Em novo clipe, Serapicos expõe as contradições das relações abertas

Em pleno dia dos namorados o Serapicos veio para fazer o que sempre fez de melhor: ser irreverente. No dia 11/06 foi lançado o videoclipe para “Sofá-Cama”, a primeira faixa a ser divulgada em dois anos.

A razão disso foi por conta de outras demandas e projetos. O vocalista Gabriel por exemplo: é produtor musical e recentemente lançou seu projeto solo, Compositor Fantasma.

A novíssima canção foi logo cutucar na ferida dos problemas de relacionamentos. Com a acidez de sempre, eles vieram para questionar a hipocrisia de certas atitudes e comportamentos que claramente mais geram atritos do que troca de afetos.

Diferente de seu álbum duplo, 17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer (2016), o tema da vez foram os relacionamentos abertos. Cada vez mais comuns eles querendo ou não acabam sendo “abertos”.

Não para todos os casais, afinal toda generalização é “burra” e vaga. Mas é comum algumas “regras não ditas” começarem a transparecer e gerar faíscas (além do edredom) em algumas situações.

“Se você quer ter um caso, se isso não sai da tua cabeça… tudo bem desde que não seja com alguém que eu conheça” diz certo treco da canção. Em outro pedaço ainda questiona “o espaço” de onde serem as transas e delimita o perímetro de atuação – e de como fazer.

Contradições, loucuras e epifanias que confundem a cabeça de qualquer pessoa sensata. Mas ao mesmo tempo relacionamentos poligâmicos ou monogâmicos nunca foram coisas simples. E isso claro deixamos para cada um ouvir e ter sua própria opinião. O fato é que o questionamento ser “colocado na roda” em 2018 é de fato muito pertinente.

O Clipe



A música mostra uma faceta ainda não explorada na carreira do Serapicos, a aposta no tecnobrega. Segundo Gabriel ele se inspirou nas melodias da banda Calypso o que deixa tudo ainda mais interessante e apimenta ainda mais a canção.

O registo também é a primeira vez que o músico participa escrevendo letra e melodia ao mesmo tempo, e também uma estreia no campo dos metais — usando o som do saxofone e do trompete.

Já o clipe que teve direção de Marcelo Perdido e Gabriel Serapicos, teve roteiro escrito pelo próprio músico e direção de fotografia de Bruno Graziano.

Entre dancinhas, atuações, metáforas, ironias, deboches e conflitos, o videoclipe protagonizado por Gabriel e Victória Vaz diverte mostrando diversas sessões de “terapia de casal”. Cada uma com um especialista mais louco que o outro. Claro que o sofá-cama não deixa de ser também um dos grandes protagonistas do clipe.

A faixa faz parte de uma trilogia de canções que deve ser lançada ao longo do ano.

Entrevista

[Hits Perdidos] Antes de mais nada que bacana ver vocês lançando material novo depois de um tempo sem material inédito. Posso acompanhar vocês desde o EP “Verde” que sempre que coloco para tocar me divirto tanto pelos arranjos, como pelas bem humoradas e trabalhadas canções. De lá para cá o som de vocês foi transformando bastante. Queria que contassem mais sobre o novo momento que tem vivido e a expectativa que este novo registro carregará.

Gabriel: “Nos últimos 2 anos, tenho vivido e cultivado projetos musicais diferentes: alguns shows do Serapicos, carreira de produtor, gravando disco de outros artistas, e um projeto de compositor, com músicas interpretadas por outros artistas.

Os outros da banda também tem seus projetos pessoais diversos. Ironicamente, “Sofá-Cama” fala sobre um relacionamento não monogâmico que poderia se aplicar a banda também (risos). E acho que ela marca o início de uma nova fase do Serapicos, que ainda não sei dizer o que é. Vamos soltar mais singles, um pouco como quebra ao álbum-duplo de 2016.”

[Hits Perdidos] A pouco tempo você também se aventurou a lançar um material solo, com uma sequência interessante de clipes, feitos de maneira divertida e DIY. Como tem sido esta experiência e como isso ajudou no desenvolvimento deste novo processo com a banda?

Gabriel: “O Compositor Fantasma é um projeto para eu me soltar mais como compositor, sem muito compromisso com toda a parte de divulgação, ou montar um show megalomaníaco. Como tenho muitas canções engavetadas, fico com aflição de deixá-las escondidas. É um projeto auto terapêutico, mais lo-fi, romântico. E, de certa forma, me fez selecionar mais as músicas que vamos gravar com o Serapicos, já não sinto necessidade de lançar todo o material, como fizemos no álbum anterior.”

[Hits Perdidos] Fiquei surpreso em ver esta nova faceta techno-brega do single, de onde veio a ideia? Estão em constante pesquisa por novos elementos e sonoridades?

Gabriel: “Quando escrevi a primeira versão de “Sofá-Cama”, era uma balada folk, meio lenta, triste — a progressão de acordes remete bastante a isso. Mas a temática da letra e a melodia do refrão foram me instigando a tentar algo mais diferente. Ouvi umas músicas do Calypso como referência. Para cada canção, tento buscar as referências em lugares diferentes.”


Serapicos
Serapicos. – Foto: Divulgação

[Hits Perdidos] Acho interessante a temática da faixa também. Afinal de contas essa contradição do “espaço” de cada um dentro de um relacionamento aberto acaba por sua vez destruindo muitos relacionamentos e deixando um ar pesado no ar. Após um álbum que também teve em parte abordado a temática dos relacionamentos, a faixa veio como um desdobramento? E como tem sido a reação dos mais próximos ao ouvirem a canção?

Gabriel: “Acho que essa música acaba sendo mais otimista do que as do álbum anterior, apesar de não ser uma história feliz. Tenho tentando assumir um lado menos niilista nas letras ultimamente. Os mais próximos dão risada, porque já acham que tudo que eu escrevo é um deboche irônico (o que nem sempre é verdade).”

[Hits Perdidos] Além disto vocês lançaram um video clipe para a canção. Qual foi a ideia que queriam passar com o clipe?

Gabriel: “A ideia do clipe é contar a história de um casal tentando fazer o relacionamento dar certo depois de muito tempo juntos. O Pedro é um terapeuta incompetente, o Matheus, um guru espiritual que se acha incrível, o Caio, um padre sem segundas intenções.

São arquétipos Serapiquianos. A conclusão é de que só é possível reatar a química do casal, voltando no tempo. Acho que a ciência vai dar conta disso em algumas décadas.”

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