Edgar rouba a cena na primeira edição do festival No Ar Coquetel Molotov em SP

Na sexta-feira 30/11 foi realizada a primeira edição do festival No Ar Coquetel Molotov em São Paulo. Com 15 anos de história a edição pernambucana neste fim de ano levou para Recife um grande elenco com direito a atrações internacionais. Hoje vamos contar um pouco sobre a estreia em terras paulistas.

Em noite chuvosa mas com bom público presente na The Week, balada conhecida da Lapa (Zona Oeste), Karina Buhr, Alessandra Leão e Isaar, Boogarins, Edgar, Baco Exu do Blues, Maria Beraldo, Tuyo e Coletividade NÁMÍBIÀ mostraram porque tem se destacado dentro do mercado de música independente.

Para trazer um pouco do clima de Recife para a terra da garoa além da programação musical – e bons drinks – quem foi pôde conhecer a feira Polvo que contou com diversos expositores. Um ponto bastante positivo foi a pontualidade e dinâmica dos palcos.

Divididos em três espaços, era acabar um show que se iniciava em questão de minutos outro a poucos metros. Apesar da chuva que castigava São Paulo, não houve problemas com o som.


Boogarins
Boogarins abriram a noite. – Foto Por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Quem chegou cedo pôde conferir a apresentação dos goianos do Boogarins. Acredito que foi a sétima vez que assisti a um show deles – e a que mais gostei até então. Público respondendo, pedindo músicas e banda querendo mostrar para que veio.

Lisérgico, solar, as vezes sombrio, e passando pelo repertório de discos da banda. É claro que o aclamado e mais recente disco – Lá Vem a Morte (2017) – ia ser o carro chefe mas isso não fez com que ficassem de lados outros clássicos do grupo.

Foi rápido mas foi intenso, por volta de 50 minutos de show e deixou todos no local pedindo pelo BIS. Que rolou! Com três músicas e muita psicodelia. (Vídeo por Urtiga)



Na sequência quem ficou responsável por abrir os trabalhos no Palco Monkeybuzz foi a Tuyo. Estava ansioso para ver como seria a execução ao vivo de um dos melhores discos de 2018 do indie nacional, Pra Curar.

O ritmo do show é um pouco diferente do que eu esperava que fosse, para ser sincero. É um show que se equilibra devido ao grande carisma do trio, sua energia cativante e seu olho no olho. Mas por outro lado varia demais na intensidade, senti falta de uma “sequência matadora” de tirar o fôlego.

Me emocionei bastante, as letras são pontuais e fortes, os vocais se destacam e num formato mais íntimo como ocorreu no palco da SIM São Paulo – na sala Adoniran Barbosa – impressiona até mesmo quem nunca ouviu falar. Com potencial pop, eles tem  tudo para lançar um ótimo disco via Natural Musical.


Tuyo
Tuyo fez um show delicado no palco Monkeybuzz. – Foto Por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Depois da Tuyo foi a vez de Karina Buhr, Alessandra Leão e Isaar tiveram a responsabilidade de levar um pouco da tradição nordestina, de ritmos como o baião e o forró, para o palco do No Ar Coquetel Molotov. Com destaque para a imersão e percussão, o show colocou o público no rastapé.


Alessandra Leão
Isaar, Alessandra Leão e Karina Buhr fizeram o público dançar. – Foto Por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Precisamos falar sobre Maria Beraldo! Um dos shows mais aguardados da noite e que com certeza deve ter causado certa estranheza para quem ainda não ouviu o excelente álbum CAVALA (RISCO). Irreverente por natureza, ela entrou no palco pronta para proporcionar uma experiência artística do começo ao fim de sua apresentação.

Para quem gosta de produção, programação e improviso então, um show à parte. Beraldo tenta criar narrativas e experimentações durante a catarse que promove. Elementos não faltam, entre suas guitarras esquizofrênicas, viradas de olho, identidade visual e performance. Algo um tanto quanto apocalíptico, algo um tanto quanto Blade Runner.


Maria Beraldo
Performance de Maria Beraldo é destaque em noite chuvosa em SP. – Foto Por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Destaque para suas epifanias enquanto transgride e raspa as cordas de sua guitarra em suas coxas. E também para a sequência de “Sussussussu” e “Tenso” que fecham a apresentação da musicista.



Mas quem colocou a noite no bolso mesmo foi o rapper paulista EDGAR. Após lançar o ótimo Ultrassom, produzido por Pupillo (Nação Zumbi), o guarulhense foi indicado ao Prêmio Multishow de Música Brasileira nas categorias “Revelação” e pelo single “Exú Nas Escolas” – parceria com Kiko Dinucci – em que faz participação em canção de Elza Soares, ele chegou com moral para se apresentar no palco “alternativo” da The Week.

Representando não só o rap nacional mas todo seu hibridismo atual em que incorpora elementos folclóricos, visto que entrou vestido de uma espécie de “Bumba Meu Boi futurista” com direito a soltar bolhas de sabão e um visual de deixar até mesmo o cantor Falcão com inveja, EDGAR em poucos minutos já conseguiu hipnotizar o público presente.


EDGAR 1
A intensidade e narrativa futurista foram as armas de EDGAR. – Foto Por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

Com beatmakers que seguram a pressão, ele solta suas rimas, provocações e desconstrói pensamentos conservadores a cada prosa. Esperto ele sabe domar a platéia e pede a todo momento para tirarem o pé do chão. Em certo momento olho para o fundo do salão e vejo Maria Beraldo se divertindo com a apresentação do MC.

Isso nos mostra um pouco do ambiente do festival que era movido pela sentimento de harmonia e coletividade, estes tão necessários em um momento político marcado pela vanguarda do atraso.

O rapper inclusive se apresenta nesta sexta-feira (21/12) no Z Carniceria. O futuro ácido dominado por plásticos ganhará os palcos da casa com direito a participação de Rodrigo Brandão, MC conhecido pelo trabalho sob o codinome Gorila Urbano.

Serviço
Show: Edgar
Participação especial: Rodrigo Brandão
Data: 21 de dezembro (sexta-feira)
Horário: Abertura da casa 21h / Início do show 00h
Local: Z Carniceria
Endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 724 – Pinheiros – São Paulo/SP
Ingressos: Antecipado R$20 / Porta R$30
Venda Online
Classificação: 18 anos
Capacidade: 250 pessoas
Informações: (11) 2936-0934

Já era sábado quando Baco Exu do Blues subiu ao palco Monkeybuzz para encerrar a os trabalhos por lá. Ele que tinha lançado a pouquíssimos dias seu novo disco, Bluesman, que tem dado o que falar por aí. Alguns citando ele como um dos melhores do ano, outros falando que “não é tudo isso”, mas é essa a dinâmica que Baco conheceu desde cedo dentro de sua carreira.

Aliás para mim o que chamou a atenção não foi nem o disco em si mas o belíssimo curta que o acompanha e sua forte narrativa ativista. Falando em álbum, não era um show de lançamento já que em 2019 ele voltará a cidade para de fato lança-lo na íntegra.

Então foi como um “esquenta” do que estava por vir. Com direito a execução de “Me Desculpa Jay-Z”, com a cantora 1LUM3, e “Preto e Prata”.

O grande destaque do show veio justamente da participação especial da Tuyo em “Flamingos” (vídeo por Igor de Saulo Alves) que emocionou os presentes, a canção também é uma das mais “Chicletes” do disco e outro dia durante o lançamento do videoclipe do Jaloo na CineSala, em parceria com a TIDAL, consegui ver o músico paraense cantarolar a faixa a cada 2 minutos.

Em seus Stories a Tuyo até contou que a parceria veio como um convite para adicionar vocais a uma faixa mas que acabou evoluindo para uma música. Inclusive o contato foi um tanto louco – e moderno – via inbox no instagram. Quem diria, né?



Mas muito difícil se desvencilhar de um hit, não é mesmo? Fatalmente a que mais grudou nos presentes é uma das faixas mais aclamadas da música brasileira em 2017, “Te Amo Disgraça”. Foi neste momento que o palco da The Week veio abaixo. (Vídeo por Hits Perdidos).



É um show que ainda precisa de ajustes, não sei se por falta das músicas novas, do ritmo intenso que ele tenta impor – mas o fôlego que falta em muitos momentos – para conseguir prender a atenção do público. Talvez mais parcerias e mais “picos” divididos entre a apresentação possam ser um segredo para uma melhor experiência para quem vê do lado de cá.

Porém acredito que críticas neste momento da carreira dele seja de fato exigir demais de um moço de 22 anos, que sim conseguiu despertar o interesse pelo som cedo, mas ainda está em uma constante evolução tanto musical, como de performance.

Ainda tivemos o show da Coletividade NÁMÍBIÀ mas a madrugada já ia longe, entre um temporal repleto de enchentes em suas imediações, o que me restou mesmo foi procurar a saída.

O saldo do evento é extremamente positivo e cumpre seu papel de promover tanto o clássico festival pernambucano, como de trazer as principais novidades da música independente brasileira para a agitada noite paulistana.


Beraldo
Maria Beraldo foi a responsável por uma das grandes apresentações da noite. – Foto Por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)

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