[Premiere] Inflamável e barulhento, Orange Disaster lança seu 1º registro em 4 anos

Uma série de shows, um novo fôlego e mudanças. É nesse espírito que o Orange Disaster planeja aproveitar esta oportunidade de rever amigos, antigos e novos fãs. Tendo lançado seu primeiro LP em 2011, We Will Conform! 11 Steps to Reach Happiness, a banda paulistana já passou por uma série de formações.

Recentemente inclusive eles passaram por mudanças neste quesito. Com a saída da guitarrista Marina Lemos, Theo Portalet assume as guitarras. Ele que é fã de longa data do conjunto e também toca no Hangovers e na DERCY.


ALTA
Theo Portalet completa a nova formação do Orange Disaster. – Foto Por:  Ricardo Raymundo Toscani

A formação atual da banda conta com JC Magalhães (vocais), Vini F. (guitarra), Davi Rodriguez (bateria), Carlão (guitarra) e Theo Portalet (guitarra). Aproveitando a estadia do baterista, Davi, no país eles marcaram uma série de três shows onde os fãs poderão vê-los.

O primeiro aconteceu no palco da Associação Cultural Cecília durante show realizado dentro do II Imbróglio Fest no último sábado (24). Foi também a estreia ao vivo do single, “Path of Flame”, este que foi gravado em 2015 mas que devido a complicações – e contratempos – só está sendo lançado agora.

Premiere Path of Flame / Show Your Scars (29/03/2018)

Este é o quinto lançamento do Orange Disaster. Sendo as primeiras inéditas desde o último registro do quarteto, Enemy Gospel (2014), este que teve até participação especial do mestre José Mojica Marins (Ouça aqui). O último registro antes destes novos singles inclusive foi lançado durante a turnê europeia do grupo.

Antes, eles lançaram, o já citado, We Will Conform! 11 Steps to Reach Happiness (2011), o The Orange Disaster Christmas EP (2012) e o EP Baturité (2013).

As duas novas canções “Path of Flame” e “Show Your Scars” foram gravadas em 2015, no Family Mob, durante o Converse Rubber Tracks. Estas que foram gravadas com uma outra formação que contava com Marina Lemos, principal autora de “Path of Flame”, e o Gutemberg de Almeida (ex-Zefirina Bomba), e com gravações adicionais do baterista Davi Rodriguez, que mora na Alemanha.

Para quem perdeu o show que aconteceu no último fim de semana na Associação Cultural Cecília, a faixa “Path of Fame” será inédita. E para quem não pôde conferir os shows de 2015, “Show Your Scars” também será.

“Demoramos tanto tempo pra lançar porque nesse intervalo entre a gravação e o lançamento rolaram algumas mudanças de formação e, entre ensaios com as formações novas e projetos/problemas pessoais de cada um dos integrantes, acabamos sempre deixando pra depois. MAS, felizmente, estamos orgulhosos de finalmente revelarmos essas duas músicas.” – conta o guitarrista Carlos Eduardo



“Path of Flames” já chega abelhuda e barulhenta trazendo aquele espírito soturno do kraut rock misturado ao post-punk. O vocal inclusive tem uma levada um tanto quanto Peter Murphy e o som com certeza vai agradar a fãs de The Fall e das estranhices de artistas como Ministry, Rob Zombie e The Cramps. Ela beira o ocultismo e parece até zombar disso.

“Show Your Scars” soa como uma viagem no tempo misturando o rock psicodélico, Kraut Rock e Garage Rock a delays e efeitos que desembocam em uma viagem estratosférica ao universo paralelo das guitarras derretidas. Para quem gostar de Sonic Youth, bandas No Wave e Noise Rock, essa é a pedida. Daquelas para sair surdo da sala do Aurora após a apresentação desta quinta-feira (29).


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Entrevista

[Hits Perdidos] Queria que contassem antes de mais nada quão simbólico é essa mini-série de shows entre todas estas mudanças e impossibilidades de manter por muito tempo essa reunião.

Carlos: “Cara, tocar no Orange Disaster é sempre uma experiência única, muito prazerosa. E é muito difícil saber que teremos pouquíssimos encontros pra poder ensaiar, tomar umas, falar merda e fazer shows. Isso torna todos os nossos encontros em algo único.

É tipo passar um ano longe da mulher da sua vida e saber que você vai ter meia dúzia de encontros num período muito curto pra matar a saudade. Também por isso que sempre íntimo um a um todo mundo que conheço pra ver nossos cada vez mais raros shows. E ver a reação dos amigos que já nos conhecem e dos que nunca nos viram é sempre maravilhoso e faz toda essa espera valer muito a pena.

Neste ano, especificamente, temos novidades na formação, com a entrada do Theo Portalet na guitarra grave depois da saída da Nani, e no repertório, que mudamos completamente pra incluirmos no setlist músicas que estávamos deixando de lado, sabe-se lá por que.”

[Hits Perdidos] Como essa pausa mesmo que por diversos motivos fez com que repensassem as coisas dentro da banda?

Carlos: “É muito difícil manter um relacionamento à distância. Que dizer uma banda. Pra mim, banda acontece junta, com todo mundo olhando um no olho do outro. Mas, claro, dá pra gente resolver isso com conversa e planejamento.

Desde que tocamos pela última vez, em março do ano passado, praticamente não tocamos muito mais no assunto Orange Disaster. Só voltamos a nos falar quando resolvemos aproveitar a vinda do Davi ao Brasil (nosso baterista mora na Alemanha) pra finalmente lançarmos essas duas músicas que estavam engavetadas há dois anos.

Imagino que antes de o Davi voltar a gente troque umas ideias a respeito do que fazer daqui pra frente – mas não vou me surpreender se só resolvermos pensar nisso quando o Davi comprar uma passagem pro Brasil de novo (risos).”

[Hits Perdidos] Ambas as faixas foram gravadas no projeto Converse Rubber Tracks e só estão saindo agora, inclusive composições ainda com outra formação. Como foi a experiência no Family Mob? E para quem for aos shows: notará diferenças da gravação para como elas soam ao vivo?

Carlos: “Foi muito legal! Tivemos pouco tempo entre a confirmação da data para gravarmos e começarmos a trabalhar nas duas músicas novas, que nem faziam parte do nosso repertório.

“Path of Flame”, por exemplo, é um riff da Nani, nossa ex-guitarrista. Ela nos mostrou no primeiro ensaio pra essa gravação e logo a fechamos. Focamos bastante nos ensaios de pré-produção e fomos pro Family Mob sabendo o que cada um deveria fazer.

Pra mim, pessoalmente, foi uma gravação difícil. Tinha tirado as amígdalas uma semana entes e eu tava com dor, sem poder falar e comer qualquer coisa que não fosse purê. Mas foi demais gravar num estúdio legal. Teve quem duvidasse que a gente fosse conseguir sair de lá com duas músicas gravadas nas 7h que teríamos, mas terminamos tudo em 6h, bastante satisfeitos.

Ao vivo, pode ter certeza que as músicas vão ficar muito diferentes. O Davi tem um estilo único de tocar bateria e é difícil ele não deixar as coisas com o jeito dele. A entrada do Theo também deu um peso maior pros nossos graves. A julgar pelo show da Associação Cecília no II Imbróglio Fest no último sábado (24), a estreia ao vivo de “Path of Flame” ficou mais pegada.”

[Hits Perdidos] Os shows também marcam a estreia nos palcos do Theo Portalet (Hangovers / DERCY) na banda. Vocês tiveram pouquíssimo tempo para deixar tudo ensaiado, como tem sido…intensivão?

Carlos: “Pra ele foi bem puxado. Foram 4 ensaios antes do show de sábado e alguns encontros pra passarmos alguns truques, já que muita coisa que a gente faz ao vivo é diferente do que rola nas gravações. Ele foi muito rápido e dedicado. Lembro que tive quase dois meses entre meu primeiro ensaio com o Orange, em 2012, e meu primeiro show.

Ele pegou a bucha, matou no peito e saiu jogando lindamente. Pessoalmente, é uma honra tê-lo na banda. Como eu, ele era fã do Orange Disaster antes e, também como eu, ficou muito realizado quando foi convidado.

Além de ser um grande amigo, ele toca muito, também tem um jeito único de tocar. Foi uma pena a saída da Nani, que também é uma baita guitarrista e dava um pouco de charme e delicadeza pros shows brutos que costumamos fazer.”

[Hits Perdidos] Hoje em dia qual das “novas faixas” gostaram mais e porque? Depois dos ensaios e jams, já saiu algum esboço para algum material inédito?

Carlos: “Não tenho uma preferida. Elas são bem diferentes e únicas dentro do nosso repertório. “Path of Flame” tem uma pegada mais pesada, é a única música do Orange Disaster em que tocamos com afinação diferente, em Drop D, e uns acordes tortos que o Vini colocou e deram um baita caldo pra música.

“Show Your Scars” recoloca a banda num caminho que eu vejo com muito bons olhos pro futuro, que é puxar elementos de música brasileira sem tirar nossa pegada garageira com um pé no kraut rock e a presença única do Júlio nos vocais e uma pitada de música nordestina que só um baterista como o Guga poderia dar.

Temos algumas jams gravadas nos últimos anos que podem virar músicas no futuro que vão por esse caminho e, ao menos pra mim, vejo como um norte interessante a ser seguido. Infelizmente, os ensaios que fizemos este ano foram bastante corridos e mal conseguimos fugir do script. Mas o Orange tem uma facilidade enorme em criar quando está junto. Como o Davi viaja só no sábado, não duvido que a gente invente alguma coisa no nosso último ensaio ou, porque não, ao vivo.”

[Hits Perdidos] Para fechar queria que comentassem também sobre os dois super line-ups dos shows de quinta no Aurora e no 74 Club.

Carlos: “Pô, o show no Aurora é uma festinha em casa, né? Combover é quase uma filial abobada do Orange Disaster, Poltergat gravou conosco e (spoiler!) vai gravar em breve de novo.

Já tivemos festas memoráveis este ano e tenho certeza que esta estará entre as mais inesquecíveis, se alguém lembrar do que rolou no dia seguinte. No 74club vou realizar o sonho de dividir uma noite com os Giallos, que são uma das melhores bandas de rock do Brasil há muito tempo.

Na única vez que isso aconteceu desde que entrei no Orange, em julho de 2013, toquei em Santos com o Combover, abrindo pro Macaco Bong. Como fã do Orange antes de entrar na banda, não perderia um show desta banda onde quer que fosse.”

Agenda


AU


AURORA AO VIVO apresenta: Orange Disaster, Poltergat e Combover

SERVIÇO:
Quando: 29 de março, quinta-feira, 20h
Quanto: R$ 15 (dinheiro/débito/crédito)
Onde: Estúdio Aurora (Rua João Moura, 503 – sala 12)
Lotação: 50 pessoas
Como chegar: De metrô, estações Clínicas e Fradique Coutinho do Metrô. De ônibus, ficamos a duas quadras da Praça Benedito Calixto, próximo ao cruzamento das avenidas Rebouças e Henrique Schaumann. De carro, tem estacionamento 24h ao lado (só aceita dinheiro) e costuma ter vagas na rua. Mas se vier de carro, não beba!
Proibida a entrada com bebidas de fora.


ORAN


Orange Disaster e Giallos no 74club

Quando: Sexta-feira (30/03)
Onde: 74 Club 
Endereço: Rua Itobí, 325 – Santo André (SP)
Horário: 20h
Entrada: R$10

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