Marble Arch, assim como o famoso arco do triunfo localizado próximo ao Hyde Park, na chuvosa Londres. É este nome que o parisiense Yann Le Razavet batizou seu projeto que recentemente chegou ao seu segundo disco.

Em algum lugar perdido entre o dream pop, shoegaze e pop. Ele inclusive não gosta muito de colocar em caixinhas o som do grupo e prefere rótulos para cada uma das canções.

Chamando ora de pop nostálgico, ora pop reverberante, ora pop saturado, ora pop sintético, ora pop contemplativo. Paranóia esta que faz com que você dê o play!

Yann ficou conhecido pelo Saint-Laurent Paris Sessions, projeto da designer Hedi Slimane, na qual em 2015 fotografou bandas do cenário musical francês. Entre elas o Marble Arch, La Femme e, a queridinha, Melody’s Echo Chamber.

Mas antes de ser tornar um rosto conhecido, ele já vinha lançando discos com uma proposta pop. Em 2014 foi a vez de The Bloom Of Division, este que explorava uma estética bastante orgânica, uma espécie de o que hoje ficou conhecido como bedroom pop.


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Marble ArchFoto Por: Njpnlgeehicdklle


O Segundo Álbum

Em março foi a vez de Children of the Slump ganhar vida. O registro foi disponibilizado através do selo francês, Geographie – co-fundado por Nicolas Jublot (Point Éphémère, Hello Acapulco) e Rémi Laffitte (Atelier Ciseaux).

Um álbum que ao longo de seus 44 minutos revela diferentes facetas. Das mais distópicas, passando por momentos lombrantes mas também reservando alguns momentos contemplativos.

O Marble Arch sabe envolver e seduzir o ouvinte através de tempos ora dançantes, ora nostálgicos, ora intimistas, ora paranóicos. Revelando distintas identidades e complexidades a cada faixa.

A Premiere

Hoje eles escolheram o Hits Perdidos para realizar a Premiere brasileira do videoclipe. O vídeo com estética um tanto quanto delicada contou com a direção de Jeanne Lula Chauveau e a participação das atrizes Kériane Nouguier e Sara Étienne.

Segundo a banda a letra retrata as fobias de Sacha e suas manobras para evitá-las.

“Queríamos mostrar o que se passa pelo corpo quando precisamos administrar esse tipo de emoção e evocar os rituais dessa jovem para criar um espaço tranquilizador: um certo gesto, repetido, em um espaço conhecido e íntimo.”

O Conceito

“Backpacking fears, with glitter on”

“Ao obscurecer deliberadamente as linhas entre real e imaginário, criamos o videoclipe como um convite para deixar entrar (o outro, a emoção – deixamos aqui a interpretação aberta) em seu espaço íntimo, para atravessar o desconfortável e dar uma nova perspectiva.”

“Time to run, show your colors”

Eles ainda filosofam para comentar mais sobre o lado misterioso da faixa. Mostrando o poder do encontro entre a música e o cinema. Sinestesia!

“O medo, uma vez bem-vindo, torna-se uma porta de entrada para novas possibilidades de ser e sentir. Permite explorar um novo espaço, colorido, alegre, livre e libertador através do corpo, que se torna uma ferramenta de expressão e emancipação.”



As luzes da noite, os filtros e a sensibilidade ao criar a narrativa ganham espaço na produção audiovisual. O contraste entre o vermelho e as luzes azuis dão o choque e mantém a tensão no ar. O íntimo, a tentação, o arriscado e o desconhecido ganham asas na imaginação de quem assiste.

O sexo está nas entrelinhas, entre a laranja sendo tocada, o copo de leite derramando, a surpresa, a tensão na troca de olhares, a sedução no pole dance e o prazer sem limites.

O explorar e o imaginário cruzam barreiras e o limite está apenas sob as lentes do espectador. Que através de metáforas, como o parque de diversões, releva o prazer de se libertar.

O vídeo cruza o limite entre o real e o imaginário fazendo com que fique difícil distinguir o que realmente aconteceu e o que é apenas um desejo circunstancial. Entre delírios e suspiros, ele encanta por sua plasticidade e inteligência de sua perspicaz, e delicada, narrativa.

Ouça Marble Arch