This Is Brazil, Not USA: Playlist reúne + 200 bandas do Hardcore BR

No fim dos anos 70 o punk rock passou por uma série de transformações e desembocou no que seria chamado de Hardcore Punk. As origens do hardcore vem do sul da Califórnia e da forte cena punk de São Francisco que tem inspirações no proto-punk nova iorquino de artistas como Stooges e Dead Boys.

Diferente do povo “durão” de NY, os californianos incorporavam em seu punk expressões anti-arte da raiva masculina, energia e senso de humor subversivo. Sim, o hardcore já nasceu desordeiro por natureza, com desprezo ao comercialismo (Oi, Dead Kennedys), contra a estética comercial da indústria fonográfica e qualquer semelhança ao rock mainstream.

Os problemas sociais e a contestação da política vigente aparecem desde suas origens. Com muito confronto e língua afiada em suas letras e “danças”. Na década de 80 o hardcore virou febre e atravessou o país tendo fortes cenas em New Jersey, Washington e Boston. Inclusive o título do post é inspirado em uma clássica coletânea lançada em 1982.


 

 


O Hardcore começou a rodar o mundo e chegar a países como Canadá, Itália, Japão, Inglaterra e Brasil. Além de se tornar popular em países da América latina e Europa.

Como todo estilo ele começou a ganhar subgêneros e correntes como o SXE (Straight Edge) e outros movimentos de contracultura. Todos eles sempre com a mentalidade do Faça Você Mesmo (D.I.Y.).

Alguns dizem que o termo vem direto do álbum da banda de hardcore de Vancouver (Canadá) D.O.A. que em 1981 lançou o álbum com o nome Hardcore 81. Já o historiador Steven Bush diz que o termo se refere ao estar inconformado com o que o punk e a new wave tinham se tornado. Assim hardcore tendo o significado de EXTREMO, punk mesmo e se diferenciando do que estava já sendo incorporado a música mainstream.

POGO e MOSH

O que mais tarde viraria a se chamar de moshing surgiu no começo dos anos 80 como um estilo de dança onde os participantes empurram os outros, e o stage diving.

A ideia original consistia em expressar a raiva e representá-la de uma maneira com que fosse agressiva, áspera e quase rude. Assim permitindo com que os participantes destoassem das boas maneiras presentes na cultura da classe média. É uma maneira de parodiar a violência sofrida todos os dias em todos seus âmbitos. Muitas vezes seus participantes saiam sangrando e com lesões. Por isso o hardcore era visto como perigoso, anárquico e hostil.

O termo mosh surgiu no começo dos anos 80 em Washington, outro berço do hardcore norte-americano. Inclusive em uma apresentação da banda Fear em 1981 – banda que tinha o Flea do Red Hot Chilli Peppers – durante um episódio de Halloween do Saturday Night Live foi tirado do ar quando uma “rodinha punk” invadiu o palco, quebrou todos os equipamentos do estúdio e começaram gritar palavras de baixo calão. O caos estava plantado.


 

 

 

 


Fanzines

Os fanzines feitos de forma completamente D.I.Y e xerocados eram a forma com que as bandas encontraram com que sua música fosse espalhada sem depender da mídia corporativista. Muitos deles contém artes de artistas como Raymond Pettibon que inclusive é o responsável pelo logo icônico do Black Flag. Os zines para os mais novos seriam como “os blogs” da época e funcionavam como uma rede social de troca e parcerias. Alguns como o Maximum Rocknroll e Touch and Go se tornaram lendários.


FANZINE
Warning fanzine, No. 5, de 1983.

Subgêneros

O Hardcore é muito mutável e isso fez com que muitos subgêneros surgissem em paralelo como o D-Beat, o emo, o hardcore melódico e o thrashcore. Da fusão surgiram estilos como crossover thrash, crust punk, grindcore, metalcore, Post-Hardcore, Heavy Hardcore, Grindcore, Digital Hardcore, Nintendocore, Screamo, Queercore, Nardcore, Rapcore, Skacore, Mathcore, Jazzcore, Deathgrind e Deathcore.

Outros gêneros musicais para que existissem foram buscar recursos e referências no estilo como Alternative Rock, Sludge Metal e o Grunge.

No Brasil

O Punk Rock chegou com tudo no Brasil e teve como marco o festival o Começo para o Fim do Mundo que aconteceu no palco do Sesc Pompeia no fim de 1982 reunindo as bandas Dose Brutal, Psykóze, Ulster, Cólera, Neuróticos, M-19, Inocentes, Juízo Final, Fogo Cruzado, Desertores, Suburbanos, Passeatas, Decadência Social, Olho Seco, Extermínio, Ratos de Porão, Hino Mortal, Estado de Coma, Lixomania e Negligentes.

Registros como o SUB lançado em 1983 através do selo Estúdios Vermelhos, do Redson do Cólera, também foram importantes para a sua disseminação do estilo no país. Era para ser um álbum do Cólera inicialmente, porém Redson resolveu chamar mais três bandas: Ratos de Porão, Psykóze e Fogo Cruzado.

O primeiro registro mesmo foi o Grito Suburbano que foi lançado em 1982. Este que contou com Olho Seco, Inocentes e Cólera, cada uma delas com quatro faixas.

A imensidão de bandas de punk e hardcore que temos e tivemos é um legado que carregamos e é sempre bom ver reuniões de projetos como Street Bulldogs e RRRAICT TUFF!!! que nos motivam a continuar seguindo em frente. Bandas como a Sistema Sangria por exemplo se mantém na ativa a mais de 18 anos.

O Botinada dirigido por Gastão Moreira e lançado em 2006 é um dos mais importantes documentários do começo do punk no Brasil.


 

 

 


“Vi o Hardcore nascer como estilo em 1981, mas bem antes já tinham umas bandas que faziam “aquilo”, mas não tinha um nome pra definir o que faziam, eu inclusive. Ver que ele resiste até hoje, mostra que quem curte HC, simplesmente não se importa com modismos passageiros, ver tantas bandas novas e boas juntas, só me faz acreditar que sempre vai ter gente com atitude nesse mundo, longa vida ao Hard Core, pois nós iremos morrer, mas ele não…” – Clemente do Inocentes. 

O tempo passou e o hardcore foi ganhando raízes no Brasil. Em 2013 Daniel Ferro lançou um documentário retratando o hardcore dos anos 90 até o emo. Outro registro importante para o cenário brasileiro.

“Documentário de 1h de duração, abordando as bandas independentes da cena de hardcore melódico brasileira, no período da segunda metade da década de 90 até os dias atuais, até a explosão e sucesso de algumas no mercado mainstream.

Com entrevistas exclusivas com artistas como Dead Fish, CPM22, Garage Fuzz, NxZero, Dance of Days, Gloria, Sugar Kane, Forfun, Fresno, Hateen, Cueio Limão, Street Bulldogs, Bullet Bane entre muitos outros envolvidos, o documentário revela imagens inéditas, coletadas de arquivos pessoais das bandas.

O programa aborda ainda questões como a confusão que foi o termo “Emocore” no país, a relevância da casa Hangar 110 para o fortalecimento da cena, além de mergulhar nos reflexos gerados a partir de uma cena autossuficiente que se transformou ao virar a sensação dos jovens na primeira metade da década de 2000, culminando numa crise atual do underground.” – conta a sinopse do documentário



O hardcore respira e por isso mesmo montei uma playlist com mais de 200 bandas independentes brasileiras. Sem preconceitos com estilos e mostrando sua pluralidade.

PLAYLIST NO SPOTIFY

Playlist HARDCORE


No Brasil o cenário de hardcore tem tradição desde os anos 80. Com muitas bandas ótimas do hardcore old school, melódico e até algumas que flertam com o metal, como é o caso do metalcore.

A panela do hardcore continua fervilhando e o público é bastante fiel. Sendo assim, reuni 214 bandas do gênero. A seleção Especial pode ser encontrada no Spotify do Hits Perdidos (siga o Hits no Spotify!).

A playlist conta com sons das bandas: Ratos de Porão, Gritando HC, Ação Direta, Calibre 12, Mukeka Di Rato, Garage Fuzz, Dead Fish, Chuva Negra, Plastic Fire, All The Postcards, Statues On Fire, Agrotóxico, Surra, Bandanos, D.F.C., Periferia S.A., Discarga, Lobotomia, Possuído Pelo Cão, O Inimigo, Running Like Lions, Same Flann Choise, Pense, Blackjaw, Zander, Merda, Street Bulldogs, Horace Green, Nitrominds, Rawfire, Montese, Nada em Vão, Faca Preta, Norte Cartel, Magüerbes, Overlife Inc, Diabo Verde, Macakongs 2099, Ódio Social, Bayside Kings, Against The ‘Hero’, menores atos, Benin, Bullet Bane, Black Pantera, Envydust, End Of Pipe, Questions, One True Reason, Institution, Confronto, Oitão, Cannon Of Hate, Mar Morto, Sempre, Dinamite Club, Leptospirose, Skate Aranha, Desalmado, chcl, Jerseys, Triunfe, Controle, Better Leave Town, Betterman, D.P.R., Santa Morte, Tonelada, Marca de Honra, Escombro, Wiseman, Fronte, Rallye, Gagged, Coerência, Acionistas Vienenses, Hateen, Depois da Tempestade, Point Of No Return, Jason, A Thousand Times, Caffeine Blues, Black Days, Atrack, Fábrica Civil, Swallow The Waffle, Rivets, Tujërpiis, Fasterdays, Profasia, Cervical. Surprise Set, Kacttus, Backdrop Falls, Comsequência, Born To Freedom, Diamanita, Backfire Away, Perfecto, Rosario Hardcore, Ideal, Banda California, Mistanásia, Atomic Winter, Broad and Sharp, Circus Rock, Paura, NDR Hardcore, Make It Stop, Bidu Silas, Mais Que Palavras, Dead Sky Dawning, Desacato Civil, Galinha Preta, Are You God?, Facada, Dislexia, Encare, Filtro Vermelho, Surprise Box, Heavenless, Maddiba, Manger Cadavre?, Mollotov Attack, Safari Hamburguers, Cadibode, ARD, Molotov Conspiracy, Join the Dance, Letall, Cristo Bomba, Aqüeles, Obstinée, Manual, Livre, Que Fim Levou Valdir?, Guetto Hardcore, S.F.A.C.. Disórdia, PMA Trio, Sinera, Clearview, Venore, Arc Over, Dissonância, Flames Day, The Gap Year, Força & Honra, Pastel de Miolos, Rising Heart, Pinheads, Strong Reaction, Never Look Back, Sociedade Armada, Cardiac Rock, Sugar Kane, CPM 22, Reffer, Wacky Kids, Fistt, Ack, White Frogs, Dance of Days, Suburban Stereotype, Anões de Jardim, Bull Control, Addiction, Fim da Aurora, Hunger United, 69 Enfermos, Buster, Inimigo Eu, Tripwire, Big Stone Crew, Reativos, Lapso de Insanidade, Hempadura, Estive Raivoso, Boca Braba, Aster. Aderiva, Lemori, Bull Control, A New Name For Terror, Ollie-Fake, Tested, Undergust, Postura, Nunca é Tarde, Quinto, Inherence, Discordex, Until We Have a Name, Teror Revolucionário, Cicatrizes do Herói, Último Sopro, Punição, Desventura, A Marcha das Árvores, HAA-TÁ!, Navy Blue, Orgânico, The Last Machine, Holiday Nice, Personas, Mutação, Sokera, Fetus Humanóides, Kore, Refutare, Apto Vulgar, Siege of Hate, älä kumarra.   

Faltou alguma? Indica para a gente que adicionamos!


 

41 thoughts on “This Is Brazil, Not USA: Playlist reúne + 200 bandas do Hardcore BR

      1. CorretA :p hahhaha Po, Tem ACB e Alto Nivel de Insanidade, parte do coletivo com o Mollotov Attack ai citado… Bandido da Luz Vermelha, acabaram de lançar CD, Bioma, Sapataria, Charlotte Matou um CAra, Kultist, Mau SAngue, Rastilho, Helvetin Viemarit (Banda brasileira que canta em finlandes haha), Tujerpiis, eita infinidaaaade de coisa. Voce ta colocando apenas bandas que estão no spotfy ?

      2. Mil perdões, Juliana. CorreTA! Muitas das citadas não tem material no Spotify :(. Charlotte Matou um Cara vai entrar na de Punk Rock que será publicada em breve! Tujerpiis entrou ontem na playlist :D.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s