Ema Stoned transforma session gravada em conjunto com o guitarrista do Acid Mothers Temple e Yantra em álbum

As vezes a vida possibilita encontros únicos. Tão únicos que deixar de registrar muitas vezes os transformam em apenas uma lenda. Para nossa sorte um destes momentos não passou batido, ufa!

Durante a vida da lendária banda japonesa Acid Mothers Temple para o Brasil, o produtor Carlo Bruno Montalvão fez a ponte com a Ema Stoned possibilitando o encontro com o guitarrista Makoto Kawabata.

Para este momento ímpar, a banda paulistana fez o convite para que o amigo Douglas Leal (Deaf Kids / Yantra) participasse da live session experimental que aconteceu no Estúdio El Rocha.

O resultado agradou tanto a Ema que elas optaram também por transformar o SET em um álbum visual e foi disponibilizado nos streamings no fim do mês de Março. O registro teve gravação realizada por Fernando Sanches (El Rocha) e mixagem feita por Alexandre Zastrás no Zastrás Sound Ideas.

Já a masterização é assinada por ninguém menos do que Andy Jackson – indicado 3 vezes ao Grammy por seu trabalho junto ao Pink Floyd – no Tube Mastering, em Surrey (UK).


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Ema Stoned, Douglas Leal e Makoto Kawabata (Acid Mothers Temple) – Foto Por: Oswaldo Corneti

Ema Stoned – Phenomena (21/03/2019)

O disco que saiu pelo selo independente PWR Records, conta com 6 faixas, e ganhou um conteúdo visual produzido por Capitão Ahab. A produção ficou por conta da baterista Jéssica Fulganio (também responsável pela identidade visual e conceitual do disco).

Jéssica que se despede da banda 7 anos após ter fundado a Ema Stoned junto da ex-integrante Sabine Holler. A baterista que também toca na Dolphins On Drugs, e escreveu o livro “Na penumbra do rock – a imprensa e o espetáculo da morte
de Kurt Cobain” (2016) – lançado na Bienal do Livro de São Paulo – a partir de agora vai se dedicar a outros projetos.

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Entrevista

Para entender mais sobre o conceito do álbum, desafios, mudanças e transformações da Ema Stoned, conversamos com a banda. Leia enquanto aprecia o novo disco.

[Hits Perdidos] Minha primeira reação quando vi o tempo de duração do álbum foi “OK, elas se superaram” e exageraram. Mas ouvindo a brisa foi exatamente outra, coloquei para ouvir enquanto arrumava algumas coisas em casa e fui sendo levado feito uma valsa.

Contem mais sobre a proposta inicial de transformar essa live session de improviso em um álbum cheio.

Jéssica: “Essa sessão gravada pelo Fernando Sanches no El Rocha gerou poucos menos de 2 horas de material bruto, o que nos proporcionaria diversas maneiras de se pensar na forma de utilização para um “produto” final.

Ouvindo incessantemente esse bruto imediatamente considerei um álbum inteiro. A meu ver não faria sentido construir uma narrativa fracionada, ou seja, pinçar só determinadas passagens da sessão.

Na verdade, o disco está disposto na ordem exata que foi executado da track 1 à 6. As sobras do bruto recaem em noises e loucuras extras (risos). Queria proporcionar ao ouvinte de certa forma um pouco da experiência desse encontro surreal no formato que ocorreu.

Cada um daqueles micro-momentos (transformados em tracks) constituía por si só um episódio à parte. Por isso inclusive o nome do álbum, Phenomena; o plural em inglês para fenômeno (phenomenon) que se caracteriza justamente por ser um evento raro e significativo. Essa reunião única trouxe vivências fortes o suficiente para dividirmos com o mundo.”

[Hits Perdidos] Aliás de onde veio essa história de trabalhar com o lendário guitarrista da banda japonesa Acid Mothers Temple, Makoto Kawabata, e Yantra (do Douglas da DEAF KIDS)? Como foi o contato, preparativos para este momento e como foi a oportunidade de colaborar com outros artistas?

Jéssica: “O projeto para uma sessão de improviso com o Makoto veio como um adicional ao convite de abrirmos o show dele na Casa do Mancha. Toquei esse projeto com o Bruno Montalvão da Brain Productions que na ocasião estava trazendo o Acid Mothers Temple ao Brasil. Nós pensamos em aproveitar essa “invasão nipônica” da melhor forma possível.

Como ambos somos muito fãs do AMT e do Mestre Makoto seria não somente a oportunidade de realizarmos um projeto diferenciado mas acima de tudo com valor agregado. Encabecei a produção do disco e o Bruno lidera a produção do documentário desse encontro.

Estruturando o projeto, meu companheiro Theo (meu parceiro de vida e de música na Dolphins on Drugs) relacionou instantaneamente ao Yantra. Douglas é um amigo nosso muito querido e possui multifacetas.

Gostamos demais de Deaf Kids mas o Yantra apresentava um outro aspecto e esse approach conversava direto com a proposta musical que idealizei. Trouxe ele pro estúdio afim de apresentá-lo para as outras meninas da Ema e mostrar alguns pontos intersecção que gostaria de trabalhar. Instantes depois seguimos para o El Rocha para encontrar o Makoto.

No que tange o aspecto criativo, é indescritível o sentimento de tocar com pessoas que você admira. AMT e o Makoto são grande pilares musicais que fizeram e fazem parte da minha vida assim como da do Douglas, por exemplo. Nem no nosso sonho mais maluco algo assim poderia acontecer (risos).

Tocar com essa galera foi um prazer enorme, e produzir esse disco tanto na parte artística, conceitual e visual foi meu modo de agradecer por esse presente que eles me deram junto com o Bruno e também me despedir da Ema Stoned depois de 7 anos de estrada. Sabine Holler e eu fundamos a banda em 2011 e depois da saída dela ali em 2013/14 encabecei 90% das produções da banda. Foram anos divertidos e de aprendizado mas agora é chagada a hora de novos voos.”


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O encontro aconteceu no Estúdio El Rocha. – Foto Por: Oswaldo Corneti

[Hits Perdidos] Detalhes não faltam para este lançamento, quando tiveram a certeza que o Andy Jackson seria o cara perfeito para masterizar o trabalho e como foi o processo de mixagem e divisão das faixas? “Act 2” por exemplo chega a quase 30 minutos de canção (risos)

Jéssica: “O processo de mixagem foi feito com o Alexandre Pereira no Estúdio Zastrás. Como trabalhamos juntos em Proxima b e o Ale além de muito talentoso, é um cara que assimila e respeita minhas peculiaridades, ele conseguiu absorver bem as doideiras que propus dada a capilaridade de canais, instrumentos, requests, etc…

Quando cheguei pra ele com o corte das tracks, avisei de antemão: “ó, a segunda track tem quase meia hora hein? Vai ser punk.” O Ale riu e encarou o desafio de coração e mente abertos. É realmente um cara diferenciado.

A sugestão do Andy Jackson veio de outro ídolo meu, Fábio Golfetti (frontman do Violeta de Outono). Com sua sensibilidade e generosidade ele percebeu que o Andy teria um fit perfeito com o que buscava e dali em diante a coisa virou rapidamente. É uma honra gigante reunir um time desse calibre.”

[Hits Perdidos] Foram 2 anos de turnês e intercâmbios com bandas estrangeiras, como acreditam que isso acabou influenciando na sonoridade? Foi um álbum já pensado para ser visual? Aliás como observam essa possibilidade do Youtube e conceito visual como principal plataforma de distribuição do trabalho?

Jéssica: “A vivência de turnês impacta cada pessoa à seu modo, mas certamente esse intercâmbio é força motriz de geração criativa. Bandas instrumentais podem e devem se valer do conceito visual para se mostrarem mais “absorvíveis” num conceito genérico mais amplo. Nossos álbuns sempre contaram com apenas um clipe. O formato das músicas era mais curto e vivíamos outra realidade. Em Proxima b comecei a exercitar a idéia de termos tracks mais longas e a Letícia ao ouvir o Phenomena pensou: “mas isso aqui dava um filme!”

[Hits Perdidos] Sabemos que por mais que seja instrumental, existem mensagens ali para serem sentidas e é algo bastante pessoal. Mas para vocês quais cenários e narrativas imaginam para esta good trip? Qual recado que dariam para quem for ouvir o álbum?

Ale & Elke: “Acho que pode ser um choque de energias canalizadas de diferentes lugares do cosmos numa grande tempestade de areia que por vezes se congela. Mas cada um deve achar sua narrativa. Sugerimos escutar o álbum do começo ao fim.”

[Hits Perdidos] Vocês têm planos de fazer um grande show de lançamento? Como observam o futuro da Ema Stoned e os próximos passos a serem tomados dentro da carreira?

Ale & Elke: “Esse disco foi pensado como um evento único, o registro de um encontro musical, então não há intenção em transformá-lo num show. Pode ser que revistemos algumas das músicas, mas assim como o disco, serão únicas, não reproduções. Até porque somos dois quintos desse encontro!

Em relação à Ema Stoned, novamente estamos passando por um momento de reestruturação, reavaliação e renovação. Mas, como esses momentos sempre abriram portas para nós acreditamos que em breve vem coisa boa por aí!”

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