Cena Cerrado lança terceira coletânea para fechar o ano com chave de ouro

Há 3 anos nascia o Cena Cerrado. Uma iniciativa que vale desde já conhecer por ser um projeto que realmente está sendo bom para os artistas da região do triângulo mineiro.

Cena Cerrado é uma produtora que é fruto de um projeto feito por artistas e colaboradores, com o intuito de juntar tudo que é local e criar um novo movimento. Segundo eles:

“Um movimento que grite por nossos artistas, nossa música, nossa literatura. Organizamos intervenções, eventos e festivais, que são feitos pelos próprios artistas, abrindo não só mais um espaço, mas um fluxo de ideias que circula em nossa região.”


CENA


Assim como um coletivo a ideia é não só ajudar artista no campo da música, como da literatura e dos outros tipos de arte. Assim o apoio se da na base do mutualismo realizando intervenções, eventos e festivais. Assim a disseminação de ideias e experiências realmente agrega valor tanto para os envolvidos como para o “como fazer”.

A transparência é um dos pilares do coletivo. Eles descriminam custos, despesas e lucros. Todo lucro dessas atividades realizadas pelo coletivo é revertido para projetos e custos do dia-a-dia dos artistas envolvidos. Assim todo processo que envolve o ecossistema da música como promoção, mídias sociais, assessoria de imprensa, e manutenção da cena gira e ajuda com que a cena prospere de uma forma sustentável. Falamos mais disto no ano passado na época do lançamento do disco da banda Maria Augusta.

Coletâneas


cena-cerrado 1


No fim de 2015 em parceria com a gravadora Sapólio Rádio foi lançada a primeira coletânea do coletivo. Contendo 14 bandas que passaram pelo Triângulo Mineiro em 2015, sendo a grande maioria das cidades de Uberlândia e Araguari.

O álbum (capa acima com arte de Lucas Vilela) mostra a diversidade de estilos presentes na cena rock atual da região e traz também nomes já conhecidos nacionalmente como o Uganga e o Muñoz.



cena-cerrado-2016


A segunda coletânea veio logo nos 45 minutos do segundo tempo de 2016, no dia 30/12. Além de reunir destaques do cenário independente mineiro temos gratas surpresas no disco que foi lançado pelo selo Cena Cerrado Discos como FingerFingerrr (SP) e Almirante Shiva (DF).



Lançamento Coletânea 2017

2017 tem sido um ano de fortes lançamentos no cenário independente e desta vez ao invés de lançar a coletânea nos últimos dias do ano eles resolveram adiantar seu lançamento para esta sexta-feira (15/12).

A coletânea reúne 16 artistas, sendo que 11 mineiros e 5 de outros estados. Para chegar nesta seleção final as bandas de todo país puderam se inscrever através do site oficial e torcer para serem escolhidas.


CEEEE


Hoje a coletânea está sendo lançada e de Minas Gerais temos Black Pantera, Broken Jazz SocietyCachalote Fuzz, CanábicosCorpos CavernososEnzo BanzoLight Strucks, Pulmão NegroRevolta BluesSanta Pipe Vaine.

Além destes foram convidados artistas de outros estados para integrar a coletânea: Astralplane (BA), Caramurú & Julião (PE), Cabra Guaraná (DF), Red Mess (PR) e Transquarto (DF).

Como a intenção é sempre a de prestigiar também os artistas gráficos quem assina a arte da capa do disco é Ilson Junior. Novamente a coletânea está sendo lançada pelo selo Cena Cerrado Discos.



[Hits Perdidos] Esta é a terceira coletânea do Cena Cerrado. Como vê a evolução do projeto?

Arthur Rodrigues: “O projeto como um todo teve uma evolução maravilhosa, que acredito que não deixou só a mim orgulhoso, mas a cena inteira. Nesses 3 anos acompanhamos a evolução de vários artistas, em relação a tudo: composição, produção, arte. E também o mais gratificante, que é o surgimento de novas bandas, muitas por influência da cena atual que o triângulo mineiro vive, que está fervendo. E pra mim é lindo ver que todo este processo está eternizado nestas 3 coletâneas.”

[Hits Perdidos] Como foi feita a seleção? Quais foram os critérios?

Arthur Rodrigues: “A seleção foi feita por mim e pessoas que participam do Cena Cerrado: jornalistas, produtores culturais, incentivadores, músicos. Apenas selecionamos lançamentos do ano, e maioria do triângulo mineiro, buscando divulgar sobretudo a nossa região.

Desde quando começamos a coletânea, procuramos buscar a diversidade entre gêneros musicais e novos trabalhos: temos de trash metal a funk carioca, de hip hop até forró do nordeste, e a grande maioria das bandas tem menos de dois anos. Algumas estão lançando o primeiro single dentro da coletânea.”

[Hits Perdidos] Para você qual é o papel de uma curadoria de uma coletânea autoral?

Arthur Rodrigues: “Acredito que o papel é fazer chegar todos esses artistas ao maior número de ouvintes o possível. Muitos ainda encontram dificuldades pra alcançar as pessoas com seu trabalho. Muitos lançam discos, EPs e tudo mais, mas ainda tem muita gente que ainda não sabe.

Coletâneas assim provocam uma curiosidade grande no público, pela diversidade, pela divulgação conjunta, e muita gente acaba buscando mais de cada banda, a partir delas. Fora a parte da ruptura de barreiras criada por gêneros musicais, que é uma besteira das grandes.”

[Hits Perdidos] Além dos artistas de MG temos também bandas de outros estados. Como enxerga o atual momento do cenário independente no Brasil?

Arthur Rodrigues: “As bandas de outros estados na coletânea, surgem por conta de uma grande característica do cenário independente atual: as parcerias. Sejam elas entre selos, entre bandas, entre produtores, qualquer tipo. A música de qualquer cidade do país só passa a ser reconhecida a partir do momento que você consegue proporcionar os chamados intercâmbios culturais.

Por exemplo, Caramuru & Julião, últimos artistas a entrar pro nosso selo. São de Recife, que fica a mais de mil km daqui.  As vezes sozinhos, talvez gastaríamos anos pra fazer tanto o nome do selo no Nordeste, quanto da dupla aqui por Minas Gerais. Hoje, muita gente já ouviu falar deles por aqui, e acredito que muitos também já ouviram falar do selo em Pernambuco. É o que faz tudo girar.”

[Hits Perdidos] Aproveitando a deixa, como tem sido o intercâmbio de informações com outras regiões do país?

Arthur Rodrigues: “De uns dois anos pra cá, cresceu muito rápido. Várias bandas legais daqui estão indo com frequência pra outros estados, como os Light Strucks, Lava Divers, Cachalote Fuzz, Sick. Surgiram parcerias com outros selos, festivais, casas de shows. E muitas tão vindo de vários lugares do país: pelo menos umas 3 ou 4 por mês.

Ando recebendo em média 10 materiais de bandas querendo vir pra cá por semana. Quando viajo tocando com a Cachalote pra algum lugar que nunca fui, falo do Cena Cerrado e muita gente que eu nem imaginava, já ouviram falar. Isso é meio surreal pra mim as vezes, que jamais pensava que chegaria a este ponto. Mas ao mesmo tempo, também reconheço que é por muito tempo e dedicação nos inúmeros projetos que fizemos com o Cena Cerrado e com as bandas.”

[Hits Perdidos] Como tem sido o feedback das coletâneas e o que acha que pode ser feito para que o alcance seja ainda maior?

Arthur Rodrigues: “O feedback tem sido ótimo, e é o que nos faz não querer abandonar este projeto nunca. A coletânea surgiu no primeiro ano do Cena Cerrado, e a cada ano ela tem se mostrado mais profissional, mais consolidada.

O número de views nas plataformas digitais tem crescido bastante a cada edição, e para os artistas também. Neste ano recebemos 126 inscrições, que já é algo que me deixou muito feliz. Ano que vem acredito que vamos ter que lançar uma por semestre! (risos) Acredito que pra melhorar, seria com mais divulgação por parte da mídia mesmo.

Queria aproveitar a deixa, para parabenizar o Hits Perdidos por ser este site tão atencioso com a música independente, que não se resume aos artistas que estão no chamado “pré-mainstream”. Fora as resenhas dos lançamentos, que são as mais delicadas que eu vejo por aí. Continuem assim!”

[Hits Perdidos] Deixo esse espaço para qualquer comentário que queira fazer sobre os projetos.

Arthur Rodrigues: “Quero deixar um convite. Pra que conheçam não só a coletânea, mas todos os artistas daqui. Para que venham conhecer nossa região, nossos vales e cachoeiras maravilhosas. No ano que vem, acontecem três grandes festivais por aqui, e um deles é o Festival Cena Cerrado. Venham e não vão se arrepender!”

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