[Premiere] A Olívia comemora Ano Novo fora de época em vídeo para “Passar em Branco”

O tédio move montanhas. Poderia até ser um provérbio chinês mas é apenas um atestado de um jovem e anônimo escritor. A ira também pode ser transformadora, e aliada ao ócio, pode por sua vez servir de inspiração. E foi esse o caso de “Passar em Branco”.

O tom bege da vida mundana ganhou tons mais alegres e uma história cheia de percalços no bem humorado videoclipe para o novo single da banda paulistana A Olívia. A rotina e trabalhar com o que não acredita (ou sequer gosta) serve de combustível na canção que “inventa um ano novo” para ser feliz.

A gente quis imprimir uma mensagem alegre que superasse o tom bege do trabalho e da rotina. A melancolia consegue ser muito convidativa, então é preciso ter coragem e mais vibrar com as possibilidades do que lamentar o presente. Não tá proibido passar de branco não, o que não rola é deixar passar”, brinca o cantor e compositor Luis Vidal.

Os paulistas agora contam também com Pedro Lauletta (Teclado/Percussão) na formação. Além dele, o agora quinteto conta com Luis Vidal (Voz/Guitarra), Mateus Albino (Guitarra), Murilo Fedele (Bateria) e João Carvalho (Baixo).

Em 2017 veio ao mundo o álbum de estreia, Jardineiros de Concreto, este que conta segundo os músicos com influência de The Clash, Rolling Stones, Titãs, Skank, Blur, Weezer. O que por sua vez pode ser um norte para você entender a sonoridade de um conjunto que alia piadas, crônicas do dia-a-dia a metáforas, e flerta com o rock e o pop.


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A Olívia durante as gravações de seu novo videoclipe. – Foto Por: Diogo Pacífico

O Videoclipe

Nesta quarta-feira (20/04) A Olívia volta a dar as caras com o primeiro single de seu novo álbum. Ainda sem nome mas que já conta com uma história daquelas! A ideia para o videoclipe de ” passar em branco veio antes mesmo da can estar finalizada.>”Quando a ideia do clipe surgiu, a música ainda não estava nem pronta.

Pode parecer um prazo razoável falar que a gente fez esse projeto em 3 meses, mas, cara, arranjar, gravar, finalizar, aí depois escrever roteiro, produzir, se reunir, fechar, filmar, editar e etc… considerando que todos da banda têm outros trabalhos e mil projetos paralelos, é bastante intenso.”, contam os integrantes

Para a direção do vídeo foi convocado Diogo Pacifico que já trabalhou com eles na produção audiovisual anterior, “Não Me Leve a Mal”. Parceria esta que casou bem já que se sentiram alinhados com seus métodos não ortodoxos de trabalho, desta forma se sentiram em casa para ajudar a co-criar a peça.

“A gente da risada e troca figurinha o tempo inteiro. Então quando mostramos a música pra ele, já começaram a vir umas ideias de brainstorm. É a parte mais divertida do processo.

Aí a gente pensou em locações possíveis, cogitamos ir pra uma praia de fato, percebemos que não tínhamos nem verba nem tempo e fomos adaptando até chegar nessa viagem de ano fora de época e lugar.”, relembra a banda

A solução realmente em tirar sarro de todo o caos contribuiu para que o registro ganhasse novos caminhos e possibilidades.

Dizem que é da dificuldade que saem as melhores ideias, certo? Foi bem por aí.

E não é muito difícil se identificar com a situação de uma viagem onde “tudo deu errado” mas ao menos se encontra rodeado de seus melhores amigos.



Diogo assina a direção, e também, a edição do vídeo. A correção de cor e finalização ficaram à cargo de Luisa Neves, já Natalia Guissoni fez a direção de arte. Além disso, a escultura para máscara de ceral foi elaborada por Dan Marc e o vídeo, além da atuação da banda, conta com a participação de Renan Pinheiro.

Entrevista

Conversamos com A Olívia para entender mais sobre esta nova fase, sua vivência no independente paulistano e próximos passos a serem dados.

[Hits Perdidos] O termo “Passar em Branco” pode nos remeter tanto ao esquecimento, como a renovação, como simplesmente passar o ano novo em branco. Como também, por sua vez, simbolizar um processo mais profundo de reestruturação. Se formos observar morfologicamente e metaforicamente é bastante rico.

Quão simbólico para vocês é dar este primeiro passo com este primeiro single do novo trabalho?

A Olívia: “A sensação de que o tempo voa parece que só vai aumentando. Pra gente esse passo é bastante simbólico no sentido que a gente provou que conseguimos nos desafiar. O que fizemos foi realmente jogar a bola la pra frente e correr atras. Quando a ideia do clipe surgiu, a música ainda não estava nem pronta.

Pode parecer um prazo razoável falar que a gente fez esse projeto em 3 meses, mas, cara, arranjar, gravar, finalizar, aí depois escrever roteiro, produzir, se reunir, fechar, filmar, editar e etc… considerando que todos da banda têm outros trabalhos e mil projetos paralelos, é bastante intenso.

Fazemos tudo independentemente. Então as pessoas que nos ajudam, os amigos, os fãs que seguem nas redes e mandam uma mensagem, isso tudo é muito importante..

Galera pedindo coisa nova e a gente dando nossos pulos pra conseguir entregar. Acho que é disso que se trata o novo passo da banda. Uma afirmação de que somos competentes naquilo que fazemos e muito gratos com o apoio daqueles que estão sempre do nosso lado.”

[Hits Perdidos] Apesar do nome, vocês não passaram em branco em 2018 e lançaram um divertido videoclipe no período. Agora mais uma vez optaram por uma produção audiovisual com o apelo do humor, contem mais como foi o “brainstorm” e seus desdobramentos.

A Olívia: “A gente tem uma porção de músicas para serem gravadas. Estamos separando algumas para álbum, outras pra single, entendendo ainda o repertório e como fechar os materiais da banda.

Entre essas músicas tínhamos “Passar em Branco”, que casava com essa história de começo de ano, ainda mais esse ano que teve o carnaval tarde pra caramba. O Diogo Pacífico que dirigiu o clipe anterior de “Não me Leve a Mal” tem uma sintonia muito grande com a banda.

A gente da risada e troca figurinha o tempo inteiro. Então quando mostramos a música pra ele, já começaram a vir umas ideias de brainstorm. É a parte mais divertida do processo.

Aí a gente pensou em locações possíveis, cogitamos ir pra uma praia de fato, percebemos que não tínhamos nem verba nem tempo e fomos adaptando até chegar nessa viagem de ano fora de época e lugar.

Começar o clipe num ambiente de trabalho é bem fidedigno à letra da música, que foi escrita num escritório.

No fim tudo casou bem porque é disso que a música fala…você estar preso a um trabalho que não gosta, a uma rotina que não te agrada, a diversas situações que talvez te incomodem e você nem perceba, e aí vai deixando tudo pra depois, depositando toda a sua energia no fim de semana que dura dois dias, e enfim você tem anos pela frente. Pesa as contas pra pagar, pesa um monte de caso, mas novamente, você tem anos e anos pela frente.”

[Hits Perdidos] Passagens de ano muitas vezes, como no clipe, não são perfeitas, e o que vale mesmo é estar perto das pessoas queridas. Vocês por acaso tem alguma história de reveillon maldito?

A Olívia: “Cara de reveillon cada um tem a sua experiência mais engraçada ou inusitada, mas maldita não. Agora, se considerarmos os bastidores da filmagem desse clipe, que foi de fato uma viagem, aí sim teve um tanto de história.

A começar pelo tempo. A previsão enganou a gente fácil e precisamos inverter totalmente as diárias de filmagem. Faríamos as cenas externas primeiro, que são 90% do clipe. Então só isso já atrapalhou tudo.

Das 3 diárias, duas acabaram a luz. Ou seja, nos poucos momentos que precisávamos de ambiente controlado, ficamos sem luz. A guitarra que o Luis usaria pra gravar a música no estúdio caiu da parede junto com o suporte (parafusado) e tudo.

O luthier, que trabalha no ramo a vida inteira com centenas de artistas brasileiros, disse que nunca tinha visto a guitarra quebrar onde ela quebrou. Uma parte bem específica da mão. Enquanto a guitarra que a gente usaria pra quebrar no clipe, quase quebrou antes de hora porque ela já tava tão caindo aos pedaços que durante o transporte deu uma piorada na situação.

Mas é isso que você disse.O que vale mesmo é estar perto das pessoas queridas. Rolou muito stress, mas no fim deu tudo certo. A luz voltou, adaptamos roteiro e gravamos outras cenas, o luthier Murilo conseguiu consertar a guitarra a tempo da gente usar pra gravação e várias outras coisas que foram se acertando que daria um texto enorme.

A banda com certeza saiu mais forte e unida daqueles dias de filmagem. Teve palmas, contagem regressiva e quase fogos ao fim do último take. É muito aliviante pensar nisso tudo agora, com o clipe sendo lançado. Foi no sufoco. O que deixa a gente ainda mais orgulhoso e o sentimento de gratidão com todos amigos da equipe que ajudaram.”


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[Hits Perdidos] Em relação a sonoridade já dá alguma dica de que vão experimentar novos caminhos no novo trabalho. Aliás, como tem sido esse processo? Acredita que irão surpreender quem os acompanha? Já temos um título para o trabalho ou será algo aos poucos? Na visão de vocês, qual acreditam que seja uma boa estratégia para divulgar um trabalho independente?

A Olívia: “O título virá aos poucos. Certamente vem um álbum por aí, mas devemos lançar outras coisas antes. A gente quer e precisa fazer muito mais show, divulgar o single novo, e mostrar quem é A Olívia pra galera que ainda não teve contato nem com os Jardineiros de Concreto, que é o nosso maior trabalho até agora.

Diferente do Jardineiros, esse single já conta com o Pedro Lauletta no teclado e percussão. Só esse fato já muda bastante porque é mais uma cabeça pensante e é a primeira vez que arranjamos inteiramente algo com teclado.

Fora isso, a gente buscou trazer mais referências daquilo que a gente ouvia em comum. Foi engraçado porque miramos ali nas referências dos anos 70, e acabou soando uma coisa mais moderna. Tem muita influência mesmo, The Clash, Rolling Stones, Titãs, Skank, Blur, Weezer. Como a música muda muito de dinâmica, a sonoridade ajuda a acentuar a tônica de cada parte. Ficou bastante narrativa.

Acho que o pessoal pode se surpreender sim. Soa diferente do primeiro álbum. Mas ainda tem a cara da Olívia. É como se a gente juntasse a pegada de “Festa de Merda”, a inventividade de “Moicanos” e a onda de “Não me Leve a Mal”.



Primeiro tem que ter uma base. Trabalhar com prazos, se cercar de pessoas boas e estudar bastante. Tem muito blogs e profissionais competentes assim como o Hits que agregam muito se você vai atrás e lê sobre. Uma vez que você tá com o seu arsenal de ferramentas, conhecimentos, planilhas, contatos, fica um bem mais fácil de planejar.

“A gente é independente na hora de produzir e dependentes no momento de divulgar. Principalmente das redes sociais. Então antes de lançar qualquer coisa você tem que preparar o terreno, engajar o pessoal e fazer conteúdo de valor. Não é pouca coisa, não é simples de fazer e ainda assim isso é o mínimo.”

Gostamos de pensar em 3 principais frentes que conversam entre si: As redes sociais, os shows e a imprensa. A grande imprensa é difícil de chegar, mas tem que ir tentando e cavar seu espaço. Tem muitos sites, portais e podcast menores que podem ajudar e dar resultado legal.

Quanto aos Shows, eles têm que ser estratégicos, feitos com carinho e bem divulgados. Vamos fazer um show dia 20 no Ind Bar, por exemplo, que já é o segundo lançamento que fazemos lá, porque o primeiro teve repercussão muito boa.

O terceiro ponto, e o mais importante, é o contato que você tem nas redes com seu público. E não deixe de patrocinar, se você não põe 5 reais que seja, os posts quase não tem alcance. Como a gente diz em uma música nossa que rola nos shows, “Just do It, but patrocine”.

Isso serve pra tudo. Arte não é só paixão, é investimento de tempo e dinheiro. Se puder separar uma grana mensal pra divulgação, quando chegar o lançamento vai ter uma gordurinha pra queimar.”

Show de Lançamento

Como dito anteriormente no sábado (20/04) eles farão o lançamento do single no IND Bar. O local abre às 19 horas e o show acontece a partir das 22 horas. Com nome na lista o ingresso fica a R$15, sem nome na lista fica na bagatela de R$25.

Mais informações no Evento

Ouça o single no Spotify


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