Com carreira sólida no exterior, Name the Band lança o single “I Wonder”

Transpiração, vivência, contatos, boas maneiras, know-how e persistência. Fácil de falar e difícil de fazer. Isso serve de certa forma para tudo na vida. E talvez isso que muitas vezes separe o alcance e sucesso de bandas com uma proposta de som similar.

Não adianta. Não estamos na era de rockstars mas nem por isso não seja impossível sonhar mais alto. Se você assiste o documentário “No Room For Rockstars”, sobre a Warped Tour, você logo nota que tem muita integração, profissionalismo e humildade entre todos os envolvidos do ecossistema da música nos Estados Unidos.

Muitas bandas brasileiras separam um mês para fazer uma turnê na Califórnia, uns showzinhos em NY e quem sabe uma passagem pela Flórida. Mesmo que isso sirva mais para alimentar redes sociais e trocar seus instrumentos por novos (e com preços melhores).

Você com certeza irá identificar uma série de bandas que apostam firme e investem uma grana pesada sem pensar muito em como isso irá dar retorno. O que em primeiro plano parece legal, depois que você analisa friamente, nem é tão produtivo em si.

Ir para o SXSW e poder só tocar lá sem visto de trabalho nos EUA seria algo inteligente até onde? Bom, tem sua função, claro mas se não aproveitar da feira e da rede de contatos que estão em Austin naquela época (entre bookers, selos, publishing, etc) acaba se tornando mais uma viagem de verão.

Dói ler isso mas tanto planejamento não deveria ser em vão, e sabemos que muitos fazem isso apenas parar “conseguir notinhas” e quem sabe torcer para “quem sabe” ter mais visibilidade no mercado nacional. O que é válido mas até onde?

A Name the Band fez algo diferente neste aspecto. Radical e ousado eu diria.
Decidiram depois de anos estudando todas as possibilidades e cenários, imigrar para Los Angeles, na Califórnia. Mas o que os diferencia de outras bandas que se arriscam? O planejamento e conhecimento de como aquele mercado que estavam embarcando funcionava.


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A Name The Band saiu de São Paulo em 2014 rumo a Los Angeles onde fixou raízes. – Foto Por: Tami Lima

Não adianta. Não bastava largar emprego, família, casa em São Paulo e viver o sonho americano. Sem planejamento e sem conhecer o comportamento e os desafios do lugar onde estão se mudando, durariam um ano e provavelmente desistiriam.

Eles foram justamente para a direção de se informar tanto no preparo para como lidar com um agente americano, quais eram as casas e qual era o comportamento e postura que deveriam ter em relação ao mercado. Sim, ao mercado. Eu sei que vocês odeiam quando eu falo que ter uma banda é também ter uma empresa.

E convenhamos, não é por não ter muitas vezes CNPJ que isso não seja uma verdade. A parte criativa de criar e se envolver em compor novos sons é a parte divertida. A partir do momento que entra no estúdio para gravar, agiliza contatos de engenheiros de som, produtores, agências de PR e booking. A coisa começa a ficar séria.

Sei o que você está pensando: “mas no Brasil não é bem assim….”. Bom depende de quem você está falando. Nosso mercado está a cada ano se tornando mais profissional e o fato de algumas bandas constantemente sempre terem espaço não é por sorte. É literalmente trabalho. Um trabalho que para muitos é considerado “chato”, “repetitivo” e “não criativo”. Ninguém falou que ia ser fácil.

Eu pude conhecer e frequentar alguns shows da banda enquanto moravam em São Paulo, eu não sei se eles lembram mas lá para 2014 eu fiz uma mixtape que contava com eles. O som era “All In”. Após a mudança eles lançaram o segundo álbum Summer Lush (2016) este que foi gravado com o produtor Al Sgro em seu estúdio The Chalet e lançado pelos selos lolipop records e Burguer Records.

Foi um momento de aprendizado em que eles foram encontrando sua sonoridade, passando então a incorporar em seu som influências de Garage Rock e lo-fi pop. Mas ao meu ver a essência da banda nunca sumiu, sempre foi dançante e cativante, o que teve mesmo foi uma evolução no campo da produção. Um mérito compartilhado com o produtor.

E o que adianta todo esse esforço sem seguir a cartilha que todas as bandas deveriam seguir? Nada. Então o que fizeram? Colocaram o pé na estrada. Entendendo como o mercado e o showbizz americano funciona. O intercâmbio com outras bandas proporcionou uma agenda que já acumula mais de 200 shows e passagens por seis estados norte-americanos.

Toda essa passagem gerou reconhecimento de artistas consagrados como Mike Watt (fIREHOSE, Minutemen, Missingmen), Mark Stoermer (The Killers) e Pete DiStefano (Porno for Pyros). Muito disso pelo trabalho duro e de base, este muito valorizado pelos estado-unidenses. Tendo um público latino forte, principalmente mexicano e brasileiro, eles pretendem em breve fazer uma turnê para matar as saudades de casa.

Sorte de principiante?

Nada disso, trabalho. A banda formada por Zeh Monstro (Voz e Guitarra), Vini Marmore (Baixo e Backin Vocals), Gabriel da Rosa (Guitarra e Backin Vocals) e Beto “Careca” Kauer (Bateria e Backin Vocals) em 2012 passou por todas as fases que uma banda independente passa no Brasil. Tocou em casas ruins, lidou com produtores picaretas, levou calote e tocou em festivais pequenos, médios e grandes.

Inclusive em 2013 tocaram no Lollapalooza. Desde lá a mentalidade como banda deles já os encaminhou para lutar pelo sonho de se estabelecer longe do país. E não caras, não foi tão fácil, não foi a primeira banda deles. Zé por exemplo já tocou no Holly Tree, Borderlinerz e Last Post.

Isso não quer dizer que você não possa acertar com a sua primeira banda e evitar erros. Muito pelo contrário, felizmente hoje em dia com a internet podemos conversar e aprender mais sobre como pular etapas e não queimar cartucho. Ou seja, não deixe de trocar experiências e contatos.

O Novo Single “I Wonder”

Após a pausa de uma turnê que já durava quatro anos, eles lançam nesta sexta-feira (15) o single “I Wonder”. A faixa estará presente no EP Spark que será lançado em Julho.



“I Wonder” tem uma atmosfera chill wave lo-fi com aquele toque de garagem revivida com sucesso nos anos 00′ em bandas como Strokes e Libertines. Altamente dançante, a canção tem potencial de balada e dá espaço em sua mixagem para o baixo duelar com a guitarra. Irá agradar com certeza fãs de Mac Demarco, Arctic Monkeys e The Hives. Em breve o single deve ganhar um videoclipe então fiquem ligados e acompanhem a banda nas redes sociais.

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