Muito tempo antes de Vulcão pude conhecer o trabalho dos sergipanos do The Baggios. Algo que sempre notei foi em relação a contextualização de suas obras com o mundo atual, o que acabou crescendo a cada novo trabalho.

A primeira vez que ouvi o disco de estreia do The Baggios, de 2011, me surpreendi justamente por dar uma nova vida ao blues. Trazendo ritmos um tanto quanto calientes – e tropicais – para somar no caldeirão dos sergipanos.

A Solidificação e Abrangência

Com o passar do tempo a expectativa foi se solidificando com os álbuns Sina (2013) e o excelente Brutown (2016). O grande prêmio pelos 15 anos de estrada do agora trio, antes duo, foi ser em 2017 contemplado pelo edital da Natura Musical.

Vulcão, lançado no ano passado, conta com novas referências e texturas pesquisadas pelo guitarrista, Julio Andrade, ao longo dos últimos anos.

Reunindo parcerias com artistas do calibre de Céu e Baianasystem, o disco foi um dos grandes álbuns de 2018. Dentre as inspirações por trás do álbum encontramos: música do norte da África, rock psicodélico da Turquia, música oriental e compositores nordestinos da década de 70.

Vulcão em Erupção


Vulcão The Baggios

The BaggiosFoto: Divulgação


“O quarto disco do The Baggios, de São Cristovão (SE), chega não apenas para consolidar a carreira do trio mas para mostrar como a música brasileira vive em constante mutação.Como nossa ancestralidade passeia por uma diversidade de ritmos, frequências e discursos.
Por isso carrega elementos do Blues, Stoner, Afrobeat, Soul, Psicodelia, música oriental e folk para dentro do caldeirão. Seu discurso clama por empatia, respeito a diversidade, religiosidade e serve como um alerta para os perigos do futuro.”O trecho da resenha de Vulcão no Hits Perdidos continua a ser forte a cada peça audiovisual apresentada para promoção do lançamento. Seu discurso por emancipação das mazelas – e correntes – da vida urbana acabou por si só ganhando novos capítulos.

Colhendo Frutos

Após descobrirem que estavam indicados ao Grammy Latino, o The Baggios voltou para a cidade de Itabaiana (BA), local onde realizaram o photoshoot das fotos promocionais do registro para filmar uma verdadeira odisseia.

“A odisseia de um ser que já cansado da brutalidade da vida urbana, busca refúgio na mata. É ideia de se libertar das amarras e se perder para se encontrar.” – conta Julio

Não bastasse o clipe que foi dirigido pelo próprio músico ser “quebrado” em duas partes, “Bem-te-vi” e “Vulcão”, a produção poética chegou ainda mais longe. Hoje eles foram oficialmente confirmados como finalistas da votação popular do M-V-F Festival 2019.

Para comemorar eles presenteiam os fãs em Premiere no Hits Perdidos com o mágico vídeo para “Vulcão”, que encerra a epopeia se libertando das amarras da selva de concreto.



Conceito e simbolismos

Julio: “A história que começou com o clipe de “Bem-te-vi” e encerra agora com “Vulcão. É a odisseia de um ser que já cansado da brutalidade da vida urbana, busca refúgio na mata. É ideia de se libertar das amarras e se perder para se encontrar.

No caminho, um mergulho no existencialismo e autoconhecimento, o despertar espiritual, a busca da essência e a importância do amor. Fala da impermanência, de encarar os demônios para enfim encontrar uma paz, das feridas e nós que a ganância e vaidade do ser deixa na sociedade, mas também fala do amparo, do reencontro com seu eu maior, da dualidade do ser e do enlameado caminho da busca de um mundo melhor.

Na primeira parte dessa história (Bem-te-vi) o elemento do “Ar” que predomina. A leveza do tecido flutuando diz muito sobre desapego e transição.

Nessa segunda parte da história vem a força da “Água”, “Terra” e o “Fogo”, um momento de encontro e revelações, um mergulho no íntimo de uma até então utópica realidade.”

Nascimento da Música

Julio: “A música “Vulcão” começou a ser feita no quarto de hotel em Goiânia em 2017 durante a turnê do álbum Brutown. Andava escutando muito Alceu Valença, Zé Ramalho e Arnaud Rodrigues e queria muito trazer aquele universo do cancioneiro e da viola para a música dos Baggios.

Os primeiros versos vieram como uma chama, assim como os primeiros riffs que fui desenhando na minha cabeça entre uma viagem e outra. No final da sequência de 8 shows já tinha um esboço do que viria a ser o fio condutor do próximo álbum da banda.

Uma música que idealiza uma paixão antiga pela vida no campo, e traz a tona uma lembrança muito viva da minha infância em São Cristóvão e de alguma maneira um caminho para se desligar de Brutown.”


Vulcão Baggios

“Vulcão” finaliza a epopeia que se inicia em “Bem-te-vi” faixa que tem a participação da cantora CéuFoto: Reprodução Youtube


As Locações

Julio: “O clipe foi rodado em Lençóis (BA) e Itabaiana (SE). O curioso é que quando estávamos chegando na serra da Itabaiana para a primeira diária de Vulcão fomos surpreendidos com a mensagem que o álbum foi indicado ao Grammy Latino.

Depois que recebemos não tivemos mais contato com ninguém porque não pega sinal na serra, e gravamos o clipe ainda sob o efeito da alegria da notícia.

Foram dois dias incríveis de gravação. Já em Lençóis – onde gravamos “Bem-te-vi” e trecho de “Vulcão” – foi escolhido por ser o lugar que tiramos as primeiras fotos promocionais e onde geramos a capa do álbum.”

Ouça Vulcão