[Premiere] Bandas independentes comemoram os 50 anos do “verão do amor”

Como era o mundo a 50 anos? Segundo o horóscopo chinês foi o ano da Cabra. No dia 15/03, o Brasil passou a ser denominado como “República Federativa do Brasil”. Em outubro daquele ano Che Guevara foi capturado e morto. Kurt Cobain e David Guetta nasciam e perdíamos a lenda do jazz, John Coltrane.

Naquele ~verão eterno~ tivemos discos chave que influenciaram toda uma geração. Tínhamos hippies com suas trovas psicodélicas. Em Nova Iorque o Velvet Underground começava a plantar a semente do que anos mais tarde viria a ser chamado de “punk”.

Na garagem tínhamos os Sonics – e os Zombies – fazendo uma (boa) barulheira dos infernos e o Pink Floyd vivia seu auge criativo. Os Kinks mandavam – e desmandavam – nas paradas do Reino Unido e Nina Simone cantava sobre suas dores enquanto declamava poesias sobre suas lutas sociais. Johnny Cash passava já por bons e maus bocados e os Beatles tinham acabado de lançar o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Poucos anos depois viríamos a ter o Woodstock mas a base daquela loucura, peladões, LSD, bebedeiras e boa música estava ali. Bob Dylan já era um letrista de respeito e Jimi Hendrix um dos maiores gênios da guitarra.

Os Stones lançavam seu oitavo álbum e faziam o mundo cantarolar os versos de “She’s a Rainbow”. No Brasil tínhamos Chico Buarque e Gilberto Gil com suas canções certeiras e talvez por isso depois de 50 anos eles estão ai, firmes e fortes lançando discos inéditos.

Era muita coisa para o mundo processar em apenas um ano e claro que isso demorou não apenas anos mas décadas para entendermos o que aconteceu (de fato) naquele solstício de verão.


Lonely


Daí que a Joyce Guillarducci do Cansei Do Mainstream veio com a ideia de homenagear um dos seus anos favoritos da música, 1967 (veja playlist criada pela própria Joyce com sons do ano no Spotify). São 50 anos e a data não poderia passar em branco. Meio século do pensamento revolucionário e daquela geração tão engajada que viria mais tarde a dar luz para o verão de 68.


O VE
Arte Por: Berg Jumper.

O Verão do Amor (21.12.2017)

A coletânea contou não só com bandas independentes brasileiras mas teve a grata contribuição de 5 bandas estrangeiras: Blve Hills (Canadá), Peter Paul and Sarah (Inglaterra), Alex Gavaghan (Inglaterra), Three Minute Margin (Inglaterra) e Pete Bentham & The Dinner Ladies (Inglaterra).

Do Brasil temos: Marcelo Gross (RS), Beach Combers (RJ), The Ash Tre (AP), General Sade (SP), 3Cruzeiros (SP), Dum Brothers (SP), Color For Shane (SP), Maru (SP), &Caiman (SP), Eu, Julio Victor (RJ), The Wax (SP), Early Morning Sky (SP), Wabi Sabi (SP), Ozdois (SP), Nameless Society (SP), Fagaraz (SP), Ted Marengos (SP), Kanduras (SP), Léo Fazio (Molodoys) (SP), SixKicks (SP), Porno Massacre (SP), Leela (RJ), Antiprisma (SP), Roger Alex (SP), The Raulis (PE), Cigana (SP), Cortiço (SP), Tess (SP), Stone House On Fire (RJ), Os Estilhaços (SP), Pedro Salvador (AL), Britônicos (SP), Murilo Sá & Grande Elenco (BA), Pin Ups (SP), Jei Silvanno (RS), Letty (SP), Las Courtney Lovers (PR), Wallacy Williams (SP), O Bardo e o Banjo (SP), Relespública (PR) e Os Magos do Doce (SP).

A data escolhida para o lançamento foi justamente o dia 21/12, este que é o marco do verão no hemisfério sul. O tal do solstício do verão tupiniquim já que se trata de uma homenagem feita por – em sua maioria – bandas brasileiras. Uma curiosidade mística ronda este tributo, tanto o disco 1 como o disco 2 possuem 23 faixas e a soma de 1+9+6+7 = 23. O número de 46 participantes no projeto surpreendeu até eles mesmos.

Disco 1



O disco logo começa com três grandes destaques do tributo. Gross (Cachorro Grande) faz justificar sua fama exímio guitarrista e sua versão em português para “Lucifer Sam” (Pink Floyd) é divertida e inesperada. Na sequência temos os cariocas do Beach Combers dando aquele tempero surfista para uma das bandas favoritas dos caras, o The Who. A faixa escolhida “I Can’t See For Miles”, presente no clássico The Who Sell Out (1967), fez com eles se sentissem a vontade para nos brindar com muita distorção e molejo. Acho que tocar com o atual baterista do The Who, Zak Starkey (filho de Ringo Starr), em pleno calçadão de Ipanema deu um gás para esta versão ficar ainda mais empolgante. O amapaense Alejandro que atende em seu novo projeto como The Ash Tre não teve problemas em encarar um clássico do Captain Beefheart. Sua versão para “Electricity” parece adaptada para as discotecas de Los Angeles ou algum bar sujo do Soho. Tem groove, tem tempero cowboy e revitaliza o garage rock, assim como o Strokes do começo dos 00.

Confesso não conhecer a obra do violonista carioca Baden Powell mas que foi curioso ver o processo de desconstrução que a 3Cruzeiros fez de “Canto de Xangô”, foi. Tem brasilidade mas tem riffs flutuantes e construção interessante. Grata surpresa. A quinta faixa vem com General Sade (Porno Massacre) que foi logo atrás do Roberto Rei com “A Bomba Esta Para Explodir Na Praça Enquanto a Banda Passa”, talvez a graça da versão mesmo seja os versos que ele adapta para seu personagem autodestrutivo e que servem como uma luva para seu alter-ego sádico.

Confesso que quando li que ia ter Dum Brothers esperava algo sujo, visceral e com um pézinho no metal/stoner/doom. Só que eles deram um verdadeiro tapa na cara de qualquer um que quisesse apontar estes dedos para eles. Fizeram uma versão classuda como se os Bee Gees tivessem sido incumbidos de fazer uma versão para “Some Kind Of Wonderful” do Soul Brothers Six. A sinceridade visceral dos vocais de Rafael do Color For Shane diz que a versão escolhida estava pronta em sua cabeça muito antes de seu pedido. Ele traz seu background Smashing Pumpkinesco e suas referências lo-fi para abraçar Lou Reed – e provavelmente levar um soco de volta – em “Heroin” do Velvet Underground.

O que achei interessante na versão do Maru para Aretha Franklin foi o de experimentar alguns estilos diferentes para a versão. “Respect” ficou algo um tanto quanto clashiana. Nunca achei que viria uma versão discoteca para “Somebody To Love” de uma canção do Jefferson Airplane e por alguns instantes me senti num karaokê intergalático sob a nave &Caiman. O Julio Victor (Sasha Grey As Wife / Tá na Capa) nos surpreende a cada dia com as presepadas e experimentações que se envolve. Desta vez ele foi atrás do clássico “O Astronauta” do Vinícius de Morais com seu novo projeto, Eu, Julio Victor, e deixou ela um tanto quanto Angels & Airwaves/post-rock. Gosto da ousadia em não ter amarras em se prender ao trivial.

Outra que buscou um caminho parecido com o do Julio Victor foi o The Wax com sua disco/eletrônica a là Subburbia para “For What It’s Worth” (Buffalo Springfield). Ou seja algo um tanto madchester e flertando com o new wave/trip-hop. O shoegaze teve espaço e logo em uma canção que você espera tudo menos isto. O Early Morning Sky foi encostar em um dos pilares do proto-punk nova iorquino com “Femme Fatale”, que anteriormente já tinha ganho uma linda versão do Big Star. O resultado é interessante pois faz uma boa adaptação da faixa a proposta musical do grupo. Uma canção forte se transforma em algo mais introspectivo.

A versão seguinte da Wabi Sabi me lembrou muito a carreira solo do Sid do Sex Pistols, debochada e raw, e vai dividir opiniões pois pegar um clássico do The Kinks como “Waterloo Sunset”, não é moleza. Transformar uma canção do Jimi Hendrix como “Fire” que tem seus 5 e tralalá minutos em uma música de menos de dois minutos é uma ousadia por si só e isso irritará puristas. Puristas, mas eu achei legal essa saída que o Ozdois fizeram. Entenderam a proposta do tributo e rejuvenesceram a canção.

Já os britânicos do Pete Benthan & The Dinner Ladies foram buscar referência no Jazz Punk, blues e no indie pop para dar novos ares a “Arnold Lane” do Pink Floyd. Já a versão do Nameless Band para “Sunshine Of Love” do Cream não me pegou, pareceu que apenas tiraram a música e foi isso. O mesmo ocorreu com “All Along The Watchtower” do Bob Dylan feita pelo Ted Marengos.

O lado hibilly e jeito Janis Joplin de cantar transparece em “Can You See Me” originalmente interpretada por The Jimi Hendrix Experience e que ganhou releitura da Fagaraz. A atmosfera ska anos 90 alá Los Hermanos deu corpo a versão “chororô” de “Quem Te Viu, Quem Te Vê” que o Kanduras fez para Chico Buarque. O destaque fica para o artifício dos metais.

Léo Fazio também foi de Chico com “Um Chorinho” e procurou fazer uma releitura mais intimista e lo-fi para a canção, apenas no gogó e violão. Parece uma releitura da época e talvez este seja o valor da versão. Uma das maiores vozes femininas da história merecia uma versão responsa e feita por minas, o duo Sixkicks de São Paulo trocou seu espírito rock’n’roll por um estilo mais intimista, creio eu para os versos de Nina Simone em “I’m Gonna Leave You” alcançarem novos ouvintes. Mas juro que no fundo ainda fiquei esperando distorção e aquele espírito L7 do primeiro EP.

O Porno Massacre escolheu uma canção difícil de uma das bandas que eu mais gosto desta geração, o The Sonics. Eles fizeram em si uma versão de rádio pirata para “Dirty Old Man”, daquelas de fitinhas K7 desgastadas. Esperava mais barulho mas entendi a narrativa teatral que quiseram. Fiquei confuso com a versão do Leela para “2000 Years From Home” dos Rolling Stones. A canção ainda ganhou uma viagem interplanetária com versos sussurrados por Fausto Fawcett no melhor estilo 2001 – Uma Odisséia no Espaço.

Disco 2



O disco dois tem uma sequência que fará você ficar de queixo caído. Para começar com o Antiprisma com “Venus In Furs” do Velvet Underground. Victor José, que é isso cara! Eu achei que estava com o Lou Reed na minha frente. Gostei também de como adicionaram mais elementos a canção e como souberam respeitar a original. Não é a mais desconstruída mas é uma das que mais valorizou o resgate feito pelo tributo.

Pensa em alguém que agarrou com vontade a versão e gritou “é minha!”. Foi o que Roger Alex fez com “2000 Man” dos Rolling Stones. Ele deu sim aquele espírito folk do Bob Dylan e cia mas agregou também o espírito garageiro sessentista – e virtuoso – da época.

Você pode encarar a versão do The Raulis de duas formas: 1 – Jogaram no conforto e foram competentes. 2 – Aproveitaram a chance de convidar os ouvintes para estender a audição para o disco de estreia do grupo. Os pernambucanos optaram por um medley com as canções: “Domingo No Parque” do Gilberto Gil e Os Mutante e “Czardas” d’Os Incríveis. Pegaram tudo isso, com casca e tudo mais e fizeram de uma bela salada de fruta regada a suco de cumbia e ondas tropicais. Uma divertida versão!

Com aquele espírito do The Flaming Lips o Blve Hills do Canadá fez uma versão para um dos maiores clássicos dos Beatles, “Lucy In The Sky With Diamonds”. O mérito é o virtuoso, os exageros de teclados e o derretido. Daquelas que vale a pena mesmo ver ao vivo. Principalmente pelo derretido do meio da versão feito pelo delay que deixa ela toda fantasmagórica. Haja Fantômas para justificar todas estas experimentações, viva os pedais!

Sou até meio suspeito para falar sobre a versão da Cigana pois soube de detalhes da versão antes mesmo da Joyce durante minha visita a Limeira (SP). O detalhe da versão para “White Rabbit” do Jefferson Airplane ter trechos do filme antigo de Alice no País das Maravilhas foi uma das discussões que presenciei – e aprovei. Tem espaço para linhas divertidas de guitarra, baixo flutuante e até mesmo experimentação no synth que Victoria tem se divertido aprendendo a tocar. É maravilhoso ver a evolução da banda e o disco que sairá – quem sabe – no ano que vem vai trazendo ainda mais expectativas.

A sexta faixa do segundo disco foi feita por uma banda de Mauá – cidade natal da Joyce – O Cortiço. E juro que não esperava elementos de brasilidade em uma versão para Jimi Hendrix nem em cem anos, muito menos em “Little Wing”. Boa surpresa pela ousadia e pela linha de guitarras nesta versão assim como a do The Raulis, instrumental.

Conhecendo a Stone House On Fire a tempos eu acredito que quando tiveram o sim para fazer a versão de “Blue Jay Way” dos Beatles caíram babando. Uma das bandas favoritas teve o ar stoner/progressivo da banda deixado apenas em sua introdução. Eles foram para outra solução nesta versão, algo mais sombrio e introspectivo. Mas de certa forma conversa com o segundo disco da banda pelos ares do Atacama.

Outra banda que jogou na zona de conforto foram Os Estilhaços. Mas isso não é uma crítica e sim um elogio, souberam usar a familiaridade do som a seu favor e a versão translúcida para “Pipe Dream” do The Blues Magoos é “hipnotizante”. Quem toruxe ritmos tropicais e calientes foi Pedro Salvador para uma canção do Frank Zappa, “Call Any Vegetable”. Quem seguiu a cartilha para mostrar ao que veio foram os Britônicos com “Purple Haze”, um dos maiores clássicos de Jimi Hendrix. Venderam bem o recém lançado disco de estreia da banda que caminha pelas linhas tortas do rock progressivo.

Peter, Paul And Sarah da Inglaterra fizeram uma versão a là a banda suéca Peter Bjorn & John para “Friends Of Mine” do The Zombies. Os Zombies também foram a escolha de Murilo Sá & Grande Elenco que optou para uma versão lo-fi e tímida para “Beachwood Park”.

É emocionante ouvir a voz de Alê Briganti dos Pin Ups em uma versão para “Sunday Morning”. Só pela escolha da música já merecia estar entre as melhores do disco. Ficou de uma delicadeza sem tamanho e os arranjos fizeram um tributo não apenas ao Velvet Underground mas como a carreira solo de Lou Reed que nos deixou naquele triste 27/10/2013. Ansioso pelo disco da volta, uma das bandas mais importantes do rock alternativo brasileiro. Para quem não viveu esta fase vale a pena ler o Rcknrll do Yuri Hermuche (Firefriend) e ir atrás dos discos.

Outra banda que optou por fazer uma versão de uma canção presente no disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles foi a Tess. Adorei a “chapante” releitura folk cibernética. Esta que me conduziu para um mundo mágico feito Alice No País das Maravilhas. Destacaria o trabalho dos teclados.

Uma das gratas surpresas do título do tributo é ter “Viramundo” do Gilberto Gil que tanto fala sobre o verão dentro do disco. Quem ficou responsável pela versão foi Jei Silvanno que não quis inventar a roda mas que fez questão de tocar gaita na faixa. Se tem algo que eu gosto do trabalho da Letty é justamente isso de não ter medo de aceitar desafios. Ela foi lá e escolheu uma canção difícil dos Beatles, logo a melancólica “She’s Leaving Home” e tratou de deixar um pedacinho de si mesma na canção. Trouxe dores e juntou uma imensidade de sentimentos a faixa – e isso é importante.

Vocês queriam um carrossel de diversão? As paranaenses, do Las Courtney Lovers, vem com o circo todo montado em “Waiting For The Man” do Velvet Underground. Com direito a estilo festeiro, deboche, Xuxa…tudo isso em bom português. O espírito do bardo vive em Wallacy Williams e isso se traduz na fugaz e tenaz versão para “Here She Come Again” do Velvet Underground. Ele que deixou a canção mais “bruta” e direto ao ponto.

Uma canção que não conhecia nem a original foi “Something’s Gotten Hold In My Heart” do Gene Pitney. Essa que tem toda aquela pinta de jovem guarda gringa e foi re-interpretada pelo inglês Alex Gavaghan que deixou a versão mais moderna e pronta para as FM’s. O Bardo e o Banjo optou por Johnny Cash com “Jackson” e fez o que sabe de melhor, trazer um clássico para o bluegrass. Dessa vez a versão é mais intimista e tenta prestar uma homenagem não apenas a Cash como a June Carter, sua eterna parceira.

Assim chegamos a tríade final do tributo. Os ingleses do Three Minute Margin que deixaram “Status Back Baby” do Frank Zappa com uma levada caipira folk apocalíptica. Os paranaenses do Relespública trouxeram uma versão rasgada e no estilo live cut para “Mary Anne With The Shaky Hand” mas não acredito que irá empolgar fans de The Who. A canção que fecha o tributo é “Take Up Thy Stethoscope and Walk”  do Pink Floyd. Desta vez quem executa a versão é a banda de nome sugestivo Os Magos Do Doce e não tiveram dó de descer a mão no improviso, soltar a mão nos teclados e em sobrepor instrumentos tentando se aproximar da original.

Como todo tributo tem seus altos e baixos, as que ousam mais e acertam e as que caem para o lado do exagero. Temos bandas que se prenderam demais as originais e perderam a chance de com que o ouvinte vá atrás do som autoral que acredito que seja uma das premissas de um tributo do gênero. Mas com certeza entre quarenta e tantas bandas você colocará umas 15 em sua playlist. Então o saldo é super positivo!


EVENTO
O evento de lançamento da coletânea aconteceu no sábado (16/12) na Casa do Mancha.

Para entender mais sobre toda a história, processo e como foi feita essa coletânea conversamos com a organizadora Joyce Guillarducci do Cansei do Mainstream e o Cainan Willy (Pacóvios / Cavaca Records)

[Hits Perdidos] Queria que contasse como veio isso de querer começar um projeto de resenhas de discos de 1967?

Joyce Guillarducci: “Então, sou muito fã de expressões artísticas ligadas aos anos 60, e 67 foi um ano particularmente produtivo para a música. Mas a ideia original surgiu de uma “corrente” no Instagram onde fui convidada a postar meus 9 discos favoritos que estariam completando meio século esse ano.

Comecei a listar os que eu curtia e acabei com 52 nomes! Daí veio a ideia de começar a relembrá-los no blog. Pra isso tenho contado com uma BIG help from my friends, que de vez em quando assumem o comando da coluna, porque haja tempo e fôlego rs. Ah, e sim, escolher apenas 9 discos dessa lista pra postar no IG foi um pouco doloroso.

Na época esses foram os álbuns aos quais estava mais apegada:

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[Hits Perdidos] Nas resenhas os convidados também contavam histórias emotivas e bem pessoais sobre os discos. Qual achou mais interessante ou até mesmo, esquisita?

Joyce Guillarducci: “Acho que a história mais divertida é a da Debbie Hell e o caso de furto – ou *resgate*, segundo ela rs – do ‘Flowers’ dos Stones (risos).

#36 – Flowers – The Rolling Stones

Outra coisa que rolou no decorrer dessa coluna foi uma carta manuscrita que recebi pelo correio (que vintage) com uma crítica à uma das resenhas dos discos. No mínimo peculiar (risos).”

[Hits Perdidos] Em que momento veio a ideia do tributo e qual era seu objetivo?

Joyce Guillarducci: “Foi de uma conversa com o Roger Alex na Casa do Mancha sobre as resenhas dos discos – quem diria que meses depois estaríamos lá celebrando esse lançamento não é mesmo?

Na época eu tava bem ocupada com outras coisas, mas ficou aquela pulguinha atrás da orelha. Foi só em meados de Outubro que comecei a colocar a ideia em prática, e daí percebi que pra conseguir fazer dar certo e lançar ainda esse ano mais uma vez precisaria de uma ajudinha dos amigos. Assim, convidei o Cainan Willy do Pacóvios e o Guilherme Espir do Macrocefalia Musical pra entrarem no projeto.

O objetivo pra mim é levar essa lembrança da relevância de 67 na música pra fora da tela do computador. Conseguimos levar pra obra dessas bandas contemporâneas que participaram e para o palco da festa do último sábado, achei isso maravilhoso.”

[Hits Perdidos] Como funcionou a parceria? Quais foram os critérios para a seleção das bandas?

Joyce Guillarducci: “Os rapazes ajudaram na captação das bandas – eu não conheceria o Pedro Salvador e a Kanduras por exemplo se não fosse por eles.

Com praticamente 1 mês de prazo pra preparar tudo e alguns obstáculos como disponibilidade de estúdio e dos integrantes, o critério de seleção foi basicamente a banda ser doida o suficiente pra topar entrar nessa rs. Apesar de tudo eu estava bem otimista e disposta a aceitar que dadas as circunstâncias a coletânea seria composta de no máximo uma dúzia de faixas. Acabou que chegamos em 46 bandas e isso foi muito emocionante pra mim!Devo agradecimentos à uma galera que ajudou a trazer mais nomes para a coletânea, como o Roger Marinho, o Billy Maia e o Peter Martin que trouxe 4 bandas inglesas. Valeu gente!”

[Hits Perdidos] Quais versões mais te impressionaram?

Joyce Guillarducci: “Olha, foram várias, teve muita gente surpreendendo mesmo. A versão de ‘White Rabbit’ (Jefferson Airplane) da Cigana, ou o mix de ‘Domingo no Parque’ (Gilberto Gil) + ‘Czardas’ (Os Incríveis) da The Raulis por exemplo. Também curti a galera que criou novas letras, como o ‘Gato Queiroz’ (‘Lucifer Sam’ – Pink Floyd) do Gross e a versão de ‘Waiting For The Man’ (Velvet Underground) das Las Courtney Lovers que teve espaço até pra uma referência à Xuxa (risos).”

Cainan: “Cara é uma surpresa atrás da outra, nós três (Joyce, Guilherme e eu) temos um grupo no chat do facebook e ficamos sempre falando por lá sobre as novidades em relação ao tributo. Dai sempre que a Joyce mandava uma mensagem dizendo que tinha chegado uma nova versão eu ia correndo escutar.

É um verdadeiro dilema falar sobre quais me impressionaram mais, porém, eu lembro que a versão do Dum Brothers me chamou bastante atenção logo na primeira vez que foi escutar. O Marcelo Gross fez uma ousada versão em português também, tem também uma faixa bem “bacanuda” do Britônicos, fizeram bem a cara deles. Enfim, cada vez que escuto é um uma impressão nova e fico de cara com o tanto de banda foda que topou participar.”

[Hits Perdidos] Teve alguma versão que antes de receber ficou com medo de alguém querer desconstruir ela mas depois ficou realmente feliz por ter sido escolhida?

Joyce Guillarducci: “Sim, rolaram umas escolhas pouco prováveis e inicialmente eu fiquei tipo wtf? Mas a galera conseguiu trabalhar bem as faixas e fazê-las conversar com a identidade da banda. Citaria ‘Somebody to Love’ (Jefferson AIrplane) da &Caiman, ‘O Astronauta’ (Vinicius de Moraes) do Eu, Julio Victor, e ‘For What It’s Worth’ (Buffalo Springfield) da The Wax como exemplos de “desconstrução” que ficaram bem legais.”

Cainan: “Olha, a bem da verdade é que eu queria mesmo que as bandas desconstruíssem mesmo as faixas. Acho que chegar no estúdio e regravar exatamente como é a versão original não é o mais divertido pra gente que já conhece essas músicas a tanto tempo. Lembro que quando convidei o Kanduras pra participar falei disso com eles e disse pra fazerem algo que remetesse ao perfil do último EP deles, dai eles foram gravar e fizeram uma versão bem interessante para uma música do Chico Buarque.”

[Hits Perdidos] Para o grande lançamento, o tributo ganhou uma festa com 4 bandas que participaram da coletânea realizado na Casa do Mancha no dia 16. Como foi o grande lançamento?

Joyce Guillarducci: “Então, acabamos juntando a festa de lançamento com a festa de final de ano da Casa do Mancha e da revista Vista, e assim foi um BIG evento com food trucks, pista de skate, arte em camisetas, música na rua… e o mais importante: com entrada gratuita! Foi bem divertido e nem preciso dizer que os shows da Antiprisma, 3Cruzeiros, Murilo Sá e Roger Alex foram demais, essa galera manda bem sempre.”

Cainan: “Ainda organizando o tributo surgiu uma ideia de organizar uma festa/evento de pré-lançamento, dai começamos a cogitar as possibilidades, desde fechar parceria com estúdios e convidar alguns amigos, até mesmo uma data de show com bandas que colaboraram com algumas faixas no tributo.

Dai optamos por tentar organizar uma data com shows, putz de cara eu pensei que seria meio impossível, tínhamos pouco tempo pra fazer tudo. Pensamos em alguns lugares e de cara todo mundo achou que a Casa do Mancha tinha tudo a ver com o que queríamos, um espaço que todos já frequentaram, curtem o clima e o ambiente. A Joyce foi quem fechou a data com o Mancha, ele foi bem amigo, disse que tava organizando uma “festa da firma” com os parceiros da rua e que a nossa proposta podia ser o que faltava pro evento dele.

Cara, quando cheguei na rua que fica a Casa do Mancha, lá na Vila Madalena, eu me surpreendi. A galera tava toda na rua, tomando cerveja, jogando tênis de mesa, andando de skate e o dia todo ensolarado combinou total com o clima que a gente queria, Verão do Amor, né? Quem circulou pelo evento ainda curtiu bandas do lado de fora e dentro da casinha, foi um dia/tarde/noite muito especial.”

[Hits Perdidos] A pergunta mais difícil: Quais são teus discos favoritos de 1967? e quais depois de ouvir a coletânea pronta ficou com vontade de por na vitrola?

Joyce Guillarducci: “Ai que difícil socorro (risos). Meu gosto é muito mutante, mas tem aqueles queridões da vida né, como o ‘Something Else’ dos Kinks e o ‘Disraeli Gears’ do Cream.

Tenho curtido bastante umas coisas mais experimentais, mais avant-garde rock recentemente, e fiquei bem feliz com as escolhas e resultados das versões de ‘Electricity’ (Captain Beefheart) do The Ash Tre e de ‘Call Any Vegetable’ (Frank Zappa) do Pedro Salvador, e daí corri pra ouvir o ‘Safe As Milk’ e o ‘Absolutely Free’ assim que essas faixas chegaram. Infelizmente não na vitrola porque não tenho essas bolachas, triste :-(”

Cainan: “Cara, 67 faz tempo pra caralho, né? 67 eu nem tinha nascido, alias, nem meus pais imaginavam que um dia iriam se conhecer. Mas, eu reconheço a força que esse ano teve com influenciador da cultura pop no mundo. Teve o “The Who Sell Out”, do The Who, teve dois discos fodas do Jimi Hendrix e vários outros álbuns icônicos, né? Pink Floyd e The Doors estreando, os Beatles “brisando” com sargento pimenta… por ai vai.

Difícil escolher meus prediletos, como sou um cara que puxa a sardinha sempre pra música nacional, meu favorito de 67 é um disco de Roberto Carlos, acho que é exatamente o que eu mais escutaria se já estivesse vivo naquela época. Ele lançou “Em Ritmo de Aventura”, trilha sonora de filme com as clássicas “Eu Sou Terrível” e “Como É Grande o Meu Amor Por Você” dentre tantas outras.

Depois de ouvir a discografia eu acabei ouvindo pela primeira vez artistas e discos que nunca tinha dado uma chance, tipo o Velvet Underground (pode me julgar), Jefferson Airplane e mais alguns outros. Eu fui correndo ouvir Beatles, conforme chegavam as versões eu ia ouvir a original pra relembrar, dai acaba por ouvir o disco inteiro.”

[Hits Perdidos] O projeto ganhou uma arte gráfica toda colorida e cheia de “brisas”. Quem foi o responsável, qual seu conceito e como rolou o contato?

Joyce Guillarducci: “Quem criou essa colagem foi o artista brasiliense Berg Jumper, que também tem assinado a capa de alguns álbuns da nova safra de bandas psicodélicas brasileiras, como a da Tertulia na Lua.

Conheci o Berg em Goiânia no festival Bananada desse ano, e depois nos reencontramos no festival PicniK em Brasília. Os interesses em comum nos renderam papos sobre música e psicodelia e ele virou um amigo querido, que também me ajudou bastante criando as artes na correria – essa coletânea foi uma verdadeira maratona gente!”

[Hits Perdidos] Teremos no ano que vem uma para celebrar o icônico Verão de 68?

Joyce Guillarducci: “Quem acompanhou de perto a loucura que foi a preparação desse “Verão do Amor” deve ter me ouvido dizer que eu NUNCA MAIS INVENTAVA ISSO NA VIDA (risos). Mas sabe como é né ;-)”

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