A Oxy consegue fazer um som tão atemporal que poderia ter surgido no Canadá, Dinamarca, Bélgica ou até mesmo, como de fato, em Brasília. Trazendo influências dos anos 80 e 90, eles ainda conseguem atrelar em seu repertório canções que dialogam com sentimentos e passagens que todo jovem de 20 e poucos anos de certa forma passa.

Independente do contexto cultural que ele faça parte, o som transmite ao ouvinte a sensação de abrir uma caixa de memórias, ou fitas, como o próprio nome do álbum de estréia sugere de forma bastante metafórica.

Ao meu ver o diálogo é bastante aberto, dialoga com os anos 80 de Cindy Lauper e Depeche Mode, conversa com os modernos Fazerdaze e Beach House e navega na introspecção. Outrora tem uma veia rockeira de Cherry Glazerr aliada a nostalgia do My Bloody Valentine. Tudo isso sem forçar a barra e com uma linguagem bastante aberta ao ouvinte que o inspira a viajar.


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Oxy fez sua primeira turnê fora do DF.  – Foto em Sorocaba (SP) (no Lobotomia)


Viagem que acaba ganhando diversos contornos e histórias pessoais que fizeram com que fosse inevitável os registros da turnê por São Paulo e Minas Gerais se tornassem um belo videoclipe. Um registro que também mostra o poder da internet em conectar pessoas.

Este foi o caso da Oxy que após conhecer produtores, bandas e estabelecer uma rede de contatos, conseguiu materializar o sonho de circular pelo sudeste fazendo o que mais ama.

Puderam através desta experiência conhecer por exemplo os integrantes Miêta, de Belo Horizonte, e Alles Club, de Juiz de Fora, os quais já admiravam o trabalho à distância.

Oxy “Carriage” (28/03/2019)

Não é à toa que “Carriage” ganhou um vídeo, novamente dirigido por Enzo, que traz esta narrativa sobre as viagens, transformações e crescimentos que nossa jornada em vida pode proporcionar. Sob a perspectiva de aproveitar os bons momentos do caminho e não apenas celebrar o final.

“Enquanto estava viajando pensava várias vezes que poderia fazer isso pelo resto da vida. A noção de viagem pra mim sempre fez muito mais sentido enquanto trajeto e não destino. Pensando através de uma narrativa, minha memória visual funciona melhor quando estou ouvindo alguma música, e queria que “Carriage” fosse uma trilha sonora disso, não só pra mim. E se temos que viajar pra mostrar isso, melhor ainda.”, relembra Sara Cândido

Com apenas o auxílio dos celulares, eles registraram fotos e vídeos dos encontros feito um Diário de Bordo da experiência que já adiantam que querem repetir. O campo dos sonhos parece ganhar asas após esta primeira grande viagem.

“Acredito que buscamos ainda mais espaço no cenário nacional. Sonho direto em tocar em grandes festivais (Lolla, Bananada, Balaclava Fest, DoSol…) e depois que fizemos uma tour, dependendo apenas de nós mesmos, vejo que estamos perto de realizar esses sonhos. O “diário de bordo” estão em nossos stories, tanto pessoal quanto no da banda, acho que a gente filmou quase tudo dessa tour (risos).”, conta Lucas



Entrevista

Conversamos com os integrantes da Oxy para saber mais sobre o Diário de Bordo, concepção da letra, intertextualidade, aprendizados e também perguntamos sobre o nascimento do novo selo, a Motal!

[Hits Perdidos] Gostaria que comentassem antes de nada como é ver a resposta principalmente do público e bandas depois das turnês pelo país, aliás passaram por quais lugares e como acreditam que a estrada fez vocês crescerem como banda?

Sara: “Ficamos surpresos com a receptividade de alguns lugares, e de ver algumas pessoas cantando nossas músicas e curtindo o show, longe da nossa casa. É louco isso. Passamos por São Paulo, Sorocaba, Mogi das Cruzes, Juiz de Fora, São João Del Rei, e Betim.

Foi nossa primeira experiência na estrada, viajamos com o carro lotado. Foi o suficiente para sabermos que queremos fazer isso mais vezes(e precisamos). Pra mim o mais legal foi observar como o público se comporta fora de Brasília, foi animador nesse sentido. Dá pra ver algumas dessas lives no clipe de “Carriage”. Voltamos animados, cheios de ideias e expectativas. Foi legal demais conhecer pessoalmente uma galera que só tínhamos contato através da internet também!”

Blandu: “Parte dos momentos mais felizes da minha vida foi nessa estrada. Foi uma experiência muito engrandecedora. Eu costumo dizer que na mesma medida que nos sentíamos cansados – por carregar, montar e desmontar equipamentos, por ficar nos eventos até o final, por dormir pouquíssimo pra logo depois pegar a estrada de novo -, nós nos sentíamos felizes. Pegar a estrada pra tocar as músicas que compomos num quarto sempre me pareceu algo distante. Me sinto realizado e com vontade de fazer mais, muito mais!”

Lucas: “A resposta do público e das bandas foram extremamente positivas, de forma geral, e ver isso foi bem lindo pois antes da viagem a gente fica na expectativa, na ansiedade, pensando como vai ser cada show e, no final, deu tudo certo.

Sobre o crescimento pós tour, acho que todos nós aprendemos a arrumar nossos equipamentos da maneira mais rápida possível (risos). Acredito que crescemos também na forma de fazer os nossos próprios shows, eventos etc… esse contato com diferentes produtores de diferentes cidades fez com que a nossa bagagem só aumentasse.”

Thiago: “Fez diferença na experiência, na convivência de banda e musicalmente, a recepção foi ótima, fomos totalmente surpreendidos pelo tratamento incrível da galera, foi um sentimento de satisfação.”


Oxy e Miêta

Oxy e Miêta em Belo Horizonte (MG)


[Hits Perdidos] Aliás “Carriage” é justamente sobre a jornada da vida, de aproveitar os momentos e suas passagens, o que uma turnê também acaba traduzindo de maneira bastante viva a metáfora. Vários filmes inclusive acabam por sua vez falando sobre isso, alguns de maneira cômica como o caso de Eurotrip e outros de maneira mais espiritual e filosófica.Sei que pensar o disco como pequenas caixinhas, ou filmes, é algo conceitual de vocês, então provoco: Quais objetivos ainda buscam e como observam que funcionou a vivência? Chegaram a fazer uma espécie de diário de bordo?

Sara: “Enquanto estava viajando pensava várias vezes que poderia fazer isso pelo resto da vida. A noção de viagem pra mim sempre fez muito mais sentido enquanto trajeto e não destino. Pensando através de uma narrativa, minha memória visual funciona melhor quando estou ouvindo alguma música, e queria que “Carriage” fosse uma trilha sonora disso, não só pra mim. E se temos que viajar pra mostrar isso, melhor ainda.

Foi importante também porque a experiência de ver o show ao vivo é amplificada, obviamente. Nosso objetivo é fazer com que as pessoas se identifiquem com as nossas músicas não só através de um fone.”

Blandu: “Acredito que o objetivo seja compartilhar nossa música com aqueles que queriam ouví-la. Um dos momentos mais bonitos na tour foi ver o pessoal que mora tão longe cantar as coisas escrevemos. É um sentimento inexplicável!”

Lucas: “Acredito que buscamos ainda mais espaço no cenário nacional. Sonho direto em tocar em grandes festivais (Lolla, Bananada, Balaclava Fest, DoSol…) e depois que fizemos uma tour, dependendo apenas de nós mesmos, vejo que estamos perto de realizar esses sonhos. O “diário de bordo” estão em nossos stories, tanto pessoal quanto no da banda, acho que a gente filmou quase tudo dessa tour (risos).”

Thiago: Um objetivo pelo menos para mim, acredito que seja me conectar mais com as pessoas através da música, fazer o público sentir mais emoções diferentes. O diário de bordo acho que foi o próprio clipe.

[Hits Perdidos] A letra para você, Sara, também tem um significado bastante pessoal e você conta sobre o fato de morar longe de sua família. De certa forma a composição reflete sobre as boas lembranças e os momentos que gostaria de estar compartilhando em tempo real mas a distância impossibilita? Para você é como se tivesse sempre longe de casa? Conte mais sobre a reflexão e como isso reflete em outras canções da Oxy.

Sara: É mais sobre um estado mental de lidar com essas distâncias e formas de amadurecimento do fato de estar longe da família. Eu sempre viajei muito durante a minha vida e morei em várias lugares, então são reflexões recorrentes. Eu moro longe mas falo com eles sempre que possível, e tento me comunicar da melhor forma. São escolhas e vivo bem com isso. Nem sempre você quer falar sobre suas preocupações e angústias, em qualquer lugar da nossa vida estamos atrás de um lugar de identificação, não necessariamente um lugar físico.

É importante ter raízes, ter alguém pra ligar, mas também é muito importante sair pro mundo. Acredito que seja um pouco do que o Ale Sater fala na letra de ‘Criança’ do Terno Rei, “Correndo pra longe de casa ninguém se arrepende, mas sinto saudades de casa, ninguém nos protege do mundo que há por vir”. Depois de muito tempo morando fora, eu não me sinto sempre longe de casa, na maior parte do tempo penso que eu mesma sou minha própria casa, e eles são o alicerce.”


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A turnê passou por MG e SP. – Foto: Divulgação


[Hits Perdidos] Sobre o videoclipe como foi o brainstorm e como pensaram a montagem? Além do mais aparecem as bandas Miêta e Alles Club, como foi finalmente poder conhecer pessoas que vocês já admiravam “ao vivo” e como a internet possibilitou conexões para vocês? Aliás vocês até já conseguiram contatos fora do país, como tem sido isso? Pensam em breve alçar novos vôos?

Sara: “A tour só foi possível através dos contatos pela internet, aliás a Oxy só é possível por causa disso (risos) conhecer e assistir Miêta ao vivo foi transcendental, somos fãs e elas são incríveis, assim como o pessoal da Alles. Fizemos três shows juntos durante a tour e ficou um esquema tipo família no final.

No nosso último show em Juiz de Fora, cidade deles, lembro que o Fred trouxe pra gente um pote de docinhos que ele mesmo tinha feito, eles são bem assim. Cantei ‘Quanto Tempo’ com eles em Sorocaba e fiquei honrada, amo demais a música e o clipe. Depois que a tour passou escuto Alles aqui em casa cheia de saudades.”

Blandu: “A montagem do videoclipe ficou por conta da Sara e do Enzo. Eles mandaram muito bem reunindo as imagens que fizemos na tour. A Alles foi praticamente nossa banda parceira de tour, nós fizemos uns dois shows juntos em SP e um na cidade deles, Juiz de Fora. Não podíamos pedir banda melhor pra nos acompanhar.

A Miêta é nossa grande influência. Acompanhávamos o trabalho dessas minas desde o começo da Oxy. Conhecer, tocar com elas e ser hospedados por elas (ficamos na casa da Bruna) foi lindão! Dar um rolê lá fora é um grande objetivo! Estamos fazendo alguns contatos, vamos chegar lá! Mas com certeza dar mais um rolê por esse Brasil está nos planos, principalmente pra esse ano.”

Lucas: Como você disse, “Carriage” é sobre a jornada da vida, então nada melhor do que o clipe ser nossas memórias em vídeo dessa nossa jornada. Ver Miêta e Alles Club foi mágico, tanto no palco quanto nos backstages. Conversamos como se fossemos amigos de longa data e isso foi incrivel!

Já os contatos fora do país é surreal… esse feedback externo é de aquecer o coração e nos empolga ainda mais nessa nossa jornada no mundo da música. Imagina só daqui à 2/3 anos digitar no youtube “Oxy live at lolla chicago”?! Seria INSANO!”

Thiago: “Carriage” é o cru e o puro da Oxy até em sua produção pra mim, é perfeito retratar ela de forma mais sincera e crua também. Em relação as bandas, aprendemos muito com esses mestres, simplesmente isso.”

[Hits Perdidos] Contem mais sobre a Motal, como surgiu, quem faz parte e qual o conceito que querem estabelecer?

Sara: “A Oxy e a Belga são bandas que sempre fizeram o próprio rolê acontecer aqui em Brasília, então pensamos,’por que até hoje não unimos isso por uma força maior, até pra poder oferecer isso pra outras bandas?’, e assim surgiu a MOTAL, selo e produtora. Nosso objetivo é produzir, trazer, e fazer circular conteúdo, inclusive de fora de Brasília.

Queremos trazer bandas pra cá. A MOTAL também é uma inteligência artificial. Mas isso só esperando o show pra ver. Tocamos dia 13 de abril aqui em Brasília junto com a Belga, será a abertura.”

Blandu: “Por nos conhecermos a bastante tempo, acho que seria uma questão de tempo até a gente formar uma espécie de produtora pra organizar eventos, produzir bandas e etc. Eis a MOTAL!”

Lucas: “Vou resumir em uma frase: “MOTAL é experiência!” (risos)”

Thiago: MOTAL: “É o futuro.”


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O carro muitas vezes foi um integrante da banda. – Foto: Arquivo Pessoal


Ouça: Oxy – Fita (2018)