Girls To The Front | O protagonismo feminino na sexta edição da SIM São Paulo

Uma das conferências de música mais respeitadas do país, a SIM São Paulo, chega a sua sexta edição. Entre palestras, workshops, rodas de conversa, pocket shows e uma série de eventos organizados em seu entorno, ela promete levar essa semana para a rua mais de 30 mil pessoas.

De 5 a 9 de dezembro, o evento terá como base mais uma vez o Centro Cultural São Paulo. Lá acontecerão mais de 70 painéis reunindo profissionais de várias partes do ecossistema da música. Com representantes do Brasil e do mundo, a SIM São Paulo terá nesta edição mais de 3000 mil profissionais do mercado circulando pelos corredores do CCSP durante seus quatro dias.

Claro que shows não iam ficar de fora da festa da música. E dentro do complexo do centro cultural aconteceram pocket shows, ou como a organização tem chamado, lives. Estas que acontecerão na cobiçada Sala Adoniran Barbosa.


Alfonsina
A uruguaia Alfonsina se apresentará nos showcases diurnos da SIM São Paulo 2018. – Foto: Divulgação

Para saber mais sobre a programação que conta com showcases, conferências, mostra audiovisual e programação recheada com mais de 300 shows espalhados por São Paulo você pode conferir acessando o site oficial do evento. Já os ingressos você pode adquirir no SYMPLA.

Lembrando que a edição 2018 da SIM São Paulo tem parceria com a Natura Musical, patrocínio da OI, apoio da OI Futuro e TNT Energy Drink.

As Minas no Front

Não é de hoje que a SIM São Paulo valoriza e incentiva a presença feminina dentro da programação. No ano passado inclusive isso ganhou repercussão em matéria realizada pela Revista Claudia, na qual dava ênfase do evento ter 50% da programação feminina.

“Essa regra é para prestarmos atenção não só no primeiro nome que vem à nossa cabeça, que normalmente é masculino”, conta a paulistana Fabiana Batistela, diretora da SIM São Paulo.

“Tem muita mulher no ramo da música e normalmente elas não são protagonistas. Na maioria das vezes, é um sócio homem com as mesmas responsabilidades que fala pelo projeto”, explicou Batistela na época a reportagem da revista

Desta vez nós conversamos com algumas das mulheres que trabalharão não apenas em cima do palco, como na produção dos showcases noturnos. Mostrando que mesmo ainda sendo um campo dominado por homens, elas tem conquistado cada vez mais espaço.

Resistência

Porque a maioria das músicas que conhecemos são produzidas por homens? Onde estão as mulheres que trabalham com engenharia de som? Quais são suas assinaturas sonoras?

Pensando em estimular e legitimar essas profissionais, a Coletânea SÊLA de Produtoras Musicais lançará singles semanais, que foram produzidos por mulheres a partir de dezembro, nas principais plataformas digitais. O disco completo chegará em 2019.

O coquetel de pré-lançamento da coletânea acontece no sábado, 08/12, à partir das 18 horas, na Casa Vulva, dentro da programação da SIM São Paulo.

Além do pré lançamento o evento reunirá o Laboratório de Ecos com “Pedalaço” com Desirée Marantes (Hérnia de Discos), “Improviso” com Theo Charbel (SixKicks, Papisa) e Anna Tréa e Discotecagem por Larissa Conforto.


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Alejandra Luciani durante as gravações da coletânea. – Foto Por: Welder Rodrigues

Conversamos com a Camila Garófalo, da SÊLA, para falar mais sobre a coletânea e o trabalho de resistência do coletivo/selo/produtora dentro do cenário de música independente.

“A ideia da Coletânea surgiu com o objetivo de consolidar a SÊLA finalmente como selo, através da produção fonográfica. Muita gente sempre perguntou se éramos um selo e, na verdade, fomos tudo até agora, menos selo. Esse projeto marca essa mudança, essa possibilidade de se fazer presente nas plataformas de streaming e de também se consolidar como Editora através da comercialização das obras.

Fechamos com a Fluve, distribuidora da Somlivre justamente para poder entrar nesse mercado com tudo. Já a curadoria surgiu através das mulheres que eu e a Larissa Conforto conhecemos ao longo das nossas carreiras.

São dezessete produtoras musicais que também são instrumentistas e arranjadoras. Muitas delas também são artistas e tem carreira solo ou banda. A ideia foi pedir pra elas que nos enviassem uma música inédita que já estava na gaveta e que nunca tinha sido lançada antes. Depois a Florencia Saravia masterizou toda a obra e violá, em 2019 essa Coletânea chega ao mundo!”, conta Camila Garófalo sobre as origens do projeto.

[Hits Perdidos] Como sentem que o trabalho de vocês tem inspirado novos talentos? Já tiveram algum tipo de feedback emocionante?

Camila Garófalo: “Ainda essa semana uma artista que já se apresentou na Mostra SÊLA, a sambista Andressa Brandão, me disse que começou a escrever as próprias músicas logo depois que entrou em contato com a gente. Isso foi a coisa mais emocionante que ouvi nos últimos tempos.

Acredito que o nosso papel é criar oportunidades no mercado, empregar mulheres, equiparar a lacuna que criou-se para nós nessa profissão chamada MÚSICA. Essa é a missão da SÊLA.”

[Hits Perdidos] Na SIM São Paulo vocês farão o Coquetel pré-lançamento, o que estão planejando além disso? Também será realizada a série “Laboratório de Ecos”, como será isso?

Camila Garófalo: “No Coquetel de pré-lançamento da Coletânea reuniremos quase todas as produtoras e artistas que participaram da Coletânea. Lá elas vão interagir entre si através do Laboratório de Ecos. O lançamento oficial da Coletânea será em 2019 nas plataformas digitais.

O laboratório de Ecos é um projeto de experimentação sonora. Teremos duas ações. Primeiro a Desiree Marantes, idealizadora do Hernia de Discos, vai ministrar o “Pedalaço”, uma brisa feita com pedais de efeito, ação em que todas as produtoras participarão. Depois a Anna Trea e a Theo Charbel vão interagir com percussão e guitarra através do improviso.”

[Hits Perdidos] Além disso queria que comentasse sobre a visibilidade da mulher que trabalha com a música além dos palcos. Visto que ainda é um mercado em sua maioria dominado por homens. Como tem visto o trabalho de diversas produtoras, técnicas de luz, som, engenheiras, bookers….

Camila Garófalo: “Exatamente. Pouca gente conhece as produtoras musicais do Brasil. Que são aquelas que arranjam as músicas e mexem nos programas de composição musical. Todas essas outras profissões que você citou também merecem atenção.  Estamos aqui pra isso. Por isso a SÊLA existe. <3″

Noite Capixaba

No sábado (08/12) acontece a Noite Capixaba no Presidenta. Esta que contará com shows dos artistas My Magical Glowing Lens (ES), Cainã (ES), Severino (ES), Suspechos (SP), Gabriela Brown (ES), Auri (ES), Gavi (ES), DJ Morelo nos intervalos
e um espaço para uma Jam com quem quiser “chegar junto”.


MY MAGICAL GLOWING LENS_Victória Dessaune
Gabi do My Magical Glowing Lens. – Foto Por: Victória Dessaune

“A galera aqui tá fazendo muita música, toda semana eu ouço alguma coisa nova, descubro algo que nem sabia que existia! Tá muito fértil esse tempo pra gente. As Alquimistas vão lançar em breve, tô aguardando esse lançamento. Tem a Alice Pedrosa que tem várias composições mas ainda não lançou.

Fora isso, esse ano foi tenso: Gavi, Dan Abranches, Gabi Brown, Solveris, fora o que eu já conhecia: Melanina MC’s, Preta Roots. A Victória Dessaune apareceu como produtora, a Simone Marçal da Formemus! Tem a Transe que eu tô produzindo que tá pra lançar também. As minas tão comandando geral :P”, comentou Gabriela Deptulski, do My Magical Glowing Lens

A Gabi preparou também especialmente para o Hits Perdidos uma playlist especial com minas incríveis para prestarmos atenção.



Noite do Protagonismo Feminino Independente

O backstage e as produções independentes ganham uma noite feminina na SIM São Paulo. Esta que é fruto da parceria entre 3 musicistas/produtoras – Purple Produções (Sue-Elie Andrade-Dé/ THE SMELL OF DUST), Triluna (Ana Zumpano / Cinnamon Tapes / Lava Divers) e Nit (Stéphanie Fernandes/ PAPISA).

Esta que acontece no dia 07/12 à partir das 18 horas na Casa Vulva. Além dos shows, (20h45) THE SMELL OF DUST, (21h30) PAPISA e (22h30) Cinnamon Tapes, quem for poderá conferir a uma roda de bate papo sobre a experiência de ser mulher em banda de homem com Sue-Elie Andrade-Dé (THE SMELL OF DUST) / Ana Zumpano ( Lava Divers) / Amanda Buttler (Sky Down) / Letty / Rita Oliva (Papisa) e uma Conversa com Bah Lutz sobre o racismo no underground e apresentação do seu projeto de zine “Preta&Riot” 

A DJ Debbie Hell (Débora Cassolatto) também fará um SET para quem estender o rolê à partir das 23h15. Quem for mais cedo também poderá conferir a exposição de fotografias de show com o coletivo WE ARE NOT WITH THE BAND e Mariana Harder (de 7/12 a 16/12), os Brechós Fresh stuff / Beg a Gem, a marca de roupas feminina Black Rose Gang e se deliciar de comidinhas veggie/vegans da Umbora.


Buttler
Amanda Buttler da Sky Down e Thee Buttlers Orchestra estará presente para falar sobre a experiência de ser mulher em banda de homem. – Foto: Divulgação

Conversamos sobre produção com as produtoras responsáveis pelo evento.

[Hits Perdidos] Como suas experiências sendo recebida com a banda por outros produtores te ajudou a entender melhor o processo sobre o que fazer e o que não na hora de produzir?

Sue: “Estar em ambos os lados nos faz ter maior entendimento de como a coisa toda funciona, quais são as necessidades e prioridades e quais os pontos de atenção na organizacão de um show ou de uma viagem, por exemplo. Isso é um diferencial na hora de produzir.

Vejo muit@s produtor@s que não se atentam ou não tem interesse em conhecer a fundo um rider técnico ou detalhes essenciais para que o artista possa realizar um show minimamente de maneira confortável. Isso ajuda a enxergar as coisas de maneira mais ampla.”

[Hits Perdidos] Sue você também tem The Smell Of Dust e toca na OZU. Como suas experiências sendo recebida com a banda por outros produtores te ajudou a entender melhor o processo sobre o que fazer e o que não na hora de produzir?

Sue: “Ser guitarrista me ajudou como produtora a entender as necessidades que os músicos tem antes, durante e depois do show. De como uma produção bem feita faz tudo parecer natural e tranquilo. Quando não tem um bom produtor cuidando, fica difícil a gente se concentrar na apresentação e isso atrapalha bastante, é bom ter alguém que toma a frente de tudo e cuida do bom desenrolar do evento . Então, mesmo se eu já sabia, estar no palco me fez entender ainda mais a importância de quem está no backstage. Não é somente o artista que faz o show.

[Hits Perdidos] Como surgiu a PURPLE, como foram os primeiros dias e a adaptação ao país? Conte mais sobre os dois braços da produtora tanto de produção artística – e management – como também na organização de pequenos e médios shows.

Sue: ” Eu estou em SP desde 2013 e antes não trabalhava com produção de show, já tinha organizado algumas exposições mas nada de shows. Comecei a produzir aqui quando passei a morar com uma galera que trabalhava com isso e também tinha um projeto meu com qual eu queria tocar mas eu não sabia como fazer.

Acabei aprendendo observando eles e acompanhando eles nos shows para fotografar, pois Fotografia é a área na qual sou formada.

Purple surgiu mais tarde de forma abstrata no final de 2016 e se concretizou com o apoio de muitos parceiros no decorrer do ano 2017, na maioria mulheres.

Foi após receber convites de vários artistas para que eu trabalhasse na parte de produção dos seus shows que comecei a ver que realmente a Purple podia ajudar a profissionalizar os shows de bandas que não sabiam por onde começar para apresentar e valorizar seus trabalhos. De certa forma podiamos ajudar as bandas a se encarar como pequenas “empresas”.

Na época, eu trabalhava de forma independente para a Flora Matos, que foi a primeira artista com quem eu colaborei como produtora, durante 2 anos. Aprendi muito com essa Gig. Em paralelo organizava alguns eventos multi-culturais, exposições, e outras iniciativas, foi dai que comecei a amadurecer a ideia de organizar minhas próprias festas de forma mais regular e com as bandas e artistas nos quais eu aposto.

A produção artística é para mim potencializar o projeto das bandas e artistas para que seu show transmita o conceito por trás das músicas e que o artista não precise se preocupar com nada para além de tocar.

Na Purple conversamos muito com os artistas para entender quais são seus ideais, sua visão e até onde querem chegar com o projeto. É muito prazeroso ver um artista começar a entender tudo o que tem por trás do seu show e o quanto seu projeto pode ganhar força quando se começa a ter uma estrutura mais profissional.

Em relação ao management, é um braço mais complexo. É organizar e coordenar o projeto como um todo: o artista, a sua banda, o seu material, as suas expectativas e planos para o futuro, a realidade do mercado, a sua realidade dentro do mercado, a relação com o público e os mídia.

Purple trabalha de forma transversal para que alcancemos juntos os objetivos que o artista almeja. Acompanhamos de perto as etapas da carreira do artista, analisamos as oportunidades, encontramos soluções juntos para que o trabalho cresça e se fortaleça, às vezes pensamos em estratégias mas também gostamos de trabalhar de forma mais fluida e intuitiva para que não deixe nunca de ser agradável ou porque tenhamos que atender alguma expectativa do mercado. Afinal trabalhamos com Arte. A inspiração e o bem estar são fundamentais.”

Ste: “Sempre gostei de ajudar os amigos que tinham bandas à organizarem seus shows e materiais e sempre tomei frente da produção das minhas próprias bandas. Com o tempo, comecei a produzir eventos maiores profissionalmente em algumas agências, sempre à frente da produção artística e paralelamente comecei a levar o trabalho com as bandas mais a sério, pois começou haver bastante procura.

Parti então para a produção executiva de eventos maiores e me sinto completamente preparada para assumir também artistas maiores.”

[Hits Perdidos] Como vocês observam:

A – A pouca valorização de quem está na produção de eventos

Ste: “O trabalho d@ produt@r acontece nos bastidores, as pessoas não costumam visualizar o processo por trás daquele show ou evento pronto. Geralmente, divulga-se mais os artistas e e atrações, então somos a base para que as coisas aconteçam, mas não costumamos aparecer, é um trabalho de ninja!

Acho que a valorização depende muito do ponto de vista. Sinto meu trabalho reconhecido no meio em que circulo e o resultado disso é que venho crescendo tanto como produtora, quanto musicista. Um caminho levou ao outro.”

Sue: “Na maioria das vezes os produtores não são valorizados, tanto pelas casas quanto pelas bandas, por estarem exigindo o melhor ou às vezes simplesmente o combinado.

A maioria das pessoas não entende o que fazemos, porque quando uma produção é bem feita ela flui naturalmente e se torna quase invisível. Uma equipe bem coordenada e um cronograma bem pensado se desenrola de forma quase natural e isso passa despercebido. Se ninguém deu por nós, quer dizer que o trabalho foi bem feito.”

B – A maioria dos produtores e do ecossistema da música em si ser ainda dominado por homens. 

Ste: “Sinto que a união de mulheres produtoras e musicistas tem fortalecido bastante a cena. Vejo a maioria das meninas darem prioridade para outras mulheres, quererem bandas de mulheres e técnicas e profissionais do mesmo gênero. Apesar de acreditar que não devemos limitar as escolhas por gênero, percebo que por enquanto esse é o caminho para que mais mulheres tenham a chance de entrarem no mercado e ganharem experiencia, pois infelizmente, ainda as oportunidades não são as mesmas.”

Sue: “Quase tudo o que aprendi, aprendi observando homens, que em nenhum momento se ofereceram para me ensinar.

Eles não se incomodavam de ver eu tentando organizar meus rolês mas eles não viravam para mim e falavam, “não é assim, vou te ensinar” ou “Quer aprender ?”.

Lembro que na mesma época tinha um estagiário para quem eles ensinavam tudo, e era me pedido para fazer os flyers, logos ou editar fotos, mas produzir ou mexer com som era algo que só eles pareciam poder dominar.

Acabei interpretando sozinha o que precisava ser feito e qual era meu ideal de um evento bem produzido.

Felizmente conheci nessa época uma mina que trampava com produção numa loja e que se tornou um exemplo para mim, começamos a organizar eventos juntas e mais tarde quando comecei a trabalhar com a Flora conheci mais mulheres da música que passaram a me ensinar o que elas sabiam de forma muito natural.”

C – A importância de amparo a artistas jovens que vem de outros estados.

Ste: “Tenho conversado com uma galera mais nova de outros estados e por estarmos em São Paulo, temos uma visão mais abrangente do funcionamento do mercado e do mundo da música. Acho que devemos sim abraçar esses novos artistas, desde um papo sobre divulgação até a levar até eles rodas de conversa ou workshops sobre o que vemos e vivemos por aqui, pois realmente é uma experiencia rica para eles. Acho importante também incentivarmos o intercambio de bandas, trazê-los para as cidades maiores e oferecermos um suporte mínimo.”

Sue: “É muito importante para que as bandas possam conquistar seus públicos e mostrar suas identidades. O som de POA não é o mesmo que em SP, e por ai vai. Essa mistura é importante, e cria conexões muito frutíferas. Os músicos fazem colaborações, montam outras bandas, criam pontes entre suas cidades.”

D – O crescimento do protagonismo da mulher na música:

Ste: “A mulher na música finalmente esta em ascendência. Vemos muitas artistas tomando coragem de tirar da gaveta aquele projeto que está sendo pensado a tempos, e principalmente garotas assumindo instrumentos e se tornando musicistas. Acredito que é um crescimento em curva de crescimento! Ainda bem!!!”

Sue: “É um coisa linda e maravilhosa de se observar.

Na Purple a maioria das técnicas são mulheres e temos muito orgulho disso. Ver que tem cada vez mais espaços dedicados ao protagonismo feminino tanto nas bandas quanto na parte de produção, assessoria, técnica, feiras e festivais dedicados às mulheres é uma verdadeira vitória.

Ainda precisamos tomar mais nossos espaços!”


Sue
Sue durante apresentação da OZU no Breve. – Foto: Divulgação

[Hits Perdidos] Em que ponto observaram que a parceria poderia dar liga?

Ste: “Costumo trabalhar com a Sue nos eventos que produzo e eu e Ana produzimos juntas a Cinnamon Tapes, foi muito natural queremos estar juntas nessa.”

Sue: “No caso da Purple e da Triluna, primeiramente a admiração mútua e as afinidades musicais, ambas tocamos em vários projetos (The Smell Of Dust e Ozu no meu caso).

Depois tem um sororidade evidente e a vontade de compartilhar os espaços que conhecemos e os contatos que temos com outras bandas. Por estarmos produzindo, já estamos mais por dentro dos rolês e então podemos fazer essa assessoria para as bandas de fora ou as que tão começando.”

[Hits Perdidos] Quais outras mulheres as inspiram na hora de produzir?

Sue: “Todas minhas parceiras pelo mundo que são ou já foram auto-emprendedoras, nas artes em geral: Maria do Mar Rego, Lola Hakimian, Jessie Maucor, Lucile Chombart de Lauwe, Olivia Pierrugues, Léa Habourdin, Mariana Harder, Júlia Milward, Manuela Marques na produção: Ana Zumpano, Stéphanie Fernandes, Rafaela Piccin, Mariana Bergel, e na Técnica, porque não sou nada sem elas: Adriana Viana / Marzia Brini / Allyne Casini.”

[Hits Perdidos] Quais os maiores desafios na hora de produzir uma festa ou um evento independente? Por onde começa o trabalho? Quais as dicas dariam para quem está começando?

Ste: “O maior desafio é a falta de grana e achar assuntos relevantes que façam sentido ao escopo do projeto. Não se repetir. O trabalho começa em fazer uma curadoria viável e ao mesmo tempo interessante. A maior dica para quem está começando é: Faça! E não deixe de fazer! Só assim você vai aprender!

Sue: “Maior desafio é conciliar agenda das casas com agenda das bandas – criar um line up atrativo e que mistura bandas mais e menos conhecidas. É bom que quem tem público compartilhe com quem está começando.

Depois é fazer virar o rolê para que todos possam receber um cachê, seja com a bilheteria ou a venda de merchandising.

Dicas: conhece as casas que tem a ver com seu rolê, vai nos shows das bandas que você curte e troque ideia. O trabalho começa quando você tem uma banda e uma casa e/ou um público que quer ver seu show.”


Cinnamon
Cinnamon Tapes durante apresentação no CCSP, um dos palcos da SIM São Paulo. – Foto Por: Jairo Lavia

[Hits Perdidos] Além do público comparecer e ter menos problemas possíveis no dia do evento…o que para vocês significa sucesso no fim do dia?

Ste: “Sucesso no fim do dia é ver que o seu Line up e curadoria fez o maior sentido, que as pessoas saíram do evento pensando que foi foda!”

Sue: “Bandas felizes com contatos compartilhados e projetos novos 🙂 e ver que as condições estão reunidas para que possamos alcançar cada vez mais públicos. Ou seja que há espaço para nossa ambição!”

[Hits Perdidos] Contem mais sobre o evento desta sexta (7/12) e enumerem motivos do porque ver cada uma das apresentações.

Sue: “O evento de sexta começou com um convite que fiz para a Ana e a Stéphanie, ambas amigas minhas e musicistas que admiro. Ano passado eu já tinha produzido um evento na SIM São Paulo com minha produtora e quis convidá-las a somar comigo este ano com uma temática que reflete e simboliza exatamente nosso estilo de vida: somos mulheres independentes, empreendedoras, produtoras e musicistas.

Queríamos produzir um evento dedicado as mulheres incríveis que também trabalham com música, tanto no palco quanto no backstage, e estender isso a todas as mulheres que empreendem de várias formas para fazerem do seu trabalho o seu estilo de vida. Por isso o melhor lugar era a Casa Vulva – lugar de protagonismo feminino e feminista!

A programação é composta por nossas bandas Cinnamon Tapes (Ste / Ana), The Smell of Dust (Sue) e Papisa (Ste), todas lideradas por mulheres admiráveis, e que apresentam sonoridades e universos que dialogam.

Além dos shows teremos roda de conversa sobre ser mulher em uma banda de homem e apresentação do Zine Preta Riot por Bah Lutz, brechós, marcas femininas, exposição de fotógrafas de show, DJ Set!”

Noite PWR Records

Na quinta-feira (06/12) o selo pernambucano PWR Records também sediará uma das noites especiais de selos dentro da programação da SIM São Paulo.

Segundo elas será uma noite de exaltação à arte feminina e contará com uma equipe de produção inteiramente formada por mulheres. Na ocasião, a BEL apresenta seu trabalho solo e firma sua parceria com o selo. Seguida pelo duo SixKicks, que toca seu som sedutor e agressivo. Encerrando a noite, a Def dá um preview do disco, que sai no início de 2019.


PWR


Serviço SIM São Paulo 2018
Local: Centro Cultural São Paulo + 42 casas de shows
Data: 5 a 9 de dezembro
Programação: festa de abertura, showcases diurnos, programação noturna, conferência, networking & business
PRO-BADGE (credencial): R$ 280,00 (segundo lote – até 30/11) / R$ 350,00 (terceiro lote – a partir de 01/12)
Credenciados têm acesso livre à programação completa da SIM

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