um tempo vinha pensando no papel da guitarra em meus trabalhos porque ela sempre foi a protagonista, e andei experimentando, meio que timidamente, o eletrônico e o pop.

Quando produzi o último single, “Deusa da Lua (Mulher Perigosa)”, de fato estava de saco cheio do combo guitarra, bateria, baixo, e o que passou a me estimular foi quando entrei em outro modo de produção, que não se baseasse em cima de acordes e riffs.

Comecei a criar melodias em cima de bases, que eu fuçava ou mesmo fazia, e isso era porque precisava mesmo de uma outra forma de estímulos e que fizesse sentido com esse outro momento da minha vida. Todos meus trabalhos são confessionais, falam do ao redor, mas esse certamente é o mais íntimo e delicado, no sentido de saber claramente que ele foi mesmo necessário pra mim. Terapêutico.

Acho também que ir instintivamente em direção ao pop, ainda com um quê de sombrio, e o que você observa fazer parte de meus traços característicos, era o que eu precisava para ter mais possibilidades, mobilidade. Nuances.

Não consigo me imaginar dentro de uma fórmula hermética para produzir som. Tive a sorte de encontrar no Mateus um parceiro que me possibilitou explorar outras facetas que queriam muito se mostrar. Eu tinha coisas duras para falar mas queria uma cama dançante, sexy e até um pouco debochada para cantar em cima.”


Sammliz

SammlizFoto Por: Tereza e Aryanne


Seus videoclipes sempre são caprichosos e valorizam bastante o lado místico, quais foram as referências que trouxeram para esta peça audiovisual?

Sammliz: “Esse clipe é uma história doida que começou há dois anos. Eu sempre tive um frisson na Monga, achava aquela mulher virando bicho algo extraordinário quando ia criança em parques de diversão, principalmente aqueles caindo aos pedaços do interior do Pará.

Já havia falado sobre usar essa mística da mulher gorila em algum trabalho, com Adrianna Oliveira, que fez dois clipes meus e com quem tenho muita afinidade, e eis que um belo dia chega um circo em Belém, onde uma das atrações era um gorila mecanizado de 12 metros de altura que emulava o clássico King Kong. Que tal?

Pilhei minha amiga diretora e botamos na cabeça que iríamos gravar com o macaco de qualquer jeito para alguma coisa que ainda não sabíamos ao certo. Muita coisa rolou nesse meio tempo para ambas e tudo fez sentido quando produzi esse novo trabalho e deu o estalo do clipe.

As imagens de um tempão atrás encontraram o destino, o conceito da mulher comum, vulnerável, mas enaltecida quando vira fera. Temida, mas que ninguém tem ideia do que aconteceu com ela até que virasse o jogo. A nossa mulher gorila, a nossa Monga.

Esse novo ser, forte e renascido, mas que também é uma das facetas daquela vulnerável. O filme Possessão, de Andrzej Zulawski, é também uma das referências para este vídeo.” 

Agora com o novo EP quais os planos? Depois do festival podemos esperar uma turnê? Como observa este novo momento e como tem sido a resposta com o single?

Sammliz: “Farei os corres para que role uma circulação, com certeza. Felizona de voltar a tocar, finalmente com aquela vontade louca de estar na missão. A resposta ao single tem sido ótima, tô achando lindo.

Essa coisa de falar sobre estar despedaçado, redenção, enfim, acaba que encontra eco em muita gente e tem sido muito legal receber comentários de pessoas que se veem na letra e na história contada.”

Ouça Leviatã Lux



Psica Festival

No domingo (22.12) Sammliz retorna aos palcos para dar o pontapé inicial das divulgações do novo EP. Em sua banda ela contará com  STRR (programações e bases), Junior Feitosa (bateria), Leo Chaves (baixo) e Rubens Guilhon (guitarra).

O show que acontecerá dentro do Psica Festival contará em seu repertório com músicas do álbum Mamba (2016), o single “Deusa da Lua”, além das novas “Leviatã Lux”, “Incendeia” e “Irmã”.