[Premiere] Paquetá surfa por mares revoltos em “Badtrip for Democracy”

Os ares no pipeline do momento político estão conturbados. Uma correnteza se aproxima e nos próximos meses seremos obrigados a nadar contra a maré.

Afinal de contas, com as eleições e um turbilhão de escândalos, “vaquinhas” legalizadas para financiar campanhas, falsas promessas… uma maré alta de expectativas e muita confusão está por vir. Se o país não se sente seguro com seu navegante, imagina com os nomes até agora revelados que tem “chances” de concorrer.

Muito está por vir, mas o momento de apatia, mar agitado e mal estar já está sufocando a população. Não é muito difícil observar nos recentes lançamentos sejam eles de rock, rap, MPB e eletrônica a manifestação e o sentimento de inquietação, ansiedade e apreensão.

É delicado mas necessário colocar a prosa em direção ao vento. Se não fizermos nada agora, não serão eles que farão por nós e apenas restará amargar por mais quatro anos de incertezas e tempestades.


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Paquetá lança seu segundo EP com Premiere no Hits Perdidos. – Foto Por: Lucia Marques

Esta sensação de que algo deu errado pelo caminho dá o norte do segundo EP da banda Paquetá de Canoas (RS). E isso transparece na narrativa de Badtrip for Democracy. Tudo isso com muito bom humor, acordes que soam como a instabilidade de uma nau e o farol de alerta acesso.

Em sua formação a banda conta com Fogaça (bateria), Daniel (guitarra) e Wender (baixo) e Vinicius Dagger (guitarra). De cara o nome do novo registro nos remete ao clássico dos Dead Kennedys, Bedtime for Democracy (1986), porém eles mesmos justificam que o momento de instabilidade política e social que temos vivido que motivou o trocadilho.

O lançamento vem em boa hora, já que os gaúchos virão para São Paulo para uma série de shows no mês que vem. Inclusive com datas marcadas para o Estúdio Aurora e Associação Cultural Cecília.

O registro também marca o começo dos trabalhos ao lado do amigo e produtor Bolha, Jeferson Marchetto. Sucessor de Surfadelic Dream, EP que no nome brinca com os Ramones, eles tem o plano (ousado) de lançar ao menos um disco por ano.

Paquetá – Badtrip for Democracy (16/05/2018)

O espírito D.I.Y. está presente em todos os elementos do trabalho. A capa por exemplo foi confeccionada pelo guitarrista – que também é Designer e tatuador – Daniel Hogrefe que fez questão de sintetizar a narrativa das canções no desenho que mostra a violência policial através de colagens – e cores vibrantes.

As fotos promo por exemplo foram feitas pela amiga Lucia Marques que é especializada em fotos analógicas, colagens e recentemente foi a responsável pela foto da capa do EP da banda The Completers.

Além disso, como eles mesmo contam, as horas de ensaios muitas vezes são trocadas por tatuagens e até a gravação teve a troca por serviços de comunicação.

Tudo isso mostra a força de vontade e o quanto eles acreditam no projeto. Eles não procuram desculpas ou empecilhos para frear a produção e isso acaba sendo transmitido ao longo das 6 faixas que compõe o disco.

Este que foi gravado pelo produtor Bolha no Estúdio Navarro (Canoas / RS). Como a própria banda frisa por mais que o som passeie pelo Surf Rock, e o produtor veja eles como uma banda punk, eles além de ouvir um pouco de tudo ainda organizam e participam de shows envolvendo bandas dos mais diversos estilos musicais.

Falando em texturas, Bolha se inspirou na sonoridade dos discos do Hüsker Dü, Candy Apple Grey, e  The Cure, Three Imaginary Boys. Foi o norte que ele deu na hora de produzir o disco, e um fato que não sabemos todos os dias por parte das bandas.

Claro que as influências deles não se limitam a isso, mas as texturas foram pensadas por estes caminhos. Um fato interessante foi de que quando estavam já com as baterias gravadas, o produtor viu vídeos do Steve Albini captando as bateras e resolveu testar. Fez eles refazerem tudo e o resultado agradou bastante a todos. Dando assim um novo corpo.



A sensação de onda errada – e certeza de “vaca” – já é transmitida na faixa que abre o registro, “Na rua liberdade vendi minha alma para o diabo”, como eles mesmo contam ela vem de uma ansiedade e expectativa frustrada.

Seus acordes mais reverberantes já mostram o tom de fuga e preocupação, a bateria tem um aspecto mais sujo de fato e por isso tem aquela textura citada de Hüsker Dü e Dead Kennedys enquanto as guitarras te jogam naquele meio termo entre Agent Orange, Beach Boys e a neo psicodelia.

Vale lembrar que a faixa é uma das já antigas composições da banda mas com a nova gravação ganhou um novo contexto e roupagem. Ela ganha elementos de ansiedade, caos, fúria, despretensão e a famosa badtrip.

Na sequência vem outra antiga, “Tarde em Paquetá”, que traz aquele clima praieiro de levar o cooler lotado de cerveja para a praia, farofa e passar a tarde com os amigos jogando conversa fora entre um castelo de areia, um sorvete e um caldo.

Os gritos me lembraram os de “London Calling” do The Clash, em seu instrumental o surf rock se funde com o rockabilly e o rock de garagem dando uma perspectiva animada e anárquica. Fora Haoles!

“Fashion Fino” na visão da cronologia da história seria como “juntar os cacos”, após a bebedeira – e a ressaca do mar. Ela tem muita pressão no baixo, e me lembra muito a ótica de séries de agentes secretos da década de 60.

Até faz sentido já que a banda por si só tem como inspiração a sétima arte em várias de suas composições. O ar de suspense e desconfiança está no ar. Basta saber: quem irá nos salvar?

Suas distorções também tem aquela perspectiva do sci-fi podendo em si remeter batalhas intergaláticas de filmes B, porque não? O imaginário da surf music instrumental nos permite todos estes devaneios. Assim como o EP do Robotron que saiu recentemente.

Na sequência vem “Kaikubreu” que é o hino do DEU RUIM, Irmão, volte 3 casas. Já começa com um enquadro da polícia no melhor estilo repressão policial do período da ditadura militar. Até mesmo com um sample de um filme para deixar tudo bastante contextualizado.

Seus acordes são mais derretidos e despertam a ira, seus efeitos lembram as sirenes da polícia e o ritmo é de fuga. Vale lembrar que a faixa foi o primeiro single a ser lançado do novo trabalho.

“Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha e se esculhamba” é literalmente um relato sobre embriaguez após chutar praticamente todas as latas da rua e caminhar torto pelas vielas da cidade. Ela é uma faixa de transição, com falas de um “borracho” transtornado e arrependido.

A faixa que fecha o EP chama bastante a atenção por dois motivos, o primeiro é que o nome nos remete a um clássico filme, o segundo é que a banda não toca o esperado.

O filme em questão é The Good, The Bad, the Ugly”, e fugir do esperado é porque não é uma canção de surf rock e viaja por outros universos como o do post-punk e a lisergia, se você gosta de Pixies, vai pegar a epifania desta canção.

“The Good, The Bad, the Ugly & The Dagger” é feito um caminhar lentamente por territórios obscuros cheios de armadilhas e repletos de encrencas. Tudo se esvai feito uma onda perfeita que quebra antes do esperado.


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O segundo EP da banda Paquetá de Canoas (RS) experimenta novas texturas sonoras e tenta criar uma história repleta de elementos que conversam com o atual momento de incertezas do cenário político do país. Ao mesmo tempo que soa pesado, é divertido e envolvente, já que o surf rock não consegue deixar ninguém parado.

Badtrip for Democracy tem seu lado sério ao mesmo tempo que é despojado e experimental. Irá agradar fãs de música em geral por ser leve, viajado e ligado nos 220v.

Entrevista

[Hits Perdidos] Antes de mais nada eu gostaria de parabenizar pelo novo approach do som da banda, dá para sentir a encorpada que o som ganhou em relação ao já divertido EP anterior. Queria que comentassem mais sobre a nova fase da banda e o entrosamento de estúdio, soube que a produção foi um momento importantíssimo e que mudou bastante coisa, conta para a gente.

Paquetá: “Não diríamos que é uma nova fase, mas é a continuação de um ciclo. O primeiro EP foi de um jeito e resolvemos experimentar outras coisas neste segundo. Essa encorpada se deve ao fato de uma maior atenção com a produção e captação dos sons.

Estamos nesse processo há um ano, entre pausas para outros projetos da banda, férias e agenda de shows. Nos envolvemos mais com todo o processo dentro do estúdio. E esse envolvimento gera uma carga “emocional”, saca?

E isso muda muita coisa e também faz com que a gente aprenda muita coisa também em diversos âmbitos. Escolhemos gravar com um amigo muito próximo da gente que foi o Bolha e isso fez toda diferença.

Ele foi muito atencioso e se preocupou bastante com essas coisas de captação, pesquisa de timbres e equipamentos pra gravar. Tanto que gravamos as bateras duas vezes pra testar uma microfonação que chegasse naquilo que ele queria pro disco. Lembro que ele tava escutando bastante coisas do Steve Albini no inicio do processo e quis gravar as bateras de novo depois de ter visto um jeito que o Albini microfonava a batera.”

[Hits Perdidos] Badtrip For Democracy, um trocadilho por si só genial. Embora remeta aos Dead Kennedys vocês contam que tem a ver com o momento político atual que estamos vivendo. O que esperam das discussões, promessas e “carnavais televisivos” dos próximos meses? Vocês estão assustados do que está por vir? Como acreditam que sonoramente isso é transmitido nas canções?

Paquetá: “Acho que nossa democracia está passando por uma badtrip terrível. Tá todo mundo assustado porque ninguém tem ideia do que esperar, é tudo muito absurdo. Nós prestamos atenção na rua, nos lugares onde andamos, nas pessoas ao redor com quem convivemos e é visível que algo estranho está acontecendo. Os ânimos estão exaltados, as pessoas não têm dinheiro, está todo mundo fudido e tá todo mundo meio puto, mas ao mesmo tempo ninguém sabe muito bem como mudar isso…

O disco meio que conta uma história, e como é instrumental fica tudo muito subjetivo e cada pessoa pode interpretar de um jeito. “Na rua liberdade vendi minha alma para o diabo” é aquela sensação de sexta às 17h, esperando pelo rolê de mais tarde, é uma festa que passa dos limites, onde algo dá errado de alguma forma e você acorda na praia em “Tarde em Paquetá”, às duas da tarde com o sol torrando na cara, e já que já tá ali, passa à tarde ali mesmo, bebendo 3 latão por 10 reais, na volta você “Fashion fino” que é tudo que sobrou, mas dá ruim, você toma uma “baculejo” e acaba “Kaikubreu”.

Enfim “Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha e se esculhamba” é a volta pra casa, podre de bêbado ainda, cabeça latejando, mas feliz… por que estar vivo é bom. “The good, the bad, the ugly & the dagger” fecha o disco. É aquele momento em que você deita, mas está doido demais pra dormir ainda, e fica sonhando acordado e torcendo pra não vomitar, enquanto tudo gira e você não sente muito bem seu corpo.

Acho que da pra traçar um paralelo entre essa história, que pode ser a história de qualquer um, e o momento atual do país, tudo parecia estar melhorando, mas no meio do caminho deu algo errado e tudo ficou estranho, acho que agora nossa democracia deve estar deitada na cama, olhando pro teto, com o estômago revirando e torcendo pra não vomitar.”

[Hits Perdidos] A capa é um show a parte, uma colagem feita inclusive pelo guitarrista Daniel Hogrefe, queria que contassem mais sobre como ela se relaciona com as faixas do disco – e sobre seu processo de criação.

Daniel: “No meio do processo de gravação, o Wender se apaixonou pelo Carlos Reichnbach e me indicou alguns filmes dele e acabei me apaixonando também. Acho que os filmes dele são muito brasileiros, são um Brasil com o qual consigo me identificar.

Vejo meus familiares nos personagens, vejo meus amigos e o tio do mercadinho nessas obras. Sempre tem um lance de buscar um paraíso perdido, tentar voltar a um tempo em que as coisas eram melhores e mais puras e eu tentei contar mais ou menos isso na capa também.

Tem umas praias no fundo, uns coqueiros, gente se divertindo, mas tá tudo meio derretido e distorcido, lá no fundo, inalcançável, e em primeiro plano, o agora, tem uma cena de repressão policial da ditadura, que meio que representa o momento que a gente vive, um momento de perda de direitos, onde tão tentando nos assustar mesmo, pra gente ficar quietinho e trabalhar pra encher o bolso de quem tá em cima.

Ser artista não dá dinheiro, ser musico não dá dinheiro, tem gente que trabalha 8 horas por dia, fica mais umas quatro horas se locomovendo e isso também mal dá dinheiro

Acho que a capa se relaciona com os sons num sentido amplo, de tentar trazer um mesmo sentimento e englobar vários sons dentro de uma mesma estética, meio punk, meio psicodélico e com uns coqueiros e uma praia porque a gente toca surf, né.

O processo de criação é mais um processo de pesquisa, de tentar achar uma imagem que traga esse sentimento, geralmente passo uns dias baixando imagem e depois vou organizando aqui no computador mesmo, antes eu costumava imprimir e fazer tudo no “analógico”, mas percebi que pra alterar o formato, adaptar pra banner, capa de facebook e etc, fica mais complicado, então agora faço quase tudo direto no photoshop mesmo, tirando as imagens do fundo, que imprimi e xeroquei e escanei de novo, pra dar essa distorcida e o efeito de retícula. A parte mais difícil foi recortar a foto do policial sem mouse, mas ai a Flávia me ajudou e cortou pra mim, obrigado Flávia!”


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O lidar com os escambos e trocas ajudou a banda a finalizar seu EP. – Foto Por: Lucia Marques

[Hits Perdidos] Soube que vocês também fazem uma série de “escambos” para conseguir ensaios, shows, gravações. Contem mais sobre essa rotina de se virar da maneira que pode dentro do cenário independente.

Paquetá: “O cara tem que usar as armas que tem. O esquema do escambo pra gente é tentar viabilizar nossos projetos sem depender do valor “simbólico” do dinheiro. Utilizamos aquilo que sabemos fazer pra girar a banda. Daniel troca tattoo por ensaio, Wender trocou trampo de comunicação com o Bolha pelo EP e assim vai indo. Também é uma forma da gente criar laços mais fortes nossa comunidade. Cada um vai fazendo algo que sabe e assim vamos crescendo juntos.”

[Hits Perdidos] Falando em cena, como enxergam a cena da cidade, o que acham que falta e quais bandas destacaria? Soube que vocês também produzem “rolês” por aí, como funcionam essas festas? O engajamento é legal? Quais dicas dariam para bandas que querem tocar por aí?

Paquetá: “Pra quem não sabe nossa cidade é Canoas. Vivemos numa cidade que pode ser chamada de cidade subúrbio, saca? O trem divide a cidade em duas partes. Por muito tempo toda movimentação girou ao redor de indústrias, universidades e essas coisas. Também por viver ao lado da capital muita parte da cultura produzida aqui não é muito consumida aqui.

Faltam espaços pra tocar, o underground é under mesmo e a galera sempre preferiu curtir uma noite confirmada na capital, saca? Acho que é um sintoma universal isso. Mesmo assim é necessário que exista uma produção e resistência local.

A gente frequentou muito o rolê punk daqui e aprendeu muito com essa base do diy. Se ninguém faz, façamos, né! De tempos em tempos alguma coisa abre aqui, há uns cinco ou seis anos temos o Black Bird e, recentemente, o Navarro também abriu as portas pro rolê autoral. Fazemos nossas festas nesses dois lugares aí. O esquema é aquela coisa de incentivar a produção e fazer essa roda girar. Sem espaço pra tocar, não tem banda nova surgindo e assim vai, saca?

As bandas da cidade que a gente lembra agora e gosta são essas aí. Não tem uma unidade sonora, saca? A unidade do rolê é a amizade mesmo. Já não acontece tanta coisa assim pro esquema ser dividido. Então, acho que todo mundo se tromba no mesmo rolê de certa forma.”

Lista:
Aster
Mondo Calado
Ziggy ama Tom
Gentrificators
Los Cochos Virados
CxFxCx
The Fliers
I.C.H
Cor do invisível

[Hits Perdidos]  Vamos falar sobre referências, o mais legal de conversar com vocês é saber que vocês não se fecham a um estilo e tem uma pluralidade como características nas influências muito além do surf. O que vocês piram escutar que os fãs nem desconfiam?

Paquetá: “A gente escuta bastante música eletrônica, kraut rock e essas bandas novas que tão chamando de devocore, rsrs, tipo The Coneheads e Uranium Club. Também escutamos uns lances tipo Connan Mockasin, Vulpeck, Anderson .Paak e por ai vai.

O Dagger até tem um projeto junto com a Josy (baterista da Fulana Punk) chamado de Joint. Dá pra escutar aqui, pra quem gosta de techno e house.”

[Hits Perdidos]  “Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha e se esculhamba”, é meio que um desabafo e fala sobre sentir dor. Queria que contassem mais sobre essa passagem e o porquê de estar dentro do registro.

Paquetá: “O título foi retirado do filme “O bandido da luz vermelha”, de Rogério Sganzerla. O Wender curte muito cinema e traz algumas referências que colaboram pra banda. Também é curioso isso pois a surf music está muito associada ao cinema b, filmes de sci-fi, sempre uma coisa meio que alimenta a outra dentro desse universo estético.

E a gente optou por beber de fonte do cinema marginal brasileiro. Até porque pra gente é uma referência bem próxima, não só estética, mas de pensamento. Esse lance do cinema marginal e da boca do lixo pra gente diz muito e faz muito sentindo ainda. Tipo essa frase aí é de um filme de 1968 e permanece super atual ainda.

Já o áudio da faixa surgiu de um áudio que o Fogaça mandou pra gente no grupo da banda no whats. O áudio também tem um sentido muito próximo com o nome da faixa, mas acho que fala sobre sentir dor e mesmo assim estar “confortável”. Saca?

É um lance do cara voltando pra casa, cansado, bêbado, mas feliz por estar com os amigos. Acho que o lance do avacalhar e esculhambar também é meio isso. Chega uma hora na vida que a gente não sabe o que fazer, mas tem que estar feliz por estar vivo e aproveitar o presente mesmo, saca? Não é sobre se contentar com pouco, mas se contentar com o presente e saber lidar com isso da melhor forma.”


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A narrativa do EP envolve bebedeira e uma ressaca sem fim. – Foto Por: Lucia Marques

[Hits Perdidos] Porque optaram por resgatar músicas antigas? E muito legal isso de em “The Good, The Bad, the ugly & The Dagger” vocês mostrarem um outro viés da panela da banda. Contem mais sobre como essa composição surgiu, ela tem certamente um pouco de post-punk e outros elementos que fogem do que costumam mostrar.

Paquetá: “Essa música começou com uma pira meio filme de faroeste. Até no início tinha um assobio que lembrava uma trilha do Ennio Morricone e daí que surgiu o nome. Mas daí o som mudou bastante e entrou num lance mesmo mais “teto lisérgico” mesmo.

A nossa amiga Lilian até falou uma vez depois de um show, que durante esse som ela fechou os olhos e imaginou caminhando nas nuvens e numa hora que o som muda ela já tava em queda livre e tal. Sei lá, a gente escuta várias coisas então é meio normal surgir composições um pouco diferentes do surf punk pra tocar. Até pq a gente formou a banda sem saber tocar direito e foi fazendo som. A gente sabia que ia ser punk só pela essência da coisa, mas foi moldando isso com o tempo mesmo.”

[Hits Perdidos] Sobre as texturas, vocês contam que o Bolha, Jeferson Marchetto, teve como referências Husker Du e The Cure, foi algo que foi em consenso ou ele sugeriu e vocês se amararam?

Paquetá: “Começamos esse processo bem “verdes” com essa falta de experiência em estúdio e fomos amadurecendo as ideias durante esse trabalho. O Bolha é bem mais experiente. Já gravou várias bandas, mas geralmente eram bandas mais rock, mais pesadas, mais stoner, saca?

Dai agora ele tá trampando no Estúdio Navarro e grava diversas coisas lá. Então, ele tá numa fase de bastante experimentação. Ele pirou em gravar a gente pq poderia experimentar diversas texturas. Facilitou nesse processo por ele ser nosso amigo, como falamos antes, mas também por ele conhecer bem a banda, as ideias da banda, já ter visto diversos shows e estar próximo do nosso ambiente.

Então, ele já tinha uma ideia do que a gente era no ao vivo, saca? Acho legal que essa função do produtor é como se fosse uma leitura da banda. Cada produtor pode tirar uma coisa diferente do mesmo produto, saca?

Pro Bolha, a gente é uma banda punk dos anos 80 (risos). E ele tentou tirar essa sonoridade mais crua presentes do primeiro disco do The Cure e do Candy Apple Grey do Husker Du. A gente curte pra caralho esses discos também, mas toda essa parte de textura e produção é obra do Bolha que bebeu bastante dessas fontes aí.”

Playlist no Spotify

Para fechar pedi para que eles montassem uma playlist com sons que tem ouvido e que serviram como referência para o EP. O resultado é surpreendente!

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Playlist Paquetá


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