21 Erros que as bandas cometem ao lidar com a imprensa

Vocês nem imaginam o quanto tempo eu evitei esse tipo de post. Mas por outro lado ele é informativo, enriquecedor e acredito que será útil para as bandas e se tem uma coisa que tento ser por aqui é didático. Então vamos lá!

Artistas e bandas lançam material todos os dias e dos mais diversos estilos e qualidades. E claro, todos querem seu lugar ao sol, uma notinha, entrevista, resenha, que seu clipe saia em primeira mão em um veículo bacana. Nada de novo para ninguém.

Mas muitas vezes o lidar com a imprensa e com um desconhecido em geral é difícil. Eu sei bem, já estive ajudando artistas a divulgar seu material nos mais distintos canais. As pessoas tem percepções diferentes, educações diferentes e níveis de profissionalismo diferentes (se vocês entendem do que eu estou falando).

Porém nada como apontar para vocês alguns ERROS um tanto quanto bizarros e que poderiam ser evitados com uma conversa. Já que não consigo manter esse dialogo um a um com tanta demanda de conteúdo que recebo, decidi fazer este post.


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Principais erros que as bandas cometem

1 ) Não diz bom dia/tarde/noite e joga um release de qualquer jeito.

Educação sempre em primeiro lugar. É um estranho que nunca te viu na vida e você precisa conquistar a confiança para que ele dê o play no seu trabalho. Cumprimente o jornalista, se apresente, conte por alto sobre seu trabalho em um pequeno paragrafo antes de “mandar bala” no seu release. Pode parecer besteira mas o primeiro iceberg desmorona aí.

2 ) Chega solicitando entrevista sem o jornalista pedir.

Em seu release você pode falar que está “aberto a receber entrevistas”, isso as vezes cria interesse do jornalista se interessa. Mas conte uma boa história, todo disco tem uma boa história: não importa o estilo, o conceito, a história de vida por trás.

Porém você chegar impondo que está solicitando uma entrevista, além de soar agressivo, você está tentando passar por cima do “filtro” de seleção do veículo. E convenhamos ninguém gosta que um desconhecido chegue na sua casa tirando o tênis e deitando no sofá. Pensa que ele tem todo o direito do mundo de não gostar do seu disco – e se ele te achar mal-educado, você já começa o jogo perdendo.

3 ) Chega com o papo de “Conforme falamos no facebook” (só que nunca nos falamos).

Adapte para sua vida cotidiana, se alguma pessoa chega pedindo favor e mentindo que te contactou através de qualquer situação (rede social, bar, faculdade, etc), você não vai achar estranho? Pois é, além de passar por mentiroso ainda faz com que tenham um pé atrás com qualquer ação sua após o fato.

4 ) Mandar um convite para divulgar um evento de lançamento virtual

Apenas não faz sentido. Se você não vai oferecer um conteúdo que renda pauta para o jornalista, não envie. Você queima seu “cartucho”, corre o risco de não ser respondido e se for ainda levar uma “dura” do tipo: “Isso não é pauta para mim, venha com algo mais substancial”.

5 ) Troca o nome do jornalista por o de outro contato, ou trocar o nome do veículo.

Isso acontece com certa frequência. Não cometa esse erro. Personalize cada e-mail que você for mandar individualmente. Além da pessoa sentir que você não a trata como mais uma pauta, você mostra o quanto quer aquele espaço.

Se você trocar essa informação, a chance dele te ignorar ou deletar o seu e-mail é alta. Questão de boas maneiras. Ele nem vai pensar que 5 minutos antes você mandou para outro, só vai falar: “Quer espaço aqui mas me trata como mais um post qualquer.” ou então “Quem é VXYZ citado?”.

6 ) Oferece material “exclusivo” copiado no e-mail 30 contatos.

Pode até parecer lenda mas acontece o tempo inteiro. Se você está planejando uma estratégia de lançamento exclusivo, foque em um veículo, dê uns dias de prioridade.

Teve resposta negativa ou não respondeu? Daí sim passa para o próximo da sua lista de “prioridade”. Não coloque 30 copiados JAMAIS. Vão nem querer “dar” essa pauta, nem quando esta estiver já lançada em primeira mão em outro veículo.

7 ) A banda quer sua matéria publicada e envia um release com: Mapa de Palco, perfil de cada integrante… mas o release com as informações sobre o trabalho conta APENAS com 2 linhas.

O que realmente importa não está trabalhado. Simples assim. Para um veículo de imprensa pouco importa o mapa de palco, teu cachê, os hobbies dos integrantes, onde cada um estudou. Esquece isso e foca no teu trabalho, no conceito, temática do disco, temas que abrange, um pouco de história e por aí vai. Sua banda pode ter começado ontem mas duvido que em duas linhas você consegue passar algo relevante.

8 ) O veículo te informa que não é da sua cidade então não tem interesse em divulgar shows por aí. A banda / assessor pede perdão, diz que sabe, e no dia seguinte envia outra pauta similar.

Isso é mais do que óbvio mas acontece com certa frequência. Tenha mailings diferenciados. Talvez um show em Fortaleza para um blog de São Paulo não seja interessante. É muito provável que um show em Porto Alegre não caiba numa agenda cultural de Curitiba.

O mesmo vale para sites e blogs de uma cidade distante. A chance do público dele estar centralizado em sua cidade de origem é alta. Pesquise sobre o lugar que vai enviar seu material, as vezes da para prever o tipo de conteúdo que cabe e o que não cabe apenas com uma pequena pesquisa.

9 ) Má educação em geral.

Para estabelecer qualquer tipo de diálogo na vida com um estranho você deve ser gentil. Deveria ser via de regra ser gentil com todo mundo, independente dos desafetos, mas quando você vai pedir um favor para alguém tenha o cuidado redobrado em não ser invasivo, hostil ou “malandro”. Se coloque no lugar do outro.

10 ) Se oferece para “colaborar” e quando você fala ok manda um texto teste, te envia um release cru. Cadê sua análise crítica? (é assessor mas finge que é alguém interessado em colaborar)

Esse toque não é para bandas mas para quem quer colaborar com o Hits Perdidos ou qualquer site com foco em resenhas analíticas. Esse tipo de malandragem é facilmente perceptível, não queime seu filme pois você não saber o dia de amanhã. Seja honesto, se está assessorando uma banda, não finja que quer ser um mero colaborador que só traz bandas “amigas” mas que na real são “clientes”. Transparência sempre.

11 ) Jogar um link solto e o jornalista que adivinhe do que se trata.

Respeite o seu trabalho. Só você sabe as horas que passou gravando aquilo, pensando em todos os detalhes que envolvem ter uma banda. Não achamos que é uma missão simples, ok? Mas trabalhe um texto para que desperte o interesse de quem não te conhece.

Pensa que a pessoa recebe no mínimo 500 e-mails por semana. Trabalha duro igual a você. “Mas não tenho tempo”, peça para um amigo, pergunte por modelos eficientes, tem muita gente disposta a ajudar. É tudo uma rede, saiba usá-la e também ajude. Todo mundo ganha.


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12 ) Release cheio de autoelogios

Eu não deveria nem estar falando sobre isso mas ainda acontece. Eu sei que você tende a amar o seu trabalho, só que segura um pouco amigo. Deixa os elogios virem de quem analisa seu material. Se tiver muitos elogios, provavelmente a expectativa sobe – e a chance de não se justificarem aumenta. Pés no chão sempre, se for bom mesmo vão notar.

13 ) Mandar e-mail 3 dias seguidos

As vezes o jornalista apenas não chegou nele, calma amigo. São muitos e-mails recebidos por dia. Relembre depois de uma semana, 15 dias que fica mais elegante. Não se queime por isso, não cobre de maneira agressiva. Pense que é a construção de um relacionamento.

14 ) A banda cobra, o jornalista vai lá e faz a matéria, e o artista não divulga o link

Essa aqui todo mundo que escreve vai se identificar só de bater o olho. Fazer um texto demanda tempo e o mínimo deveria ser o compartilhamento, mesmo se for uma resenha não tão elogiosa. Pessoas acertam e erram o tempo inteiro. E opiniões negativas também ajudam com que você evolua e se desenvolva como artista. No fim pode até ser algo bom.

15 ) Ameaça como abordagem.

Pode parecer surreal ou coisa de outro planeta mas já aconteceu por aqui. Certa vez me abordaram desta forma: “qual o seu preço? porque você ignora a gente”. Detalhe era o primeiro e-mail da banda que eu tinha recebido. Não seja essa banda, vai ser eternamente lembrado pelo comportamento hostil.

16 ) Toda banda quer espaço, tranquilo, ai ao invés de mandar um texto contando mais envia apenas o clipping.

Poxa, conta mais de você, porque eu deveria ouvir seu trabalho? Não me interessa se você saiu no site dos amigos ou se teve destaque em uma revista de cultura pop. Legal, mas você precisa me convencer de que vale a pauta.

Conta sua história, cria uma narrativa interessante, as vezes nem é o tipo de som que ouviria mas você sempre tem algo interessante a contar. Invista nisso.

17 ) Situação:  “Uma banda veio pedir se eu podia fazer um release para o maravilhoso clipe deles. Detalhe estava direcionado a mim (e para mais 50 e-mails de outros veículos).”

Não sei nem por onde começar a comentar isso. Mas não seja essa banda, nunca. Quer fazer uma proposta profissional, escreva um e-mail individual como se estivesse contratando alguém mesmo. Negocie o pagamento, fale sobre qual serviço quer contratar em específico mas nunca espere tal tipo de conteúdo de graça.

18 ) Você escreve a resenha, espera pelo link do streaming e a banda te fala: “A gente só põe na net depois de vender 1500 discos físicos”

Essa aqui já virou uma história folclórica. Eu fico abismado até hoje. Como alguém quer divulgar seu trabalho para milhares de pessoas sem elas poderem ouvir o registro? O público final não é o jornalista, ele é apenas o meio, dê um jeito do seu público te ouvir de alguma forma. Independente da plataforma. Estamos em 2018.

19 ) Banda envia no release o SET dos covers que costumam rolar nos shows e o cachê.

Eu fico sem entender o porquê de juntar tudo em um só e-mail. O ideal e DICA para qualquer banda é ter releases diferenciados. Esse é para imprensa, esse é para produtor e afins. Seja objetivo sempre.

20 ) Mandar um release de 4 linhas.

Eu acho impossível justificar todo o trabalho de qualquer banda, e o esmero da gravação / conceito e o que queira passar de maneira tão resumida.

É muito bom por outro lado ler um release bem feito, isso provoca com o jornalista tenha interesse em te entrevistar. Faz com que ele tenha estímulo de desenvolver uma pauta mais elaborada e que consequentemente apareçam “ganchos”.

21 ) E o clássico, meu disco sai amanhã, divulga?

O ideal é mandar para quem for escrever com antecedência. Escrever na pressão é difícil para qualquer um que queira fazer algo mais elaborado.

Nunca se Esqueça

Sempre que mandar e-mail para um site/blog/produtor/selo/casa de show lembrar que tem um ser humano ali que assim como você quer ter seu trabalho respeitado. Ele também tem muitos afazeres e uma caixa de e-mails lotada.

5 thoughts on “21 Erros que as bandas cometem ao lidar com a imprensa

  1. Muito bom! Super construtivo, principalmente no início quando realmente as vezes cometemos essas gafes, é bom ter alguém pra dar um direcional construtivo nem todo mundo tem noção básicas de algumas coisas, as vezes só um sonho kkkk

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