Grand Theft Auto: Vice City. Desenvolvido pela Rockstar o jogo de ação-aventura é um dos mais conhecidos dos amantes de Playstation 2 (e XBOX). Sucesso de vendas, o game nos leva para o universo dos filmes e séries dos anos 80. Tendo inspirações em clássicos como Scarface e Miami Vice.

Seu enredo foi baseado em várias pessoas e eventos reais que ocorreram em Miami, como gangues cubanas e haitianas, popularização do crack e predominância musical da new wave. Policial, anárquico tendo como destaque sua jogabilidade, a trilha sonora também é um dos grandes destaques do game.

Contando até com três rádios que o jogador pode se divertir enquanto conhece novos sons. Fato que mesmo sem tido a oportunidade (ainda) de conhecer Miami, Guilherme Gale, do The Tropical Riders criou uma espécie de fascinação com uma das mais importantes cidades da Flórida (EUA). O GTA por sua vez sendo o grande culpado.

O duo composto por Guilherme Gale (vocal/guitarra) e Leo Possani (bateria) foi formado em 2016 mas só no ano passado apresentou seu primeiro EP, Tapes from the Deep Sea. Como bons rockeiros eles não se importam muito com o que vão rotular e o EP é reflexo disso pois as músicas puxam para diversas temáticas e experimentações.

Quando questionados sobre a estética e influências Gale conta:

“Eu tenho algumas bandas e artistas que são pilares na minha vida musical e sempre busco inspiração lá quando me sinto confuso, como Queens of the Stone Age, Jack White, Slaves, Ty Segall, etc.

Mas também gosto de ver shows locais e procurar a mesma motivação que vejo em mim em outras pessoas, além de poder ser impactado pela pegada e criatividade deles, e já considero alguns desses caras como pilares também, como Sky DownHueyMacaco Bong. Quanto à parte estética, não nos influenciamos por nenhum desses caras especificamente, ficamos mais ao nosso gosto pessoal.”


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The Tropical Riders Foto: Divulgação


Mas as canções deles não se prendem somente ao garage rock, stoner e alternativo, eles também se divertem com experimentações como na dançante “Pisco Dancer” de seu primeiro EP lançado em agosto (2018). Flertando com a dance music e abraçando o pop.

Antenados com o que tem rolado dentro do cenário de rock atual eles também tem admiração por grupos como Royal Blood, Ron Gallo e Thee Oh Sees, o que reflete não somente no trabalho de estúdio mas também em suas apresentações.

Depois do divulgação de Tapes From the Deep Set, e do clipe de “Monophobia” lançado em Premiere no Hits Perdidos, eles chegam para apresentar seu novo EP. Com duas canções inéditas saindo do forno, eles vem para consolidar seu estilo após quase 3 anos de existência.

The Tropical Riders – Miami Sin (11/01/2019)

O registro foi gravado no Estúdio Costella e mixado e masterizado no Electric Mars Studio. Inclusive no sábado (12/01) no FFFront, em noite que a casa também recebeu o duo Color For Shane, os fãs puderam ouvir as faixas em primeira mão.



Miami Sin conta com duas canções inéditas que navegam pelo universo do GTA de Miami. São aproximadamente cinco minutos e meio de rock’n’roll dançante e debochado. Já começando com a catártica e expansiva “Miami Boogie” que particularmente em seu nome me levou direto para o filme Boogie Nights (Prazer Sem Limites ou Jogos de Prazer – 1997) de Paul Thomas Anderson.

Filme em que “a história se passa em Los Angeles e gira em torno de um jovem lavador de pratos que se torna uma estrela de filmes pornográficos, narrando sua ascensão na Era Dourada da Pornografia dos anos de 1970 até sua queda durante os excessos dos anos de 1980.”

Com o mesmo humor sarcástico a canção consegue transitar pelo campo da disco music, que vivia nesta época também sua era de ouro, e o jogo de videogame. Já que este também não deixa essa atmosfera envolvente passar em branco em sua trilha. Fãs de Royal Blood com certeza deveriam dar uma chance para esta música “chiclete”.

Já “Our Daily Sin” faz aquela ponte entre Stoner e hard rock, algo entre a fanfarronice do Darkness, aliada a pose de action figure do Kiss e o revival de bandas dos anos 90. Divertida, ela é cheia de ironias e liberta os demônios.