[Premiere] Através de “live session” derretida, Mineiros da Lua lança dois sons inéditos

Música também pode fazer uma ponte com outros universos – e muitas vezes o faz. Permeia o mundo dos sonhos, desemboca em melodias envolventes e nos desperta uma imensidão de sentimentos. Sem limites, preconceitos ou dimensões.

Quando ouvimos bandas como Transquarto (DF), Sick (MG), Origens (AL), The Nebula Room Experience (RS) e Mineiros da Lua (MG) temos a certeza de que ela pode sim transcender. Pude conhecer o som da Mineiros da Lua recentemente e logo de cara me surpreendi pela rica combinação e imersão sonora.

A panela do quarteto formado por Elias Sadala (guitarra), Haroldo Bontempo (guitarra), Jovi Depiné (bateria) e Diego Dutra (baixo) é vasta e passeia por estilos como pós-rock, pós-punk, jazz, psicodelia, rock alternativo. O grupo foi formado em Belo Horizonte e é o resultado de (quase) dez anos de amizade. Um outro fato interessante é o quão jovens eles são, o mais jovem é Jovi que tem 17 anos, o mais velho, Elias, tem 20.


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Mineiros da Lua durante show n’A Obra em Belo Horizonte (MG). – Foto Por: Debora Gabrich

Tendo lançado no ano passado seu primeiro registro com 5 canções, Turbulência (Ouça no Spotify) via La Femme Qui Roule. Agora após apenas oito meses do lançamento de seu debut, eles optaram por lançar dois sons inéditos através de uma live session. Esta que foi gravada no Estúdio Nebula Records (Belo Horizonte / MG).

As referências citadas pelo conjunto são bastante diferentes e isso dá corpo ao resultado final de seu trabalho. Eles citam do exterior BadBadNotGood, King Krule e Mild High Club e do independente nacional Boogarins, Lupe de Lupe e Fábio de Carvalho. O que só mostra como estão conectados com o cenário efervescente dos últimos anos.
Se uma coisa eles já entenderam é que para uma banda ganhar território é necessário mesmo circular e eles já chegaram a apresentar ao lado de bandas que tem dado o que falar dentro do cenário nacional como Mahmed, Glue Trip, Fernando Motta Bike.

A Live Session

O registro segundo os próprios integrantes foi feito de maneira D.I.Y. (Faça Você Mesmo) e foi gravado no estúdio Nebula Records.

O som foi captado por Fred Paco (proprietário do estúdio e criador do selo de rap ACME), mixado e masterizado por Diego Dutra (baixista da banda).  Já as gravações em vídeo foram feitas por Júlio Natan, e a edição também por Diego Dutra.

A ideia de realizar o registro veio da vontade de mostrar para outros públicos o poder das apresentações ao vivo do grupo. Para isso eles resolveram apresentar para os fãs dois sons inéditos: ”Aquecimento”, ”Fuga da verdade/Vaidade”. Além de uma versão para “O Imperador”, esta presente no EP de estreia dos mineiros, Turbulência (2017).

As inéditas estarão presentes no próximo lançamento que assim como os registros dos conterrâneos da Leões de Marte, mostram vigor, texturas, imersão, peso, variação, consistência e personalidade.



São pouco mais de 13 minutos e meio de session e talvez o tamanho do vídeo que faça com que a imersão do espectador seja alcançada. Feito uma jam o registro permite com que tenhamos os mais diversos tipos de sensações e experiências ao assistir.

“Aquecimento” começa quente, lo-fi, com linhas quebradas que nos lembram a estética do jazz indo de encontro a psicodelia setentista. É sensorial e sua progressão de acordes nos conduz por um deserto – em meio a uma tempestade de areia. Gosto quando ela vai ficando mais pesada e as guitarras começam a duelar já em seu trecho final.

“O Imperador” é feito uma bossa torta e derretida feito o casamento entre Lupe de Lupe – em sua letra – Mild High Club, Beach Fossils e Sonic Youth – em seu instrumental. Se você gostou do do repertório infindável de dolorosas piadas (2015) do Gorduratrans provavelmente irá curtir a faixa.

Já “Fuga da Verdade/Vaidade”, o hit perdido da live session, te faz dançar com seu baixo envolvente desde seus primeiros segundos. Acredito que a versão ao vivo deixe toda a energia da jam ainda mais envolvente, ela é transgressora e questionadora em sua estrutura.

Rasga, provoca, derrete feito a psicodelia do Bike mas vai beber da fonte do jazz moderno do BADBADNOTGOOD. Sua melodia e letra me lembra o jeito de que Cazuza empunha em suas composições.

Minha parte favorita é quando ela ganha o peso e vai se arriscando a “fritar” feito uma jam sem fim. Fecha a session em seu auge e por isso acerta em cheio.


ELIASTOP
O guitarrista Elias. – Foto: Divulgação

É bastante reconfortante poder conhecer o som de bandas como os Mineiros da Lua pois eles tem a preocupação de transformar sua música em uma experiência sensorial. Que dialoga sim com o momento e os novos caminhos da música mas que olha para a frente e não procura se prender a fórmulas. O que dá uma liberdade para quem o som possa se desenvolver para outros campos.

Fico até pensando como seria o som de bandas como o At-The Drive In se não tivessem parado por tanto tempo, para onde estariam em termos de evolução nas composições. Então poder ver caras tão novos já procurando referências e se aventurando por outros universos, é revigorante. Continuem por este caminho!

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